segunda-feira, maio 02, 2016

O presente de Krishna

Ao entardecer de uma tarde plena, eis que o Senhor Krishna encontrava-se absorto tocando sua flauta - companheira inseparável- encostado a uma grande figueira de raízes protuberantes. As notas saíam doces e melodiosas de seus dedos hábeis e amainavam a floresta. Os animais também se aproximavam para ouvir aquele som. Tigres, bois, vacas, macacos, pássaros de todo tipos. Silenciosamente chegavam e admiravam a vibração que misteriosamente entrava em harmonia com o cosmos. Seres humanos que passavam pelas cercanias também sentiram a vibração cósmica e foram procurar a fonte de tamanho esplendor. Um rei, um brâmane e uma camponesa foram os felizardos. Ao aproximarem-se de Krishna, ainda espantados com a quantidade de animais e o silêncio que imperava na floresta, o reverenciaram e prostraram-se a seus pés. Percebendo a aproximação dos humanos, Krishna interrompeu sua melodia.
- Levantem-se, meus filhos. - Pediu docemente Krishna.
- Oh, amado, Senhor Krishna, todas as minhas riquezas não são suficientes para oferecer-lhe em troca do prazer proporcionado por tão doce melodia... - disse o rei enquanto lágrimas escorriam de sua face.
- Eu também, amado Senhor, lhe digo que nem todas as minhas orações e mantras juntos podem ser suficientes para tal intento. - disse o brâmane aos soluços.
- Não tenho nada a lhe oferecer, meu amado senhor, apenas minha humilde devoção. - falou a camponesa de cabeça baixa.
Neste momento, uma faísca brilhou nos olhos de Krishna. Com um sinal de cabeça, ele fez com que todos os animais voltassem à imensidão negra da floresta. O farfalhar das árvores e sons habituais voltaram a reinar. Ele então se sentou em cima da raiz da figueira e disse:
- Amanhã eu prepararei um banquete em celebração ao solstício de verão. Gostaria de que viessem amanhã até o topo do monte Govardhana e trouxessem alimentos. Eu ficarei muito feliz e darei um presente a quem trouxer o alimento mais auspicioso. - dizendo isso, o Senhor Krishna desapareceu sem que os três devotos pudessem perceber. Ao darem conta de que estavam a sós na escuridão da floresta, cada um tomou seu rumo.
No dia seguinte, cada um dos três devotos preparou o que tinha de melhor para levar ao Senhor Krishna. O rei havia encomendado os pratos mais caros e saborosos das redondezas e partiu para o monte Govardhana antes do entardecer com alguns servos que o carregavam e aos alimentos também. O brâmane esvaziou a despensa de sua casa e pediu que seus discípulos carregassem os alimentos partindo também para o monte Govardhana quando o sol já havia começado a se pôr. A camponesa não tinha quase nada que pudesse levar, tinha dois pedaços de pão velho que ela havia guardado para comer naquele dia. Decidiu levá-los e partiu para o monte quando o sol já estava a dividido ao meio no horizonte em seu crespúsculo.
Curiosamente, havia somente um único caminho rumo ao topo do monte Govardhana, mas nenhum dos três devotos cruzou caminhos. O Rei, logo no início da caminhada, deparou com um bezerro à beira da estrada. Estava sozinho e parecia com muita fome.
- Afastem esse animal do caminho e passemos logo, o Senhor Krishna nos espera! - bradou o rei aos seus servos. - o séquito passou célere pelo animal que agonizava de fome e partiu monte acima.
Ao mesmo tempo que aquilo acontecia, uma anciã em outro ponto do caminho, cruzou o caminho do brâmane e implorou por um pouco de comida:
- Oh, nobre senhor. Estou há muito tempo sem comer, poderias dar-me um pouco de comida?
O brâmane ouviu nervosamente o pedido da anciã. Enquanto apressava seus discípulos a acelerarem o passo da jornada, explicou para a senhora.
- Certamente que eu lhe ajudaria, mas sinto lhe informar que o que tenho disponível aqui é de propriedade do Senhor Krishna.
- O Deus Krishna? O Senhor que a tudo vê e sabe?
- Sim! Ele mesmo! - gritou o brâmane enquanto enxugava o suor da testa.
