O garoto chegou em casa desolado, abatido... queria desaparecer do mundo por apenas um momento e esquecer que existia, que tinha que prestar contas com uma sociedade corrompida, com cidadãos sociopatas. Não entendia por que tinha de gostar de alguém, sempre era uma Lei fundamental: gostar de alguém. Se ele não o fizesse, perdia a vontade de viver. Não conseguia encontrar a resposta para o enigma, seu coração e olhos estavam vendados pela hipocrisia do amor.
Nunca soubera o que era amar, mas sempre dizia estar amando; nunca soubera o que é sofrer, mas sempre chorava por algo que nunca sentiu. Ele era o avatar do mundo: ser o que nunca foi. Entretanto, ele queria, acima de tudo, amar alguém justamente pela necessidade de cuidar, abraçar, se importar. Ele queria sentir a mansa viração do amor. Ele lia em livros e procurava saber como amar e ser correspondido "hummm...vamos ver, amizade, amiúde, amolecer, ,aqui! Amor! Do latim "amore", viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto da nossa afeição; paixão; afeto;inclinação exclusiva... mas cadê a parte que nos ensina a amar?".
Só mais tarde ele saberia que é preciso cativar, com paciência, ritos e tudo mais. É preciso, antes de tudo, não criar expectativas, não ser o que não é...
Um comentário:
adoro como vc escreve...
esse velho "amar", essa velha obrigaçao de amar...
odeio isso
beijos
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