quarta-feira, junho 21, 2006
If I only had a brain
Agora ele sentia na pele, ou melhor, na alma o que todo bom romântico mais teme: a solidão. Ele estava arrependido de tantos atos impensados, mas nem sempre se pode voltar com o que foi feito. Para quem sempre teve um ombro em que se possa apoiar, um ouvido para desafogar os problemas, é aterrador saber que está à mercê do silêncio.
Foi quando ele tropeçou numa pedra no meio do caminho (no meio do caminho havia uma pedra), que ele percebeu que ele havia tropeçado nele mesmo. A adrenalida circulava freneticamente pelas artérias e veias de seu corpo, a excitação, a palpitação, o desespero, tudo convergia para o irracionalismo abrupto. Ele não sentia dor, embora estivesse ensangüentado.
Se ao menos ele pudesse ter pensar numa solução. Quem sabe ele encontrasse uma resposta se se acalmasse, mas que droga! Ele não conseguia se aquietar, seu coração estava revoltado e parecia não estar disposto a uma trégua. De repente, um gorjeio atrapalhou seus pensamentos; olhou ao redor do campo e visou um rouxinol a cantar no galho de uma árvore morta. Conforme escutava a melodia da ave, percebeu que a relva estava mais macia e suas pernas ardiam. Também sentiu que era tempo para voar a outras terras."
terça-feira, junho 20, 2006
Como uma pétala
Das experiências mais amargas e desagradáveis que podemos encontrar, a perda de uma pessoa querida é uma das mais desgostosas. Infelizmente, o ser humano é sujeito às imperfeições em sua natureza. Portanto podemos demonstrar atitudes e comportamentos incorretos, que acabam por ferir os entes queridos. Uma amizade imponderável pode ser facilmente denegrida pela força da inveja, pelo poder da mentira ou até mesmo pelo desgaste temporal.
A poetisa Cecília Meireles, mestra na descrição da vida como uma passagem efêmera, ensina aos leitores que o importante de um momento é a satisfação física, moral e espiritual que ele pode trazer, sem a preocupação do momento vindouro e de conseqüências eqüiprováveis. Sendo assim, um desentendimento não passa de um mero resquício de nossa imperfeição. Uma gota de mácula num oceano de pureza. Contudo, nem todas as pessoas têm noção da efemeridade e da consciência de que ela é o principal motivo para adotarmos uma vida branda e pacífica.
Assim como a pétala que voa, os problemas passam e abandonam nossa vida. Uma amizade é feito uma pétala, dentre várias numa rosa da vida.
"E por perder-me é que me vão lembrando,
Por desfolhar-me é que não tenho fim."
- Cecília Meireles
sábado, junho 10, 2006
O pesadelo de um homem ridículo
Na adolescência, as coisas começaram a se passar melhor ainda. Eu meio que conseguia conciliar minha "vida vadia" com a "vida correta". E o fazia com primazia, por sinal. Uma data inesquecível foi o dia em que perdi minha virgindade. Dessa vez houve um papel fundamental de meu pai, o qual contratou os serviços de uma mulher da vida. Ela era tão linda, devia ser um lustro mais velha que eu; curvas agressivas desfilavam por um corpo cultivado para o prazer, cada parte de seu corpo emanava sensualidade, chamava para o sexo. Tudo deu-se com calma, pela primeira vez sentia o gozo da cópula, o ápice do prazer. Essa sensação acompanhar-me-ia pela posteridade, sobre a qual contar-lhes-ei dentre intantes.
Veio a maturidade e com ela a independência. Ah! Liberdade, sim, agora tinha de me virar; passei no vestibular, fiz o curso de maior fama na época e minha carreira era certamente próspera. Comecei trabalhando numa empresa de negócios. Eu era office-boy. Não gostava de ter aquele emprego, chulo, mesquinho; eu queria mais...
Depois de ter estabilizado minha vida, conheci uma mulher, bonita, inteligente e faceira. Sabia que era com ela que me casaria. Pensado e feito: ela era minha. A lua-de-mel foi numa praia, flashes de cinema. Contudo, minha "vida vadia" teria de ser bruscamente assassinada, não! Não deixaria ninguém impedir minha liberdade, teria minha vidinha, oculta, mas teria.
O primeiro filho que veio era uma menina, linda por sinal, parecia uma princesa de porcelana quando bebê. Entretanto, a vida de casado começava a pesar no bolso, e com ela recentes brigas entre minha esposa e eu. Ela estava certa no que dizia, eu tinha de arranjar um emprego melhor, mas não estava nem aí pra eles, queria mesmo é seguir com minha vida implícita. Minha dissimulação, aprendida desde criança, fizeram-me mestre na arte de seduzir e lograr.
Com a vinda do segundo filho, a situação tornou-se insustentável. As brigas intensificaram-se, eu gastava dinheiro comprando materiais para mim e acabava por diminuir a renda familiar, ela não trabalhava e eu jogava um "você não trabalha, então fique calada!" e a situação se aquietava. Confesso que até cheguei a bater nela, bati muito no começo, mas depois ela se mostrou forte e tive que parar. Ela cada vez mais se tornava forte, isso me deixava nervoso e inquieto, não podia admitir que uma mulher fosse mais forte que eu.
Pensando nessa situação com minh esposa, resolvi intensificar minha vida implícita. Encontrei uma amante, não foi difícil, afinal sou sedutor de carteirinha. Como minha esposa não transava mais comigo, desafoguei meus desejos com a amante. Eu era o mestre da situação agora, tinha uma vida dupla, de submisso em casa, para rei na cama da amante. Ela me idolatrava, e eu sentia prazer com ela e em trair minha esposa.
Sucedeu que esse homem adúltero conheceu uma cigana enquanto dirigia-se para a casa da amante. A velha pediu para ler a mão do adúltero docemente. Ele concordou e mostrou a palma da mão. A velha, como se apenas confirmasse suas expectativas, lançou-lhe um olhar assustador, como se soubesse de todos os pecados que ele carregava, todas as atitudes lascivas e inconseqüentes. Ele entrou em súbito pânico e chegou a agredir a senhora, ela, muito fraca, caiu no chão. Furiosa, praguejou contra ele numa língua desconhecida. As palavras ecoaram por toda a rua, e pela vida do adúltero. Ele não acreditava muito em maldições, mas assustou-se deveras com o poder daquelaas palavras (e assustar-se-ia muito mais).Após isso, foi para o antro de pecados.
Depois de cometer o ato de adultério (ele não tinha um pingo de ressetimento), voltou para casa e ainda no caminho comprou flores para a esposa, de tão feliz que estava. Era por volta das onze e meia da noite e era de se esperar que sua esposa e filhos estivessem dormindo. Estranhamente, não havia vivalma na casa, estava totalmente escura, com todas as luzes apagadas. Um ar fúnebre perdurava pelo aposento, ele sentia frio, coisa inimaginável, pois estava em pleno verão e no Nordeste! Por instantes ele se lembrou de que o frio era sinal de que espíritos rondavam o lugar, mas logo apagou aquilo da mente porque não acreditava.
E lentamente ele dirigiu-se para o quarto de seu filho, esperando que ele estivesse pregando uma peça ou coisa do tipo. Enquanto se encaminhava, ouviu um ruído baixo vindo do quarto, era como se fosse um barulho de berço, mas era diferente de um rangido normal, era sinistro e sincronizado com os seus passos. Quando abriu a porta do aposento, pouco pôde distinguir no breu que imperava. Contudo, podia ver que havia um vulto encolhido num canto do quarto, e estava perto do berço. Mas não havia berços na casa. O vulto permanecia em silêncio, e pelo que parecia estava a balançar o berço. O homem criou coragem e resolveu se aproximar do berço. Quando estava bem próximo, conseguiu ver que havia um bebê dentro dele, e o vulto balançava o berço com apenas uma mão, ela era totalmente calejada e esquelética.
De repente, o vulto começou a cantar um canção de ninar, o homem entrou em pânico: o vulto tinha a voz da mãe dele. O vulto ergueu das sombras um punhal e meneou estranhamente a cabeça. Ergueu o objeto no ar, acima do bebê e balbuciou: o fruto do pecado deve ser exterminado. O adúltero rapidamente lembrou se de que a sua amante queria um filho com ele, será que aquele era seu filho? Rapidamente ele retirouo bebê do berço, antes que o vulto pudesse matar a criança. Chutou furiosamente o berço, que se investiu contra o vulto, mas esse se desfez, restando apenas o pano preto que o cobria.
Quando o adúltero foi averiguar o bebê, tomou outro susto: era um cadáver de um bebê, semi-putrefato. Algo foi sussurrado aos seus ouvidos enquanto ele jogava o cadáver no chão. Eram as palavras da velha cigana, entre risos e choros, com risos de escárnio e choros de multidões. Ele ouvia a orquestra do inferno, regida pelo pecado. A casa se dissolvia na sua frente, ao seu redor; restou apenas à sua frente a cama com a qual ele traía a esposa. Parecia que havia alguém dormindo na cama, devia ser a amante.Ele removeu o lençol que encobria o corpo e entrou em estado de choque: sua espoa, com roupas íntimas da amantes, dormia silenciosamente.
De súbito, ela abriu os olhos e gritou, mas não saía som da boca. Ele não escutava mais anda, tudo girava ao seu redor, ele sentiu o peso do pecado, era um adúltero e se arrependia do que havia feito, mas não adiantava mais, o que foi feito está feito. Ele haveria de pagar, nem que levasse toda a eternidade, ele pagaria ou sua alma seria consumida pelo vil fogo do inferno.
quinta-feira, maio 18, 2006
Destiny's Land
I went to the druid's home and asked about the future of our people. I was afraid about our forest. However, the wise said that the forest do not belong to us, and we only have our soul to care for. 'Only those who have nothing have nothing to fear'."
