domingo, junho 26, 2011

Fragmento

"- Você acredita em milagres?
- Hoje não."

sexta-feira, junho 24, 2011

Consulta

- Oi, Doutor.
- Olá, Ricardo, como vai?
- To com uma dor, doutor, uma dor que não passa.
- Humm, uma dor que não passa, e onde você a sente?
- Bem aqui doutor
- Aqui?
- É
- No coração?
- Sim, doutor, no meu coração.

Saudade

Saudade que dilacera
No ritmo das horas
No ritmo da espera.

domingo, junho 19, 2011

O conto da noite

- [...] Se eu não me engano eu acho que nós deveríamos estar aqui no mapa, ai, droga!
- Não acredito que estamos perdidos aqui no meio da noite.
- Pelo menos estamos de carro e o céu está limpo...
- Ah, é verdade o céu, vai nos ajudar tanto né?
- Mais do que você imagina, amigo.
- Como assim?
- Está vendo aqueles pontos brilhantes? Veja que alguns pulsam tão fracamente que parecem que vão se apagar a qualquer momento,
- Sim, estou, são estrelas...
- Não somente, são milhares, milhões de sóis como o nosso a queimar ardemente.
- Sol, era tudo que eu precisava nesse momento pra nos iluminar no meio dessa imensidão escura.
- Estamos sob o regime das estrelas, Cláudio, estamos sob o regime do luar.
- E você me lembro de que preciso retomar meu regime, ganhei um pesinho ultimamente.
- Presta atenção, não consegue ver a metáfora viva que seus olhos alcalçam?
- Qual?
- Nossas vidas são como sóis, estamos embrenhados nessa imensidão do universo, muitas vezes sozinhos, outras acompanhados, mas sempre pulsando, sempre vivendo.
- Você viaja tanto, não é à toa que é de Sagitário, Fernando...
- E não é à toa que você é de capricórnio com a cabeça fincada nesse chão (risos de ambos).
- No fundo eu acho que você está certo, a única certeza é de que apagaremos também.
- Mas até lá ainda temos muitas vias lácteas para conhecer, pode ficar certo disso.
- O que podemos fazer pra sair daqui?
- Fazer o que nossos antepassados faziam ao navegar pelos oceanos no negrume da noite.
- E isso é?
- Guiar-se pelas estrelas, veja, aquele é o cruzeiro do sul ele aponta para a direção sul...

Poema breve

Com toda a licença poética
Vai ver se eu to na esquina.

domingo, junho 12, 2011

Inspire



Eu:
E se formos parar para perceber, tudo é uma questão de perspectiva, Dedé...
Está vendo aquilo no céu? O que imagina que seja?
Dedé: Ora, uma nuvem, o que mais seria?
Eu: Você tem certeza?
Dedé: Espera aí. Agora sim eu vejo... um animal, acho que um cavalo, estou certo?
Eu: É como eu disse, é tudo uma questão de perspectiva.
Dedé: Mas se eu tivesse visto outra coisa que não um cavalo?
Eu: Eu diria que você é uma pessoa mais criativa do que eu (risos).

Diálogo

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: È.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.

quarta-feira, junho 08, 2011

Rosa

E toda a dor e sofrer que ele sentiu precipitaram densos naquilo que chamavam de lágrimas. Gotas pesadas saciavam a terra seca e lavravam o pesar de seu peito. Diziam que daquela terra desolada não nasceria mais nada, ora, para espanto dos descrentes nascera ali, do sulco das gotas vertidas, uma rosa. Rubra como o sangue que corria quente em seu órgão pulsante. A rosa da dor desabrochava esplêndida e sorria para ele numa manhã qualquer

sábado, junho 04, 2011

I don't blame them

And there were rumours I was aching and feeling bad, well, I don't blame them for their lack of sensivity, not even in my darkest days I'd tell them. Perhaps for most of them I keep showing off like a hustler. I completely own myself and my thoughts. By the way if they keep saying and cheating, I don't blame them at all...