sábado, outubro 29, 2005
A rebeldia lunar
Os pássaros em seus ninhos,
Os peixes nos ribeirinhos,
Num equilíbrio espetacular.
Mas às vezes algo pode se encontrar,
Fora de sua harmonia natural,
Fora de seu caminho habitual,
Diria que é a rebeldia lunar.
O grande astro Sol reina no dia,
Imponente, com seus raios intensos,
Inerente aos sonhos e desejos imensos,
Que com sua luz nos traz alegria.
A Lua, insólita, reina de noite,
Serenando pela ébria escuridão,
Iluminando nosso triste coração,
Que da vida leva forte açoite.
Entretanto a Lua de repente,
Se revolta em sua constância,
E em toda discrepância,
Surge no calor do dia latente.
Creio que ela pensa assim:
Meu reinado é triste e solitário,
Sairei de meu eterno relicário,
À minha solidão darei um fim!
E então Sol e Lua aparecem,
Num fenômeno muito singular,
Nunca eu haveria de pensar,
Que astros seu amor tecem.
Então chego a certas conclusões:
Não seria o nome "rebeldia lunar",
E sim "um novo jeito de se amar",
Que nos intriga os corações...
sexta-feira, outubro 28, 2005
Soneto do anoitecer
O céu é o pilar que sustenta o mundo,
Mundo do qual sou oriundo,
Mundo do qual nada é impossível.
O sol se põe enervando o horizonte,
A lua ascende fugaz e febril,
Os dois tocam-se numa perfeita ponte,
Feita da luz de um ato pueril.
A isso assisti, mas por mais que conte,
Ninguém acreditará, pois ninguém viu,
Apenas fi-lo eu no topo de um monte.
O horizonte esconde uma face hostil,
Perdida na mortalha tecida pela noite,
Ferida na batalha entre o casto e o vil.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Anjo caído

O que fazer eu devo,
Não quero que digas,
Não me deixe fadigas,
Na alma ou no corpo.
Deixa-me existir,
Somente e simplesmente,
Na noite profunda e no porvir,
Somente deixa que eu
[tente...
Deixa-me sucumbir,
Aos ritos inacabados,
De nosso destino,
De nossos fados.
Deixa-me penetrar,
Nem surda nem sorrateiramente,
No reino do caos,
Somente deixa-me ser mais um ausente
[ ou penitente...
Deixa-me sofrer,
Ao menos em meu pranto,
Ao menos em silêncio,
Que do riso se desfez em melancólico
[canto.
Deixa-me voar,
Voar, sim, para longe daqui,
Tão longe que ao céu ascenderei,
Pelo menos assim saberei que um dia vivi
[ou pereci.
sábado, outubro 22, 2005
Sobre a Internet
A pessoa que ingressa nesta rede deve estar ciente das venturas e perigos que corre ao fazê-lo, uma vez que pode se influenciar sobremaneira. De fato, existem indivíduos neste mundo que utilizam de sua inteligência e habilidade com as palavras para arrastá-las “ao lado negro da força”. E grande parte das vítimas cai nessa história, pois a população mão é muito instruída.
Uma das virtudes da internet são as incríveis possibilidades de acesso a conteúdos científicos nunca antes vistos; a velocidade com que as notícias se alastram é impressionante: trilhões, quatrilhões de bites circulando por segundo é, muitas vezes, algo inimaginável. Para os leigos, basta saber que se pode ter um e-mail que está mais que suficiente, mas para os hackers (não são os maus!Os maus são os crackers), a internet é a maior ferramenta de que eles dispõem para se obter o que bem quiserem, contanto que esteja no limite da Lei.
Outra faca de dois gumes são os bate-papos. Podemos nos comunicar com pessoas aparentemente boas, mas que são, na verdade, verdadeiros monstros homicidas. Entretanto, podemos nos comunicar com pessoas que podem vir a ser verdadeiros amigos, ou hipotéticos amigos, visto que nunca, ou quase nunca, veremos realmente essas pessoas.
