domingo, outubro 09, 2005
Never more
Desvencilhando-me deste tormento de passa-não-passa, venho deixar um soneto amoroso que fiz: IMAGINA onde? No CMF!!! Enquanto esperei duas horas e meia para acabar o horário total (queria levar a prova pra casa, então esperei). Sabem como encontrei inspiração? É simples, avistei a janela grande e antiga da sala, era quase no crepúsculo. De repente, soaram os sinos e o céu se tornou rubro...
Fênix
Soaram os sinos:
O prenúncio,
A premissa iminente:
O céu morrerá,
Tal qual estrela cadente...
Soaram os sinos:
O augúrio,
As aves voam assustadas,
Das árvores em que dormiam,
Tão fugazes quanto fadas...
Soaram os sinos:
A profecia,
O céu se cobrirá de rubro,
O Sol cairá ao infinito,
Dizendo: Eu cubro, cubro!
Soara os sinos:
O fato,
O céu enegrece e definha,
Tão opacas são as cores,
Que o oculta qual tênue linha.
Soara os sinos:
O destino,
O céu sucumbiu etéreo,
Deixando o negrume no ar,
Deixando um rastro cinéreo.
Soarão os sinos:
A certeza,
Um novo céu há de vir,
E de algrias o mundo,
Ele irá novamente cobrir.
Soarão os sinos:
A herança,
De um tempo constante,
Que persiste no mundo,
E nos faz dele deveras amante!
Vejam o que eu descrevi! Será o quÊ?
sábado, outubro 08, 2005
É noite
O vento me insiste em lembrar
Que a vida um dia há de passar,
Tão fugaz quanto um arrepio.
É noite e me sinto infeliz,
O céu encoberto de dor,
A terra cercada de horror
Meu mundo com uma cicatriz.
É noite e sonho acordado,
Augúrios de um amor sem fim,
Ditados por um Serafim,
Que me diz bem do meu lado.
É noite e não penso em querer,
Sentir as luzes de um novo dia,
Sentir a dor, a hipocrisia,
De homens mundanos em seu viver.
É noite e me perco em prantos,
0 amor, doce amor que sonhei,
É noite e eu quero esvair,
O ódio de meus pensamentos,
A dúvida, ressentimentos,
Todos sem exceção banir.
É noite e meus olhos se cerram,
Por mais que abri-los tente,
O sono é mais que iminente,
Minha vida, destino se encerram...
É noite e durmo satisfeito,
Como qualquer pusilânime criatura,
Que vive e tem compostura,
Afinal, ninguém é perfeito.
sexta-feira, outubro 07, 2005
As pessoas
Cores, peles, órgãos, tecidos,
Marcas, rugas, problemas, momentos,
Cabelos, barrigas, sentidos,
Corpos, unhas, pesadelos,desejos,
Dores, aflições, medos, terrores,
fé, ardores, esperanças, ensejos,
energia, capacidades, amores,
futuros, incertezas, opiniões,
idéias, mãos, pés, tristezas, pudores,
Objetivos, encanto, destrezas, emoções,
Cabeça, fronte, costas, saúde, doenças,
Cócegas, aptidões, preguiça, zelos,
Braços, pernas, quadris, memórias,
Supertições, crendices, pêlos,
destino, cansaço, sono, histórias,
Olhos, dedos, bocas, dentes,
Martírios, ciúmes, inveja, glórias,
Alegrias, júbilos, prazeres, parentes,
Ambições, lembranças, funções,
Peito, nádegas, coxas, ascendentes,
sonhos, desgostos, injúrias,pulmões,
Perseverança, diferenças, precedentes,
Língua, raiva, humor, contentações,
Cotovelos, pescoços, genitálias, narizes,
Roupas, pertences, apetrechos, contradições,
Hãããããããã(suspiro)
As pessoas não têm paz...
sábado, outubro 01, 2005
Passado
Reminiscências
Mas deixemos a história se passar com sua cronologia; mostrar-lhe-ei algumas passagens que, julgo eu, marcaram o aprendizado do garoto. Avancemos até uma tarde veranil, na qual o Grande Astro abrasava o bosque de Antímano, minha residência; o calor era intenso. As ninfas mergulharam no lago em busca de refresco, as aves empoleiraram-se nos mais sombreados galhos das árvores. Poucas vezes, a leve brisa vinha arrefecer nossos corpos. Cástor queixou-se com veemência:
- Não podem os deuses se compadecer de nós e enervar este implacável Astro com seus raios fulminantes?