- Selena's tales - tale nº47.
quinta-feira, maio 04, 2006
Questionamento
- Relatos de uma vida perdida (parte 2)
quinta-feira, abril 27, 2006
O Sol existe
E as risadas boêmias ao luar,
E os bacanais profanos,
E as noites românticas,
E os atos mundanos,
E as serenatas eloquentes,
E os beijos escondidos aos becos,
E as lágrimas decadentes,
E o medo da escuridão,
E o medo do esquecimento,
E o medo da solidão,
E o canto vagaroso e triste,
E a alma de sofrimento,
Por mais que ...,
O Sol existe.
obs.: para plagear o texto de HD
quarta-feira, abril 12, 2006
Eu sou diferente
Eu sou diferente. Não preciso de mais delongas, explicações demasiadas, exibições patéticas, feitos mirabolantes, atos fantásticos, enfim, sou e pronto. Sou singelamente diferente e não devo explicações de como ou porque sou, não sou um livro que pode se abrir e esmiuçar sobre. Sou um ser humano, e como tal apresento máscaras, desvios de comportamento e quaisquer desses vícios inerentes a um cidadão.
Não preciso sair pelas ruas escandalizando, gritando, protestando para que todos prostrem-se diante de meus pés reconhecendo minha diferença. Apenas quero que respeitem meus pontos de vista, minhas concepções e princípios, por mais que se pareçam com dogmas (embora não o sejam). Em suma, sou diferente de tal sorte que sigo minha vida despreocupado com opiniões alheias à minha existência. Espero que sigam meu caminho.
segunda-feira, abril 10, 2006
Nadei
Sempre esses eventos não-agradáveis se prosseguiram ao longo de minha vida e nunca reclamei deles, eram resultado da ávida procura pela verdade. Quando completei 30 anos, resolvi viajar de trem, daqueles que apitam alto e forte quando desembarcam na estação, chega dá gosto de ver a fumaça saindo da chaminé (Oh Deus! Poluição atmosférica, efeito estufa, inversão térmica!). Lembrei na hora que, por causa do efeito Doppler, a frequência ouvida por mim do apito da locomotiva em movimento é diferente daquela em que ela seria se estivesse estacionada. Uma mudança sensível em minha vida se fez por causa do efeito doppler, veja bem: se a frequência da locomotiva fosse mais aguda que o normal enquanto se distanciava da estação, não poderia ter ouvido o melodioso som da voz de minha futura esposa, Diana, perguntando-me se aquela estação a levaria para Dumas, cidade interiorana. Esse negócio de ciência é feito tabaco, rum, cerveja e tudo que há de pior, mas com um lado bom: pode dar dinheiro.
terça-feira, abril 04, 2006
Espírito engajado
"Em 14 de julho de 1789 o povo em armas realiza a tomada da prisão política da Bastilha, vista como símbolo do absolutismo, e libertava seus prisioneiros, ocorrência que passou a ser chamada de Segunda Jornada revolucionária. Em Versalhes, o rei, ao ser informado sobre os acontecimentos, exclamou:
- Mas isso é uma revolta!
Seu informante, o duque de Lancourt, respondeu-lhe:
- Não, majestade, é uma revolução".
sábado, abril 01, 2006
Ordinária
Ela ligou o aparelho de som; queria ouvir alguma música. Na verdade, queria é amenizar o silêncio aterrador que se insinuava pelo ambiente. O silêncio que a corroía lentamente fê-la sentir medo de viver. Talvez fosse hora de abandonar o sonho perdido, a vida mascarada, o mundo corrompido. Decerto haja um lugar melhor que não seja este.
Ela terminou de arrumar o aposento; tudo estava impecavelmente limpo. Depois, resolveu tomar o café da tarde (queria sentir pela última vez o gosto amargo da vida). Ela deixou a mesa como estava e decidiu não escrever nenhuma carta aos outros, o que tivesse que ser seria. Então, ela partiu para outro mundo e, minutos depois, o porteiro encontra seu corpo no andar térreo, com um sorriso infantil, mas verdadeiro estampado no rosto morto.
sexta-feira, março 17, 2006
Latência
Para sorrir,
Essas mágoas, essas,
Insistem em me perseguir!
Não me digas,
O que fazer,
Tu, que me fatigas,
Com teu jeito insípido de ser.
Não me faças,
Expulsar-te daqui,
Deixa-me co'as traças,
Deixa-me pensando que já morri...
Não me prendas,
Com teus grilhões,
Forjados com o amor das sendas,
Das sendas dos teus perdões.
Não me acordes,
De meu (eterno) sonho,
Deixa-me na latência, sem acordes,
Sem notas, tons reais desse mundo medonho...
terça-feira, março 14, 2006
The universe behind the classroom
O professor entra na sala meio apressado, com o suor escorrendo-lhe das têmporas. Um homem surpreendentemente gordo, estatura baixa e de caráter desconfiado. Ele, ainda ofegante, pede que todos os alunos que estivessem em pé se sentem para que possa ser iniciada a aula,"isso aqui não é feira pra haver tanta gente em pé".
Ainda entre muitos resmungos e chiados, a aula começa. O professor pede que o grupo que fosse apresentar o trabalho se dirigisse para o patamar da sala. Todos os outros já estavam folgados em seus assentos, esperando que esse trabalho pudesse ser uma boa fonte de descanso do dia anterior. Todos pensam assim, sempre assim...
Para espanto geral, o grupo que ia se apresentar era composto de um único aluno, um novato. Era aí que eles não iam prestar atenção. "Sobre o que você vai apresentar mesmo?", a pergunta irônica veio de um canto da sala, povoado pelos alunos "queridinhos" dos professores. "Se você esperar, mostro-lhe já já", respondeu o rapaz com um sorriso enigmático.
O rapaz era normal (aparentemente) trajava, como todos os alunos, o uniforme do colégio; tinha olhos castanhos-claros, cabelos meio loiros, sombrancelhas grossas e estatura média. Não parecia um daqueles nerds da turma; seu porte era atlético. Tampouco possuía algum ato vicioso, como piscar ou esfergar as mãos incessantemente.
"Bom, pessoal, vou apresentar meu trabalho sobre origem da vida", disse, sem muito espanto por parte da classe. "Agora, vou falar três palavrinhas mágicas: silêncio!..." e nesse momento todos, todos sem exceção sem calaram, como num ato de mágica. E os alunos se entreolhavam estupefatos, ainda meio destoados do que havia acontecido, foi quando o rapaz falou a outra palavra "... sombra!...", e todo a classe mergulhou num breu profundo. Agora era um misto de medo e surpresa semeado no ambiente. A adrenalina subia gradativamente. Os ritmos cardíacos disparavam. Foi quando a terceira palavra foi solta "ação!", e a partir daquele momento, estavam diante do universo em sua gênese.
Um minúsculo ponto era distinguível no breu, brilhava tênue no começo, mas depois começou a pulsar cada vez mais brilhante, a ponto dos alunos protegerem os olhos. Então, o ponto explodiu, num fenômeno espetacular. E foi lançando matéria por todo o universo. Depois, seguiu-se a formação de corpos gasosos, e então esses ganharam forma mais densa. A sala de aula seguia essas passagens como se estivesse dentro de uma nave espacial, mas não havia fronteira nítida entre ela e o que a circundava.
De um corpo gasoso solidificado em especial, desprenderam-se dezenas de outros, e esses, por ação da gravidade, continuaram a girar ao redor do corpo inicial, o qual tornou-se uma estrela. Um dos corpos desprendidos solidificou-se e tomou forma esférica. Após alguns segundos, a classe dirigiu-se para o planeta formado. uma palavr traduzia o que se passava: caos. Vulcanismo, tectonismo, tempestades, impactos de meteoros, enfim, um espetáculo de destruição (ou construção?).
A classe dirigiu-se para um dos mares formados e foi diminuindo de tamanho; diminuiu, diminuiu até ser possível distinguir as moléculas que estavam no mar. Elas, a princípio eram simples, mas foram passando por transformações até se tornarem complexas, e dessas moléculas complexas surgiu um ser. Um ser tão insignificante, tão irrisório que nem parecia um ser vivo. Contudo, os alunos ( e o professor) perceberam que aquela insignificância era a gênese humana, ou a gênese da gênese. E seguiram-se as transformações desse ser, e suas evoluções num ritmo quase que instantâneo, centenas de milênios passavam em frações de segundos, espécies eram formadas e extintas, continentes se separavam e juntavam, meteoros caíam. E mbora passasse rapidamente, todos os presentes na classe conseguiam entender o que se passava, como se o tempo fosse mais relativo do que pensavam. E no final de tantas transformações, chegaram finalmente ao homem: Australopithecus, Homo erectus, Homo habilis, homem de Cro-magnon e Homo sapiens.
Depois dessa orgia de história, de química, de vida, perceberam o quanto era medíocre os pensamentos sobre matérias, vestibulares, decorar termos.O rapaz pronunciou "status quo!", e a sala retornou ao mesmo estado inicial. Demorou muito até todos perceberem que era a hora do recreio.
quinta-feira, março 09, 2006
Ainda crepite
em todas as manhãs nubladas,
em todos amores incompreendidos,
em todas as paixões sufocadas,
em todos os perdões asfixiados,
em todos os espelhos de vaidade,
em todos os "obrigados" engolidos pela ignorância alheia
(e mais todas as atitudes e fenômenos que insistem
em nos levar a um estado mórbido de consciência),
haja uma vontade de parar, existe uma luz.
E quando se toma a sensação de esperança
para dentro do peito, numa atitude,
muitas vezes, impensada;
você, realmente, desanuvia todos problemas,
todas as angústias,
todos os fardos se desfazem apenas nesse vislumbre
de mudança, de revolução, de esperança.
E você vê que a vida leva os vislumbres com o vento,
mas a esperança inserida persiste
enquanto dentro de nós uma chama de humanidade
ainda crepite.
segunda-feira, março 06, 2006
Ruídos
(Na floresta, outono, queda de folhas....)
flip flep flep...
(vento frio arrasta as folhas)
fiuuuuuuuuu
(um sibilo gélido corta o ambiente)
plam!
(uma fruta cai)
nhac!
