sexta-feira, abril 17, 2015

Confissão

  Eu amo o jeito que você acorda de manhã e me lança aquele olhar de "vamos ficar só mais um pouquinho aqui". Me derramo suave na cama e me espalho por cada centímetro de você. Eu amo como você sempre consegue melhorar meu humor, nem que seja um pouquinho. Você sabe contar as piadas - sim, aquelas que ninguém ri - que só eu rio. Eu rio, eu mar, eu oceano, eu gota por gota de você. Eu em você, você em mim, nós líquidos e entrecordados pelos fios infinitos e misteriosos do Universo. A conspiração foi maior que nós aquele dia em que você apareceu em minha vida. Eu amei desde a primeira vez que te vi. Amei a paixão com que teus olhos brilhavam ao você falar de sua vida. Tua paixão pela tua vida acendeu a paixão em mim. Traze-me um pouco desse fogo que irradia do teu peito. Suas gargalhadas ecoando pelas paredes frias do meu apartamento como fogo-fátuos em noite sem luar. Chamuscando cada canto da cozinha e da sala, menos do quarto, esse já era chama pura. Eu amo as conversas curtas que temos quando estamos ocupados com os eternos afazeres de gente-grande. Aquelas conversas que quando se alongam revelam uma profundida tamanha. As palavras saindo de nossas bocas e se entrelaçando - fios invisíveis - entre nossas almas. Você falando de nosso amor vir de outras vidas e coisa e tal. Eu fingindo não acreditar e brincando que aquilo era coisa de filme de sessão da tarde. Mas no fundo eu acreditava, na verdade eu ainda acredito. Como podemos ser assim? Virmos de tão longe há tanto tempo e estarmos aqui neste momento?  Eu amo tua fala ébria quando tomamos vinho e assistimos filmes-de-se-ver-acompanhado. Mal acompanhando o filme, esquecendo a história do filme para terminarmos na nossa própria história. História leve feito brisa de mar. Há quantas brisas nessa mansidão que emana de tuas mãos? O ar rarefeito da ansiedade de te encontrar (e do medo de te perder). E o ar úmido e fresco de saber que somos livres. Você e eu, juntos ou não, mas livres. Eu amo quando deitamos na terra nua e nos abraçamos fitando o céu estrelado. A terra que nos nutre e nos permite amar. Sólida como as imagens que guardo de nós. Com elas posso desenhar por um deserto inteiro, por centenas de dunas, todas as cenas nossas. Feito um filme rústico que pode ser visto de satélite, ou da lua. Ou do que você desejar. Eu amo a maneira com que você lê como essa história acaba. Nem acabando tão bem quanto pensávamos, mas sem terminar o amor. Esse não tem fim...