sábado, outubro 01, 2005

Passado

Bem, pessoal, a história passada, Pusilânime, é apenas o primeiro de inúmeros capítulos do livro que existe (em minha mente!!!). Desde aquele dia, decidi não mais falar o que havia falado (coisas de minha vida), pois nos primeiros "posts" deste blog disse que não seria como qualquer blog, não ficaria falando sobre minha vida: traí-me a mim mesmo... Agora, escrevo a segunda parte da história, o segundo capítulo, intitulado "Reminiscências".

Reminiscências

Mas deixemos a história se passar com sua cronologia; mostrar-lhe-ei algumas passagens que, julgo eu, marcaram o aprendizado do garoto. Avancemos até uma tarde veranil, na qual o Grande Astro abrasava o bosque de Antímano, minha residência; o calor era intenso. As ninfas mergulharam no lago em busca de refresco, as aves empoleiraram-se nos mais sombreados galhos das árvores. Poucas vezes, a leve brisa vinha arrefecer nossos corpos. Cástor queixou-se com veemência:
- Não podem os deuses se compadecer de nós e enervar este implacável Astro com seus raios fulminantes?
- Oh, incipiente jovem, cuida das palavras que proferes. - respondi atônito- Não queiras desejos inconcebíveis para com este mundo. Deixa-me contar-te uma história, ocorrida a várias gerações anteriores a mim, quando humanos ainda não passavam de poucos aldeões.
Desde o início dos tempos, o Grande Astro mantinha sua jornada constante; o equilibrio perfeito entre ele e a Grande Lua se perpetuava. Era neste primórdio que viveu Lukard, um jovem viril que, desde pequeno, sempre detestou o assomo da Lua no céu.
Sempre que ela surgia, ele se ocultava nas mais escuras cavernas, onde nunca um raio lunar alcançou. De lá, imprecava contra o fastidioso destino que o marcara. A única luz que lhe agradava era a solar, donde tirava a vontade de viver.
Certa manhã, resolveu visitar um feiticeiro, famoso pela suas artimanhas com a vil magia. Dominava os poderes malignos com astúcia. Lukard pede imperativo:
- Acaba com essa maldita Lua que me fadiga o corpo e a alma!
- Posso fê-lo, mas tudo tem seu preço, desde o fim ao começo.
- Tudo faço para não perder a calma...
- Dentro de 17 dias, volte aqui, na mesma hora em que vieste. Traga uma corça viva e peça para que alguém lhe traga um pote com água banhada pelo luar. Ah! Não te esqueças de revolver teu ódio, deves estar cheio dele no dia.
- Para quê queres tudo isso?- indagou espantado.
- Apenas traga-os e verás...- respondeu com a voz rouca.
Passados os dias, veio o pródigo mortal com os pedidos requeridos à caverna do bruxo.
- Agora faze-me o que me deves!- imperou Lukard.
- Com prazer!-retrucou o feiticeiro.
O velho o levou até um sala, a qual estava iluminada apenas por uma débil luz de vela. No centro do local, uma figura macabra estava ilustrada no chão. O rito começa: o velho, com estrema frieza, decepa a cabeça da corça e, ao mesmo tempo, murumura palavras estranhas à qualquer língua atual; sua origem remonta séculos, herdada dos mistérios da magia negra. O sangue escorre da cabeça recém-decepada, o velho derrama-o por sobre o corpo de Lukard, que se encontra nu. Após sibilar mais versos negros, manda que Lukard beba o conteúdo do pote, aquele que contém água "enluarada". De repente, Lukard grita, seu corpo inteiro sente um turbilhão dentro de si. Cai no chão, contorcendo se de dores lancinantes. Indaga co furor ao bruxo:
- O que fizeste comigo?
- Ha ha ha ha! Nada! Apenas o transformei num quase-morto. Serás amaldiçoado para todo o sempre. Por toda eternidade, sorverás o sangue de teu povo, mas nunca te saciarás. Poderás formar mais seres semelhantes a ti e agora podes cobrir o mundo com teu ódio!
Lukard estava extremamente diferente após a cerimônia maléfica. Sentia o ódio dominar suas veias, seu corpo morto, ou quase-morto. Agradeceu ao feiticeir e, o primeiro ato realizado foi encobrir o mundo inteiro com seu ódio, materializado em densas nuvens negras. Obnubilou a tudo, e tudo se curvaria a ele.