- Oh, incipiente jovem, cuida das palavras que proferes. - respondi atônito- Não queiras desejos inconcebíveis para com este mundo. Deixa-me contar-te uma história, ocorrida a várias gerações anteriores a mim, quando humanos ainda não passavam de poucos aldeões.
Desde o início dos tempos, o Grande Astro mantinha sua jornada constante; o equilibrio perfeito entre ele e a Grande Lua se perpetuava. Era neste primórdio que viveu Lukard, um jovem viril que, desde pequeno, sempre detestou o assomo da Lua no céu.
Sempre que ela surgia, ele se ocultava nas mais escuras cavernas, onde nunca um raio lunar alcançou. De lá, imprecava contra o fastidioso destino que o marcara. A única luz que lhe agradava era a solar, donde tirava a vontade de viver.
Certa manhã, resolveu visitar um feiticeiro, famoso pela suas artimanhas com a vil magia. Dominava os poderes malignos com astúcia. Lukard pede imperativo:
- Acaba com essa maldita Lua que me fadiga o corpo e a alma!
- Posso fê-lo, mas tudo tem seu preço, desde o fim ao começo.
- Tudo faço para não perder a calma...
- Dentro de 17 dias, volte aqui, na mesma hora em que vieste. Traga uma corça viva e peça para que alguém lhe traga um pote com água banhada pelo luar. Ah! Não te esqueças de revolver teu ódio, deves estar cheio dele no dia.
- Para quê queres tudo isso?- indagou espantado.
- Apenas traga-os e verás...- respondeu com a voz rouca.
Passados os dias, veio o pródigo mortal com os pedidos requeridos à caverna do bruxo.
- Agora faze-me o que me deves!- imperou Lukard.
- Com prazer!-retrucou o feiticeiro.
O velho o levou até um sala, a qual estava iluminada apenas por uma débil luz de vela. No centro do local, uma figura macabra estava ilustrada no chão. O rito começa: o velho, com estrema frieza, decepa a cabeça da corça e, ao mesmo tempo, murumura palavras estranhas à qualquer língua atual; sua origem remonta séculos, herdada dos mistérios da magia negra. O sangue escorre da cabeça recém-decepada, o velho derrama-o por sobre o corpo de Lukard, que se encontra nu. Após sibilar mais versos negros, manda que Lukard beba o conteúdo do pote, aquele que contém água "enluarada". De repente, Lukard grita, seu corpo inteiro sente um turbilhão dentro de si. Cai no chão, contorcendo se de dores lancinantes. Indaga co furor ao bruxo:
- O que fizeste comigo?
- Ha ha ha ha! Nada! Apenas o transformei num quase-morto. Serás amaldiçoado para todo o sempre. Por toda eternidade, sorverás o sangue de teu povo, mas nunca te saciarás. Poderás formar mais seres semelhantes a ti e agora podes cobrir o mundo com teu ódio!
Lukard estava extremamente diferente após a cerimônia maléfica. Sentia o ódio dominar suas veias, seu corpo morto, ou quase-morto. Agradeceu ao feiticeir e, o primeiro ato realizado foi encobrir o mundo inteiro com seu ódio, materializado em densas nuvens negras. Obnubilou a tudo, e tudo se curvaria a ele.
Todos os seres pensantes e de bom coração se reuniram em busca de solucionar tal tragédia. Estavam tementes de um vindouro problema pior. Muitos já sabiam que, sem o luar nem a luz solar, a força que rege o mundo se enfraqueceria gradativamente, e todos arcariam com o fim do mundo.