Certa vez, quando estava conversando no MIRC, no canal #Brasil, as pessoas falavam sobre ídolos a serem seguidos. Comentei acerca de Mahatma Gandhi, um grande pacifista brutalmente assassinado. Um indivíduo escreveu:
- Mahatma Gandhi era um “imitão”, só quis imitar Jesus Cristo.
Então retruquei:
- Se todos no mundo quisessem imitar Jesus Cristo, o mundo estaria muito melhor.
Ele, sem palavras suficientes, desconectou do canal. As pessoas se utilizam de argumentos inconsistentes para convencerem outras, as retórica, arte de falar bem, é indispensável ao desenvolvimento de um cidadão racional.
Infelizmente, a retórica vem sendo aperfeiçoada no domínio da corrupção, principalmente no ramo político. Pessoas ignorantes são facilmente convencidas por esses patifes e o Brasil se corrompe mais e mais. É preciso que haja uma grande tentativa de educação das pessoas, não dos adultos ou idosos, mas dos jovens, esses sim podem vir a aprender para sempre a arte da palavra.
E tu, caro leitor? Decides imitar aos políticos, ou ao povo? Ou simplesmente assistires ao espetáculo da corrupção?
quarta-feira, outubro 19, 2005
A flor
Muda a vida,
Um raio luzia,
Na flor escondida.
Muda o dia,
Muda a muda,
Passa a alegria,
Na noite muda.
Muda o vento,
Muda a estação,
Muda o momento,
Mas não a emoção.
Muda o vento,
Muda a direção,
Mas o alimento,
É sorvido do chão.
Muda a magia,
Muda o fascínio,
A vida crescia,
Morria o declínio.
Muda a magia,
Muda o amor,
Mas o que surgia,
era a flor; a flor? a flor!
Quarto motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
- Cecília Meireles
domingo, outubro 16, 2005
Saber amar

Parti em busca de um objetivo,
Não sei dizer qual era,
Não sabia amar, nunca soube,
Não sei nem porque estou vivo,
Só sei que era jovem demais para amar,
Pessoas grandes devem ser extraordinárias!
Cheguei num certo lugar,
Conheci um homem grande,
Ele era tão profundo e sóbrio,
Mas não sabia esperar,
Parti tão perplexo quanto cheguei.
Pessoas grandes são esquisitas...
Cheguei em um outro local,
Conheci um homem grande,
Parecia me tão genial,
Mas não sabia ouvir,
Parti tão assustado quanto cheguei.
Pessoas grandes são bizarras...
Cheguei num outro lugar,
Conheci um homem grande,
Parecia-me tão instruído,
Mas o verdadeiro amor não queria ver,
Parti tão estupefato quanto cheguei.
Pessoas grandes são mesmo bizarras...
Mas num certo lugar que o tempo parou,
Encontrei-me com uma raposa,
Ela, em toda sua ingenuidade me cativou,
Ela podia me ver com o coração,
Sabia me esperar pacientemente,
Podia me ouvir e entender,
Sabia me amar com muita afeição.
Através dela, compreendi que já sabia amar,
O amor não tem barreiras nem idade,
Podendo ser apenas uma grande amizade,
E nos faz chegar à eterna felicidade.
sábado, outubro 15, 2005
"O principezinho atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha à-tôa...- Boa dia, disse o príncipe.
- Boa dia, disse a flor.
- Onde estão os homens? perguntou polidamente.
A flor, um dia, vira passar uma caravana:
- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os há muitos anos. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.
- Adeus, disse o principezinho.
- Adeus, disse a flor."
Antoine de Saint-Exupéry
Para verdes, caros leitores, uma "florzinha à-toa", em toda sua pequenez, demonstra mais sabedoria que muitos sábios que se dizem oniscientes. Que esta flor de três pétalas, inspire a vós em perscrutardes o profundo conhecimento que a simplicidade apresenta.
A vida
Responda:
O que nos leva a viver?
a) Uma força?
b) Um princípio imaterial?
c) Um espírito insaciável de conhecimento?
d) NDA (Não Dirija Alcoolizado hehehe).
Não, a vida não existe e nunca existiu para ser descrita, não porque ela é abstrata (e de fato ela não o é), mas porque descrever o inefável seria ousadia tamanha para um ser que mal acaba de sair das fraldas.
