domingo, maio 30, 2010
Sobre o poder das palavras
Sempre me paro para pensar no que há de tão mágico e misterioso em certas palavras. Algo que em muitas situações me força a utilizá-las cautelosamente em textos, como num desabrochar de flor, cada palavra cuidadosamente escrita e desabrochando-se espontaneamente. Uma beleza intrínseca à sua fonética e significado metafórico que as fazem ímpares e únicas. Não limitando-se à lingua portuguesa. Nas várias línguas que já tive contato, há sempre uma ou outra palavra que me fascina e o mais impressionante é que apenas naquela língua isso ocorre. Como um ótimo exemplo tem-se a palavra "sangre",do espanhol, sangue. Imagine a vasta possibilidade de ocasiões, momentos, sentimentos e imagens criados apenas por essa palavra. Poderia-se pensar que seu análogo em português teria a mesma força e poder, mas a fonética aliada se supera e o encanto sobre "la sangre" se faz presente. Tanto mais quanto se usa em textos poéticos, onde seu potencial pode ser amplificado pela veia artística. Não desmerecendo os textos científicos. Outro exemplo é a palavra "foresee", do inglês, prever. A palavra em si já traz uma carga de sentimento, como "tristesse" em francês. Pode parecer um jogo de egos meus, uma tendência um quanto parnasiana de se fazer textos. Mas atrelado à semântica das palavras está a fonética. O som e a maneira com que as palavras são ditas podem ser muito fortes e marcantes. Palavras são fortes e movem mundos. A história da sociedade é mudada constantemente pelo bom (ou mau) uso das palavras. Então, se você nunca se preocupou com o poder de uma palavra, pelo menos comece a pensar sobre.
Assinar:
Postagens (Atom)