sábado, agosto 27, 2005

O vôo do cisne branco

Era uma gélida tarde de inverno quando Olívio acordou. Seus pequeninos olhos sonolentos se abriram lentamente e, ao fê-lo, Olívio observou tudo ao seu redor. Morava num casebre; tosco e miserável; cheirava a mofo e à pobreza, mas preservava o bom calor humano, provido de pessoas honestas e humildes.
Lá fora, nevava. Pesados flocos de neve caíam aos montes por sobre o mundo e tornava-o um grande cisne branco. Olívio, enquanto perscrutava pela janela da casa o cair da neve, lembrava do que sua mãe havia lhe dito: "Meu filho, sempre que nevar, faze um pedido para o Senhor teu Deus que, o mundo, como um imenso cisne branco, o levará até Ele."
Ao pensar nisso, Olívio apertou com força suas frágeis mãos e olhou para cima. Nesse instante, invoca: " Ó Senhor, que tudo podes e fazes, liberta-me deste mundo de sofrimento, faze-me instrumento de teu amor!". Após a súplica, lágrimas escorreram pela sua face; o frio era tão intenso que elas congelaram na altura de suas maçãs- do- rosto.
Olívio caiu mais ainda em prantos ao pensar em sua mãe, que naquele instante, deveria estar lá fora, lavando roupas na parte do rio ainda não congelada. Os "amigos" de Olívio, mais ricos que ele, gozavam da sua condição sócio-econômica, alcunhavam sua mãe de vagabunda e ele de burro, diziam que ela não valia nada, não valia nada... Mas Olívio se perguntava: "Como minha mãe pode ser vagabunda, se trabalha o todo dia, faça chuva ou neve?".
A cabecinha de Olívio não conseguia entender o porquê dele ser pobre, afinal de contas, não estava escrito na Bíblia que os pobres eram mais ricos? Ele não entendia que a pobreza era algo relativo, vago. E que a riqueza mencionada na Bíblia era a virtude de ser um bom humano.
Fortes tosses se prolongavam no débil corpo do menino, a doença se alastrava mais e mais, corroendo até o último pedaço do corpo onde ainda restava saúde e reinava esperança. Olívio estava acometido de uma grave doença, surgida no começo do inverno passado. Sua mãe dissera que logo passaria; foram-se meses e não curava.
Olívio sentia seu corpo como um imenso fardo a ser carregado, um imenso fardo que contém a mais pura e leve alma, daquelas que ofuscam a mais negra chama de ódio. Olívio tossia e tinha medo: era apenas um menino.
Seus amigos, cientes do perigo de morte que ele corria, pela primeira vez, foram até sua casa. Trouxeram presentes, alegria e amor. A mãe, antes dita vagabunda, recebeu-os com um terno abraço. Um abraço terno numa tarde nívea.
A partir daquele dia, seus amigos iam cada vez mais com freqüência à casa do garoto e ele sentia-se cada vez mais melhor. Sua mãe, aumentava a alegria na mesma proporção. Mas o que ela, nem os recém-cativados amigos sabiam, era que, quanto mais se aproximavam dele, fazendo-o feliz, mais sua alma chegava perto do céu.
Numa cálida manhã primaveril, Olívio acordou. Seus olhinhos se abriram pesadamente. E falou: "Agora sim, meu Deus, podes me cumprir o pedido." Dito isso, fechou os olhos para nunca mais abrir. Partia cedo, mas feliz. O Senhor cumpriu o pedido do menino e, um grande cisne branco alçou vôo do mundo, conduzindo o mais novo anjo às Terras Desconhecidas. Uma nova estrela brihou no céu, pena que a mãe do menino não pôde vê-la surgir, era dia.

quinta-feira, agosto 25, 2005

A catedral

Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
Aqui se encontra mais uma poesia de meu mais novo ídolo: Alphonsus de Guimaraens:

E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.

E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.

E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

quarta-feira, agosto 24, 2005

Cisnes Brancos

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Porque viestes, se era tão tarde?

O sol não beija mais os flancosDa Montanha onde mora a tarde.

Ó cisnes brancos, dolorida

Minh’alma sente dores novas.

Cheguei à terra prometida:

É um deserto cheio de covas.

Voai para outras risonhas plagas,

Cisnes brancos! Sede felizes...

Deixai-me só com as minhas chagas,

E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras,

De risada que esfria os ossos...

Minh’alma, cheia de caveiras,

Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brasas,

Venham as tentações daninhas,

Que eu lhes porei, bem sob asas,

A alma cheia de ladainhas.

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Doce afago da alva plumagem!

Minh’alma morre aos solavancos

Nesta medonha carruagem...

Quando chegaste, os violoncelos

Que andam no ar cantaram no hinos.

Estrelaram-se todos os castelos,

E até nas nuvens repicaram sinos.

Foram-se as brancas horas sem rumo,

Tanto sonhadas! Ainda, ainda

Hoje os meus pobres versos perfumo

Com os beijos santos da tua vinda.

