quarta-feira, setembro 22, 2010

Roma e amor

Assim como desde sempre se dizia:
Roma não foi construída em um dia
Ora, mas é sem espanto e com gosto
que digo que nem mesmo assim foi seu oposto.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Sobre os dias não tão alegres

Ele não precisa amanhecer cinzento
Pode não haver sequer uma nuvem no céu
Não precisa que o pão queime na chapa
Nem mesmo que se esqueça a chave em casa,
Ou pássaros joguem detritos sobre nossas cabeças.
Basta que um rosto conhecido, torto,
desfigurado pela doença,
evapore nossa alegria,
doente de mau-humor.

terça-feira, setembro 14, 2010

Canteiros e pedras

Eu sei que nesse caminho ainda existem muitos canteiros perdidos, vastos e vagos, prontos a serem achados por transeuntes desatentos que tropeçam em pedras soltas (aquelas não tão grandes para serem notadas, nem tão pequenas para passarem desapercebidas).
Sei que as sementes que caem de nossos olhos, nossas mãos, nosso corpo e alma vão fecundando a terra virgem. Nossos corpos dançam sem sabermos. Nossa vida é um baile e somos os bailairinos incansáveis, insaciáveis. São vários as gotas que escorreram salgadas de nossos globos e aos poucos fizeram crescer, lentas e tímidas, as flores que hoje irradiam os sorrisos que vejo pelo caminho, o mesmo que antes havia visto vasto e vão. Por entre as frestas do céu e as alamedas úmidas que andei, fico certo de algo, não há certezas senão que a chuva quando lavra a terra quente emana o cheiro morno da felicidade. E esse caminho ainda tem muitos canteiros e pedras a serem encontrados, o baile todo.