Estava eu sem fazer absolutamente nada em meu lar, quando deu por mim uma vontade, daquelas que não descansam até serem atendidas. Diria um impulso, meu espírito intelectual estava sedento de letras e eu não as encontrava há tempos. Decidi abrir o velho baú de minha casa e procurar um bom livro para deleitar-me; de várias opções, quis um livro infantil, cansei-me desses contos sombrios e que nos trazem infelicidades. Decidi por "Pollyanna" de Eleanor Porter. O livro é muito bom, recheado de humor e felicidades, coisa para nos satisfazer a alma. Pena que não tenho mais a ingenuidade de antes... O fato é que, algo me interessou no livro, Pollyanna, a protagonista, desenvolveu com o falecido pai um jogo: o "jogo do contente". Falar-vos-ei um pouco sobre tão interessante jogo:
"- Que coisa esquisita menina, Miss Pollyanna! A senhora fica contente de tudo que acontece! observou a criada lembrando-se das cenas do quartinho.
A menina sorriu.
- Pois é do jogo. Não sabe?
- Do jogo? Que jogo?
- O "Jogo do contente", não conhece?
- Quem é que botou isso na sua cabeça, menina?
- Papai. Papai explicou-me esse jogo, que é lindo, disse Pollyanna. Em casa brincávamos disso, desde que eu era assimzinha. Depois ensinei-o às damas da Auxiliadora e elas também brincavam de ficar alegres.
- Como é? Eu não entendo muito de jogos.
Pollyanna sorriu de novo, porém com suspiro - e sua face sombreou-se.
- Começou com umas muletas que vieram na barrica do missionário.
- Muletas?
- Sim, muletas. Eu queria uma boneca e papai havia escrito que a mandassem, mas quando a barrica chegou, não havia boneca nenhuma dentro e sim um par de muletinhas para criança. Foi então que o jogo principiou.
- Mas não estou vendo nenhum jogo nisso, disse Nancy quase irritada.
- Oh, o jogo é encontrar em tudo qualquer coisa para ficar alegre, seja lá o que for, explicou Pollyanna com toda seriedade. E começamos com as muletinhas.
- Eu não vejo como se possa ficar alegre de encontrar muletas em vez de bonecas. Não entendo.
A menina bateu palmas.
- Pois aí está o jogo! Eu também não via no começo e papai teve de esplicar-me.
- Pois então me explique o que lhe explicou.
- Sim. Fiquei alegre justamente porque não precisava delas, gritou Pollyanna exultante. Veja como o jogo é fácil quande se sabe."
mostro-vos para que entendais acerca da felicidade em todas as cousas.
domingo, janeiro 08, 2006
sábado, dezembro 31, 2005
Ano nováceo
Desejo o que qualquer desejaria,
Como um humano que pensa ser normal,
Como um alguém esperançoso seria,
como ninguém infeliz e sem moral.
Desejo que todas as lembranças,
Nocivas, tristes e enfadonhas,
Tornem-se súbitas esperanças,
Sem quaisquer dúvidas medonhas.
Desejo, pois, um Ano-Novo ao menos feliz,
Que pelo menos por uma fração de segundo,
Possamos abraçar juntos todo o mundo.
-Feliz Ano-Novo galera o/
Como um humano que pensa ser normal,
Como um alguém esperançoso seria,
como ninguém infeliz e sem moral.
Desejo que todas as lembranças,
Nocivas, tristes e enfadonhas,
Tornem-se súbitas esperanças,
Sem quaisquer dúvidas medonhas.
Desejo, pois, um Ano-Novo ao menos feliz,
Que pelo menos por uma fração de segundo,
Possamos abraçar juntos todo o mundo.
-Feliz Ano-Novo galera o/
domingo, dezembro 25, 2005
Papai Noel
É noite de Natal, não neva por aqui, mas caem pesados flocos de não-matéria:luz... O calor é tão abrasador que os desejos e anseios por Papai Noel viram desejos por um belo sorvete de chocolate com calda de morango. A brisa vespertina surge, então, como um aviso de que um dos períodos mais sagrados está para ser lembrado; o céu inflama, a noite é certa. E bem de perto da linha imaginária que divide a Terra em dois hemisférios, nós saudamos o nascimento de Cristo e a passagem de um velho gordo e vestido de vermelho distribuindo presentes pelo mundo em frações de segundo. Entretanto, poucos sabem que ele se veste de sunga para passar por aqui... Sendo assim, ainda possuído pelo espírito natalino (não precisam me exorcizar), eu desejo a todos um Feliz Natal.
domingo, dezembro 18, 2005
Murmúrio

Traze-me um pouco das
sombras serenas
que as nuvens transportam
por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas
vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da
alvura dos luares,
que a noite sustenta
no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua
lembrança, aroma perdido,
saudade da flor!