(estou com fome)
sexta-feira, março 03, 2006
Nowhere
He came from the "nothing" to turn back to "doubt", he wished he were happier in a strange place, with odd persons, but we was wrong, everytime, the best place was his old and welcoming home (oh! And there's no place like home).
His veritable way was fated to be chosen for the destiny, and he, worthy, will unfold the Truth by himself (like any other one)...
Nowhereland is not only the land of the solitude, it was also the land of the ones who want to discover what can't be known only for mere suppositions...
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Em breve
sábado, fevereiro 25, 2006
Peço
Ao longo do caminho,
Mas tentaram bravamente,
Conseguir a tão esperada
paz]
Peço por aqueles que sorriram,
Mesmo ao tendo sido massacrados,
Pelas chamas da vaidade,
E que ainda conseguem dizer um
obrigado]
Peço por aqueles que choraram,
Cujo pranto não foi ouvido,
E mesmo não sido correspondidos,
Ainda lamentam pelos que não conseguem
amar]
Peço por aqueles que gritaram,
Num uníssono de revolução,
Aqueles cujos ideais ecoaram,
E nem mesmo estão nos livros de história
da nação]
Peço por você, por todos,
Um mínimo de compressão,
Peço que ao menos peçam,
Um sincero e merecido
perdão]
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Quero
Do tempo em que eu era criança,
Quero de volta a vivacidade dos momentos,
Que agora não passam de singela herança.
domingo, fevereiro 19, 2006
Transição
Daquela vez não pegaria o carro, queria ver as coisas com outros olhos. Caminhar era natural, humano. Na verdade, ele queria fazer justamente o que nunca fazia, pois sabia que o mundo é algo inesperado e carrega consigo o mistério, bastava apenas desbravá-lo com um pouquinho de coragem para superar o comodismo.
E caminhando pelas ruas da cidade, foi lembrando da infância; dos tempos em que o agora importava, não o amanhã ou o ontem; das brincadeiras no parque... O tempo foi implacável ao mudar as formas das avenidas, ruas, estradas; mas foi impotente ao tentar, em vão, prejudicar as lembranças.
Leve garoa cai pela tarde, e ele resolve pegar um trem para a outra cidade. Gostava de ver o mundo pela vidraça do trem (o qual não via há anos). As árvores, os campos passavam tão céleres aos seus olhos, semelhantes às pessoas e acontecimentos em nossas vidas; mal vinham, mal partiam. E quanto mais ele mergulhava em pensamentos, mais tomava consciência de que estava vivo e que precisava respirar mais, ver mais, sentir mais.
Chegando na outra cidade, litorânea por sinal, decidiu, insensatamente à primeira vista, seguir uma estrada andando sem pensar no rumo; queria ver que destino teria se seguisse "de olhos vendados". Pensou que, se "o destino guia seus cavalos pela noite", então ele pode guiar um simples humano por uma estrada.
Enquanto dava passos despreocupados pelo caminho, ele percebeu que, desde o raiar da alvorada, não viu sequer uma pessoa. As cidades, as ruas, as avenidas estavam completamente vazias e ele não se deu conta até aquele momento. "Decerto que devem estar em suas residências, descansando..."-pensou ele. E rumou perseverante.
Logo no início do caminho, ele viu um garoto em prantos, estava sozinho e desconsolado. Chorava e gritava pela mãe. O homem aproximou-se do menino, curioso, perguntou onde estava a mãe dele. O garoto, que estava de costas para o homem, virou-se e encarou-o sem mencionar nenhuma palavra; após alguns instantes, soluçou e disse "você me deixou naquele dia", e desapareceu.
O homem pareceu atordoado. Não conseguia entender o porquê de uma criança evaporar em pleno dia. Contudo, algo mais o deixou aterrorizado, algo que atingiu-o mais profundamente, alcançando-lhe as entranhas da mente: o garoto em prantos fora ele.
Como não havia vivalma aos arredores, ele resolveu seguir pelo caminho, afinal, havia decidido seguir até um destino, seja lá qual fosse. Estava surpreso pelo incidente anterior, e isso lhe fornecia um fôlego extra para prosseguir. Continuando a caminhada, reparou que o caminho bifurcava em duas estradas distintas: uma placa indicava "verdade" e outra "felicidade". Ele contemplou os caminhos aos quais poderia seguir: no horizonte da primeira estrada, via-se um céu azul profundo; no da segunda, um céu vermelho dourado, vivo. Teria de refletir bastante para encontrar a via certa.
"A verdade é difícil de ser encontrada. É o caminho para a sabedoria, mas é também fonte de discordância entre vários povos, e de discórdia entre as religiões. A felicidade é a utopia vital; contudo, realmente não sei se já a tenha sentido, é tão abstrata..."- divagava o homem, que até havia se sentado diante das estradas para decidir a melhor escolha. "o crepúsculo pode chegar, portanto é melhor eu escolher um caminho logo". Seguiu o caminho da verdade. "Posso ter escolhido o caminho errado, mas não seria feliz sem conhecer a Verdade".
Ao caminhar, notou que o céu era escuro; a visibilidade da estrada era parcial e a trilha havia se tornado sinuosa. Era mais árduo do que pensava. E quando sentiu sede, pensou que poderia ter se prevenido trazendo água consigo. Entretanto, quase que na mesma hora que pensou nela, duas mulheres, irmãs aparentemente, surgiram perto da estrada, ambas carregavam uma jarra com, o que parecia, água.
A primeira, vestia uma túnica cinza, era uma anã; mal conseguia segurar o pote. Sorria muito e parecia meio nervosa. A segunda, trajava uma túnica laranja (não era anã) e sorria para o homem com um certo desafio no rosto. Ambas falaram num uníssono "queres água? Pois beba de meu pote!". O homem pediu água para a mulher anã e ela deu-lhe o cântaro. Ao beber do conteúdo dele, sentiu uma sede avassaladora. A anã soltou uma gargalhada e sumiu-se como o menino visto antes. A de túnica laranja simplesmente deixou o pote na estrada, sorriu e desapareceu também.
Tomado de um mal-estar forte, desesperadamente, bebeu da segundo jarra. À primeira sensação, sentiu-se pior, mas depois a dor na garganta foi sendo transformada em alívio, e o homem saciou sua sede.
Retornando à jornada, quis que aquela estrada terminasse logo. Estava cansado de segui-la, queria parar, a escuridão aumentava com o passar do tempo e ele temia o que poderia enfrentar. Num esforço maior, apressou o passo. Sentiu que o caminho havia se tornado menos tortuoso que antes. Avistou uma luz, débil, mas cintilava na extrema do horizonte. Como qualquer humano, seguiu-a. E ao chegar bem próximo dela, percebeu que era uma fogueira. Ao redor dela os amigos dele se encontravam desfrutando de prazeres mundanos, havia muito prazer, gula e desejo naquele lugar. "Vinde a nós, meu caro, desfruta dos prazeres da vida e esquece essa história de Verdade".
A proposta era tentadora, afinal de contas, ele estava cansado de seguir a estrada. Poderia permanecer ali e se deleitar com os prazeres. Contudo, lá onde "é fundo como a desgraça, onde o pranto não adelgaça, leve qual sombra que passa...", ele sentiu que preciava encontrar a Verdade; era pertinente à sua personalidade buscá-la. "Não, seguirei o caminho". Dito isso, todos desapareceram, e junto foi a fogueira.
O homem continuou sua jornada, sozinho e perseverante. Caminhou muito, passou por vales, montanhas e florestas, em todos os lugares havia ausência de vida, de movimento, em certas partes não haviam cores, somente preto-e-branco. Tudo era como uma quebra-cabeças, difícil de juntar as peças...
E após deixar para trás muitas léguas, ele viu que a terra da estrada foi substituída pela areia, e que estava diante de um gigantesco mar. Por instantes, admirou a grandiosidade dele, e escutou o que as ondas faziam ao chegar na praia. Escutou as palavras do oceano e o que os pássaros cantavam ao sobrevoá-lo, sentiu a mansa viração das nuvens e, finalmente, concluiu que havia encontrado a sua Verdade.
De repente, sente um sono tremendo e deita-se no chão úmido da praia, ao lado de conchas e algas. Ao fechar os olhos, escutou um barulho incessante e, ao mesmo tempo, formidável: o despertador tocou.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Serenata
"Serenata
Repara na canção tardia,
Que timidamente se eleva,
Num arrulho de noite fria.
O orvalho treme sobre a terra,
E o sonho da noite procura,
A voz que o vento abraça e leva.
Repara a canção tardia,
Que oferece a um mundo desfeito,
Sua flor de melancolia.
É tão triste, mas tão perfeito,
O movimento em que murmura,
Como o do coração no peito.
Rapara na canção tardia,
Que sobre o teu nome, apenas,
Desenha a sua melodia.
E nessas letras tão pequenas,
O universo inteiro perdura,
E o tempo suspira na altura.
Por eternidades serenas."
- Cecília Meireles
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Lástima
- Relatos de uma vida perdida.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Pedido
sábado, fevereiro 11, 2006
Olhai os lírios do campo
"Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo pelo que haveis de vestir, não é a vida mais que o mantimento e o corpo mais do que o vestido?
Olhai para as aves do céu que nem semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros e o Vosso Pai Celestial as alimenta.
Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E quanto ao vestido, por que andais preocupados, olhai para os lírios do campo, como eles crescem, não trabalham nem fiam e eu vos digo que nem mesmo Salomão em toda sua glória se vestiu como qualquer deles, pois se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós?
Não andeis pois inquieto dizendo: que comeremos? Que beberemos? ou o que o que nos vestiremos, de certo Vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas.mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, pois ,pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo."
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Conversa
Conversar, conversar?Conversar!
Encher o ambiente de palavras,
Fúteis e fáceis de se ignorar.
Exausto de chegar nos lugares,
E sorrir para um espelho sem brilho,
E sorrir para máscaras vivas,
Sentindo-se como um andarilho.
Ele sabia exatamente,
O que o outro estaria a falar,
Ao dirigir-lhe a palavra,
Temas fácis de se adivinhar...
