sábado, outubro 08, 2005

É noite

É noite e lá fora faz frio,
O vento me insiste em lembrar
Que a vida um dia há de passar,
Tão fugaz quanto um arrepio.

É noite e me sinto infeliz,
O céu encoberto de dor,
A terra cercada de horror
Meu mundo com uma cicatriz.

É noite e sonho acordado,
Augúrios de um amor sem fim,
Ditados por um Serafim,
Que me diz bem do meu lado.

É noite e não penso em querer,
Sentir as luzes de um novo dia,
Sentir a dor, a hipocrisia,
De homens mundanos em seu viver.

É noite e me perco em prantos,
0 amor, doce amor que sonhei,
Que faz da emoção uma lei,
Prende-me em seus encantos.

É noite e eu quero esvair,
O ódio de meus pensamentos,
A dúvida, ressentimentos,
Todos sem exceção banir.

É noite e meus olhos se cerram,
Por mais que abri-los tente,
O sono é mais que iminente,
Minha vida, destino se encerram...

É noite e durmo satisfeito,
Como qualquer pusilânime criatura,
Que vive e tem compostura,
Afinal, ninguém é perfeito.

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