sexta-feira, março 17, 2006

Latência

Não me peças,
Para sorrir,
Essas mágoas, essas,
Insistem em me perseguir!

Não me digas,
O que fazer,
Tu, que me fatigas,
Com teu jeito insípido de ser.

Não me faças,
Expulsar-te daqui,
Deixa-me co'as traças,
Deixa-me pensando que já morri...

Não me prendas,
Com teus grilhões,
Forjados com o amor das sendas,
Das sendas dos teus perdões.

Não me acordes,
De meu (eterno) sonho,
Deixa-me na latência, sem acordes,
Sem notas, tons reais desse mundo medonho...

terça-feira, março 14, 2006

The universe behind the classroom

Era a aula de Biologia; clima árido se distribui pela classe devido à aula intempestiva. A alegria é estéril; o sono é fecundo."Pelo menos tem apresentação de trabalho hoje", pensaram todos, meio que num uníssono de pensamentos. A telepatia dos alunos é algo não muito raro, tendo em vista os desgostos em comum causados por certas matérias e professores.
O professor entra na sala meio apressado, com o suor escorrendo-lhe das têmporas. Um homem surpreendentemente gordo, estatura baixa e de caráter desconfiado. Ele, ainda ofegante, pede que todos os alunos que estivessem em pé se sentem para que possa ser iniciada a aula,"isso aqui não é feira pra haver tanta gente em pé".
Ainda entre muitos resmungos e chiados, a aula começa. O professor pede que o grupo que fosse apresentar o trabalho se dirigisse para o patamar da sala. Todos os outros já estavam folgados em seus assentos, esperando que esse trabalho pudesse ser uma boa fonte de descanso do dia anterior. Todos pensam assim, sempre assim...
Para espanto geral, o grupo que ia se apresentar era composto de um único aluno, um novato. Era aí que eles não iam prestar atenção. "Sobre o que você vai apresentar mesmo?", a pergunta irônica veio de um canto da sala, povoado pelos alunos "queridinhos" dos professores. "Se você esperar, mostro-lhe já já", respondeu o rapaz com um sorriso enigmático.
O rapaz era normal (aparentemente) trajava, como todos os alunos, o uniforme do colégio; tinha olhos castanhos-claros, cabelos meio loiros, sombrancelhas grossas e estatura média. Não parecia um daqueles nerds da turma; seu porte era atlético. Tampouco possuía algum ato vicioso, como piscar ou esfergar as mãos incessantemente.
"Bom, pessoal, vou apresentar meu trabalho sobre origem da vida", disse, sem muito espanto por parte da classe. "Agora, vou falar três palavrinhas mágicas: silêncio!..." e nesse momento todos, todos sem exceção sem calaram, como num ato de mágica. E os alunos se entreolhavam estupefatos, ainda meio destoados do que havia acontecido, foi quando o rapaz falou a outra palavra "... sombra!...", e todo a classe mergulhou num breu profundo. Agora era um misto de medo e surpresa semeado no ambiente. A adrenalina subia gradativamente. Os ritmos cardíacos disparavam. Foi quando a terceira palavra foi solta "ação!", e a partir daquele momento, estavam diante do universo em sua gênese.
Um minúsculo ponto era distinguível no breu, brilhava tênue no começo, mas depois começou a pulsar cada vez mais brilhante, a ponto dos alunos protegerem os olhos. Então, o ponto explodiu, num fenômeno espetacular. E foi lançando matéria por todo o universo. Depois, seguiu-se a formação de corpos gasosos, e então esses ganharam forma mais densa. A sala de aula seguia essas passagens como se estivesse dentro de uma nave espacial, mas não havia fronteira nítida entre ela e o que a circundava.
De um corpo gasoso solidificado em especial, desprenderam-se dezenas de outros, e esses, por ação da gravidade, continuaram a girar ao redor do corpo inicial, o qual tornou-se uma estrela. Um dos corpos desprendidos solidificou-se e tomou forma esférica. Após alguns segundos, a classe dirigiu-se para o planeta formado. uma palavr traduzia o que se passava: caos. Vulcanismo, tectonismo, tempestades, impactos de meteoros, enfim, um espetáculo de destruição (ou construção?).
A classe dirigiu-se para um dos mares formados e foi diminuindo de tamanho; diminuiu, diminuiu até ser possível distinguir as moléculas que estavam no mar. Elas, a princípio eram simples, mas foram passando por transformações até se tornarem complexas, e dessas moléculas complexas surgiu um ser. Um ser tão insignificante, tão irrisório que nem parecia um ser vivo. Contudo, os alunos ( e o professor) perceberam que aquela insignificância era a gênese humana, ou a gênese da gênese. E seguiram-se as transformações desse ser, e suas evoluções num ritmo quase que instantâneo, centenas de milênios passavam em frações de segundos, espécies eram formadas e extintas, continentes se separavam e juntavam, meteoros caíam. E mbora passasse rapidamente, todos os presentes na classe conseguiam entender o que se passava, como se o tempo fosse mais relativo do que pensavam. E no final de tantas transformações, chegaram finalmente ao homem: Australopithecus, Homo erectus, Homo habilis, homem de Cro-magnon e Homo sapiens.
Depois dessa orgia de história, de química, de vida, perceberam o quanto era medíocre os pensamentos sobre matérias, vestibulares, decorar termos.O rapaz pronunciou "status quo!", e a sala retornou ao mesmo estado inicial. Demorou muito até todos perceberem que era a hora do recreio.

quinta-feira, março 09, 2006

Ainda crepite

Por mais que em todos os suspiros perdidos,
em todas as manhãs nubladas,
em todos amores incompreendidos,
em todas as paixões sufocadas,
em todos os perdões asfixiados,
em todos os espelhos de vaidade,
em todos os "obrigados" engolidos pela ignorância alheia
(e mais todas as atitudes e fenômenos que insistem
em nos levar a um estado mórbido de consciência),
haja uma vontade de parar, existe uma luz.
E quando se toma a sensação de esperança
para dentro do peito, numa atitude,
muitas vezes, impensada;
você, realmente, desanuvia todos problemas,
todas as angústias,
todos os fardos se desfazem apenas nesse vislumbre
de mudança, de revolução, de esperança.
E você vê que a vida leva os vislumbres com o vento,
mas a esperança inserida persiste
enquanto dentro de nós uma chama de humanidade
ainda crepite.

segunda-feira, março 06, 2006

Ruídos

Clep clep clep...
(Na floresta, outono, queda de folhas....)
flip flep flep...
(vento frio arrasta as folhas)
fiuuuuuuuuu
(um sibilo gélido corta o ambiente)
plam!
(uma fruta cai)
nhac!
(estou com fome)

sexta-feira, março 03, 2006

Nowhere

He came from nowhere and to nowhere he would go, but how can a nowhereman find the answer for questions wich don't have any sense?
He came from the "nothing" to turn back to "doubt", he wished he were happier in a strange place, with odd persons, but we was wrong, everytime, the best place was his old and welcoming home (oh! And there's no place like home).
His veritable way was fated to be chosen for the destiny, and he, worthy, will unfold the Truth by himself (like any other one)...
Nowhereland is not only the land of the solitude, it was also the land of the ones who want to discover what can't be known only for mere suppositions...