Ele era contra a mesmice,
Contra o conformismo,
Mas depois de tudo que viu,
Veio-lhe uma onda de negativismo.
E sentado diante do festival,
De palavras, conversas e discussões,
Ele se enfurece e grita:
Ei, conversem comigo sobre as eleições!
(Aqui termina a história do garoto medíocre)
domingo, fevereiro 05, 2006
Por quê?
Nunca soubera o que era amar, mas sempre dizia estar amando; nunca soubera o que é sofrer, mas sempre chorava por algo que nunca sentiu. Ele era o avatar do mundo: ser o que nunca foi. Entretanto, ele queria, acima de tudo, amar alguém justamente pela necessidade de cuidar, abraçar, se importar. Ele queria sentir a mansa viração do amor. Ele lia em livros e procurava saber como amar e ser correspondido "hummm...vamos ver, amizade, amiúde, amolecer, ,aqui! Amor! Do latim "amore", viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto;inclinação exclusiva... mas cadê a parte que nos ensina a amar?".
Só mais tarde ele saberia que é preciso cativar, com paciência, ritos e tudo mais. É preciso, antes de tudo, não criar expectativas, não ser o que não é...
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Missionário
livros...livros à mão cheia...
E faz o povo pensar!
O livro caindo n'alma,
É germe -que faz a palma,
É chuva que faz o mar."
- Castro Alves
Eu, em minha humildade miserável, tento fazer o papel bendito ao próximo... Faça o teu também.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Necessidade
Preciso cativar um coração moldável,
Preciso parar de pensar tanto,
Em encontrar um amor admirável!
(Preciso apenas de uma chance...)
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Prosa e poesia
Dir-se-ia que nem todo texto é composto de letras, elas apenas nos ajudam a desenvolver um texto, mas nem sempre são a essência dele. De fato, nem toda prosa e poesia são descritas por símbolos escritos. Uma paisagem, um estado de consciência ou uma sensação podem valer como (ou muito mais que) uma poesia, ou prosa, dependendo da visão (ou sentimento) do observador. Mas em se tratando de palavras, do código da Língua escrita, uma diferença notável entre prosa e poesia é perceptível: a maneira com que as palavras são lidadas ou manipuladas.
O escritor é feito um domador, precisa saber domar as palavras, de modo que essas fiquem a inteiro dispor dele. É preciso dominar a arte de escrever com primazia para que a mensagem do texto seja muito bem explícita.
Voltando á análise da diferença, continuar-se-ia a dizer que, num texto em prosa, o valor das palavras pode ser deixado à deriva, ou seja, o mais importante não é o valor unitário delas, e sim do conjunto, de modo que a unidade, a mensagem, seja passada com eficiência. Por outro lado, na poesia, as palavras assumem um papel privilegiado no texto, cada uma deve ser inserida com delicadeza e, ao mesmo tempo, cuidado; uma simples troca de palavra pode acarretar na alteração de todo significado do poema. O valor individual das palavras é enaltecido.
Podemos muito bem deixar claro, na prática, essa diferença: ao lermos um texto em prosa, por exemplo, um romance, não lembramos exatamente das palavras como eram descritas as cenas, mas mesmo assim conseguimos imagina-las em nossas mentes.
Já em uma poesia, imediatamente quando nos lembramos dela, vêm à tona as palavras, ou seus significados, como num turbilhão; não que elas sejam mais importantes que o texto em si, mas essencialmente contribuem para o processo de compreensão.
Decerto que essa diferença não pode ser encarada como uma lei de composição de prosas e poesias, mas sim como uma ferramenta. Há muito mais profundeza nas diferenças...
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Observação
Mas elas podem nos inspirar a sê-los"
- Minamoto no Yoritomo
obs.: Imaginem que pensei isso no ônibus...
terça-feira, janeiro 17, 2006
Amizade
Divindade alegórica venerada entre os gregos e romanos. Em Roma, era representada sob a figura de uma rapariga de pés descalços e vestida de uma túnica branca, em cujas franjas se liam os dizeres: " morte e a vida". Na testa achavam-se gravadas as palavras: "Inverno e verão". O peito era aberto, até o coração, para onde o dedo indicador direito apontava a inscrição: "De perto e de longe".
domingo, janeiro 15, 2006
Passagem
terça-feira, janeiro 10, 2006
Ceticismo
"[...] Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim,- flagelos e delícias,- desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor (?--> grifo de Pedro), e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das cousas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura,- nada menos que a quimera da felicidade,- ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão."
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
Eu simplesmente não tenho palavras para expressar o quanto ele é/foi cético; não dá para imaginar que alguém seja assim [behind the suffering, ther's always a light].
domingo, janeiro 08, 2006
O jogo do contente
"- Que coisa esquisita menina, Miss Pollyanna! A senhora fica contente de tudo que acontece! observou a criada lembrando-se das cenas do quartinho.
A menina sorriu.
- Pois é do jogo. Não sabe?
- Do jogo? Que jogo?
- O "Jogo do contente", não conhece?
- Quem é que botou isso na sua cabeça, menina?
- Papai. Papai explicou-me esse jogo, que é lindo, disse Pollyanna. Em casa brincávamos disso, desde que eu era assimzinha. Depois ensinei-o às damas da Auxiliadora e elas também brincavam de ficar alegres.
- Como é? Eu não entendo muito de jogos.
Pollyanna sorriu de novo, porém com suspiro - e sua face sombreou-se.
- Começou com umas muletas que vieram na barrica do missionário.
- Muletas?
- Sim, muletas. Eu queria uma boneca e papai havia escrito que a mandassem, mas quando a barrica chegou, não havia boneca nenhuma dentro e sim um par de muletinhas para criança. Foi então que o jogo principiou.
- Mas não estou vendo nenhum jogo nisso, disse Nancy quase irritada.
- Oh, o jogo é encontrar em tudo qualquer coisa para ficar alegre, seja lá o que for, explicou Pollyanna com toda seriedade. E começamos com as muletinhas.
- Eu não vejo como se possa ficar alegre de encontrar muletas em vez de bonecas. Não entendo.
A menina bateu palmas.
- Pois aí está o jogo! Eu também não via no começo e papai teve de esplicar-me.
- Pois então me explique o que lhe explicou.
- Sim. Fiquei alegre justamente porque não precisava delas, gritou Pollyanna exultante. Veja como o jogo é fácil quande se sabe."
mostro-vos para que entendais acerca da felicidade em todas as cousas.
sábado, dezembro 31, 2005
Ano nováceo
Como um humano que pensa ser normal,
Como um alguém esperançoso seria,
como ninguém infeliz e sem moral.
Desejo que todas as lembranças,
Nocivas, tristes e enfadonhas,
Tornem-se súbitas esperanças,
Sem quaisquer dúvidas medonhas.
Desejo, pois, um Ano-Novo ao menos feliz,
Que pelo menos por uma fração de segundo,
Possamos abraçar juntos todo o mundo.
-Feliz Ano-Novo galera o/
domingo, dezembro 25, 2005
Papai Noel
domingo, dezembro 18, 2005
Murmúrio

Traze-me um pouco das
sombras serenas
que as nuvens transportam
por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas
vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da
alvura dos luares,
que a noite sustenta
no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua
lembrança, aroma perdido,
saudade da flor!
Vê que nem te digo:
esperança,
Vê que nem sequer sonho:
amor!
- Cecília Meireles
domingo, dezembro 11, 2005
O guarda-roupas

Faltava pouco para que o irmão terminasse a contagem. A menina estava quase desesperada, uma vez que não encontrava um esconderijo adequado. Edmond, seu irmão, havia lhe expulsado do único lugar que ela julgava decente para se esconder. Ela correu pelos vastos corredores do casarão, porta por porta, tentava entrar nos cômodos, mas todos se encontravam trancados à chave, parecia que a casa era à prova de crianças. Enquanto ela corria, o assoalho rangia proporcionalmente,o ranger dava a impressão de que a casa estava a rir do desespero da criança. Todos os outros irmãos deveriam estar devidamente escondidos, prontos para serem encontrados, ou para ganharem a brincadeira; somente ela, pobre Lucy, ainda não havia se escondido.
E quando suas ingênuas esperanças iam se esvair, a porta que tentou abrir, de súbito , abre-se num rangido tão longo e consternado quanto o do assoalho, como se a porta quisesse negar o privilégio que ela viria a ter, mas era iminente. A voz de Pedro ficou para trás, meio sufocada pelas paredes grossas e carcomidas do cômodo, ou talvez tenha sido a surpresa que a menina teve ao se deparar com uma sala praticamente vazia; uma grande janela permitia a entrada da luz, mas não do ar, o ambiente estava saturado de antigüidade e mofo. Só havia uma cousa no cômodo, estava encoberta por um lençol grande e branco, pelo menos era branco, pois agora estava amarelo de encardido.
A menina aproximou-se lentamente do objeto e, num gesto limítrofe entre o fascínio e a pressa, ela retira o lençol, que cai muito de leve no chão. Era um guarda-roupas, grande e pesado, ricamente talhado, mas muito comum à primeira vista. Após observar o guarda-roupas por alguns segundos, ela o abre. Não sabia que, dentro de pouco, ela experimentaria a maior aventura de sua vida. O móvel era apenas o começo, a chave de um mundo mágico e ansioso por ser visitado por filhos de Adão e Eva.
Mesmo receosa, Lucy entrou no guarda-roupas: a aventura estava lançada...
obs.: Por isso, caros leitores, não se espantem ao encontrar um mundo por dentro de vossos guarda-roupas, sejam apenas jovens de coração, que esse mundo se abrirá para vós.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Eu
nas terras ermas e longínquas,
Queria apenas um instante,
Para encontrar a saída.
Do espelho sem faces.
O eu vivia meio irresoluto,
Pelas marcas que haviam,
Em seu corpo, em seu luto,
Pela morte,
De outra parte.
O eu ansiava pela transição,
Entre o aqui e o agora,
Para uma suposta superação,
De um dilema,
Inconstante.