Vê que nem te digo:
esperança,
Vê que nem sequer sonho:
amor!
- Cecília Meireles
domingo, dezembro 11, 2005
O guarda-roupas

Faltava pouco para que o irmão terminasse a contagem. A menina estava quase desesperada, uma vez que não encontrava um esconderijo adequado. Edmond, seu irmão, havia lhe expulsado do único lugar que ela julgava decente para se esconder. Ela correu pelos vastos corredores do casarão, porta por porta, tentava entrar nos cômodos, mas todos se encontravam trancados à chave, parecia que a casa era à prova de crianças. Enquanto ela corria, o assoalho rangia proporcionalmente,o ranger dava a impressão de que a casa estava a rir do desespero da criança. Todos os outros irmãos deveriam estar devidamente escondidos, prontos para serem encontrados, ou para ganharem a brincadeira; somente ela, pobre Lucy, ainda não havia se escondido.
E quando suas ingênuas esperanças iam se esvair, a porta que tentou abrir, de súbito , abre-se num rangido tão longo e consternado quanto o do assoalho, como se a porta quisesse negar o privilégio que ela viria a ter, mas era iminente. A voz de Pedro ficou para trás, meio sufocada pelas paredes grossas e carcomidas do cômodo, ou talvez tenha sido a surpresa que a menina teve ao se deparar com uma sala praticamente vazia; uma grande janela permitia a entrada da luz, mas não do ar, o ambiente estava saturado de antigüidade e mofo. Só havia uma cousa no cômodo, estava encoberta por um lençol grande e branco, pelo menos era branco, pois agora estava amarelo de encardido.
A menina aproximou-se lentamente do objeto e, num gesto limítrofe entre o fascínio e a pressa, ela retira o lençol, que cai muito de leve no chão. Era um guarda-roupas, grande e pesado, ricamente talhado, mas muito comum à primeira vista. Após observar o guarda-roupas por alguns segundos, ela o abre. Não sabia que, dentro de pouco, ela experimentaria a maior aventura de sua vida. O móvel era apenas o começo, a chave de um mundo mágico e ansioso por ser visitado por filhos de Adão e Eva.
Mesmo receosa, Lucy entrou no guarda-roupas: a aventura estava lançada...
obs.: Por isso, caros leitores, não se espantem ao encontrar um mundo por dentro de vossos guarda-roupas, sejam apenas jovens de coração, que esse mundo se abrirá para vós.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Eu
O eu vivia muito distante,
nas terras ermas e longínquas,
Queria apenas um instante,
Para encontrar a saída.
Do espelho sem faces.
O eu vivia meio irresoluto,
Pelas marcas que haviam,
Em seu corpo, em seu luto,
Pela morte,
De outra parte.
O eu ansiava pela transição,
Entre o aqui e o agora,
Para uma suposta superação,
De um dilema,
Inconstante.
O eu cansou de esperar,
Pelas voltas de um mundo,
Que não o queria encontrar,
Simplesmente debruçou-se,
Sobre os pensamentos,
E divagou.
O eu não estava taciturno,
Apenas cansado em demasia,
Em seus devaneios noturnos,
Em sua etena poesia,
Ele suspirava,
Pelo momento certo.
O eu descansa sereno ,
Em seu fardo carregado,
Em seu desterro terreno,
Só aguarda paciente,
O instante certo para dizer:
eu.
nas terras ermas e longínquas,
Queria apenas um instante,
Para encontrar a saída.
Do espelho sem faces.
O eu vivia meio irresoluto,
Pelas marcas que haviam,
Em seu corpo, em seu luto,
Pela morte,
De outra parte.
O eu ansiava pela transição,
Entre o aqui e o agora,
Para uma suposta superação,
De um dilema,
Inconstante.
O eu cansou de esperar,
Pelas voltas de um mundo,
Que não o queria encontrar,
Simplesmente debruçou-se,
Sobre os pensamentos,
E divagou.