A descrição exige conhecimento do mundo; a descrição da vida exige conhecimento UNIVERSAL. Sendo assim, nenhuma pusilânime criatura neste mundo conseguiu, conseguiria, conseguirá melhor descrever essa força que ultrapassa barreiras; este princípio que se antepõe ao nunca; este espírito que fulge na aurora, no ocaso e no porvir; essa magnificência que nos
instiga a perscrutar o mundo em cima das nuvens ou embaixo das pedras limosas.
Enfim, ninguém (nem mesmo eu) obterá esta proeza, pois se alguém o fazê-lo direito, o mundo, o universo, perderiam sua graça e mistério. Como se poderia descrever a vida numa simples folha de papel (monômeros finitos) e julgar que estivesse bem feito? Acaso o mundo não bastasse para tal intento? A Natureza? As guerras sem fim? Não! A vida (nem a morte) nunca será (ão) o(s) modelo(s) artístico (s)ideal(is). Pelo menos nesta era, hora, existência, vida e, talvez, morte...
(por falar em morte, fico com a letra d). E tu, caro leitor?domingo, outubro 09, 2005
Never more
Desvencilhando-me deste tormento de passa-não-passa, venho deixar um soneto amoroso que fiz: IMAGINA onde? No CMF!!! Enquanto esperei duas horas e meia para acabar o horário total (queria levar a prova pra casa, então esperei). Sabem como encontrei inspiração? É simples, avistei a janela grande e antiga da sala, era quase no crepúsculo. De repente, soaram os sinos e o céu se tornou rubro...
Fênix
Soaram os sinos:
O prenúncio,
A premissa iminente:
O céu morrerá,
Tal qual estrela cadente...
Soaram os sinos:
O augúrio,
As aves voam assustadas,
Das árvores em que dormiam,
Tão fugazes quanto fadas...
Soaram os sinos:
A profecia,
O céu se cobrirá de rubro,
O Sol cairá ao infinito,
Dizendo: Eu cubro, cubro!
Soara os sinos:
O fato,
O céu enegrece e definha,
Tão opacas são as cores,
Que o oculta qual tênue linha.
Soara os sinos:
O destino,
O céu sucumbiu etéreo,
Deixando o negrume no ar,
Deixando um rastro cinéreo.
Soarão os sinos:
A certeza,
Um novo céu há de vir,
E de algrias o mundo,
Ele irá novamente cobrir.
Soarão os sinos:
A herança,
De um tempo constante,
Que persiste no mundo,
E nos faz dele deveras amante!
Vejam o que eu descrevi! Será o quÊ?
sábado, outubro 08, 2005
É noite
O vento me insiste em lembrar
Que a vida um dia há de passar,
Tão fugaz quanto um arrepio.
É noite e me sinto infeliz,
O céu encoberto de dor,
A terra cercada de horror
Meu mundo com uma cicatriz.
É noite e sonho acordado,
Augúrios de um amor sem fim,
Ditados por um Serafim,
Que me diz bem do meu lado.
É noite e não penso em querer,
Sentir as luzes de um novo dia,
Sentir a dor, a hipocrisia,
De homens mundanos em seu viver.
É noite e me perco em prantos,
0 amor, doce amor que sonhei,
É noite e eu quero esvair,
O ódio de meus pensamentos,
A dúvida, ressentimentos,
Todos sem exceção banir.
É noite e meus olhos se cerram,
Por mais que abri-los tente,
O sono é mais que iminente,
Minha vida, destino se encerram...
