sexta-feira, janeiro 20, 2006

Prosa e poesia

Realmente, quase todas as pessoas que começam a aprender redação se perguntam sobre a diferença entre prosa e poesia; sem dúvida nenhuma, muitas. Entretanto, após ler muitos textos e, consequentemente, enriquecer nosso patrimônio intelectual, podemos saber distinguir perfeitamente uma da outra.
Dir-se-ia que nem todo texto é composto de letras, elas apenas nos ajudam a desenvolver um texto, mas nem sempre são a essência dele. De fato, nem toda prosa e poesia são descritas por símbolos escritos. Uma paisagem, um estado de consciência ou uma sensação podem valer como (ou muito mais que) uma poesia, ou prosa, dependendo da visão (ou sentimento) do observador. Mas em se tratando de palavras, do código da Língua escrita, uma diferença notável entre prosa e poesia é perceptível: a maneira com que as palavras são lidadas ou manipuladas.
O escritor é feito um domador, precisa saber domar as palavras, de modo que essas fiquem a inteiro dispor dele. É preciso dominar a arte de escrever com primazia para que a mensagem do texto seja muito bem explícita.
Voltando á análise da diferença, continuar-se-ia a dizer que, num texto em prosa, o valor das palavras pode ser deixado à deriva, ou seja, o mais importante não é o valor unitário delas, e sim do conjunto, de modo que a unidade, a mensagem, seja passada com eficiência. Por outro lado, na poesia, as palavras assumem um papel privilegiado no texto, cada uma deve ser inserida com delicadeza e, ao mesmo tempo, cuidado; uma simples troca de palavra pode acarretar na alteração de todo significado do poema. O valor individual das palavras é enaltecido.
Podemos muito bem deixar claro, na prática, essa diferença: ao lermos um texto em prosa, por exemplo, um romance, não lembramos exatamente das palavras como eram descritas as cenas, mas mesmo assim conseguimos imagina-las em nossas mentes.
Já em uma poesia, imediatamente quando nos lembramos dela, vêm à tona as palavras, ou seus significados, como num turbilhão; não que elas sejam mais importantes que o texto em si, mas essencialmente contribuem para o processo de compreensão.
Decerto que essa diferença não pode ser encarada como uma lei de composição de prosas e poesias, mas sim como uma ferramenta. Há muito mais profundeza nas diferenças...

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Observação

"Grandes paisagens podem não ser tão complexas quanto Grandes Homens;
Mas elas podem nos inspirar a sê-los"
- Minamoto no Yoritomo
obs.: Imaginem que pensei isso no ônibus...

terça-feira, janeiro 17, 2006

Amizade

Amizade ( Mitologia Greco-Romana )
Divindade alegórica venerada entre os gregos e romanos. Em Roma, era representada sob a figura de uma rapariga de pés descalços e vestida de uma túnica branca, em cujas franjas se liam os dizeres: " morte e a vida". Na testa achavam-se gravadas as palavras: "Inverno e verão". O peito era aberto, até o coração, para onde o dedo indicador direito apontava a inscrição: "De perto e de longe".

domingo, janeiro 15, 2006

Passagem

As árvores são poemas escritos da Terra para o Céu; os humanos cortam as árvores e fabricam o papel para descrever seus sentimentos vazios.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Ceticismo

Não sou um dos melhores apreciadores da imundície humana, para tais empenhos, leio nosso grande mestre Machado de Assis:
"[...] Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim,- flagelos e delícias,- desde essa cousa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor (?--> grifo de Pedro), e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das cousas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura,- nada menos que a quimera da felicidade,- ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão."
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
Eu simplesmente não tenho palavras para expressar o quanto ele é/foi cético; não dá para imaginar que alguém seja assim [behind the suffering, ther's always a light].

domingo, janeiro 08, 2006

O jogo do contente

Estava eu sem fazer absolutamente nada em meu lar, quando deu por mim uma vontade, daquelas que não descansam até serem atendidas. Diria um impulso, meu espírito intelectual estava sedento de letras e eu não as encontrava há tempos. Decidi abrir o velho baú de minha casa e procurar um bom livro para deleitar-me; de várias opções, quis um livro infantil, cansei-me desses contos sombrios e que nos trazem infelicidades. Decidi por "Pollyanna" de Eleanor Porter. O livro é muito bom, recheado de humor e felicidades, coisa para nos satisfazer a alma. Pena que não tenho mais a ingenuidade de antes... O fato é que, algo me interessou no livro, Pollyanna, a protagonista, desenvolveu com o falecido pai um jogo: o "jogo do contente". Falar-vos-ei um pouco sobre tão interessante jogo:
"- Que coisa esquisita menina, Miss Pollyanna! A senhora fica contente de tudo que acontece! observou a criada lembrando-se das cenas do quartinho.
A menina sorriu.
- Pois é do jogo. Não sabe?
- Do jogo? Que jogo?
- O "Jogo do contente", não conhece?
- Quem é que botou isso na sua cabeça, menina?
- Papai. Papai explicou-me esse jogo, que é lindo, disse Pollyanna. Em casa brincávamos disso, desde que eu era assimzinha. Depois ensinei-o às damas da Auxiliadora e elas também brincavam de ficar alegres.
- Como é? Eu não entendo muito de jogos.
Pollyanna sorriu de novo, porém com suspiro - e sua face sombreou-se.
- Começou com umas muletas que vieram na barrica do missionário.
- Muletas?
- Sim, muletas. Eu queria uma boneca e papai havia escrito que a mandassem, mas quando a barrica chegou, não havia boneca nenhuma dentro e sim um par de muletinhas para criança. Foi então que o jogo principiou.
- Mas não estou vendo nenhum jogo nisso, disse Nancy quase irritada.
- Oh, o jogo é encontrar em tudo qualquer coisa para ficar alegre, seja lá o que for, explicou Pollyanna com toda seriedade. E começamos com as muletinhas.
- Eu não vejo como se possa ficar alegre de encontrar muletas em vez de bonecas. Não entendo.
A menina bateu palmas.
- Pois aí está o jogo! Eu também não via no começo e papai teve de esplicar-me.
- Pois então me explique o que lhe explicou.
- Sim. Fiquei alegre justamente porque não precisava delas, gritou Pollyanna exultante. Veja como o jogo é fácil quande se sabe."
mostro-vos para que entendais acerca da felicidade em todas as cousas.