O eu não estava taciturno,
Apenas cansado em demasia,
Em seus devaneios noturnos,
Em sua etena poesia,
Ele suspirava,
Pelo momento certo.
O eu descansa sereno ,
Em seu fardo carregado,
Em seu desterro terreno,
Só aguarda paciente,
O instante certo para dizer:
eu.
terça-feira, dezembro 06, 2005
Canção

Quero um dia para chorar,
Mas a vida vai tão depressa!
- e é preciso deixar contida,
a tristeza para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.
Não quero amor, não quero amar,
Não quero nenhuma promessa,
Nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
Nem mesmo de quanto regressa,
Quero um dia para chorar.
Quero um dia para chorar,
Um dia para despedir-me dessa,
Aventura mal entendida,
sobre os espelhos sem saída,
Em que jaz minha face impressa,
Chorar sem protestos. Chorar.
- Cecília Meireles
domingo, dezembro 04, 2005
Lia
Poema em homenagem a uma amiga muito especial. Sempre quis fazer um poema com o seu nome, agora vai:
Lia
Sorria lia
Lia sorria
Em sua alegria
Em sua magia
Em seu viver.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sabia Lia,
Da profecia,
Em seu dia-a-dia,
Pura simpatia,
Puro saber.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sentia Lia,
Grande nostalgia,
Grande ventania,
No alma e na via,
Do etéreo sofrer.
Lia,
Dia de nostalgia,
Dia de viver
Sabia Lia,
Que a melancolia,
Ela transporia,
Com primazia,
Com seu crescer.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Lia,
Sempre seria,
A profilaxia,
A mitologia,
Máxima utopia,
Da vida e do ser!
Lia
Sorria lia
Lia sorria
Em sua alegria
Em sua magia
Em seu viver.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sabia Lia,
Da profecia,
Em seu dia-a-dia,
Pura simpatia,
Puro saber.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Sentia Lia,
Grande nostalgia,
Grande ventania,
No alma e na via,
Do etéreo sofrer.
Lia,
Dia de nostalgia,
Dia de viver
Sabia Lia,
Que a melancolia,
Ela transporia,
Com primazia,
Com seu crescer.
Lia,
Dia de alegria,
Dia de viver
Lia,
Sempre seria,
A profilaxia,
A mitologia,
Máxima utopia,
Da vida e do ser!
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Presença em Pompéia

Pompéia, localizada a 220 quilômetros da capital italiana - duas horas e meia de trem - a antiga colônia grega e romana, que foi soterrada pelo entulho de lavas e cinza expelidos pelo vulcão Vesúvio há quase dois mil anos, continua sendo um dos achados arqueológicos mais importantes do mundo antigo. Em uma área de 66 hectares, é possível encontrar ainda em razoável estado de conservação os anfiteatros e termas, as pinturas nas paredes das casas da velha cidade e, até, corpos endurecidos pela lava. Atração de turistas de todas as partes, Pompéia tornou-se rota de viagem por sua fantástica história. A tragédia acabou com a vida da cidade no ano 799 de nossa era (a Cristã). Mas, ela entrou para a eternidade após a catástrofe que a jogou no esquecimento por mais de dez séculos.
Cecília Meireles, em sua magnificência e honorabilidade, fez um poema em homenagem à vida das pessoas... que tragicamente foi tirada delas.
Presença em Pompéia
Esta conta não pagarás:
- ficará sob uma cinza que não sabes.
Sob a cinza que ainda não sabes
ficará teu filho por nascer
e também os meninos que já sabiam desenhar nos muros.
Ficarão os figos que ontem puseste na cesta.
Ficarão as pinturas da tua sala
e as plantas do teu jardim, de estátuas felizes,
sob a cinza que não sabes.
Os gladiadores anunciados não lutarão
e amanhão não verás, próximo às termas,
a mulher que desejavas.
Tu ficarás com a chave da porta na mão;
tu, com o rosto da amada no peito;
amo e servo se unirão, no mesmo grito;
os cães se debaterão com mordaças de lava;
a mão não poderá encontrar a parede;
os olhos não poderão ver a rua.
As cinzas que não sabes voarão sobre Apolo e Ísis.
E uma noite ardente, a que se prepara,
enquanto a luz contorna a coluna e o jato d'água:
- a luz do sol que afaga pela última vez as roseiras verdes.
Reflitam sobre suas vidas, e dêem mais valor a ela...
quarta-feira, novembro 30, 2005
Maria
Maria luzia na vida,
Maria, singela, sorria,
Maria do néctar bebia,
E comia sagrada ambrosia.