É noite e durmo satisfeito,
Como qualquer pusilânime criatura,
Que vive e tem compostura,
Afinal, ninguém é perfeito.
sexta-feira, outubro 07, 2005
As pessoas
Cores, peles, órgãos, tecidos,
Marcas, rugas, problemas, momentos,
Cabelos, barrigas, sentidos,
Corpos, unhas, pesadelos,desejos,
Dores, aflições, medos, terrores,
fé, ardores, esperanças, ensejos,
energia, capacidades, amores,
futuros, incertezas, opiniões,
idéias, mãos, pés, tristezas, pudores,
Objetivos, encanto, destrezas, emoções,
Cabeça, fronte, costas, saúde, doenças,
Cócegas, aptidões, preguiça, zelos,
Braços, pernas, quadris, memórias,
Supertições, crendices, pêlos,
destino, cansaço, sono, histórias,
Olhos, dedos, bocas, dentes,
Martírios, ciúmes, inveja, glórias,
Alegrias, júbilos, prazeres, parentes,
Ambições, lembranças, funções,
Peito, nádegas, coxas, ascendentes,
sonhos, desgostos, injúrias,pulmões,
Perseverança, diferenças, precedentes,
Língua, raiva, humor, contentações,
Cotovelos, pescoços, genitálias, narizes,
Roupas, pertences, apetrechos, contradições,
Hãããããããã(suspiro)
As pessoas não têm paz...
sábado, outubro 01, 2005
Passado
Reminiscências
Mas deixemos a história se passar com sua cronologia; mostrar-lhe-ei algumas passagens que, julgo eu, marcaram o aprendizado do garoto. Avancemos até uma tarde veranil, na qual o Grande Astro abrasava o bosque de Antímano, minha residência; o calor era intenso. As ninfas mergulharam no lago em busca de refresco, as aves empoleiraram-se nos mais sombreados galhos das árvores. Poucas vezes, a leve brisa vinha arrefecer nossos corpos. Cástor queixou-se com veemência:
- Não podem os deuses se compadecer de nós e enervar este implacável Astro com seus raios fulminantes?
- Oh, incipiente jovem, cuida das palavras que proferes. - respondi atônito- Não queiras desejos inconcebíveis para com este mundo. Deixa-me contar-te uma história, ocorrida a várias gerações anteriores a mim, quando humanos ainda não passavam de poucos aldeões.
Desde o início dos tempos, o Grande Astro mantinha sua jornada constante; o equilibrio perfeito entre ele e a Grande Lua se perpetuava. Era neste primórdio que viveu Lukard, um jovem viril que, desde pequeno, sempre detestou o assomo da Lua no céu.
Sempre que ela surgia, ele se ocultava nas mais escuras cavernas, onde nunca um raio lunar alcançou. De lá, imprecava contra o fastidioso destino que o marcara. A única luz que lhe agradava era a solar, donde tirava a vontade de viver.
Certa manhã, resolveu visitar um feiticeiro, famoso pela suas artimanhas com a vil magia. Dominava os poderes malignos com astúcia. Lukard pede imperativo:
- Acaba com essa maldita Lua que me fadiga o corpo e a alma!
- Posso fê-lo, mas tudo tem seu preço, desde o fim ao começo.
- Tudo faço para não perder a calma...
- Dentro de 17 dias, volte aqui, na mesma hora em que vieste. Traga uma corça viva e peça para que alguém lhe traga um pote com água banhada pelo luar. Ah! Não te esqueças de revolver teu ódio, deves estar cheio dele no dia.
- Para quê queres tudo isso?- indagou espantado.
- Apenas traga-os e verás...- respondeu com a voz rouca.
Passados os dias, veio o pródigo mortal com os pedidos requeridos à caverna do bruxo.
- Agora faze-me o que me deves!- imperou Lukard.
- Com prazer!-retrucou o feiticeiro.
O velho o levou até um sala, a qual estava iluminada apenas por uma débil luz de vela. No centro do local, uma figura macabra estava ilustrada no chão. O rito começa: o velho, com estrema frieza, decepa a cabeça da corça e, ao mesmo tempo, murumura palavras estranhas à qualquer língua atual; sua origem remonta séculos, herdada dos mistérios da magia negra. O sangue escorre da cabeça recém-decepada, o velho derrama-o por sobre o corpo de Lukard, que se encontra nu. Após sibilar mais versos negros, manda que Lukard beba o conteúdo do pote, aquele que contém água "enluarada". De repente, Lukard grita, seu corpo inteiro sente um turbilhão dentro de si. Cai no chão, contorcendo se de dores lancinantes. Indaga co furor ao bruxo:
- O que fizeste comigo?
