sábado, junho 19, 2010

Serás

Poema que finalmente tive a iniciativa para terminar, lancei estrofes incompletas no meu blog e juntei os cacos para fazer uma peça única.

Não tentes barrar o destino,
Não tentes viver sem sonhar,
Serás peregrino,
Serás um menino,
Perdido no meio do mar

Não tentes desbravar caminhos,
Marcados pela solidão,
Tão cheios de espinhos,
São feito moinhos,
Moendo nosso coração.

Não tentes reter as lembranças
de tudo que já se passou
A vida não cansa
na eterna dança
da alma em seu pleno vôo.

Não tentes viver na fronteira
que impede a tua extroversão
Faça uma besteira
Sem eira-nem-beira
Ousando com tua excitação.

Não tentes barrar o destino
Nao tentes viver sem mudar
terás amargura
e não terás cura
serás mais que enfermo, serás.

quinta-feira, junho 17, 2010

Dentro de milênios

Eu sinto a tristeza que jorra do alto dos montes cinzentos e escorre lenta e perene pelas frestas das pedras, sobre o chão pisado por aqueles que vislumbraram algo que fosse semelhante ao amor durante uma noite qualquer. Eu sinto-a penetrando nos vales e irrigando a colheita daqueles que levantam antes do sol nascer. Sinto que do alto dos cumes, ao longo dos tempos, ela chegará à vastidão do mar e por fim encontrará descanso. E de lá será chamada daquilo que os poetas não ousam falar em seus textos.

terça-feira, junho 15, 2010

Sobre o peso e a leveza - parte 2

Acabei de notar o quanto a leveza é essencial em vida. Talvez tenha encontrado uma resposta a qual Parmênidas, há tantos séculos, procurava. Ou talvez seja apenas mais uma ousadia minha.
Entre inúmeros pesos que guardava em minhas gavetas, em meus armários e nos confins de meu quarto, eu vi a luz. O desapego alçou vôo feroz entre os papéis amarelados das cartas nunca respondidas, das fotos sempre revolvidas, dos cadernos rabiscados. Foi aos poucos que fui percebendo que, não é o que levamos na mala ou debaixo do colchão que nos torna mais próximos dos que trilharam caminho ao nosso lado.
O peso das coisas acaba levando a lembranças inerentes à realidade: as cores, os cheiros, os sons, todos diferentes daquilo que foi sentido. Quando estamos em certo estado de alma, percebemos as coisas de modo diferente, sentimos o mundo de forma ímpar, é a leveza do momento. Nem tudo que reluz é ouro, como diz o ditado, do mesmo modo nem tudo que guardamos se mantém incólume. Me sinto leve ao levar as lembranças na mente, e somente nela. Ela é a mala, a gaveta e o armário que mais preciso. Porque sei que tudo que é importante nela permanecerá. Haverá sim, palavras e momentos esquecidos, mas a essência deles nos manterá leves pelo quanto precisarmos