Todos os seres pensantes e de bom coração se reuniram em busca de solucionar tal tragédia. Estavam tementes de um vindouro problema pior. Muitos já sabiam que, sem o luar nem a luz solar, a força que rege o mundo se enfraqueceria gradativamente, e todos arcariam com o fim do mundo.
Foi nesse ínterim que um sábio lembrou a todos da Profecia: quando o mundo de ódio se cobrir, o Olho surgirá e, junto a Estrela, indicará o escolhido.
Os outros seres não sabiam se a profecia era verídica. Preferiam pensar em outras alternativas, contudo, isso demandava tempo e, a cada dia, Lukard conseguia trazer mais humanos para a quase-morte.E o mundo se degradava mais e mais...
Numa noite, quando todos já pensavam no fatídico destino do mundo (e de todos), algo aconteceu: a Estrela brilhou no céu, de onde o fazia, as nuvens nefastas não podiam encobri-la; o Olho, imponente, surgiu também. Com sua destreza, rapidamente visou o Escolhido e, ao fê-lo, enviou-lhe a luz que acordaria a chama de seu real destino.
Lukard, que agora já liderava uma falange de vampiros- nome dado a estes malditos seres- logo pôs-se atrás do Escolhido, temendo uma perturbação de seus planos. Ia atrás de seu iminente fado.
O Escolhido brandia a espada da justiça e o escudo da Verdade. Ele sabia que Lukard estava no seu encalço. Simplesmente, assentou-se num bosque sem vida; som suas sagradas mãos, assoprou os vento da vitalidade por todo o lugar. Onde seu abençoado sopro chegava, criava-se vida, esperança e felicidade. O bosque - que é onde estamos agora presentes- tornou-se o único lugar do mundo que havia tanta vida. O Escolhido, em posição de lótus, esperou pacientemente Lukard.
Quando Lukard e seu séquito em Antímano chegou, o Escolhido abriu seus olhos, a chama do amor reluzia em suas pupilas. Lukard, pela primeira vez, sentiu um profundo medo. Sem nenhum pensamento em mente, lançou a escuridão de encontro ao Iluminado, o negrume invadia o bosque. Contudo, o Escolhido revogou o ato com uma única e poderosa palavra (as palavras, dependendo de quem as profere, têm poderes inimagináveis): paz - disse isso tão brandamente que os subalternos de Lukard se espantaram. O Escolhido não sentia medo algum, pelo contrário, emanava coragem e afeto de seu interior, perturbando os vampiros.
Foi então que o escolhido se levantou e assim o delegou:
- Lukard, condenado estás a vagar pelo mundo com tua súcia de vampiros. Somente poderás sair à noite, para castigo eterno, ou quase eterno, se te mostrares arrependido profundamente do que fizeste. Se tentares sentir a luz do Sol, seu antigo amigo, sentirás o fogo consumir tua pele, o mesmo vale para os outros. Que nunca o equilíbrio seja desfeito, pois se vir a acontecer, virei a este mundo quantas vezes forem necessárias. De onde venho, aguardo pacientemente a iluminação da humanidade, mas pelo que vejo, ela só poderá ser alcançada daqui a muitos anos.
Dito isso, desapareceu com um fortíssimo clarão, o qual se espalhou célere por todo o mundo; sua bondade purificou o mundo do ódio de Lukard, o amaldiçoado. Quanto a este, foi imposto um lastimoso castigo, que ele levaria até encontrar a Luz.
Viste agora por que não podes dizer aquilo? O equilíbrio do mundo é como uma tênue linha, prestes a se romper, mas que nunca, ou quase nunca o faz.


Bem pessoal, termina aqui o segundo capítulo, dentro de alguns dias e postarei o terceiro. espero que tenham acompanhado o trajeto de Cástor e seu mestre Felchion, o elfo mais sábio de todos...

3 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Uau, Pedro. O.O

Os textos estão muito bons! =~

Meu sobrenome é poderoso, hem? Hahaha!
(piada sem graça)

Abraço! \o/