Maria, divina, cantava,
Seus cantos, tão pueris,
Tão soltos, ela entoava,
Louvores de um tempo feliz.
Maria, soneto de dor,
Tão pobre materialmente,
Tão rica em seu amor,
Do sofrer tão imanente...
Maria, gesto solitário,
Fulgura num mundo tristonho,
A cura ela tem dentro dela,
Maria até parece
Um sonho!
Maria, singela, sorria,
Maria do néctar bebia,
E comia sagrada ambrosia.
Maria, divina, cantava,
Seus cantos, tão pueris,
Tão soltos, ela entoava,
Louvores de um tempo feliz.
Maria, soneto de dor,
Tão pobre materialmente,
Tão rica em seu amor,
Do sofrer tão imanente...
Maria, gesto solitário,
Fulgura num mundo tristonho,
A cura ela tem dentro dela,
Maria até parece
Um sonho!
domingo, novembro 27, 2005
Medo
Mais um ano passa, meus amigos se vão... Esperanças se esvaem, quero fugir, mas para onde? Seria intolerável uma fuga para o íntimo, cuja escuridão impera indelével... Seria inadmissível morrer com minhas próprias mãos, algo tão egoísta. Seria, enfim, impensado. Terei de, em menos de meses, decidir o destino de minha vida e....e....eeeee faltam me os estímulos, a vontade! Não sei para onde escapar, realmente não sei. Acredito que irei me tornar mais um garoto medíocre que se contenta com o pouco, quero chorar... mas as lágrimas não saem, nunca mais saíram depois daquele dia. Que tal ouvir uma música? Tentarei, sim, ao máximo não me entregarei ao desespero, preciso viver.
sábado, novembro 26, 2005
Sobre um sonho perdido

Aqui, dois textos sobre pássaros/sonhos perdidos. Sei, acima de tudo, que é triste, mas nem sempre mostra-vos-ei a verdade feliz, venturosa...
"Oceanside IX (To a dead loon)
I’m sorry to see, Mr. Loon
that you are here all alone,
sprawled on your side in the surf,
waves flowing endless
through mottled drenched feathers,
your legs parchment twigs,
your eyes unseeing,
your half-open beak
now buried in surf and the sand.
If you were alive
you’d think it undignified
to have someone like me
approach you so close
and gawk at what’s left
of your once-birdlike splendor.
I promise,
I shall remember you
in your better days."
- Jon Bohrn
"Metamorfose
Súbito pássaro
dentro dos muros
caído,
pálido barco
na onda serena
chegado.
Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.
E imensamente
o navegante
mudado.
Seus olhos densos
apenas sabem
ter sido.
Seu lábio leva
um outro nome
mandado.
Súbito pássaro
por altas nuvens
bebido.
Pálido barco
nas flores quietas
quebrado.
Nunca, jamais
e para sempre
perdido
o eco do corpo
no próprio vento
pregado."
- Cecília Meireles
segunda-feira, novembro 21, 2005
Análise Quantitativa da rotina
Acordei e eram 9:30,
Levantei-me com velocidade média de 0,005 metros por segundo,
Calcei meus 2 chinelos e bocejei 3 vez seguidas,
Dirigi-me ao banheiro situado a 2,5 metros de distância da cama,
Escovei meus 28 dentes com uma escova na qual possuía 350 cerdas,
Urinei 1,5 litros de urina e dei uma descarga,
Lavei minhas 2 mãos e as enxuguei com 1 toalha.
Fui à cozinha preparar meu café-da-manhã:
4 pães integrais,
2 ovos mexidos,
2 copos de suco,
e 3 colheres de açúcar.
Saí da cozinha e fui trocar de roupa,
Após isso fui ao colégio, esse situado a 3745 metros de minha casa,
Assisti 6 aulas em 300 minutos, sendo que cheguei 30 minutos mais cedo,
Na aula de geografia, desperdicei 12 bocejos,
Na aula de Biologia, desperdicei 15 bocejos e 1 soneca básica,
Na aula de Química, usei com primazia meus milhões neurônios,
Na aula de Matemática, os números inundaram minha mente,
Saí eram 12:50 da tarde,
Peguei o ônibus e paguei 0.80 reais,
sentei em um dos 41 assentos do veículo,
Observei os mais de 145 prédio existentes entre meu lar e a escola,
Cheguei em casa, almocei e dormi,
Dormi cerca de 4 horas,
Acordei eram 5:30 da tarde,
Estudei 17páginas do livro de Química,
Resolvi 30 exercício propostos,
Jantei, escovei os dentes, tomei banho,
E dormi às 10:30.