Quando te foste, estalaram cordas

Nos violoncelos e nas harpas...

E anjos disseram: — Não mais acordas,

Lírio nascido nas escarpas!

Sinos dobraram no céu e escuto

Dobres eternos na minha ermida.

E os pobres versos ainda hoje enluto

Com os beijos santos da despedida.

domingo, agosto 21, 2005

Motivo

Certa vez, perguntaram-me: por que és poeta. E disse: nada melhor do que um poema para explicar, não é?

Jardineiro

Dentro de cada um de nós,
Existe uma frágil semente,
Que se encontra adormecida,
Mas contém a poesia latente.

Jardineiro eu sou,
Que esta semente rega,
Que com ardor e confiança,
À palavra se apega.

Minhas lágrimas...
São a água que a faz crescer,
Meus suspiros...
São o ar que a faz viver.

Jardineiro eu sou,
Ao saber que existem rimas,
Logo preenchi o mundo,
Com várias, várias obras-primas.

Minha tristeza...
É o sustento que a nutre,
Meu ódio...
A corrói como um abutre.

Minha alegria...
Suas hastes revigora,
Minha solidão...
A floresce sem demora.

Jardineiro eu sou,
Resoluto, um jardim terei,
Um jardim feito de amor,
Um jardim digno de um rei.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Minha musa inspiradora: Cecília Meireles

Eu, como eterno e prostrado fã de Cecília Meireles, minha diva, musa inspiradora, minha mestra, lanço-lhes este texto que fala de minha utopia: a Liberdade.

Liberdade

Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!". Nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade! - abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos - brilhou no céu da Pátria..." - em certo instante.
Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre - como diria o famoso conselheiro... - é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado - é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...).
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!...
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!...
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos - linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...

More friends in my life

Era uma vez um Pedro, que nunca possuiu muitos amigos, mais os poucos que tinha, tentava cativar ao máximo, a fim de obter um bom jardim de amizade, e falando nela, uma amiga minha contestou seu lugar neste blog:

Natália, a sonhadora.

Características: Uma garota dócil que conquista o coração dos outros por meio de desenhos e poemas maravilhosos, que consegue aliar a música ao desenho, que ama Queen como nada neste mundo, que fala "isso é uma dor fina", que às vezes briga comigo, mas "a gente conversa, a gente se entende". Enfim, que desenha certo em papéis molhados...
Bem, o que mais poderia descrever de alguém tão singular; sempre que a vejo tenho vontade de rir, não por ela ser uma palhaça, mas por ter seu jeito gracioso de viver, ela é diferente e eu, muitas vezes, não entendo isso. Queria que ela entendesse que meu temperamento é difícil, mas um dia ela se acostuma (hihihi).

Julia, a misteriosa

Características: Uma menina calma, quieta (até onde sei), que adora escutar Queen e tocar piano, inclusive toca muuuito bem Sonata ao luar de ludwig Van Beethoven. Espero poder conhecê-la melhor para posterior descrição mais bem feita.

quarta-feira, agosto 10, 2005

O mágico de Oz

O filme "O mágico de Oz (Wizard of Oz" encantou-me de tal maneira que resolvi poetizar:

A terra do sempre
“Somewhere over the rainbow, way up high. There’s a land that I heard of once in a lullaby…”
- Dorothy

Eu sei que existe um lugar,
Onde fica? Não sei dizer,
Além do céu, além do mar,
Além do sol ao entardecer.

Nesta terra de magia,
Correm rios de risadas,
Caem gotas de alegria,
De nuvens enchumaçadas.

Os problemas lá não existem,
As lágrimas que porventura houver,
São de anedotas que insistem,
Em tornar o riso nosso mister.

Como em toda e qualquer região,
Esta pátria possui capital,
Uma cidade de paz e união,
Onde há o bem-estar social.

Existe de tudo nesta terra,
Lagos, florestas, bosques, ilhas,
Oceanos, cascatas e serras,
E mais do que sete maravilhas.

Ainda existe um mar imponente,
Pélago semeado de bonança,
Da boa ventura é imanente,
Ver-lhe nos desperta esperança.

A etérea brisa que parte do mar,
Refrigera nossas almas,
Deixa-as todo mal ofuscar,
E ainda as mantêm calmas.

A porta de entrada desta terra,
É muito, muito do arco-íris acima,
Abre-se apenas quando não há guerra,
E é das boas coisas verdadeiro ímã.

Pássaros azuis que um dia,
Um dia avistei em meus sonhos pueris,
Voam, voam com primazia,
Sobre o arco-íris que me faz feliz.