O eu cansou de esperar,
Pelas voltas de um mundo,
Que não o queria encontrar,
Simplesmente debruçou-se,
Sobre os pensamentos,
E divagou.
O eu não estava taciturno,
Apenas cansado em demasia,
Em seus devaneios noturnos,
Em sua etena poesia,
Ele suspirava,
Pelo momento certo.
O eu descansa sereno ,
Em seu fardo carregado,
Em seu desterro terreno,
Só aguarda paciente,
O instante certo para dizer:
eu.
terça-feira, dezembro 06, 2005
Canção

Quero um dia para chorar,
Mas a vida vai tão depressa!
- e é preciso deixar contida,
a tristeza para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.
Não quero amor, não quero amar,
Não quero nenhuma promessa,
Nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
Nem mesmo de quanto regressa,
Quero um dia para chorar.
Quero um dia para chorar,
Um dia para despedir-me dessa,
Aventura mal entendida,
sobre os espelhos sem saída,
Em que jaz minha face impressa,
Chorar sem protestos. Chorar.
- Cecília Meireles
domingo, dezembro 04, 2005
Lia
Lia
Sorria lia
Lia sorria
Em sua alegria
Em sua magia
Em seu viver.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sabia Lia,
Da profecia,
Em seu dia-a-dia,
Pura simpatia,
Puro saber.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sentia Lia,
Grande nostalgia,
Grande ventania,
No alma e na via,
Do etéreo sofrer.
Lia,
Dia de nostalgia,
Dia de viver
Sabia Lia,
Que a melancolia,
Ela transporia,
Com primazia,
Com seu crescer.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Lia,
Sempre seria,
A profilaxia,
A mitologia,
Máxima utopia,
Da vida e do ser!
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Presença em Pompéia

Pompéia, localizada a 220 quilômetros da capital italiana - duas horas e meia de trem - a antiga colônia grega e romana, que foi soterrada pelo entulho de lavas e cinza expelidos pelo vulcão Vesúvio há quase dois mil anos, continua sendo um dos achados arqueológicos mais importantes do mundo antigo. Em uma área de 66 hectares, é possível encontrar ainda em razoável estado de conservação os anfiteatros e termas, as pinturas nas paredes das casas da velha cidade e, até, corpos endurecidos pela lava. Atração de turistas de todas as partes, Pompéia tornou-se rota de viagem por sua fantástica história. A tragédia acabou com a vida da cidade no ano 799 de nossa era (a Cristã). Mas, ela entrou para a eternidade após a catástrofe que a jogou no esquecimento por mais de dez séculos.
Cecília Meireles, em sua magnificência e honorabilidade, fez um poema em homenagem à vida das pessoas... que tragicamente foi tirada delas.
Presença em Pompéia
Esta conta não pagarás:
- ficará sob uma cinza que não sabes.
Sob a cinza que ainda não sabes
ficará teu filho por nascer
e também os meninos que já sabiam desenhar nos muros.
Ficarão os figos que ontem puseste na cesta.
Ficarão as pinturas da tua sala
e as plantas do teu jardim, de estátuas felizes,
sob a cinza que não sabes.
Os gladiadores anunciados não lutarão
e amanhão não verás, próximo às termas,
a mulher que desejavas.
Tu ficarás com a chave da porta na mão;
tu, com o rosto da amada no peito;
amo e servo se unirão, no mesmo grito;
os cães se debaterão com mordaças de lava;
a mão não poderá encontrar a parede;
os olhos não poderão ver a rua.
As cinzas que não sabes voarão sobre Apolo e Ísis.
E uma noite ardente, a que se prepara,
enquanto a luz contorna a coluna e o jato d'água:
- a luz do sol que afaga pela última vez as roseiras verdes.
Reflitam sobre suas vidas, e dêem mais valor a ela...
quarta-feira, novembro 30, 2005
Maria
Maria, singela, sorria,
Maria do néctar bebia,
E comia sagrada ambrosia.
Maria, divina, cantava,
Seus cantos, tão pueris,
Tão soltos, ela entoava,
Louvores de um tempo feliz.
Maria, soneto de dor,
Tão pobre materialmente,
Tão rica em seu amor,
Do sofrer tão imanente...
Maria, gesto solitário,
Fulgura num mundo tristonho,
A cura ela tem dentro dela,
Maria até parece
Um sonho!
domingo, novembro 27, 2005
Medo
sábado, novembro 26, 2005
Sobre um sonho perdido

Aqui, dois textos sobre pássaros/sonhos perdidos. Sei, acima de tudo, que é triste, mas nem sempre mostra-vos-ei a verdade feliz, venturosa...
"Oceanside IX (To a dead loon)
I’m sorry to see, Mr. Loon
that you are here all alone,
sprawled on your side in the surf,
waves flowing endless
through mottled drenched feathers,
your legs parchment twigs,
your eyes unseeing,
your half-open beak
now buried in surf and the sand.
If you were alive
you’d think it undignified
to have someone like me
approach you so close
and gawk at what’s left
of your once-birdlike splendor.
I promise,
I shall remember you
in your better days."
- Jon Bohrn
"Metamorfose
Súbito pássaro
dentro dos muros
caído,
pálido barco
na onda serena
chegado.
Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.
E imensamente
o navegante
mudado.
Seus olhos densos
apenas sabem
ter sido.
Seu lábio leva
um outro nome
mandado.
Súbito pássaro
por altas nuvens
bebido.
Pálido barco
nas flores quietas
quebrado.
Nunca, jamais
e para sempre
perdido
o eco do corpo
no próprio vento
pregado."
- Cecília Meireles
segunda-feira, novembro 21, 2005
Análise Quantitativa da rotina
Levantei-me com velocidade média de 0,005 metros por segundo,
Calcei meus 2 chinelos e bocejei 3 vez seguidas,
Dirigi-me ao banheiro situado a 2,5 metros de distância da cama,
Escovei meus 28 dentes com uma escova na qual possuía 350 cerdas,
Urinei 1,5 litros de urina e dei uma descarga,
Lavei minhas 2 mãos e as enxuguei com 1 toalha.
Fui à cozinha preparar meu café-da-manhã:
4 pães integrais,
2 ovos mexidos,
2 copos de suco,
e 3 colheres de açúcar.
Saí da cozinha e fui trocar de roupa,
Após isso fui ao colégio, esse situado a 3745 metros de minha casa,
Assisti 6 aulas em 300 minutos, sendo que cheguei 30 minutos mais cedo,
Na aula de geografia, desperdicei 12 bocejos,
Na aula de Biologia, desperdicei 15 bocejos e 1 soneca básica,
Na aula de Química, usei com primazia meus milhões neurônios,
Na aula de Matemática, os números inundaram minha mente,
Saí eram 12:50 da tarde,
Peguei o ônibus e paguei 0.80 reais,
sentei em um dos 41 assentos do veículo,
Observei os mais de 145 prédio existentes entre meu lar e a escola,
Cheguei em casa, almocei e dormi,
Dormi cerca de 4 horas,
Acordei eram 5:30 da tarde,
Estudei 17páginas do livro de Química,
Resolvi 30 exercício propostos,
Jantei, escovei os dentes, tomei banho,
E dormi às 10:30.
(Sonhei com 334 carneirinhos)...
sábado, novembro 19, 2005
A vida é uma senóide
- um tolo.
E estando ali, naquela devassidão de blasfêmias jogadas pelo aposento, ele sai. Mas o faz lentamente, de modo que os presentes, em seu total frenesi, sequer perceberam a ausência de um dos membros da família.
Caminhando pelos corredores escuros da casa ele tem um momento de divagação: simplesmente sente-se transcendental, como uma etérea chama que palpita no coração do vento.
Era noite, o céu estava quase claro e as nuvens fugidias passavam. A lua, insólita, fulgia no céu, seus raios refletidos nela passavam e percorriam milhões de quilômetros pelo vácuo, atravessavam a atmosfera e, finalmente, batiam nele. Talvez tamanho percurso dos raios tenham-no inspirado profundamente.
Ele decidiu sair da casa; deu meia-volta nos corredores e chegou até o quintal do fundo. O silêncio serenava o momento, a briga que se dava no interior da casa era sufocada pelas paredes frias da sala (talvez os corações que pulsavam nela tenham se identificado com elas). Naquele instante era ele e o universo, o etéreo e o eterno.
Incrível pensar como o mundo conspirava para que ele, naquele dia em especial, saísse da casa e contemplasse a noite. Nunca ele havia visto as nuvens passar tão depressa, feito nossas almas na sua passagem pela terra. E quando as nuvens passavam pela lua, uma aura tênue e brilhante surgia ao redor dela, como um sinal de que nós, humanos, devamos esquecer os desenlaces materiais, meras marcas de nossa imaturidade.
Para melhor visualizar tamanho espetáculo no céu, deitou-se no chão. E encostado sobre as lajotas frias ele percebeu o quanto seu coração era vivo (e cálido)... Os minutos, as horas, o tempo não significavam nada perante a integridade da existência dele. Quantas vezes, teria ele de enxergar através do véu da limitação humana, da vã filosofia que nos cega da Verdade? Quantas vezes teria de marcar sua vinda a esse mundo (e outros além-sol)?
Contemplou as estrelas: "mil sóis a divagar no espaço"- murmurou ele um verso de Gonçalves. Mil sóis e milhares de mundos a serem desbravados pelo nosso cerne. Pensou que naquele momento o tudo era uno; era ali que foi feliz (e ele sabia disso, diferente de muitos).
E deitado no chão de um quintal numa noite singela, ele chorou; não pelos gritos que se asfixiavam na casa, mas pela oportunidade de saber, pelo menos um pouco, da Verdade do mundo...
quarta-feira, novembro 16, 2005
If I were

If I were a star, I would shine for the lonely hearts,
If I were a brigde, I would link the nostalgic hands,
If I were a book, I would open the eager minds,
If I were a key, I would unbolt the Holy Lands.
If I were a hug, I would unfreeze the timid bodies,
If I were the Wind, I would bring the relief to the distressed soul,
If a were a tear, I would tear the strength of the unknown Truth,
If I were a plant, with my solitude I would grow.
