"Decifra-me ou te devoro."
Navegaste sobre os pélagos de mim
desbravando tempestades e tormentas
Caminhaste pelos desertos sem fim
de minha alma que te alimenta.
Entregaste-me ainda cálido teu amor
para aquecer meu corpo frio
para me alegrar onde quer que eu for
és tão completo e eu tão vazio!
Sei que continuas a cantar
e procuras entender-me
como as palavras de tua canção
mas o que não percebes
é que no fundo és tu
a pedra de roseta do meu coração.
quinta-feira, maio 24, 2007
domingo, maio 20, 2007
Eu
Entre um semitom e outro
em cada silêncio breve
em mudas surdas não de borboleta
do vôo leve
mas de bem-te-vi
sorrindo na multidão
chorando por estar ali
eu sei que você me entende
eu sei que os outros me irão...
Cansei
de pessoas que se fazem de coitadas, fracas e impotentes.
"Não chores, meu filho;
Não chores,
que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
que os fracos abate,
Que os fortes,
os bravos,
só pode exaltar."
- Gonçalves Dias
"Não chores, meu filho;
Não chores,
que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
que os fracos abate,
Que os fortes,
os bravos,
só pode exaltar."
- Gonçalves Dias
quarta-feira, maio 16, 2007
Silêncio
(poesia feita séculos atrás)
Fujo da sina do agora,
Do breu que me segue distante,
Fujo do raiar da aurora,
Da luz que persiste incessante.
Sou fruto da morbidez do ritmo,
Sou a melodia caótica do nada,
Sou a reflexão profunda do ouvir,
A lentidão ademais realçada.
Sou a derradeira palavra,
Que vale por mil pronunciadas,
Sou a infeliz afirmação,
De perguntas que não querem ser caladas.
Sou o momento nostálgico,
Que lamenta ter havido o passado,
Sou o presságio pesaroso,
Que se entristece por haver o fado.
Sou a gênese do universo,
Que precede as transformações,
Não sou nenhuma filosofia,
Mas presencio todas as questões.
Sou o intervalo inerente à coerência,
Entre as palavras estou presente
sou a inexorável latência
que ressoa eternamente.
Sou a conversa dos tímidos,
Que é na lentidão das horas um escudo,
Sou, enfim, simplesmente o silêncio,
Que se antepõe ao nada e se curva ao tudo.
Fujo da sina do agora,
Do breu que me segue distante,
Fujo do raiar da aurora,
Da luz que persiste incessante.
Sou fruto da morbidez do ritmo,
Sou a melodia caótica do nada,
Sou a reflexão profunda do ouvir,
A lentidão ademais realçada.
Sou a derradeira palavra,
Que vale por mil pronunciadas,
Sou a infeliz afirmação,
De perguntas que não querem ser caladas.
Sou o momento nostálgico,
Que lamenta ter havido o passado,
Sou o presságio pesaroso,
Que se entristece por haver o fado.
Sou a gênese do universo,
Que precede as transformações,
Não sou nenhuma filosofia,
Mas presencio todas as questões.
Sou o intervalo inerente à coerência,
Entre as palavras estou presente
sou a inexorável latência
que ressoa eternamente.
Sou a conversa dos tímidos,
Que é na lentidão das horas um escudo,
Sou, enfim, simplesmente o silêncio,
Que se antepõe ao nada e se curva ao tudo.
terça-feira, maio 15, 2007
As nuvens
Foi quando o menino saiu de casa para ir à escola. Era pra ser a mesma costumeira ida, as mesmas ruas, mesmas casas e prédios. Mas ele olhou pro céu. E pôde avistar, protegendo os olhos do sol, as dádivas efêmeras em seu ritmo rápido e lento (tão devagar aqui, e num piscar de olhos, já estão acolá). Sim, dádivas efêmeras da natureza, feito flocos de algodão doce a flutuar no firmamento. Alvíssimas. O menino via um coelho, não não, um coiote, mas pera, não seria uma baleia? Tantas formas faziam a imaginação da criança ruflar as asas de excitação.As nuvens o transportavam, faziam-lhe ascender lento com o seu passar, então ele voava feito colibri. Elas carregavam seus sonhos, desejos e esperanças para outras terras, não só os dele, de todos que depositavam seus olhares tenros nelas, e assim, saturadas de sonhos elas choviam, e a chuva fecundava a terra, que fazia brotar os sonhos materializados em flores; e também da chuva, os sonhos se juntavam em rios que desaguavam no mar... que é de todo resto. Foi então que o menino despertou do sonho acordado, e percebeu que era um homem, mas o menino que gosta das nuvens sempre estaria pulsando vivo em seu interior.
