"Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha..."
Com todos os rostos e várias as almas que amei
vislumbro acordado memórias que não têm fim
Os risos e prantos que nessa estrada encontrei
são tantos caminhos que se bifurcam assim.
E é tempo de se olhar para fora do corpo etéreo
Expulsando aquela vontade do peito contida:
Saltar sobre os vales em vôo solene aéreo
Mudar as rédeas em que tangemos a vida.
De todos os medos e males que levava
o mais pesado era aquele que repreendia
o medo do espaço, da luz, da lua brava,
que esplêndida na noite, leve, se ascendia
E é por isso que agora eu não apenas canto
Faço desta vontade o hino que me guia
Enchendo o mundo de gozo e espanto
Desato as notas com uma estranha euforia.
E desatando é que vou me rompendo
os mastros, os cascos desse meu navio
sobrando apenas o marinheiro vendo
o soçobrar sereno de um medo infantil.