If I were a dream, I would divide myself untill my end,
If I were a nightmare, the weak men I would bind,
If I were a cloud, my life and my fate like wind on the sand.
If I were a sky, in another world I would try,
Try to forgive the foolish human minds,
Or perhaps If I were a bird I would fly across this sky...
Bem, isso foi um tema do concurso de redação do ano re-retrasado, nem sabia o que era concurso na época, muito menos de inglês... Resolvi fazer um texto com essa temática, pois a adorei, o tema é "If I were". Gostaram? Não liguem para meu inglês, foquem-se no real sentido dele... (é meu segundo poema em inglês).
terça-feira, novembro 15, 2005
Não sei
Complexos sinaptonêmicos,
Membranas conjutivas,
Males endêmicos,
Expansões adiabáticas,
Progressões aritméticas,
Páginas de gramáticas,
Cadeias poliméricas.
Soma de cossenos,
Energias mecânicas,
Isomeria de alcenos,
Células galvânicas.
Retículos endoplasmáticos,
Colocação pronominal,
Sólidos prismáticos,
Movimento vertical.
Vão-se as matérias,
Fica o conhecimento,
Mesmo que nas artérias,
Mesmo que no momento,
Mesmo que...
Num breve intento,
Eu diga,
Não sei.
domingo, novembro 13, 2005
Insapiência
quarta-feira, novembro 09, 2005
Caminho
e os meus sonhos choveram
lúcido pranto
pelo chão."
- Cecília Meireles
Caminho resoluto pelas sendas
da vida]
Sigo em frente ciente dos vindouros
problemas]
De repente, percebo que não tenho
saída]
Para os meus hipotéticos e inegáveis
dilemas]
Caminho sozinho pelos trilhos
do saber]
Mergulhado em infinitos Teoremas frios e
sem amor]
Mas percebo que no meu caminhar e
desconhecer]
Olhos tímidos me seguem com extremo
extremo fervor]
E pensando nos olhos que vêm a
me seguir]
Vejo no futuro a partilha de uma vida
de união]
Num numa nova estrada passarei a
sorrir]
Decerto tal caminho seja menos
tenebroso]
E a luz daqueles olhos venham a
iluminá-lo]
Fazendo do meu destino um caminho
primoroso]
sábado, novembro 05, 2005
Utopias...
Decerto que já vos falei, caros leitores, sobre a felicidade e suas características não muito sólidas. De agora em diante, amplio meus conceitos para utopias, que nada passam de um caminho para a felicidade propriamente dita...mas, o que seria a felicidade mesmo? Será que é um estado supremo de nossa vida, onde nossos problemas desaparecerão? Não, a felicidade é tão inconstante quanto o mundo; ela vem e vai, como uma onda na praia. Estamos tão absortos em viver, em simplesmente ser, que nos esquecemos da verdadeira essência do Ser. Esquecemo-nos das utopias, hoje as banalizamos: eu amo isto, eu amo aquilo, o meu sonho é isto...
Quem sabe eu até esteja enganado, talvez o amor destas pessoas que amam o fútil, o supérfluo seja verdadeiro e , conseqüentemente, elas o são, mas talvez esteja correto e o Amor, a máxima utopia, esteja sendo reduzido a meras conversar fúteis.
Não afirmo que o amor seja algo inalcançável, mas digo que hoje em dia está cada vez mais distante de nós. A correria, a pressa, os desejos carnais, a violência...tudo contribui para que se dissemine a mácula no amor que estamos aptos a sentir. E o que nos resta é uma parcela do amor que, desesperadamente, queremos que seja o verdadeiro. Talvez esta expectativa para um amor perfeito acabe por deixá-lo imperfeito, pode ser uma antítese mal elaborada, mas creio que seja a verdade. O amor e a felicidade são feito flores: quando os possuímos, quero dizer, sentimos, não nos importamos muito (às vezes nem notamos), mas quando se vão, sentimos profundo pesar. E é perdendo que notamos o quanto fomos tolos e o quanto somos mortais.
Essa história de "sou feliz e não sabia" é pura baboseira, se tivéssemos realmente prestado atenção, teríamos conseguido agarrar a felicidade ou o amor enquanto podíamos e teríamos nos deleitado até fartar. Mas, como já disse, estamos absortos em viver e nos desligamos da real essência do Ser. Quem assistiu "o fabuloso destino de Amelie Poulain"? Este filme foi o melhor que já vi, uma mulher, Amelie, é feliz e sabe que é, pois consegue extrair, absorver a felicidade das pequenas coisas da vida. E, no final, consegue uma FELICIDADE junto com um AMOR. Não é coisa de filme, também somos capazes disso, mas nossa vã filosofia não permite que tenhamos tal intento...
terça-feira, novembro 01, 2005
Cântico dos cânticos
Não sejas o de hoje.Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faça-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a eternidade.
És tu.
- Cecília Meireles, a poetisa mais transcendental que tive a o ensejo de conhecer; tão profunda quanto o universo. ;)
sábado, outubro 29, 2005
A rebeldia lunar
Os pássaros em seus ninhos,
Os peixes nos ribeirinhos,
Num equilíbrio espetacular.
Mas às vezes algo pode se encontrar,
Fora de sua harmonia natural,
Fora de seu caminho habitual,
Diria que é a rebeldia lunar.
O grande astro Sol reina no dia,
Imponente, com seus raios intensos,
Inerente aos sonhos e desejos imensos,
Que com sua luz nos traz alegria.
A Lua, insólita, reina de noite,
Serenando pela ébria escuridão,
Iluminando nosso triste coração,
Que da vida leva forte açoite.
Entretanto a Lua de repente,
Se revolta em sua constância,
E em toda discrepância,
Surge no calor do dia latente.
Creio que ela pensa assim:
Meu reinado é triste e solitário,
Sairei de meu eterno relicário,
À minha solidão darei um fim!
E então Sol e Lua aparecem,
Num fenômeno muito singular,
Nunca eu haveria de pensar,
Que astros seu amor tecem.
Então chego a certas conclusões:
Não seria o nome "rebeldia lunar",
E sim "um novo jeito de se amar",
Que nos intriga os corações...
sexta-feira, outubro 28, 2005
Soneto do anoitecer
O céu é o pilar que sustenta o mundo,
Mundo do qual sou oriundo,
Mundo do qual nada é impossível.
O sol se põe enervando o horizonte,
A lua ascende fugaz e febril,
Os dois tocam-se numa perfeita ponte,
Feita da luz de um ato pueril.
A isso assisti, mas por mais que conte,
Ninguém acreditará, pois ninguém viu,
Apenas fi-lo eu no topo de um monte.
O horizonte esconde uma face hostil,
Perdida na mortalha tecida pela noite,
Ferida na batalha entre o casto e o vil.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Anjo caído

O que fazer eu devo,
Não quero que digas,
Não me deixe fadigas,
Na alma ou no corpo.
Deixa-me existir,
Somente e simplesmente,
Na noite profunda e no porvir,
Somente deixa que eu
[tente...
Deixa-me sucumbir,
Aos ritos inacabados,
De nosso destino,
De nossos fados.
Deixa-me penetrar,
Nem surda nem sorrateiramente,
No reino do caos,
Somente deixa-me ser mais um ausente
[ ou penitente...
Deixa-me sofrer,
Ao menos em meu pranto,
Ao menos em silêncio,
Que do riso se desfez em melancólico
[canto.
Deixa-me voar,
Voar, sim, para longe daqui,
Tão longe que ao céu ascenderei,
Pelo menos assim saberei que um dia vivi
[ou pereci.
sábado, outubro 22, 2005
Sobre a Internet
A pessoa que ingressa nesta rede deve estar ciente das venturas e perigos que corre ao fazê-lo, uma vez que pode se influenciar sobremaneira. De fato, existem indivíduos neste mundo que utilizam de sua inteligência e habilidade com as palavras para arrastá-las “ao lado negro da força”. E grande parte das vítimas cai nessa história, pois a população mão é muito instruída.
Uma das virtudes da internet são as incríveis possibilidades de acesso a conteúdos científicos nunca antes vistos; a velocidade com que as notícias se alastram é impressionante: trilhões, quatrilhões de bites circulando por segundo é, muitas vezes, algo inimaginável. Para os leigos, basta saber que se pode ter um e-mail que está mais que suficiente, mas para os hackers (não são os maus!Os maus são os crackers), a internet é a maior ferramenta de que eles dispõem para se obter o que bem quiserem, contanto que esteja no limite da Lei.
Outra faca de dois gumes são os bate-papos. Podemos nos comunicar com pessoas aparentemente boas, mas que são, na verdade, verdadeiros monstros homicidas. Entretanto, podemos nos comunicar com pessoas que podem vir a ser verdadeiros amigos, ou hipotéticos amigos, visto que nunca, ou quase nunca, veremos realmente essas pessoas.
Certa vez, quando estava conversando no MIRC, no canal #Brasil, as pessoas falavam sobre ídolos a serem seguidos. Comentei acerca de Mahatma Gandhi, um grande pacifista brutalmente assassinado. Um indivíduo escreveu:
- Mahatma Gandhi era um “imitão”, só quis imitar Jesus Cristo.
Então retruquei:
- Se todos no mundo quisessem imitar Jesus Cristo, o mundo estaria muito melhor.
Ele, sem palavras suficientes, desconectou do canal. As pessoas se utilizam de argumentos inconsistentes para convencerem outras, as retórica, arte de falar bem, é indispensável ao desenvolvimento de um cidadão racional.
Infelizmente, a retórica vem sendo aperfeiçoada no domínio da corrupção, principalmente no ramo político. Pessoas ignorantes são facilmente convencidas por esses patifes e o Brasil se corrompe mais e mais. É preciso que haja uma grande tentativa de educação das pessoas, não dos adultos ou idosos, mas dos jovens, esses sim podem vir a aprender para sempre a arte da palavra.