Foi nesse ínterim que um sábio lembrou a todos da Profecia: quando o mundo de ódio se cobrir, o Olho surgirá e, junto a Estrela, indicará o escolhido.
Os outros seres não sabiam se a profecia era verídica. Preferiam pensar em outras alternativas, contudo, isso demandava tempo e, a cada dia, Lukard conseguia trazer mais humanos para a quase-morte.E o mundo se degradava mais e mais...
Numa noite, quando todos já pensavam no fatídico destino do mundo (e de todos), algo aconteceu: a Estrela brilhou no céu, de onde o fazia, as nuvens nefastas não podiam encobri-la; o Olho, imponente, surgiu também. Com sua destreza, rapidamente visou o Escolhido e, ao fê-lo, enviou-lhe a luz que acordaria a chama de seu real destino.
Lukard, que agora já liderava uma falange de vampiros- nome dado a estes malditos seres- logo pôs-se atrás do Escolhido, temendo uma perturbação de seus planos. Ia atrás de seu iminente fado.
O Escolhido brandia a espada da justiça e o escudo da Verdade. Ele sabia que Lukard estava no seu encalço. Simplesmente, assentou-se num bosque sem vida; som suas sagradas mãos, assoprou os vento da vitalidade por todo o lugar. Onde seu abençoado sopro chegava, criava-se vida, esperança e felicidade. O bosque - que é onde estamos agora presentes- tornou-se o único lugar do mundo que havia tanta vida. O Escolhido, em posição de lótus, esperou pacientemente Lukard.
Quando Lukard e seu séquito em Antímano chegou, o Escolhido abriu seus olhos, a chama do amor reluzia em suas pupilas. Lukard, pela primeira vez, sentiu um profundo medo. Sem nenhum pensamento em mente, lançou a escuridão de encontro ao Iluminado, o negrume invadia o bosque. Contudo, o Escolhido revogou o ato com uma única e poderosa palavra (as palavras, dependendo de quem as profere, têm poderes inimagináveis): paz - disse isso tão brandamente que os subalternos de Lukard se espantaram. O Escolhido não sentia medo algum, pelo contrário, emanava coragem e afeto de seu interior, perturbando os vampiros.
Foi então que o escolhido se levantou e assim o delegou:
- Lukard, condenado estás a vagar pelo mundo com tua súcia de vampiros. Somente poderás sair à noite, para castigo eterno, ou quase eterno, se te mostrares arrependido profundamente do que fizeste. Se tentares sentir a luz do Sol, seu antigo amigo, sentirás o fogo consumir tua pele, o mesmo vale para os outros. Que nunca o equilíbrio seja desfeito, pois se vir a acontecer, virei a este mundo quantas vezes forem necessárias. De onde venho, aguardo pacientemente a iluminação da humanidade, mas pelo que vejo, ela só poderá ser alcançada daqui a muitos anos.
Dito isso, desapareceu com um fortíssimo clarão, o qual se espalhou célere por todo o mundo; sua bondade purificou o mundo do ódio de Lukard, o amaldiçoado. Quanto a este, foi imposto um lastimoso castigo, que ele levaria até encontrar a Luz.
Viste agora por que não podes dizer aquilo? O equilíbrio do mundo é como uma tênue linha, prestes a se romper, mas que nunca, ou quase nunca o faz.
Bem pessoal, termina aqui o segundo capítulo, dentro de alguns dias e postarei o terceiro. espero que tenham acompanhado o trajeto de Cástor e seu mestre Felchion, o elfo mais sábio de todos...
sexta-feira, setembro 30, 2005
Pusilânime
De todas as desventuras que experimentei nesta longeva vida, nenhuma pode ser comparada a que tive há 150 outonos. Lembro-me muito bem como tudo começou, numa proeminente manhã primaveril.
Estava eu deitado sob a sombra de uma frondosa árvore, com, ao meu redor, cerca de dez a quinze ninfas e paraninfas, as quais permaneciam quietas, observando o meu tocar de flauta. Os sons, tão suaves, escoavam pelos orifícios do instrumento e ecoavam pelo bosque. Tudo era vida.
