domingo, junho 24, 2012

A fuga

O rapaz que não gostava de rotina estava cansado do ambiente morno que o cercava. A mesmice lhe conduzia a uma morosidade quase que insustentável. Era seu, era intrínseco dele guardar o ímpeto pelo novo, a visão fugaz do que não se sabe, do que nunca se viu ou ouviu. E cada momento desse guardava uma memória inconfudível, um cheiro, um sabor, talvez até sinestésico: uma cor vermelha de sabor adocicado, ou um acorde com cheiro de uvas recém colhidas. Era isso que movia-lhe, a vontade de sintetizar as várias sensações em algo único e primevo. Foi então que o rapaz que não gostava de rotina saiu correndo de seu quarto. Desceu as escadas do sobrado, abriu de sopetão a porta principal e atravessou o campo até chegar ao estábulo. Meio que por instinto, os animais sabiam o por que da presença daquele rapaz, da ânsia de seu interior e aguardavam em silêncio. E levado pelo desejo do vento, o jovem alçou um vôo até as costas de Éolo, o alazão mais rápido e bonito que se podia encontrar. Os dois uniram-se num desejo mútuo de novos caminhos e desataram numa viagem ao desconhecido.

domingo, junho 17, 2012

Sobre o telhado

Do alto de sua casa ela podia avistar a cidade toda. O céu brilhava opaco refletindo o luar. Estava frio, o vento batia em seu rosto e braços avisando-lhe que meninas deveriam estar acolhidas no calor de suas camas naquele horário. Ela apenas observava a noite, as casas e cada pontinho de luz que era emanado por elas. E de repente ela imaginou que, de todos os corações que estavam adormecidos dentro daquelas casas, pelo menos um aguardava-lhe o encontro. Não sabia quando ou onde isso aconteceria, nem mesmo o vento ousava lhe sussurrar sobre esse momento enquanto corria; ou as nuvens que se inquietavam sobre as casas. Contudo, ela sentia que havia um fio que a ligava a outra alma, um fio bem tênue, quase rarefeito e brilhante. E que ambos os corações lentamente puxavam esse misterioso fio para si.

domingo, junho 10, 2012

Tempestade em pétalas

Acordei hoje com a sensação de que estou num falso equilíbrio
Que a aparente ordem regendo tudo ao meu redor
Irá desferir um golpe contra si mesma
Rompendo a tênue linha do que chamamos de "normalidade"
E um turbilhão de novas descobertas surgirá
Como um navio tragado de repente por uma tempestade
Em alto mar.

domingo, junho 03, 2012









"[...] Yet in his eyes all the sadness of the world."


sábado, junho 02, 2012

Maybe I'm Amazed

Baby I’m amazed at the way you love me all the time
Maybe I’m afraid of the way I love you
Baby I’m amazed the way you pull me out of time
Hung me on a line
Maybe I’m amazed at the way I really need you