- Não acredito que estamos perdidos aqui no meio da noite.
- Pelo menos estamos de carro e o céu está limpo...
- Ah, é verdade o céu, vai nos ajudar tanto né?
- Mais do que você imagina, amigo.
- Como assim?
- Está vendo aqueles pontos brilhantes? Veja que alguns pulsam tão fracamente que parecem que vão se apagar a qualquer momento,
- Sim, estou, são estrelas...
- Não somente, são milhares, milhões de sóis como o nosso a queimar ardemente.
- Sol, era tudo que eu precisava nesse momento pra nos iluminar no meio dessa imensidão escura.
- Estamos sob o regime das estrelas, Cláudio, estamos sob o regime do luar.
- E você me lembro de que preciso retomar meu regime, ganhei um pesinho ultimamente.
- Presta atenção, não consegue ver a metáfora viva que seus olhos alcalçam?
- Qual?
- Nossas vidas são como sóis, estamos embrenhados nessa imensidão do universo, muitas vezes sozinhos, outras acompanhados, mas sempre pulsando, sempre vivendo.
- Você viaja tanto, não é à toa que é de Sagitário, Fernando...
- E não é à toa que você é de capricórnio com a cabeça fincada nesse chão (risos de ambos).
- No fundo eu acho que você está certo, a única certeza é de que apagaremos também.
- Mas até lá ainda temos muitas vias lácteas para conhecer, pode ficar certo disso.
- O que podemos fazer pra sair daqui?
- Fazer o que nossos antepassados faziam ao navegar pelos oceanos no negrume da noite.
- E isso é?
- Guiar-se pelas estrelas, veja, aquele é o cruzeiro do sul ele aponta para a direção sul...