De súbito, as aves que ali estavam se assustaram com barulhos de passos, os cervos e doninhas sentiram o mesmo. As ninfas e paraninfas desapareceram tão logo quando eles se iniciaram. O bosque adormeceu, tudo era silêncio e cautela. Exceto eu, que, aparentementem estava num transe; perdido em devaneios melodiosos.
Quando dei pela falta das ninfas, era tarde demais: um humano se encontrava sentado, diante de mim, fascinado com o meu tocar, seus olhos: hipnoticamente abertos, lampejavam uma singular juventude mortal. A princípio, assustei-me. Meu povo não costuma se encontrar com humanos, muito menos casualmente. Sabem que são um povo sorrateiro e corrompível. Contudo, sentia que naquele mancebo havia algo diferente dos demais da espécie. Algo nele me chamava atenção. Resolvi mudar o que uma tradição milenar havia me ensinado, conversei com o jovem:
- O que te fazes encantar, com teus noviços olhos?
- Tua música, teu tocar, tudo me faz um férvido admirador.
- Ah, certamente nunca viste um elfo. Principia-se assim, te fascinas com tudo o que faço, mas o tempo há de te fazê-lo esquecer. Quem és tu?
- Eu? Não passo de um mortal. Meu nome é Cástor, filho de Sophos, senhor de Drissa. Venho de terras longínquas, a buscar meu destino.
- Decerto que o encontrarás. Se quiseres posso te ajudar nesse intento.
- Nada seria mais formidável do que tu, um grandioso elfo, me ajudar. Mas o que ganharias com tal empenho?
- Ganharia o profundo conhecimento sobre ti e teu povo.
- Ensina-me o que aprendeste ao longo destes séculos!
- Calma, meu jovem, tudo tem seu própria tempo: o cais das folhas, o ascender do Sol, a brisa vespertina, inclusive tu o tens...
A partir daquele dia, dediquei todo meu tempo(se é que ouso chamá-lo disto, pois para nós, elfos, ele praticamente inexiste), ensinando-o. Ao meu novo pupilo, ensinei algo que, nem em toda sua vida poderia aprender. Mostre-lhe o segredo das estrelas, com seus inefáveis brilhos; do mar, com suas indômitas ondas; do dia e da noite, enfim, ensinamentos que, somente depois, percebi que não deveria ter passado.
A Verdade não pode ser tão rapidamente mostrada aos homens: suas ineptas mentes não a suportariam...
quarta-feira, setembro 28, 2005
A casa
segunda-feira, setembro 26, 2005
Provas
Números, números não me revelam,
A gentil e triste face que tu nem notas,
E que nem nem serão nem eram,
A esperança túrgida que denotas...
O que me importam boletins?
O que me importam matérias?
O que me importam funções afins?
O que me importam bactérias?
O que me importam coisas tolas,
Supérfluas, ignotas, rebeldes e vagas?
Nada disso me importa.
O que eu quero é a vida.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Desespero
sexta-feira, setembro 16, 2005
Mais Wizard of Oz
DOROTHY
Home! And this is my room -- and you're all here! And I'm not going to leave here ever, ever again, because I love you all! And -- Oh, Auntie Em -- there's no place like home!
DOROTHY
Lar! E este é meu quarto -- e todos vocês estão aqui! E não irei sair daqui nunca, nunca mais, porque eu amo vocês todos! E -- Oh, Tia Em -- não há lugar como o lar!
quarta-feira, setembro 14, 2005
Addictions
"For nearly forty years this story has given faithful service to the Young in Heart; and Time has been powerless to put its kindly philosophy out of fashion.To those of you who have been faithful to it in return
...and to the Young in Heart --- we dedicate this picture."
"Por quase quarenta anos, esta história tem mantido fiel serviço aos Jovens de Coração; e o Tempo tem sido impotente ao colocar sua gentil filosofia fora de moda. Para aqueles de vocês que têm sido fiéis ao seu retorno
...e para os Jovens de Coração --- nós dedicamos este filme."