- Ha ha ha ha! Nada! Apenas o transformei num quase-morto. Serás amaldiçoado para todo o sempre. Por toda eternidade, sorverás o sangue de teu povo, mas nunca te saciarás. Poderás formar mais seres semelhantes a ti e agora podes cobrir o mundo com teu ódio!
Lukard estava extremamente diferente após a cerimônia maléfica. Sentia o ódio dominar suas veias, seu corpo morto, ou quase-morto. Agradeceu ao feiticeir e, o primeiro ato realizado foi encobrir o mundo inteiro com seu ódio, materializado em densas nuvens negras. Obnubilou a tudo, e tudo se curvaria a ele.
Todos os seres pensantes e de bom coração se reuniram em busca de solucionar tal tragédia. Estavam tementes de um vindouro problema pior. Muitos já sabiam que, sem o luar nem a luz solar, a força que rege o mundo se enfraqueceria gradativamente, e todos arcariam com o fim do mundo.
Foi nesse ínterim que um sábio lembrou a todos da Profecia: quando o mundo de ódio se cobrir, o Olho surgirá e, junto a Estrela, indicará o escolhido.
Os outros seres não sabiam se a profecia era verídica. Preferiam pensar em outras alternativas, contudo, isso demandava tempo e, a cada dia, Lukard conseguia trazer mais humanos para a quase-morte.E o mundo se degradava mais e mais...
Numa noite, quando todos já pensavam no fatídico destino do mundo (e de todos), algo aconteceu: a Estrela brilhou no céu, de onde o fazia, as nuvens nefastas não podiam encobri-la; o Olho, imponente, surgiu também. Com sua destreza, rapidamente visou o Escolhido e, ao fê-lo, enviou-lhe a luz que acordaria a chama de seu real destino.
Lukard, que agora já liderava uma falange de vampiros- nome dado a estes malditos seres- logo pôs-se atrás do Escolhido, temendo uma perturbação de seus planos. Ia atrás de seu iminente fado.
O Escolhido brandia a espada da justiça e o escudo da Verdade. Ele sabia que Lukard estava no seu encalço. Simplesmente, assentou-se num bosque sem vida; som suas sagradas mãos, assoprou os vento da vitalidade por todo o lugar. Onde seu abençoado sopro chegava, criava-se vida, esperança e felicidade. O bosque - que é onde estamos agora presentes- tornou-se o único lugar do mundo que havia tanta vida. O Escolhido, em posição de lótus, esperou pacientemente Lukard.
Quando Lukard e seu séquito em Antímano chegou, o Escolhido abriu seus olhos, a chama do amor reluzia em suas pupilas. Lukard, pela primeira vez, sentiu um profundo medo. Sem nenhum pensamento em mente, lançou a escuridão de encontro ao Iluminado, o negrume invadia o bosque. Contudo, o Escolhido revogou o ato com uma única e poderosa palavra (as palavras, dependendo de quem as profere, têm poderes inimagináveis): paz - disse isso tão brandamente que os subalternos de Lukard se espantaram. O Escolhido não sentia medo algum, pelo contrário, emanava coragem e afeto de seu interior, perturbando os vampiros.
Foi então que o escolhido se levantou e assim o delegou:
- Lukard, condenado estás a vagar pelo mundo com tua súcia de vampiros. Somente poderás sair à noite, para castigo eterno, ou quase eterno, se te mostrares arrependido profundamente do que fizeste. Se tentares sentir a luz do Sol, seu antigo amigo, sentirás o fogo consumir tua pele, o mesmo vale para os outros. Que nunca o equilíbrio seja desfeito, pois se vir a acontecer, virei a este mundo quantas vezes forem necessárias. De onde venho, aguardo pacientemente a iluminação da humanidade, mas pelo que vejo, ela só poderá ser alcançada daqui a muitos anos.
Dito isso, desapareceu com um fortíssimo clarão, o qual se espalhou célere por todo o mundo; sua bondade purificou o mundo do ódio de Lukard, o amaldiçoado. Quanto a este, foi imposto um lastimoso castigo, que ele levaria até encontrar a Luz.
Viste agora por que não podes dizer aquilo? O equilíbrio do mundo é como uma tênue linha, prestes a se romper, mas que nunca, ou quase nunca o faz.