(Sonhei com 334 carneirinhos)...
Levantei-me com velocidade média de 0,005 metros por segundo,
Calcei meus 2 chinelos e bocejei 3 vez seguidas,
Dirigi-me ao banheiro situado a 2,5 metros de distância da cama,
Escovei meus 28 dentes com uma escova na qual possuía 350 cerdas,
Urinei 1,5 litros de urina e dei uma descarga,
Lavei minhas 2 mãos e as enxuguei com 1 toalha.
Fui à cozinha preparar meu café-da-manhã:
4 pães integrais,
2 ovos mexidos,
2 copos de suco,
e 3 colheres de açúcar.
Saí da cozinha e fui trocar de roupa,
Após isso fui ao colégio, esse situado a 3745 metros de minha casa,
Assisti 6 aulas em 300 minutos, sendo que cheguei 30 minutos mais cedo,
Na aula de geografia, desperdicei 12 bocejos,
Na aula de Biologia, desperdicei 15 bocejos e 1 soneca básica,
Na aula de Química, usei com primazia meus milhões neurônios,
Na aula de Matemática, os números inundaram minha mente,
Saí eram 12:50 da tarde,
Peguei o ônibus e paguei 0.80 reais,
sentei em um dos 41 assentos do veículo,
Observei os mais de 145 prédio existentes entre meu lar e a escola,
Cheguei em casa, almocei e dormi,
Dormi cerca de 4 horas,
Acordei eram 5:30 da tarde,
Estudei 17páginas do livro de Química,
Resolvi 30 exercício propostos,
Jantei, escovei os dentes, tomei banho,
E dormi às 10:30.
(Sonhei com 334 carneirinhos)...
sábado, novembro 19, 2005
A vida é uma senóide
"Somos a marca da efemeridade da natureza racionalizada"
- um tolo.
E estando ali, naquela devassidão de blasfêmias jogadas pelo aposento, ele sai. Mas o faz lentamente, de modo que os presentes, em seu total frenesi, sequer perceberam a ausência de um dos membros da família.
Caminhando pelos corredores escuros da casa ele tem um momento de divagação: simplesmente sente-se transcendental, como uma etérea chama que palpita no coração do vento.
Era noite, o céu estava quase claro e as nuvens fugidias passavam. A lua, insólita, fulgia no céu, seus raios refletidos nela passavam e percorriam milhões de quilômetros pelo vácuo, atravessavam a atmosfera e, finalmente, batiam nele. Talvez tamanho percurso dos raios tenham-no inspirado profundamente.
Ele decidiu sair da casa; deu meia-volta nos corredores e chegou até o quintal do fundo. O silêncio serenava o momento, a briga que se dava no interior da casa era sufocada pelas paredes frias da sala (talvez os corações que pulsavam nela tenham se identificado com elas). Naquele instante era ele e o universo, o etéreo e o eterno.
Incrível pensar como o mundo conspirava para que ele, naquele dia em especial, saísse da casa e contemplasse a noite. Nunca ele havia visto as nuvens passar tão depressa, feito nossas almas na sua passagem pela terra. E quando as nuvens passavam pela lua, uma aura tênue e brilhante surgia ao redor dela, como um sinal de que nós, humanos, devamos esquecer os desenlaces materiais, meras marcas de nossa imaturidade.
Para melhor visualizar tamanho espetáculo no céu, deitou-se no chão. E encostado sobre as lajotas frias ele percebeu o quanto seu coração era vivo (e cálido)... Os minutos, as horas, o tempo não significavam nada perante a integridade da existência dele. Quantas vezes, teria ele de enxergar através do véu da limitação humana, da vã filosofia que nos cega da Verdade? Quantas vezes teria de marcar sua vinda a esse mundo (e outros além-sol)?
Contemplou as estrelas: "mil sóis a divagar no espaço"- murmurou ele um verso de Gonçalves. Mil sóis e milhares de mundos a serem desbravados pelo nosso cerne. Pensou que naquele momento o tudo era uno; era ali que foi feliz (e ele sabia disso, diferente de muitos).