! Como é lindo o filme!
sábado, agosto 27, 2005
O vôo do cisne branco
Lá fora, nevava. Pesados flocos de neve caíam aos montes por sobre o mundo e tornava-o um grande cisne branco. Olívio, enquanto perscrutava pela janela da casa o cair da neve, lembrava do que sua mãe havia lhe dito: "Meu filho, sempre que nevar, faze um pedido para o Senhor teu Deus que, o mundo, como um imenso cisne branco, o levará até Ele."
Ao pensar nisso, Olívio apertou com força suas frágeis mãos e olhou para cima. Nesse instante, invoca: " Ó Senhor, que tudo podes e fazes, liberta-me deste mundo de sofrimento, faze-me instrumento de teu amor!". Após a súplica, lágrimas escorreram pela sua face; o frio era tão intenso que elas congelaram na altura de suas maçãs- do- rosto.
Olívio caiu mais ainda em prantos ao pensar em sua mãe, que naquele instante, deveria estar lá fora, lavando roupas na parte do rio ainda não congelada. Os "amigos" de Olívio, mais ricos que ele, gozavam da sua condição sócio-econômica, alcunhavam sua mãe de vagabunda e ele de burro, diziam que ela não valia nada, não valia nada... Mas Olívio se perguntava: "Como minha mãe pode ser vagabunda, se trabalha o todo dia, faça chuva ou neve?".
A cabecinha de Olívio não conseguia entender o porquê dele ser pobre, afinal de contas, não estava escrito na Bíblia que os pobres eram mais ricos? Ele não entendia que a pobreza era algo relativo, vago. E que a riqueza mencionada na Bíblia era a virtude de ser um bom humano.
Fortes tosses se prolongavam no débil corpo do menino, a doença se alastrava mais e mais, corroendo até o último pedaço do corpo onde ainda restava saúde e reinava esperança. Olívio estava acometido de uma grave doença, surgida no começo do inverno passado. Sua mãe dissera que logo passaria; foram-se meses e não curava.
Olívio sentia seu corpo como um imenso fardo a ser carregado, um imenso fardo que contém a mais pura e leve alma, daquelas que ofuscam a mais negra chama de ódio. Olívio tossia e tinha medo: era apenas um menino.
Seus amigos, cientes do perigo de morte que ele corria, pela primeira vez, foram até sua casa. Trouxeram presentes, alegria e amor. A mãe, antes dita vagabunda, recebeu-os com um terno abraço. Um abraço terno numa tarde nívea.
A partir daquele dia, seus amigos iam cada vez mais com freqüência à casa do garoto e ele sentia-se cada vez mais melhor. Sua mãe, aumentava a alegria na mesma proporção. Mas o que ela, nem os recém-cativados amigos sabiam, era que, quanto mais se aproximavam dele, fazendo-o feliz, mais sua alma chegava perto do céu.
Numa cálida manhã primaveril, Olívio acordou. Seus olhinhos se abriram pesadamente. E falou: "Agora sim, meu Deus, podes me cumprir o pedido." Dito isso, fechou os olhos para nunca mais abrir. Partia cedo, mas feliz. O Senhor cumpriu o pedido do menino e, um grande cisne branco alçou vôo do mundo, conduzindo o mais novo anjo às Terras Desconhecidas. Uma nova estrela brihou no céu, pena que a mãe do menino não pôde vê-la surgir, era dia.
quinta-feira, agosto 25, 2005
A catedral
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
Aqui se encontra mais uma poesia de meu mais novo ídolo: Alphonsus de Guimaraens:
E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
quarta-feira, agosto 24, 2005
Cisnes Brancos
Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Porque viestes, se era tão tarde?
O sol não beija mais os flancosDa Montanha onde mora a tarde.
Ó cisnes brancos, dolorida
Minh’alma sente dores novas.
Cheguei à terra prometida:
É um deserto cheio de covas.
Voai para outras risonhas plagas,
Cisnes brancos! Sede felizes...
Deixai-me só com as minhas chagas,
E só com as minhas cicatrizes.
