Certa vez, perguntaram-me: por que és poeta. E disse: nada melhor do que um poema para explicar, não é?
Jardineiro
Dentro de cada um de nós,
Existe uma frágil semente,
Que se encontra adormecida,
Mas contém a poesia latente.
Jardineiro eu sou,
Que esta semente rega,
Que com ardor e confiança,
À palavra se apega.
Minhas lágrimas...
São a água que a faz crescer,
Meus suspiros...
São o ar que a faz viver.
Jardineiro eu sou,
Ao saber que existem rimas,
Logo preenchi o mundo,
Com várias, várias obras-primas.
Minha tristeza...
É o sustento que a nutre,
Meu ódio...
A corrói como um abutre.
Minha alegria...
Suas hastes revigora,
Minha solidão...
A floresce sem demora.
Jardineiro eu sou,
Resoluto, um jardim terei,
Um jardim feito de amor,
Um jardim digno de um rei.
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