E deitado no chão de um quintal numa noite singela, ele chorou; não pelos gritos que se asfixiavam na casa, mas pela oportunidade de saber, pelo menos um pouco, da Verdade do mundo...
- um tolo.
E estando ali, naquela devassidão de blasfêmias jogadas pelo aposento, ele sai. Mas o faz lentamente, de modo que os presentes, em seu total frenesi, sequer perceberam a ausência de um dos membros da família.
Caminhando pelos corredores escuros da casa ele tem um momento de divagação: simplesmente sente-se transcendental, como uma etérea chama que palpita no coração do vento.
Era noite, o céu estava quase claro e as nuvens fugidias passavam. A lua, insólita, fulgia no céu, seus raios refletidos nela passavam e percorriam milhões de quilômetros pelo vácuo, atravessavam a atmosfera e, finalmente, batiam nele. Talvez tamanho percurso dos raios tenham-no inspirado profundamente.
Ele decidiu sair da casa; deu meia-volta nos corredores e chegou até o quintal do fundo. O silêncio serenava o momento, a briga que se dava no interior da casa era sufocada pelas paredes frias da sala (talvez os corações que pulsavam nela tenham se identificado com elas). Naquele instante era ele e o universo, o etéreo e o eterno.
Incrível pensar como o mundo conspirava para que ele, naquele dia em especial, saísse da casa e contemplasse a noite. Nunca ele havia visto as nuvens passar tão depressa, feito nossas almas na sua passagem pela terra. E quando as nuvens passavam pela lua, uma aura tênue e brilhante surgia ao redor dela, como um sinal de que nós, humanos, devamos esquecer os desenlaces materiais, meras marcas de nossa imaturidade.
Para melhor visualizar tamanho espetáculo no céu, deitou-se no chão. E encostado sobre as lajotas frias ele percebeu o quanto seu coração era vivo (e cálido)... Os minutos, as horas, o tempo não significavam nada perante a integridade da existência dele. Quantas vezes, teria ele de enxergar através do véu da limitação humana, da vã filosofia que nos cega da Verdade? Quantas vezes teria de marcar sua vinda a esse mundo (e outros além-sol)?
Contemplou as estrelas: "mil sóis a divagar no espaço"- murmurou ele um verso de Gonçalves. Mil sóis e milhares de mundos a serem desbravados pelo nosso cerne. Pensou que naquele momento o tudo era uno; era ali que foi feliz (e ele sabia disso, diferente de muitos).
E deitado no chão de um quintal numa noite singela, ele chorou; não pelos gritos que se asfixiavam na casa, mas pela oportunidade de saber, pelo menos um pouco, da Verdade do mundo...
quarta-feira, novembro 16, 2005
If I were

If I were a star, I would shine for the lonely hearts,
If I were a brigde, I would link the nostalgic hands,
If I were a book, I would open the eager minds,
If I were a key, I would unbolt the Holy Lands.
If I were a hug, I would unfreeze the timid bodies,
If I were the Wind, I would bring the relief to the distressed soul,
If a were a tear, I would tear the strength of the unknown Truth,
If I were a plant, with my solitude I would grow.
If I were a dream, I would divide myself untill my end,
If I were a nightmare, the weak men I would bind,
If I were a cloud, my life and my fate like wind on the sand.
If I were a sky, in another world I would try,
Try to forgive the foolish human minds,
Or perhaps If I were a bird I would fly across this sky...
Bem, isso foi um tema do concurso de redação do ano re-retrasado, nem sabia o que era concurso na época, muito menos de inglês... Resolvi fazer um texto com essa temática, pois a adorei, o tema é "If I were". Gostaram? Não liguem para meu inglês, foquem-se no real sentido dele... (é meu segundo poema em inglês).
terça-feira, novembro 15, 2005
Não sei
Vão-se as partículas expletivas,
Complexos sinaptonêmicos,
Membranas conjutivas,
Males endêmicos,
Expansões adiabáticas,
Progressões aritméticas,
Páginas de gramáticas,
Cadeias poliméricas.
Soma de cossenos,
Energias mecânicas,
Isomeria de alcenos,
Células galvânicas.
Retículos endoplasmáticos,
Colocação pronominal,
Sólidos prismáticos,
Movimento vertical.
Vão-se as matérias,
Fica o conhecimento,
Mesmo que nas artérias,
Mesmo que no momento,
Mesmo que...
Num breve intento,
Eu diga,
Não sei.