Venham as aves agoireiras,
De risada que esfria os ossos...
Minh’alma, cheia de caveiras,
Está branca de padre-nossos.
Queimando a carne como brasas,
Venham as tentações daninhas,
Que eu lhes porei, bem sob asas,
A alma cheia de ladainhas.
Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Doce afago da alva plumagem!
Minh’alma morre aos solavancos
Nesta medonha carruagem...
Quando chegaste, os violoncelos
Que andam no ar cantaram no hinos.
Estrelaram-se todos os castelos,
E até nas nuvens repicaram sinos.
Foram-se as brancas horas sem rumo,
Tanto sonhadas! Ainda, ainda
Hoje os meus pobres versos perfumo
Com os beijos santos da tua vinda.
Quando te foste, estalaram cordas
Nos violoncelos e nas harpas...
E anjos disseram: — Não mais acordas,
Lírio nascido nas escarpas!
Sinos dobraram no céu e escuto
Dobres eternos na minha ermida.
E os pobres versos ainda hoje enluto
Com os beijos santos da despedida.
domingo, agosto 21, 2005
Motivo
Jardineiro
Dentro de cada um de nós,
Existe uma frágil semente,
Que se encontra adormecida,
Mas contém a poesia latente.
Jardineiro eu sou,
Que esta semente rega,
Que com ardor e confiança,
À palavra se apega.
Minhas lágrimas...
São a água que a faz crescer,
Meus suspiros...
São o ar que a faz viver.
Jardineiro eu sou,
Ao saber que existem rimas,
Logo preenchi o mundo,
Com várias, várias obras-primas.
Minha tristeza...
É o sustento que a nutre,
Meu ódio...
A corrói como um abutre.
Minha alegria...
Suas hastes revigora,
Minha solidão...
A floresce sem demora.
Jardineiro eu sou,
Resoluto, um jardim terei,
Um jardim feito de amor,
Um jardim digno de um rei.
sexta-feira, agosto 12, 2005
Minha musa inspiradora: Cecília Meireles
Liberdade
Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.
Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam "Liberdade, Igualdade e Fraternidade!". Nossos avós cantaram: "Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!"; nossos pais pediam: "Liberdade! Liberdade! - abre as asas sobre nós", e nós recordamos todos os dias que "o sol da liberdade em raios fúlgidos - brilhou no céu da Pátria..." - em certo instante.
Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.
Ser livre - como diria o famoso conselheiro... - é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho... Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado - é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)
Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.
Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso...).
Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!...) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!...
Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.
E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!...
São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.
Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos - linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel...
More friends in my life
Natália, a sonhadora.
Características: Uma garota dócil que conquista o coração dos outros por meio de desenhos e poemas maravilhosos, que consegue aliar a música ao desenho, que ama Queen como nada neste mundo, que fala "isso é uma dor fina", que às vezes briga comigo, mas "a gente conversa, a gente se entende". Enfim, que desenha certo em papéis molhados...
Bem, o que mais poderia descrever de alguém tão singular; sempre que a vejo tenho vontade de rir, não por ela ser uma palhaça, mas por ter seu jeito gracioso de viver, ela é diferente e eu, muitas vezes, não entendo isso. Queria que ela entendesse que meu temperamento é difícil, mas um dia ela se acostuma (hihihi).
Julia, a misteriosa
Características: Uma menina calma, quieta (até onde sei), que adora escutar Queen e tocar piano, inclusive toca muuuito bem Sonata ao luar de ludwig Van Beethoven. Espero poder conhecê-la melhor para posterior descrição mais bem feita.
quarta-feira, agosto 10, 2005
O mágico de Oz
A terra do sempre
“Somewhere over the rainbow, way up high. There’s a land that I heard of once in a lullaby…”
- Dorothy
Eu sei que existe um lugar,
Onde fica? Não sei dizer,
Além do céu, além do mar,
Além do sol ao entardecer.
Nesta terra de magia,
Correm rios de risadas,
Caem gotas de alegria,
De nuvens enchumaçadas.
