quarta-feira, novembro 30, 2005

Maria

Maria luzia na vida,
Maria, singela, sorria,
Maria do néctar bebia,
E comia sagrada ambrosia.

Maria, divina, cantava,
Seus cantos, tão pueris,
Tão soltos, ela entoava,
Louvores de um tempo feliz.

Maria, soneto de dor,
Tão pobre materialmente,
Tão rica em seu amor,
Do sofrer tão imanente...

Maria, gesto solitário,
Fulgura num mundo tristonho,
A cura ela tem dentro dela,
Maria até parece
Um sonho!

domingo, novembro 27, 2005

Medo

Mais um ano passa, meus amigos se vão... Esperanças se esvaem, quero fugir, mas para onde? Seria intolerável uma fuga para o íntimo, cuja escuridão impera indelével... Seria inadmissível morrer com minhas próprias mãos, algo tão egoísta. Seria, enfim, impensado. Terei de, em menos de meses, decidir o destino de minha vida e....e....eeeee faltam me os estímulos, a vontade! Não sei para onde escapar, realmente não sei. Acredito que irei me tornar mais um garoto medíocre que se contenta com o pouco, quero chorar... mas as lágrimas não saem, nunca mais saíram depois daquele dia. Que tal ouvir uma música? Tentarei, sim, ao máximo não me entregarei ao desespero, preciso viver.

sábado, novembro 26, 2005

Sobre um sonho perdido


Aqui, dois textos sobre pássaros/sonhos perdidos. Sei, acima de tudo, que é triste, mas nem sempre mostra-vos-ei a verdade feliz, venturosa...

"Oceanside IX (To a dead loon)

I’m sorry to see, Mr. Loon
that you are here all alone,
sprawled on your side in the surf,
waves flowing endless
through mottled drenched feathers,
your legs parchment twigs,
your eyes unseeing,
your half-open beak
now buried in surf and the sand.
If you were alive
you’d think it undignified
to have someone like me
approach you so close
and gawk at what’s left
of your once-birdlike splendor.
I promise,
I shall remember you
in your better days."
- Jon Bohrn

"Metamorfose

Súbito pássaro
dentro dos muros
caído,

pálido barco
na onda serena
chegado.

Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.

E imensamente
o navegante
mudado.

Seus olhos densos
apenas sabem
ter sido.

Seu lábio leva
um outro nome
mandado.

Súbito pássaro
por altas nuvens
bebido.

Pálido barco
nas flores quietas
quebrado.

Nunca, jamais
e para sempre
perdido

o eco do corpo
no próprio vento
pregado."
- Cecília Meireles

segunda-feira, novembro 21, 2005

Análise Quantitativa da rotina

Acordei e eram 9:30,
Levantei-me com velocidade média de 0,005 metros por segundo,
Calcei meus 2 chinelos e bocejei 3 vez seguidas,
Dirigi-me ao banheiro situado a 2,5 metros de distância da cama,
Escovei meus 28 dentes com uma escova na qual possuía 350 cerdas,
Urinei 1,5 litros de urina e dei uma descarga,
Lavei minhas 2 mãos e as enxuguei com 1 toalha.
Fui à cozinha preparar meu café-da-manhã:
4 pães integrais,
2 ovos mexidos,
2 copos de suco,
e 3 colheres de açúcar.
Saí da cozinha e fui trocar de roupa,
Após isso fui ao colégio, esse situado a 3745 metros de minha casa,
Assisti 6 aulas em 300 minutos, sendo que cheguei 30 minutos mais cedo,
Na aula de geografia, desperdicei 12 bocejos,
Na aula de Biologia, desperdicei 15 bocejos e 1 soneca básica,
Na aula de Química, usei com primazia meus milhões neurônios,
Na aula de Matemática, os números inundaram minha mente,
Saí eram 12:50 da tarde,
Peguei o ônibus e paguei 0.80 reais,
sentei em um dos 41 assentos do veículo,
Observei os mais de 145 prédio existentes entre meu lar e a escola,
Cheguei em casa, almocei e dormi,
Dormi cerca de 4 horas,
Acordei eram 5:30 da tarde,
Estudei 17páginas do livro de Química,
Resolvi 30 exercício propostos,
Jantei, escovei os dentes, tomei banho,
E dormi às 10:30.
(Sonhei com 334 carneirinhos)...

sábado, novembro 19, 2005

A vida é uma senóide

"Somos a marca da efemeridade da natureza racionalizada"
- um tolo.