Complexos sinaptonêmicos,
Membranas conjutivas,
Males endêmicos,
Expansões adiabáticas,
Progressões aritméticas,
Páginas de gramáticas,
Cadeias poliméricas.
Soma de cossenos,
Energias mecânicas,
Isomeria de alcenos,
Células galvânicas.
Retículos endoplasmáticos,
Colocação pronominal,
Sólidos prismáticos,
Movimento vertical.
Vão-se as matérias,
Fica o conhecimento,
Mesmo que nas artérias,
Mesmo que no momento,
Mesmo que...
Num breve intento,
Eu diga,
Não sei.
domingo, novembro 13, 2005
Insapiência
Não tenho palavras para expressar o que sinto, simplesmente elas não vêm...Toma-me de súbito um certo desespero ordinário, daqueles que valem tão menos quanto o seu criador. As palavras, ditosas e matreiras, são feito pombas: vêm quando querem para se alimentarem de nossa sabedoria e partem quando bem entenderem; eu não passo de um mantenedor de pássaros vagabundos e que, inexoravelmente, depende desses para viver. Aparece, pois, uma evidente antítese existêncial, marcada pelo apego ao "etéreo palavrear" e ao desapego (ou tentativa) ao cárcere "palavreário". Sendo assim, recuso-me a aceitar tal verdade e fecho-me em meu calar. Talvez assim não possa degolar esse silêncio com a navalha de minhas palavras supérfluas e imanentes a mim...
quarta-feira, novembro 09, 2005
Caminho
"Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram
lúcido pranto
pelo chão."
- Cecília Meireles
Caminho resoluto pelas sendas
da vida]
Sigo em frente ciente dos vindouros
problemas]
De repente, percebo que não tenho
saída]
Para os meus hipotéticos e inegáveis
dilemas]
Caminho sozinho pelos trilhos
do saber]
Mergulhado em infinitos Teoremas frios e
sem amor]
Mas percebo que no meu caminhar e
desconhecer]
Olhos tímidos me seguem com extremo
extremo fervor]
E pensando nos olhos que vêm a
me seguir]
Vejo no futuro a partilha de uma vida
de união]
Num numa nova estrada passarei a
sorrir]
Decerto tal caminho seja menos
tenebroso]
E a luz daqueles olhos venham a
iluminá-lo]
Fazendo do meu destino um caminho
primoroso]
e os meus sonhos choveram
lúcido pranto
pelo chão."
- Cecília Meireles
Caminho resoluto pelas sendas
da vida]
Sigo em frente ciente dos vindouros
problemas]
De repente, percebo que não tenho
saída]
Para os meus hipotéticos e inegáveis
dilemas]
Caminho sozinho pelos trilhos
do saber]
Mergulhado em infinitos Teoremas frios e
sem amor]
Mas percebo que no meu caminhar e
desconhecer]
Olhos tímidos me seguem com extremo
extremo fervor]
E pensando nos olhos que vêm a
me seguir]
Vejo no futuro a partilha de uma vida
de união]
Num numa nova estrada passarei a
sorrir]
Decerto tal caminho seja menos
tenebroso]
E a luz daqueles olhos venham a
iluminá-lo]
Fazendo do meu destino um caminho
primoroso]
sábado, novembro 05, 2005
Utopias...
Estou a pensar acerca das utopias humanas: quimeras da nossa alma, profundezas dos nossos pensamentos. São tão variadas, tão mistas, tão ímpares, singulares, cheias de tão's que nos deixam meio confusos, afinal, são utopias ou são profecias? Concretizar-se-ão em nossa fugidia existência ou permanecerão inertes em nosso íntimo, donde nunca haverão de ver a luz do amanhecer da realidade?
Decerto que já vos falei, caros leitores, sobre a felicidade e suas características não muito sólidas. De agora em diante, amplio meus conceitos para utopias, que nada passam de um caminho para a felicidade propriamente dita...mas, o que seria a felicidade mesmo? Será que é um estado supremo de nossa vida, onde nossos problemas desaparecerão? Não, a felicidade é tão inconstante quanto o mundo; ela vem e vai, como uma onda na praia. Estamos tão absortos em viver, em simplesmente ser, que nos esquecemos da verdadeira essência do Ser. Esquecemo-nos das utopias, hoje as banalizamos: eu amo isto, eu amo aquilo, o meu sonho é isto...