E tu, caro leitor? Decides imitar aos políticos, ou ao povo? Ou simplesmente assistires ao espetáculo da corrupção?
quarta-feira, outubro 19, 2005
A flor
Muda a vida,
Um raio luzia,
Na flor escondida.
Muda o dia,
Muda a muda,
Passa a alegria,
Na noite muda.
Muda o vento,
Muda a estação,
Muda o momento,
Mas não a emoção.
Muda o vento,
Muda a direção,
Mas o alimento,
É sorvido do chão.
Muda a magia,
Muda o fascínio,
A vida crescia,
Morria o declínio.
Muda a magia,
Muda o amor,
Mas o que surgia,
era a flor; a flor? a flor!
Quarto motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
- Cecília Meireles
domingo, outubro 16, 2005
Saber amar

Parti em busca de um objetivo,
Não sei dizer qual era,
Não sabia amar, nunca soube,
Não sei nem porque estou vivo,
Só sei que era jovem demais para amar,
Pessoas grandes devem ser extraordinárias!
Cheguei num certo lugar,
Conheci um homem grande,
Ele era tão profundo e sóbrio,
Mas não sabia esperar,
Parti tão perplexo quanto cheguei.
Pessoas grandes são esquisitas...
Cheguei em um outro local,
Conheci um homem grande,
Parecia me tão genial,
Mas não sabia ouvir,
Parti tão assustado quanto cheguei.
Pessoas grandes são bizarras...
Cheguei num outro lugar,
Conheci um homem grande,
Parecia-me tão instruído,
Mas o verdadeiro amor não queria ver,
Parti tão estupefato quanto cheguei.
Pessoas grandes são mesmo bizarras...
Mas num certo lugar que o tempo parou,
Encontrei-me com uma raposa,
Ela, em toda sua ingenuidade me cativou,
Ela podia me ver com o coração,
Sabia me esperar pacientemente,
Podia me ouvir e entender,
Sabia me amar com muita afeição.
Através dela, compreendi que já sabia amar,
O amor não tem barreiras nem idade,
Podendo ser apenas uma grande amizade,
E nos faz chegar à eterna felicidade.
sábado, outubro 15, 2005
"O principezinho atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha à-tôa...- Boa dia, disse o príncipe.
- Boa dia, disse a flor.
- Onde estão os homens? perguntou polidamente.
A flor, um dia, vira passar uma caravana:
- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os há muitos anos. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.
- Adeus, disse o principezinho.
- Adeus, disse a flor."
Antoine de Saint-Exupéry
Para verdes, caros leitores, uma "florzinha à-toa", em toda sua pequenez, demonstra mais sabedoria que muitos sábios que se dizem oniscientes. Que esta flor de três pétalas, inspire a vós em perscrutardes o profundo conhecimento que a simplicidade apresenta.
A vida
Responda:
O que nos leva a viver?
a) Uma força?
b) Um princípio imaterial?
c) Um espírito insaciável de conhecimento?
d) NDA (Não Dirija Alcoolizado hehehe).
Não, a vida não existe e nunca existiu para ser descrita, não porque ela é abstrata (e de fato ela não o é), mas porque descrever o inefável seria ousadia tamanha para um ser que mal acaba de sair das fraldas.
A descrição exige conhecimento do mundo; a descrição da vida exige conhecimento UNIVERSAL. Sendo assim, nenhuma pusilânime criatura neste mundo conseguiu, conseguiria, conseguirá melhor descrever essa força que ultrapassa barreiras; este princípio que se antepõe ao nunca; este espírito que fulge na aurora, no ocaso e no porvir; essa magnificência que nos
instiga a perscrutar o mundo em cima das nuvens ou embaixo das pedras limosas.
Enfim, ninguém (nem mesmo eu) obterá esta proeza, pois se alguém o fazê-lo direito, o mundo, o universo, perderiam sua graça e mistério. Como se poderia descrever a vida numa simples folha de papel (monômeros finitos) e julgar que estivesse bem feito? Acaso o mundo não bastasse para tal intento? A Natureza? As guerras sem fim? Não! A vida (nem a morte) nunca será (ão) o(s) modelo(s) artístico (s)ideal(is). Pelo menos nesta era, hora, existência, vida e, talvez, morte...
(por falar em morte, fico com a letra d). E tu, caro leitor?domingo, outubro 09, 2005
Never more
Desvencilhando-me deste tormento de passa-não-passa, venho deixar um soneto amoroso que fiz: IMAGINA onde? No CMF!!! Enquanto esperei duas horas e meia para acabar o horário total (queria levar a prova pra casa, então esperei). Sabem como encontrei inspiração? É simples, avistei a janela grande e antiga da sala, era quase no crepúsculo. De repente, soaram os sinos e o céu se tornou rubro...
Fênix
Soaram os sinos:
O prenúncio,
A premissa iminente:
O céu morrerá,
Tal qual estrela cadente...
Soaram os sinos:
O augúrio,
As aves voam assustadas,
Das árvores em que dormiam,
Tão fugazes quanto fadas...
Soaram os sinos:
A profecia,
O céu se cobrirá de rubro,
O Sol cairá ao infinito,
Dizendo: Eu cubro, cubro!
Soara os sinos:
O fato,
O céu enegrece e definha,
Tão opacas são as cores,
Que o oculta qual tênue linha.
Soara os sinos:
O destino,
O céu sucumbiu etéreo,
Deixando o negrume no ar,
Deixando um rastro cinéreo.
Soarão os sinos:
A certeza,
Um novo céu há de vir,
E de algrias o mundo,
Ele irá novamente cobrir.
Soarão os sinos:
A herança,
De um tempo constante,
Que persiste no mundo,
E nos faz dele deveras amante!
Vejam o que eu descrevi! Será o quÊ?
sábado, outubro 08, 2005
É noite
O vento me insiste em lembrar
Que a vida um dia há de passar,
Tão fugaz quanto um arrepio.
É noite e me sinto infeliz,
O céu encoberto de dor,
A terra cercada de horror
Meu mundo com uma cicatriz.
É noite e sonho acordado,
Augúrios de um amor sem fim,
Ditados por um Serafim,
Que me diz bem do meu lado.
É noite e não penso em querer,
Sentir as luzes de um novo dia,
Sentir a dor, a hipocrisia,
De homens mundanos em seu viver.
É noite e me perco em prantos,
0 amor, doce amor que sonhei,
É noite e eu quero esvair,
O ódio de meus pensamentos,
A dúvida, ressentimentos,
Todos sem exceção banir.
É noite e meus olhos se cerram,
Por mais que abri-los tente,
O sono é mais que iminente,
Minha vida, destino se encerram...
É noite e durmo satisfeito,
Como qualquer pusilânime criatura,
Que vive e tem compostura,
Afinal, ninguém é perfeito.
sexta-feira, outubro 07, 2005
As pessoas
Cores, peles, órgãos, tecidos,
Marcas, rugas, problemas, momentos,
Cabelos, barrigas, sentidos,
Corpos, unhas, pesadelos,desejos,
Dores, aflições, medos, terrores,
fé, ardores, esperanças, ensejos,
energia, capacidades, amores,
futuros, incertezas, opiniões,
idéias, mãos, pés, tristezas, pudores,
Objetivos, encanto, destrezas, emoções,
Cabeça, fronte, costas, saúde, doenças,
Cócegas, aptidões, preguiça, zelos,
Braços, pernas, quadris, memórias,
Supertições, crendices, pêlos,
destino, cansaço, sono, histórias,
Olhos, dedos, bocas, dentes,
Martírios, ciúmes, inveja, glórias,
Alegrias, júbilos, prazeres, parentes,
Ambições, lembranças, funções,
Peito, nádegas, coxas, ascendentes,
sonhos, desgostos, injúrias,pulmões,
Perseverança, diferenças, precedentes,
Língua, raiva, humor, contentações,
Cotovelos, pescoços, genitálias, narizes,
Roupas, pertences, apetrechos, contradições,
Hãããããããã(suspiro)
As pessoas não têm paz...
sábado, outubro 01, 2005
Passado
Reminiscências
Mas deixemos a história se passar com sua cronologia; mostrar-lhe-ei algumas passagens que, julgo eu, marcaram o aprendizado do garoto. Avancemos até uma tarde veranil, na qual o Grande Astro abrasava o bosque de Antímano, minha residência; o calor era intenso. As ninfas mergulharam no lago em busca de refresco, as aves empoleiraram-se nos mais sombreados galhos das árvores. Poucas vezes, a leve brisa vinha arrefecer nossos corpos. Cástor queixou-se com veemência:
- Não podem os deuses se compadecer de nós e enervar este implacável Astro com seus raios fulminantes?
- Oh, incipiente jovem, cuida das palavras que proferes. - respondi atônito- Não queiras desejos inconcebíveis para com este mundo. Deixa-me contar-te uma história, ocorrida a várias gerações anteriores a mim, quando humanos ainda não passavam de poucos aldeões.
Desde o início dos tempos, o Grande Astro mantinha sua jornada constante; o equilibrio perfeito entre ele e a Grande Lua se perpetuava. Era neste primórdio que viveu Lukard, um jovem viril que, desde pequeno, sempre detestou o assomo da Lua no céu.
Sempre que ela surgia, ele se ocultava nas mais escuras cavernas, onde nunca um raio lunar alcançou. De lá, imprecava contra o fastidioso destino que o marcara. A única luz que lhe agradava era a solar, donde tirava a vontade de viver.
Certa manhã, resolveu visitar um feiticeiro, famoso pela suas artimanhas com a vil magia. Dominava os poderes malignos com astúcia. Lukard pede imperativo:
- Acaba com essa maldita Lua que me fadiga o corpo e a alma!
- Posso fê-lo, mas tudo tem seu preço, desde o fim ao começo.
- Tudo faço para não perder a calma...
- Dentro de 17 dias, volte aqui, na mesma hora em que vieste. Traga uma corça viva e peça para que alguém lhe traga um pote com água banhada pelo luar. Ah! Não te esqueças de revolver teu ódio, deves estar cheio dele no dia.