E estando ali, naquela devassidão de blasfêmias jogadas pelo aposento, ele sai. Mas o faz lentamente, de modo que os presentes, em seu total frenesi, sequer perceberam a ausência de um dos membros da família.

Caminhando pelos corredores escuros da casa ele tem um momento de divagação: simplesmente sente-se transcendental, como uma etérea chama que palpita no coração do vento.

Era noite, o céu estava quase claro e as nuvens fugidias passavam. A lua, insólita, fulgia no céu, seus raios refletidos nela passavam e percorriam milhões de quilômetros pelo vácuo, atravessavam a atmosfera e, finalmente, batiam nele. Talvez tamanho percurso dos raios tenham-no inspirado profundamente.

Ele decidiu sair da casa; deu meia-volta nos corredores e chegou até o quintal do fundo. O silêncio serenava o momento, a briga que se dava no interior da casa era sufocada pelas paredes frias da sala (talvez os corações que pulsavam nela tenham se identificado com elas). Naquele instante era ele e o universo, o etéreo e o eterno.

Incrível pensar como o mundo conspirava para que ele, naquele dia em especial, saísse da casa e contemplasse a noite. Nunca ele havia visto as nuvens passar tão depressa, feito nossas almas na sua passagem pela terra. E quando as nuvens passavam pela lua, uma aura tênue e brilhante surgia ao redor dela, como um sinal de que nós, humanos, devamos esquecer os desenlaces materiais, meras marcas de nossa imaturidade.

Para melhor visualizar tamanho espetáculo no céu, deitou-se no chão. E encostado sobre as lajotas frias ele percebeu o quanto seu coração era vivo (e cálido)... Os minutos, as horas, o tempo não significavam nada perante a integridade da existência dele. Quantas vezes, teria ele de enxergar através do véu da limitação humana, da vã filosofia que nos cega da Verdade? Quantas vezes teria de marcar sua vinda a esse mundo (e outros além-sol)?

Contemplou as estrelas: "mil sóis a divagar no espaço"- murmurou ele um verso de Gonçalves. Mil sóis e milhares de mundos a serem desbravados pelo nosso cerne. Pensou que naquele momento o tudo era uno; era ali que foi feliz (e ele sabia disso, diferente de muitos).

E deitado no chão de um quintal numa noite singela, ele chorou; não pelos gritos que se asfixiavam na casa, mas pela oportunidade de saber, pelo menos um pouco, da Verdade do mundo...

quarta-feira, novembro 16, 2005

If I were


If I were a star, I would shine for the lonely hearts,
If I were a brigde, I would link the nostalgic hands,
If I were a book, I would open the eager minds,
If I were a key, I would unbolt the Holy Lands.

If I were a hug, I would unfreeze the timid bodies,
If I were the Wind, I would bring the relief to the distressed soul,
If a were a tear, I would tear the strength of the unknown Truth,
If I were a plant, with my solitude I would grow.

If I were a dream, I would divide myself untill my end,
If I were a nightmare, the weak men I would bind,
If I were a cloud, my life and my fate like wind on the sand.

If I were a sky, in another world I would try,
Try to forgive the foolish human minds,
Or perhaps If I were a bird I would fly across this sky...

Bem, isso foi um tema do concurso de redação do ano re-retrasado, nem sabia o que era concurso na época, muito menos de inglês... Resolvi fazer um texto com essa temática, pois a adorei, o tema é "If I were". Gostaram? Não liguem para meu inglês, foquem-se no real sentido dele... (é meu segundo poema em inglês).

terça-feira, novembro 15, 2005

Não sei

Vão-se as partículas expletivas,
Complexos sinaptonêmicos,
Membranas conjutivas,
Males endêmicos,

Expansões adiabáticas,
Progressões aritméticas,
Páginas de gramáticas,
Cadeias poliméricas.

Soma de cossenos,
Energias mecânicas,
Isomeria de alcenos,
Células galvânicas.

Retículos endoplasmáticos,
Colocação pronominal,
Sólidos prismáticos,
Movimento vertical.