Bem pessoal, termina aqui o segundo capítulo, dentro de alguns dias e postarei o terceiro. espero que tenham acompanhado o trajeto de Cástor e seu mestre Felchion, o elfo mais sábio de todos...
sexta-feira, setembro 30, 2005
Pusilânime
De todas as desventuras que experimentei nesta longeva vida, nenhuma pode ser comparada a que tive há 150 outonos. Lembro-me muito bem como tudo começou, numa proeminente manhã primaveril.
Estava eu deitado sob a sombra de uma frondosa árvore, com, ao meu redor, cerca de dez a quinze ninfas e paraninfas, as quais permaneciam quietas, observando o meu tocar de flauta. Os sons, tão suaves, escoavam pelos orifícios do instrumento e ecoavam pelo bosque. Tudo era vida.
De súbito, as aves que ali estavam se assustaram com barulhos de passos, os cervos e doninhas sentiram o mesmo. As ninfas e paraninfas desapareceram tão logo quando eles se iniciaram. O bosque adormeceu, tudo era silêncio e cautela. Exceto eu, que, aparentementem estava num transe; perdido em devaneios melodiosos.
Quando dei pela falta das ninfas, era tarde demais: um humano se encontrava sentado, diante de mim, fascinado com o meu tocar, seus olhos: hipnoticamente abertos, lampejavam uma singular juventude mortal. A princípio, assustei-me. Meu povo não costuma se encontrar com humanos, muito menos casualmente. Sabem que são um povo sorrateiro e corrompível. Contudo, sentia que naquele mancebo havia algo diferente dos demais da espécie. Algo nele me chamava atenção. Resolvi mudar o que uma tradição milenar havia me ensinado, conversei com o jovem:
- O que te fazes encantar, com teus noviços olhos?
- Tua música, teu tocar, tudo me faz um férvido admirador.
- Ah, certamente nunca viste um elfo. Principia-se assim, te fascinas com tudo o que faço, mas o tempo há de te fazê-lo esquecer. Quem és tu?
- Eu? Não passo de um mortal. Meu nome é Cástor, filho de Sophos, senhor de Drissa. Venho de terras longínquas, a buscar meu destino.
- Decerto que o encontrarás. Se quiseres posso te ajudar nesse intento.
- Nada seria mais formidável do que tu, um grandioso elfo, me ajudar. Mas o que ganharias com tal empenho?
- Ganharia o profundo conhecimento sobre ti e teu povo.
- Ensina-me o que aprendeste ao longo destes séculos!
- Calma, meu jovem, tudo tem seu própria tempo: o cais das folhas, o ascender do Sol, a brisa vespertina, inclusive tu o tens...
A partir daquele dia, dediquei todo meu tempo(se é que ouso chamá-lo disto, pois para nós, elfos, ele praticamente inexiste), ensinando-o. Ao meu novo pupilo, ensinei algo que, nem em toda sua vida poderia aprender. Mostre-lhe o segredo das estrelas, com seus inefáveis brilhos; do mar, com suas indômitas ondas; do dia e da noite, enfim, ensinamentos que, somente depois, percebi que não deveria ter passado.
A Verdade não pode ser tão rapidamente mostrada aos homens: suas ineptas mentes não a suportariam...
quarta-feira, setembro 28, 2005
A casa
segunda-feira, setembro 26, 2005
Provas
Números, números não me revelam,
A gentil e triste face que tu nem notas,
E que nem nem serão nem eram,
A esperança túrgida que denotas...
O que me importam boletins?
O que me importam matérias?
O que me importam funções afins?
O que me importam bactérias?
O que me importam coisas tolas,
Supérfluas, ignotas, rebeldes e vagas?
Nada disso me importa.
O que eu quero é a vida.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Desespero
sexta-feira, setembro 16, 2005
Mais Wizard of Oz
DOROTHY
Home! And this is my room -- and you're all here! And I'm not going to leave here ever, ever again, because I love you all! And -- Oh, Auntie Em -- there's no place like home!