Os problemas lá não existem,
As lágrimas que porventura houver,
São de anedotas que insistem,
Em tornar o riso nosso mister.
Como em toda e qualquer região,
Esta pátria possui capital,
Uma cidade de paz e união,
Onde há o bem-estar social.
Existe de tudo nesta terra,
Lagos, florestas, bosques, ilhas,
Oceanos, cascatas e serras,
E mais do que sete maravilhas.
Ainda existe um mar imponente,
Pélago semeado de bonança,
Da boa ventura é imanente,
Ver-lhe nos desperta esperança.
A etérea brisa que parte do mar,
Refrigera nossas almas,
Deixa-as todo mal ofuscar,
E ainda as mantêm calmas.
A porta de entrada desta terra,
É muito, muito do arco-íris acima,
Abre-se apenas quando não há guerra,
E é das boas coisas verdadeiro ímã.
Pássaros azuis que um dia,
Um dia avistei em meus sonhos pueris,
Voam, voam com primazia,
Sobre o arco-íris que me faz feliz.
Se voam os belos passarinhos,
Por que também não posso eu?
Se voam tão belos os bichinhos,
Por que não posso realizar sonho meu?
domingo, agosto 07, 2005
A viagem de Pedro
Só não sabíamos ainda o prêmio tamanho que ganharíamos: uma viagem para Aracati. Nossa, além de viajar para um hotel magnífico, composto de chalés, quadras, piscina e restaurante, eu viajaria com meus amigos, que tanto fazem parte de minha vida. A viagem ocorreu dia 5 de agosto, era para sairmos do colégio às 3 h, contudo, como temos muuuita sorte, saímos uma hora depois, devido ao fato do ônibus quase ter explodido. No ônibus, cantei, dormi, li, comi, e fiz tudo o que um jovem normal faria: bagunça!
Ao chegarmos em Aracati, recebemos uma pulseira que nos indicaria o chalé que nos instalaríamos. O meu chalé foi o 09 que ao contrário é 60! O das meninas, minhas amigas, Irina, Izabel, Julia e Natália foi o 12. Nem perdi tempo, queria aproveitar todo o tempo da viagem, fui logo jogar vôlei, foi demais! Depois fui nadar um pouco na piscina e presenciei a Lara com cãimbra no pé, posto que ela estava os usando para produzir um jato de água na minha direção (isso que dá tentar me agredir, hehehe).
Depois de nadar, troquei de roupa e fui me alimentar, inicialmente, iria comer sanduíches, mas meus "amigos" não fizeram o meu pedido e acabei por desistir de pedir algo numa fila quilométrica. Fui ao restaurante, que por sinal era careiro, mas possuía uma ótima comida. Acreditam que comi um porção para duas pessoas sozinho? O André e Lara, que me acompanharam, estão de testemunhas, 5 fatias de filé de frango grelhado, uma porção de legumes, dois copos de suco de laranja e uma tigela de arroz!!!! Depois fui jogar mau-mau com a Irina, Erasmo, Levi, Camila, Isadora, Samuel e Patrícia, tive que sair logo na primeir partida devido ao sono. Joguei uma sinuquinha e fui dormir à meia noite.
Acordei 6 em ponto da manhã e fui tomar café-da-manhã, estava tudo muito bom, a julgar pelo abacaxi que estava muito imaturo... Fui de novo à piscina,brinquei à vontade e me diverti à beça! O problema era o frio que estava a água e o vento que batia no meu corpo, estava tão congelante que cheguei a nem sentir minhas mãos e pernas, quase morria de hipotermia.
Resolvi ir jogar com minhas amigas, joguei burro e ganhei cinco vezes seguidas: pentacampeão!!! Depois não agüentei mais, chamei as meninas para conhecer os lugares, mas elas estavam tão absortas em ser sedentárias que nem quiseram, preferiram continuar na inércia delas, a única que se mostrou apta foi a Bia, então saí com ela para desmundar pelo hotel. Nossa Senhora, como o lugar é grande! Fomos aos tanques de pesque-e-pague e jogamos pedras na água para que elas pulassem na supefície que nem no filme "O fabuloso destino de Amelie Polan", a Bia conseguiu que uma pedra pulasse 4 vezes!!! Fomos também até o mangue (bem longe por sinal), onde vimos centenas de caranguejos vermelhos.
