- Para se ouvir ao som de Over the Love de Florence and the Machine (comece a ler quando a música estiver do meio para o final)
Ele pega na minha mão, olho bem fixamente nos meus olhos com uma convicção precisa. Eu, ainda meio acanhado, levando os olhos aos poucos até que os meus alcancem os dele. De repente eu vejo, sim, em meio aos brilhos ofuscantes do salão da discoteca e os vultos de pessoas imprecisas. Eu vejo a luz verde em seus olhos. Viva, fugaz, inexata. Eu tento segui-la em cada parte de sua íris, entre os contornos verdes e castanhos que cercavam suas pupilas dilatadas - só ele tinha aquela mistura de cores,só ele me conduzia àquele estado hipnótico - mas daí veio a proximidade, o encostar de lábios, o beijo. Entreguei-me por completo - era maior que eu - enquanto aqueles braços infinitos me envolviam por todas as direções, por dentro e por fora. Eu era um peixe completamente fisgado, o anzol não me feria, pelo contrário, extasiava cada pedaço de matéria que me formava, cada átomo, cada molécula. Depois de um ano saindo com ele, frequentando bares, cinemas e casas de show, foi naquele momento fugidio que consegui ver a luz verde, a luz que emanava da alma e transbordava pelos olhos. A luz que me cegava. Eu estava entregue. Eu era todo amor.