Vão-se as matérias,
Fica o conhecimento,
Mesmo que nas artérias,
Mesmo que no momento,
Mesmo que...
Num breve intento,
Eu diga,
Não sei.

domingo, novembro 13, 2005

Insapiência

Não tenho palavras para expressar o que sinto, simplesmente elas não vêm...Toma-me de súbito um certo desespero ordinário, daqueles que valem tão menos quanto o seu criador. As palavras, ditosas e matreiras, são feito pombas: vêm quando querem para se alimentarem de nossa sabedoria e partem quando bem entenderem; eu não passo de um mantenedor de pássaros vagabundos e que, inexoravelmente, depende desses para viver. Aparece, pois, uma evidente antítese existêncial, marcada pelo apego ao "etéreo palavrear" e ao desapego (ou tentativa) ao cárcere "palavreário". Sendo assim, recuso-me a aceitar tal verdade e fecho-me em meu calar. Talvez assim não possa degolar esse silêncio com a navalha de minhas palavras supérfluas e imanentes a mim...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Caminho

"Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram
lúcido pranto
pelo chão."
- Cecília Meireles

Caminho resoluto pelas sendas
da vida]
Sigo em frente ciente dos vindouros
problemas]
De repente, percebo que não tenho
saída]
Para os meus hipotéticos e inegáveis
dilemas]

Caminho sozinho pelos trilhos
do saber]
Mergulhado em infinitos Teoremas frios e
sem amor]
Mas percebo que no meu caminhar e
desconhecer]
Olhos tímidos me seguem com extremo
extremo fervor]

E pensando nos olhos que vêm a
me seguir]
Vejo no futuro a partilha de uma vida
de união]
Num numa nova estrada passarei a
sorrir]

Decerto tal caminho seja menos
tenebroso]
E a luz daqueles olhos venham a
iluminá-lo]
Fazendo do meu destino um caminho
primoroso]

sábado, novembro 05, 2005

Utopias...

Estou a pensar acerca das utopias humanas: quimeras da nossa alma, profundezas dos nossos pensamentos. São tão variadas, tão mistas, tão ímpares, singulares, cheias de tão's que nos deixam meio confusos, afinal, são utopias ou são profecias? Concretizar-se-ão em nossa fugidia existência ou permanecerão inertes em nosso íntimo, donde nunca haverão de ver a luz do amanhecer da realidade?
Decerto que já vos falei, caros leitores, sobre a felicidade e suas características não muito sólidas. De agora em diante, amplio meus conceitos para utopias, que nada passam de um caminho para a felicidade propriamente dita...mas, o que seria a felicidade mesmo? Será que é um estado supremo de nossa vida, onde nossos problemas desaparecerão? Não, a felicidade é tão inconstante quanto o mundo; ela vem e vai, como uma onda na praia. Estamos tão absortos em viver, em simplesmente ser, que nos esquecemos da verdadeira essência do Ser. Esquecemo-nos das utopias, hoje as banalizamos: eu amo isto, eu amo aquilo, o meu sonho é isto...
Quem sabe eu até esteja enganado, talvez o amor destas pessoas que amam o fútil, o supérfluo seja verdadeiro e , conseqüentemente, elas o são, mas talvez esteja correto e o Amor, a máxima utopia, esteja sendo reduzido a meras conversar fúteis.
Não afirmo que o amor seja algo inalcançável, mas digo que hoje em dia está cada vez mais distante de nós. A correria, a pressa, os desejos carnais, a violência...tudo contribui para que se dissemine a mácula no amor que estamos aptos a sentir. E o que nos resta é uma parcela do amor que, desesperadamente, queremos que seja o verdadeiro. Talvez esta expectativa para um amor perfeito acabe por deixá-lo imperfeito, pode ser uma antítese mal elaborada, mas creio que seja a verdade. O amor e a felicidade são feito flores: quando os possuímos, quero dizer, sentimos, não nos importamos muito (às vezes nem notamos), mas quando se vão, sentimos profundo pesar. E é perdendo que notamos o quanto fomos tolos e o quanto somos mortais.
Essa história de "sou feliz e não sabia" é pura baboseira, se tivéssemos realmente prestado atenção, teríamos conseguido agarrar a felicidade ou o amor enquanto podíamos e teríamos nos deleitado até fartar. Mas, como já disse, estamos absortos em viver e nos desligamos da real essência do Ser. Quem assistiu "o fabuloso destino de Amelie Poulain"? Este filme foi o melhor que já vi, uma mulher, Amelie, é feliz e sabe que é, pois consegue extrair, absorver a felicidade das pequenas coisas da vida. E, no final, consegue uma FELICIDADE junto com um AMOR. Não é coisa de filme, também somos capazes disso, mas nossa vã filosofia não permite que tenhamos tal intento...

terça-feira, novembro 01, 2005

Cântico dos cânticos

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faça-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a eternidade.
És tu.
- Cecília Meireles, a poetisa mais transcendental que tive a o ensejo de conhecer; tão profunda quanto o universo. ;)