Se voam os belos passarinhos,
Por que também não posso eu?
Se voam tão belos os bichinhos,
Por que não posso realizar sonho meu?

domingo, agosto 07, 2005

A viagem de Pedro

Não há algo no mundo mais empolgante do que uma viagem. Sem dúvida nenhuma, a que tive foi inesquecível. Valeu deveras apena ter me esforçado tanto junto de minha classe para ganhar o VII Festival de Arte e Criatividade, no xadrez,no vôlei, no basquete, no handebol, no teatro, na tematização, no desfile, tudo culminou na passagem de minha sala em primeiríssimo lugar. Foi muito irônico o momento em que o coordenador, Márcio, foi divulgar para nós o resultado, todos ficamos quietos, cabisbaixos, esperando que ele dissesse: o primeiro ano olímpico venceu o festival com mais de 600 pts!!! A alegria nos preencheu o coração.
Só não sabíamos ainda o prêmio tamanho que ganharíamos: uma viagem para Aracati. Nossa, além de viajar para um hotel magnífico, composto de chalés, quadras, piscina e restaurante, eu viajaria com meus amigos, que tanto fazem parte de minha vida. A viagem ocorreu dia 5 de agosto, era para sairmos do colégio às 3 h, contudo, como temos muuuita sorte, saímos uma hora depois, devido ao fato do ônibus quase ter explodido. No ônibus, cantei, dormi, li, comi, e fiz tudo o que um jovem normal faria: bagunça!
Ao chegarmos em Aracati, recebemos uma pulseira que nos indicaria o chalé que nos instalaríamos. O meu chalé foi o 09 que ao contrário é 60! O das meninas, minhas amigas, Irina, Izabel, Julia e Natália foi o 12. Nem perdi tempo, queria aproveitar todo o tempo da viagem, fui logo jogar vôlei, foi demais! Depois fui nadar um pouco na piscina e presenciei a Lara com cãimbra no pé, posto que ela estava os usando para produzir um jato de água na minha direção (isso que dá tentar me agredir, hehehe).
Depois de nadar, troquei de roupa e fui me alimentar, inicialmente, iria comer sanduíches, mas meus "amigos" não fizeram o meu pedido e acabei por desistir de pedir algo numa fila quilométrica. Fui ao restaurante, que por sinal era careiro, mas possuía uma ótima comida. Acreditam que comi um porção para duas pessoas sozinho? O André e Lara, que me acompanharam, estão de testemunhas, 5 fatias de filé de frango grelhado, uma porção de legumes, dois copos de suco de laranja e uma tigela de arroz!!!! Depois fui jogar mau-mau com a Irina, Erasmo, Levi, Camila, Isadora, Samuel e Patrícia, tive que sair logo na primeir partida devido ao sono. Joguei uma sinuquinha e fui dormir à meia noite.
Acordei 6 em ponto da manhã e fui tomar café-da-manhã, estava tudo muito bom, a julgar pelo abacaxi que estava muito imaturo... Fui de novo à piscina,brinquei à vontade e me diverti à beça! O problema era o frio que estava a água e o vento que batia no meu corpo, estava tão congelante que cheguei a nem sentir minhas mãos e pernas, quase morria de hipotermia.
Resolvi ir jogar com minhas amigas, joguei burro e ganhei cinco vezes seguidas: pentacampeão!!! Depois não agüentei mais, chamei as meninas para conhecer os lugares, mas elas estavam tão absortas em ser sedentárias que nem quiseram, preferiram continuar na inércia delas, a única que se mostrou apta foi a Bia, então saí com ela para desmundar pelo hotel. Nossa Senhora, como o lugar é grande! Fomos aos tanques de pesque-e-pague e jogamos pedras na água para que elas pulassem na supefície que nem no filme "O fabuloso destino de Amelie Polan", a Bia conseguiu que uma pedra pulasse 4 vezes!!! Fomos também até o mangue (bem longe por sinal), onde vimos centenas de caranguejos vermelhos.
Bia e eu também entramos num dos tanques que estava seco, queríamos tirar fotos lá porque parecia o sertão nordestino com as lateritas. Quando estávamos no meio do tanque, um enxame de mosquitos assassinos, literalmente nos perseguiu, corremos desesperadamente e a Bia afundou o pé num lamaçal próximo ao final do tanque, caracas, era tão espessa e azulada a lama que nem sei explicar.
Deixei a Bia no banheiro pra ela lavar os pés e fui arrumar minhas coisas: íamos partir : ( . Fomos para a praia de Canoa Quebrada, e, no caminho, conhecemos lugares tombados pelo patrimônio histórico, em Aracati (que significa "bons ventos" na linguagem indígena). Almoçamos numa barraca da praia de Canoa e então conhecemos um pouco a praia, catei uns búzios e fomos embora. Na volta, tiramos muitas fotos e bebemos muita água. Eu, a Bia, a Nat, A Irina, Izabel e Julia combinamos de fazer uma viagem similar no final do ano (espero que aconteça!!!).Tirei duas fotos da Lia a pedido de Bia, pois Lia é muito legal. Passaram um filme que ninguém assistiu "supremacia de alguma coisa". Muito chato e monótono por sinal. Só sei que a viagem foi inesquecível e merece uma salva de palmas de quem está lendo.