Bia e eu também entramos num dos tanques que estava seco, queríamos tirar fotos lá porque parecia o sertão nordestino com as lateritas. Quando estávamos no meio do tanque, um enxame de mosquitos assassinos, literalmente nos perseguiu, corremos desesperadamente e a Bia afundou o pé num lamaçal próximo ao final do tanque, caracas, era tão espessa e azulada a lama que nem sei explicar.
Deixei a Bia no banheiro pra ela lavar os pés e fui arrumar minhas coisas: íamos partir : ( . Fomos para a praia de Canoa Quebrada, e, no caminho, conhecemos lugares tombados pelo patrimônio histórico, em Aracati (que significa "bons ventos" na linguagem indígena). Almoçamos numa barraca da praia de Canoa e então conhecemos um pouco a praia, catei uns búzios e fomos embora. Na volta, tiramos muitas fotos e bebemos muita água. Eu, a Bia, a Nat, A Irina, Izabel e Julia combinamos de fazer uma viagem similar no final do ano (espero que aconteça!!!).Tirei duas fotos da Lia a pedido de Bia, pois Lia é muito legal. Passaram um filme que ninguém assistiu "supremacia de alguma coisa". Muito chato e monótono por sinal. Só sei que a viagem foi inesquecível e merece uma salva de palmas de quem está lendo.
sábado, julho 16, 2005
Desolação do sarcasmo ou simplesmente sarcasmo da desolação
domingo, maio 15, 2005
Enfim, voltei!!!
Há quanto tempo será que não explicito meus pensamentos através da rede mundial da internet? Há quanto tempo não consigo sair de minhas vicissitudes? Como diria meu "english teacher": That's a good question! Bem, vejamos, onde estava? Ah, sim! A minha volta será, quero dizer, é inevitável e iminente, uma pessoa humilde como eu (risos) deve sempre manter as coisas que faz, porque é odiável se começar algo e não terminar, imagine: eu nasço, estudo, cresço e simplesmente paro com tudo antes mesmo de terminar como deveria - isso é abominável!
Andei e peregrinei pelo mundo nessa interfase, não neste mundo material que estamos acostumados a ver, mas num mundo que EU criei e é através dele que pude observar o quanto eu fui/sou tolo. Sempre pensei que fosse uma pessoa instruída, no entanto, essa instrução não chega nem a um trilionésimo da sabedoria existente no univero. Fiquei triste. É duro você se desfazer da realidade que criou, por isso demorei muito para "renascer".
Assim como Gandalf pereceu e renasceu como um mago branco, eu pereci e renasci num outro mundo, mais próximo da realidade que o anterior, mas não renasci como um mago branco, e sim como um Pássaro (meu sonho sempre foi ser um...) que certas horas ascende no céu e perscruta o mundo silenciosamente ou mergulha de cabeça para vivenciá-lo mais de perto.
De certo modo, foi bom parar um pouco com tudo, precisava de um instante de sossego, a instabilidade me dominava por completo. Isso pode ser comprovado nos "posts" anteriores.
Para vocês, caros leitores, é difícil imaginar-me triste, não é? Na verdade, acho que os outros já têm tantos problemas que se fosse adicionado mais um tudo explodiria, por isso não gosto muito de confidenciá-los com quase ninguém. Os problemas são nossos, próprios de cada um: não necessitam de um outro dono, já basta que o seu portador sofra.
Agora estou feliz. Não porque estava triste. Não porque aconteceu algo inexplicável. Simplesmente porque percebi que a tristeza é inerente a mim, e certas horas ela deve fluir através de nós, tal qual nosso sangue. Mas um dia, com certeza ela cessará, pelo menos por alguns instantes, e nesse ínterim seremos os mais felizes do mundo.
That's all folks!!!