quinta-feira, maio 10, 2007
Pour Elis
Ela dedilha em cada tom
o ritmo da matilha
semitons lupinos
vorazes devoram a vida
dos que ouvem
e renovam
em cada semibreve
não tão breves
para não ressoarem
em nossas almas
pra sempre
sempre eles
sempre elis.
quarta-feira, maio 09, 2007
Ciclo etéreo
Há muita fé e dor em cada gesto
em cada palavra
transborda calor.
E cada gota de sangue
desse poema
precipita amor.
E de todo mar que é resto
evapora, condensa, frutifica
toda minha flor.
em cada palavra
transborda calor.
E cada gota de sangue
desse poema
precipita amor.
E de todo mar que é resto
evapora, condensa, frutifica
toda minha flor.
terça-feira, maio 08, 2007
O papa chega
em seu manto santíssimo
Vossa Santidade é muito bondosa
beija lento e suavemente o chão
abençoando os viventes daquela pátria
todos exaltam aquela figura unânime
mas quando as câmeras não o filmam mais
amaldiçoa os homossexuais e infiéis daquele mundo
e limpa a boca com seu manto santíssimo
por que uma santidade beijaria um chão contaminado?
o papa chega
e arrasta consigo legiões pelas ruas e avenidas
legiões de almas carentes e desencontradas
e prega a existência de um senhor onipotente e salvador
e pede que todos paguem seu dízimo em dia
para ajudar as pessoas miseráveis, dizia
para encher o estômago do clero, pensava
O papa chega
e se vai após certos dias
levando mais almas para o inferno da ilusão.
Vossa Santidade é muito bondosa
beija lento e suavemente o chão
abençoando os viventes daquela pátria
todos exaltam aquela figura unânime
mas quando as câmeras não o filmam mais
amaldiçoa os homossexuais e infiéis daquele mundo
e limpa a boca com seu manto santíssimo
por que uma santidade beijaria um chão contaminado?
o papa chega
e arrasta consigo legiões pelas ruas e avenidas
legiões de almas carentes e desencontradas
e prega a existência de um senhor onipotente e salvador
e pede que todos paguem seu dízimo em dia
para ajudar as pessoas miseráveis, dizia
para encher o estômago do clero, pensava
O papa chega
e se vai após certos dias
levando mais almas para o inferno da ilusão.
quinta-feira, maio 03, 2007
Em que nevou
Na madrugada daquele dia,
Nevou.
Neve forte, intensa, fria.
Se fosse em qualquer outro,
Ninguém se espantaria,
No mais,
Haveria um comentário rotineiro ,
Do vendedor de sorvete.
Mas é que nas previsões de ontem,
A moça do noticiário disse que ia,
Fazer o dia mais ensolarado do ano.
Os pais que assistiram logo avisaram aos filhos,
Do passeio que fariam no parque.
As mocinhas não perderam tempo,
E combinaram seus encontros amorosos.
Os velhos ia preparando suas roupas de caminhada.
Os vários corações se alvoroçavam do calor,
Que viria a fazer,
E não veio.
O que a moça do noticiário,
Os pais,
Os filhos,
As mocinha,
E os velhos não sabiam,
Era que a neve ,
Era o pranto ,
De um coração,
Que congelou.
Nevou.
Neve forte, intensa, fria.
Se fosse em qualquer outro,
Ninguém se espantaria,
No mais,
Haveria um comentário rotineiro ,
Do vendedor de sorvete.
Mas é que nas previsões de ontem,
A moça do noticiário disse que ia,
Fazer o dia mais ensolarado do ano.
Os pais que assistiram logo avisaram aos filhos,
Do passeio que fariam no parque.
As mocinhas não perderam tempo,
E combinaram seus encontros amorosos.
Os velhos ia preparando suas roupas de caminhada.
Os vários corações se alvoroçavam do calor,
Que viria a fazer,
E não veio.
O que a moça do noticiário,
Os pais,
Os filhos,
As mocinha,
E os velhos não sabiam,
Era que a neve ,
Era o pranto ,
De um coração,
Que congelou.
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