DOROTHY
Lar! E este é meu quarto -- e todos vocês estão aqui! E não irei sair daqui nunca, nunca mais, porque eu amo vocês todos! E -- Oh, Tia Em -- não há lugar como o lar!
quarta-feira, setembro 14, 2005
Addictions
"For nearly forty years this story has given faithful service to the Young in Heart; and Time has been powerless to put its kindly philosophy out of fashion.To those of you who have been faithful to it in return
...and to the Young in Heart --- we dedicate this picture."
"Por quase quarenta anos, esta história tem mantido fiel serviço aos Jovens de Coração; e o Tempo tem sido impotente ao colocar sua gentil filosofia fora de moda. Para aqueles de vocês que têm sido fiéis ao seu retorno
...e para os Jovens de Coração --- nós dedicamos este filme."
! Como é lindo o filme!
sábado, agosto 27, 2005
O vôo do cisne branco
Lá fora, nevava. Pesados flocos de neve caíam aos montes por sobre o mundo e tornava-o um grande cisne branco. Olívio, enquanto perscrutava pela janela da casa o cair da neve, lembrava do que sua mãe havia lhe dito: "Meu filho, sempre que nevar, faze um pedido para o Senhor teu Deus que, o mundo, como um imenso cisne branco, o levará até Ele."
Ao pensar nisso, Olívio apertou com força suas frágeis mãos e olhou para cima. Nesse instante, invoca: " Ó Senhor, que tudo podes e fazes, liberta-me deste mundo de sofrimento, faze-me instrumento de teu amor!". Após a súplica, lágrimas escorreram pela sua face; o frio era tão intenso que elas congelaram na altura de suas maçãs- do- rosto.
Olívio caiu mais ainda em prantos ao pensar em sua mãe, que naquele instante, deveria estar lá fora, lavando roupas na parte do rio ainda não congelada. Os "amigos" de Olívio, mais ricos que ele, gozavam da sua condição sócio-econômica, alcunhavam sua mãe de vagabunda e ele de burro, diziam que ela não valia nada, não valia nada... Mas Olívio se perguntava: "Como minha mãe pode ser vagabunda, se trabalha o todo dia, faça chuva ou neve?".
A cabecinha de Olívio não conseguia entender o porquê dele ser pobre, afinal de contas, não estava escrito na Bíblia que os pobres eram mais ricos? Ele não entendia que a pobreza era algo relativo, vago. E que a riqueza mencionada na Bíblia era a virtude de ser um bom humano.
Fortes tosses se prolongavam no débil corpo do menino, a doença se alastrava mais e mais, corroendo até o último pedaço do corpo onde ainda restava saúde e reinava esperança. Olívio estava acometido de uma grave doença, surgida no começo do inverno passado. Sua mãe dissera que logo passaria; foram-se meses e não curava.
Olívio sentia seu corpo como um imenso fardo a ser carregado, um imenso fardo que contém a mais pura e leve alma, daquelas que ofuscam a mais negra chama de ódio. Olívio tossia e tinha medo: era apenas um menino.
Seus amigos, cientes do perigo de morte que ele corria, pela primeira vez, foram até sua casa. Trouxeram presentes, alegria e amor. A mãe, antes dita vagabunda, recebeu-os com um terno abraço. Um abraço terno numa tarde nívea.
A partir daquele dia, seus amigos iam cada vez mais com freqüência à casa do garoto e ele sentia-se cada vez mais melhor. Sua mãe, aumentava a alegria na mesma proporção. Mas o que ela, nem os recém-cativados amigos sabiam, era que, quanto mais se aproximavam dele, fazendo-o feliz, mais sua alma chegava perto do céu.
Numa cálida manhã primaveril, Olívio acordou. Seus olhinhos se abriram pesadamente. E falou: "Agora sim, meu Deus, podes me cumprir o pedido." Dito isso, fechou os olhos para nunca mais abrir. Partia cedo, mas feliz. O Senhor cumpriu o pedido do menino e, um grande cisne branco alçou vôo do mundo, conduzindo o mais novo anjo às Terras Desconhecidas. Uma nova estrela brihou no céu, pena que a mãe do menino não pôde vê-la surgir, era dia.