Quem sabe eu até esteja enganado, talvez o amor destas pessoas que amam o fútil, o supérfluo seja verdadeiro e , conseqüentemente, elas o são, mas talvez esteja correto e o Amor, a máxima utopia, esteja sendo reduzido a meras conversar fúteis.
Não afirmo que o amor seja algo inalcançável, mas digo que hoje em dia está cada vez mais distante de nós. A correria, a pressa, os desejos carnais, a violência...tudo contribui para que se dissemine a mácula no amor que estamos aptos a sentir. E o que nos resta é uma parcela do amor que, desesperadamente, queremos que seja o verdadeiro. Talvez esta expectativa para um amor perfeito acabe por deixá-lo imperfeito, pode ser uma antítese mal elaborada, mas creio que seja a verdade. O amor e a felicidade são feito flores: quando os possuímos, quero dizer, sentimos, não nos importamos muito (às vezes nem notamos), mas quando se vão, sentimos profundo pesar. E é perdendo que notamos o quanto fomos tolos e o quanto somos mortais.
Essa história de "sou feliz e não sabia" é pura baboseira, se tivéssemos realmente prestado atenção, teríamos conseguido agarrar a felicidade ou o amor enquanto podíamos e teríamos nos deleitado até fartar. Mas, como já disse, estamos absortos em viver e nos desligamos da real essência do Ser. Quem assistiu "o fabuloso destino de Amelie Poulain"? Este filme foi o melhor que já vi, uma mulher, Amelie, é feliz e sabe que é, pois consegue extrair, absorver a felicidade das pequenas coisas da vida. E, no final, consegue uma FELICIDADE junto com um AMOR. Não é coisa de filme, também somos capazes disso, mas nossa vã filosofia não permite que tenhamos tal intento...
Decerto que já vos falei, caros leitores, sobre a felicidade e suas características não muito sólidas. De agora em diante, amplio meus conceitos para utopias, que nada passam de um caminho para a felicidade propriamente dita...mas, o que seria a felicidade mesmo? Será que é um estado supremo de nossa vida, onde nossos problemas desaparecerão? Não, a felicidade é tão inconstante quanto o mundo; ela vem e vai, como uma onda na praia. Estamos tão absortos em viver, em simplesmente ser, que nos esquecemos da verdadeira essência do Ser. Esquecemo-nos das utopias, hoje as banalizamos: eu amo isto, eu amo aquilo, o meu sonho é isto...
Quem sabe eu até esteja enganado, talvez o amor destas pessoas que amam o fútil, o supérfluo seja verdadeiro e , conseqüentemente, elas o são, mas talvez esteja correto e o Amor, a máxima utopia, esteja sendo reduzido a meras conversar fúteis.
Não afirmo que o amor seja algo inalcançável, mas digo que hoje em dia está cada vez mais distante de nós. A correria, a pressa, os desejos carnais, a violência...tudo contribui para que se dissemine a mácula no amor que estamos aptos a sentir. E o que nos resta é uma parcela do amor que, desesperadamente, queremos que seja o verdadeiro. Talvez esta expectativa para um amor perfeito acabe por deixá-lo imperfeito, pode ser uma antítese mal elaborada, mas creio que seja a verdade. O amor e a felicidade são feito flores: quando os possuímos, quero dizer, sentimos, não nos importamos muito (às vezes nem notamos), mas quando se vão, sentimos profundo pesar. E é perdendo que notamos o quanto fomos tolos e o quanto somos mortais.
Essa história de "sou feliz e não sabia" é pura baboseira, se tivéssemos realmente prestado atenção, teríamos conseguido agarrar a felicidade ou o amor enquanto podíamos e teríamos nos deleitado até fartar. Mas, como já disse, estamos absortos em viver e nos desligamos da real essência do Ser. Quem assistiu "o fabuloso destino de Amelie Poulain"? Este filme foi o melhor que já vi, uma mulher, Amelie, é feliz e sabe que é, pois consegue extrair, absorver a felicidade das pequenas coisas da vida. E, no final, consegue uma FELICIDADE junto com um AMOR. Não é coisa de filme, também somos capazes disso, mas nossa vã filosofia não permite que tenhamos tal intento...
terça-feira, novembro 01, 2005
Cântico dos cânticos
Não sejas o de hoje.Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faça-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a eternidade.
És tu.
- Cecília Meireles, a poetisa mais transcendental que tive a o ensejo de conhecer; tão profunda quanto o universo. ;)
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