- Para quê queres tudo isso?- indagou espantado.
- Apenas traga-os e verás...- respondeu com a voz rouca.
Passados os dias, veio o pródigo mortal com os pedidos requeridos à caverna do bruxo.
- Agora faze-me o que me deves!- imperou Lukard.
- Com prazer!-retrucou o feiticeiro.
O velho o levou até um sala, a qual estava iluminada apenas por uma débil luz de vela. No centro do local, uma figura macabra estava ilustrada no chão. O rito começa: o velho, com estrema frieza, decepa a cabeça da corça e, ao mesmo tempo, murumura palavras estranhas à qualquer língua atual; sua origem remonta séculos, herdada dos mistérios da magia negra. O sangue escorre da cabeça recém-decepada, o velho derrama-o por sobre o corpo de Lukard, que se encontra nu. Após sibilar mais versos negros, manda que Lukard beba o conteúdo do pote, aquele que contém água "enluarada". De repente, Lukard grita, seu corpo inteiro sente um turbilhão dentro de si. Cai no chão, contorcendo se de dores lancinantes. Indaga co furor ao bruxo:
- O que fizeste comigo?
- Ha ha ha ha! Nada! Apenas o transformei num quase-morto. Serás amaldiçoado para todo o sempre. Por toda eternidade, sorverás o sangue de teu povo, mas nunca te saciarás. Poderás formar mais seres semelhantes a ti e agora podes cobrir o mundo com teu ódio!
Lukard estava extremamente diferente após a cerimônia maléfica. Sentia o ódio dominar suas veias, seu corpo morto, ou quase-morto. Agradeceu ao feiticeir e, o primeiro ato realizado foi encobrir o mundo inteiro com seu ódio, materializado em densas nuvens negras. Obnubilou a tudo, e tudo se curvaria a ele.
Todos os seres pensantes e de bom coração se reuniram em busca de solucionar tal tragédia. Estavam tementes de um vindouro problema pior. Muitos já sabiam que, sem o luar nem a luz solar, a força que rege o mundo se enfraqueceria gradativamente, e todos arcariam com o fim do mundo.
Foi nesse ínterim que um sábio lembrou a todos da Profecia: quando o mundo de ódio se cobrir, o Olho surgirá e, junto a Estrela, indicará o escolhido.
Os outros seres não sabiam se a profecia era verídica. Preferiam pensar em outras alternativas, contudo, isso demandava tempo e, a cada dia, Lukard conseguia trazer mais humanos para a quase-morte.E o mundo se degradava mais e mais...
Numa noite, quando todos já pensavam no fatídico destino do mundo (e de todos), algo aconteceu: a Estrela brilhou no céu, de onde o fazia, as nuvens nefastas não podiam encobri-la; o Olho, imponente, surgiu também. Com sua destreza, rapidamente visou o Escolhido e, ao fê-lo, enviou-lhe a luz que acordaria a chama de seu real destino.
Lukard, que agora já liderava uma falange de vampiros- nome dado a estes malditos seres- logo pôs-se atrás do Escolhido, temendo uma perturbação de seus planos. Ia atrás de seu iminente fado.
O Escolhido brandia a espada da justiça e o escudo da Verdade. Ele sabia que Lukard estava no seu encalço. Simplesmente, assentou-se num bosque sem vida; som suas sagradas mãos, assoprou os vento da vitalidade por todo o lugar. Onde seu abençoado sopro chegava, criava-se vida, esperança e felicidade. O bosque - que é onde estamos agora presentes- tornou-se o único lugar do mundo que havia tanta vida. O Escolhido, em posição de lótus, esperou pacientemente Lukard.
Quando Lukard e seu séquito em Antímano chegou, o Escolhido abriu seus olhos, a chama do amor reluzia em suas pupilas. Lukard, pela primeira vez, sentiu um profundo medo. Sem nenhum pensamento em mente, lançou a escuridão de encontro ao Iluminado, o negrume invadia o bosque. Contudo, o Escolhido revogou o ato com uma única e poderosa palavra (as palavras, dependendo de quem as profere, têm poderes inimagináveis): paz - disse isso tão brandamente que os subalternos de Lukard se espantaram. O Escolhido não sentia medo algum, pelo contrário, emanava coragem e afeto de seu interior, perturbando os vampiros.
Foi então que o escolhido se levantou e assim o delegou:
- Lukard, condenado estás a vagar pelo mundo com tua súcia de vampiros. Somente poderás sair à noite, para castigo eterno, ou quase eterno, se te mostrares arrependido profundamente do que fizeste. Se tentares sentir a luz do Sol, seu antigo amigo, sentirás o fogo consumir tua pele, o mesmo vale para os outros. Que nunca o equilíbrio seja desfeito, pois se vir a acontecer, virei a este mundo quantas vezes forem necessárias. De onde venho, aguardo pacientemente a iluminação da humanidade, mas pelo que vejo, ela só poderá ser alcançada daqui a muitos anos.
Dito isso, desapareceu com um fortíssimo clarão, o qual se espalhou célere por todo o mundo; sua bondade purificou o mundo do ódio de Lukard, o amaldiçoado. Quanto a este, foi imposto um lastimoso castigo, que ele levaria até encontrar a Luz.
Viste agora por que não podes dizer aquilo? O equilíbrio do mundo é como uma tênue linha, prestes a se romper, mas que nunca, ou quase nunca o faz.
Bem pessoal, termina aqui o segundo capítulo, dentro de alguns dias e postarei o terceiro. espero que tenham acompanhado o trajeto de Cástor e seu mestre Felchion, o elfo mais sábio de todos...
sexta-feira, setembro 30, 2005
Pusilânime
De todas as desventuras que experimentei nesta longeva vida, nenhuma pode ser comparada a que tive há 150 outonos. Lembro-me muito bem como tudo começou, numa proeminente manhã primaveril.
Estava eu deitado sob a sombra de uma frondosa árvore, com, ao meu redor, cerca de dez a quinze ninfas e paraninfas, as quais permaneciam quietas, observando o meu tocar de flauta. Os sons, tão suaves, escoavam pelos orifícios do instrumento e ecoavam pelo bosque. Tudo era vida.
De súbito, as aves que ali estavam se assustaram com barulhos de passos, os cervos e doninhas sentiram o mesmo. As ninfas e paraninfas desapareceram tão logo quando eles se iniciaram. O bosque adormeceu, tudo era silêncio e cautela. Exceto eu, que, aparentementem estava num transe; perdido em devaneios melodiosos.
Quando dei pela falta das ninfas, era tarde demais: um humano se encontrava sentado, diante de mim, fascinado com o meu tocar, seus olhos: hipnoticamente abertos, lampejavam uma singular juventude mortal. A princípio, assustei-me. Meu povo não costuma se encontrar com humanos, muito menos casualmente. Sabem que são um povo sorrateiro e corrompível. Contudo, sentia que naquele mancebo havia algo diferente dos demais da espécie. Algo nele me chamava atenção. Resolvi mudar o que uma tradição milenar havia me ensinado, conversei com o jovem:
- O que te fazes encantar, com teus noviços olhos?
- Tua música, teu tocar, tudo me faz um férvido admirador.
- Ah, certamente nunca viste um elfo. Principia-se assim, te fascinas com tudo o que faço, mas o tempo há de te fazê-lo esquecer. Quem és tu?
- Eu? Não passo de um mortal. Meu nome é Cástor, filho de Sophos, senhor de Drissa. Venho de terras longínquas, a buscar meu destino.
- Decerto que o encontrarás. Se quiseres posso te ajudar nesse intento.
- Nada seria mais formidável do que tu, um grandioso elfo, me ajudar. Mas o que ganharias com tal empenho?
- Ganharia o profundo conhecimento sobre ti e teu povo.
- Ensina-me o que aprendeste ao longo destes séculos!
- Calma, meu jovem, tudo tem seu própria tempo: o cais das folhas, o ascender do Sol, a brisa vespertina, inclusive tu o tens...
A partir daquele dia, dediquei todo meu tempo(se é que ouso chamá-lo disto, pois para nós, elfos, ele praticamente inexiste), ensinando-o. Ao meu novo pupilo, ensinei algo que, nem em toda sua vida poderia aprender. Mostre-lhe o segredo das estrelas, com seus inefáveis brilhos; do mar, com suas indômitas ondas; do dia e da noite, enfim, ensinamentos que, somente depois, percebi que não deveria ter passado.
A Verdade não pode ser tão rapidamente mostrada aos homens: suas ineptas mentes não a suportariam...
quarta-feira, setembro 28, 2005
A casa
segunda-feira, setembro 26, 2005
Provas
Números, números não me revelam,
A gentil e triste face que tu nem notas,
E que nem nem serão nem eram,
A esperança túrgida que denotas...
O que me importam boletins?
O que me importam matérias?
O que me importam funções afins?
O que me importam bactérias?
O que me importam coisas tolas,
Supérfluas, ignotas, rebeldes e vagas?
Nada disso me importa.
O que eu quero é a vida.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Desespero
sexta-feira, setembro 16, 2005
Mais Wizard of Oz
DOROTHY
Home! And this is my room -- and you're all here! And I'm not going to leave here ever, ever again, because I love you all! And -- Oh, Auntie Em -- there's no place like home!
DOROTHY
Lar! E este é meu quarto -- e todos vocês estão aqui! E não irei sair daqui nunca, nunca mais, porque eu amo vocês todos! E -- Oh, Tia Em -- não há lugar como o lar!
quarta-feira, setembro 14, 2005
Addictions
"For nearly forty years this story has given faithful service to the Young in Heart; and Time has been powerless to put its kindly philosophy out of fashion.To those of you who have been faithful to it in return
...and to the Young in Heart --- we dedicate this picture."
"Por quase quarenta anos, esta história tem mantido fiel serviço aos Jovens de Coração; e o Tempo tem sido impotente ao colocar sua gentil filosofia fora de moda. Para aqueles de vocês que têm sido fiéis ao seu retorno
...e para os Jovens de Coração --- nós dedicamos este filme."
! Como é lindo o filme!