- Mas certamente ele cederia um pouco para uma pobre devota Dele!
- De jeito nenhum! Apresse o passo que logo chegarás na cidade! Tome e compre algo lá - O brâmane entregou duas moedas de cobre à senhora, que já parecia desfalecer de tanta fome, e partiu monte acima. A senhora agachou-se em prantos e assim permaneceu enquanto o brâmane subia o morro.
Também na mesma hora, em outro ponto da estrada, um menino desconsolado surgiu e interrogou a camponesa:
- Senhora! Podes dar algo para eu comer? Já não sei o que é comer faz tempo.
- Claro, meu filho, aproxime-se - e entregou um dos pedaços de pão ao menino. O pedaço foi imediatamente devorado.
- Ainda estou com muita fome, o que resta para mim? - a face do menino já parecia menos assustadora, uma leve aura de alegria permeava-lhe a face.
- Oh, ainda tenho um pedaço de pão... Ele seria oferecido a um Grande Mestre, mas creio que tu tens mais pressa. - E pôs seu último pedaço na boca da criança. Dando pulos de felicidade, a criança desceu a estrada entoando uma doce canção. A camponesa seguiu morro acima ainda atordoada pelo que acabava de acontecer.
Estranhamente, o caminho foi muito mais árduo e tortuoso para o rei. Seus servos estavam exaustos e não conseguiam mais carregar o banquete. Imploravam para ter um pouco da comida, mas foram enxotados pelo rei e saíram correndo. Da mesma forma, o brâmane caminhou horas a fio e não conseguia avistar o topo do monte. Seus discípulos caíram ao chão e pediram um pouco de água. O brâmane gritou que aquilo era um pecado sem tamanho e expulsou os discípulos da estrada. Apenas a camponesa rapidamente alcançou o topo da montanha. Avistou o Senhor Krishna sentado em posição de lótus sobre uma grande pedra. Ao seu redor, havia vários animais. Serenamente ele fala:
- Aconchegue-se, minha filha, estava esperando por ti.
E começa a tocar sua flauta uma melodia. A canção fez a camponesa esquecer de todos os seus problemas e a deixou em transe.
Horas depois, o rei e o brâmane chegam. Carregando os restos do banquete que antes haviam reservado, prostram-se diante de Krishna, que imediatamente para de tocar a flauta. A camponesa acorda como se despertasse de um sonho.
- Ora, vejamos. Agora que os três estão diante de mim, mostrem-me seus alimentos.
O rei, ainda resfolegando de tanto caminhar, abriu uma grande sacola que revelou vários tipos de frutas, verduras e sementes. Vendo o que lhe era ofertado, Krishna assume uma postura séria e brada em alta voz:
- Tinhas tudo isso e mesmo assim ainda não me alimentaste?!
- Como, meu amado Senhor? Aqui te trago minhas melhores frutas...
- Negaste comida para mim logo no início de tua jornada, eu estava sob a forma do bezerro. Meu corpo agonizava de fome! E mais tarde ainda negaste para mim, que estava sob a forma de teus servos!
- Oh, senhor, perdoai-me! - e prostra-se deitado ao chão.
- E tu, brâmane, que tens?
O brâmane estava assustado com a cena que presenciava. Abrindo uma bolsa de couro, desata a falar:
- Meu amado Krishna, aqui estão algumas frutas que trouxe para Ti.
Impassível, Krishna diz:
- Tu também me negaste comida quando eu estava sob a forma daquela anciã. Mais tarde ainda me negaste enquanto eu estava sob a forma de teus discípulos! Como me deixas desamparado dessa forma?
- Mas eu Te entreguei umas moedas para comprar dinheiro na cidade!
- Deves saber a diferença entre o agora e o porvir!
- Oh, senhor, tende piedade de mim! - e também se prostra diante de Krishna.
- E tu, minha filha, que tens para mim?
- Nada, meu Senhor. Nada! - e desata em choro. Krishna a abraça e diz:
- É aí que te enganas. Foi quando mais precisei que me alimentaste sob a forma de um garoto. Tu trouxeste o mais valioso alimento que poderia pedir a um filho meu, o amor. Que isto lhes sirva de lição, rei e brâmane! Agora vão, a jornada de vocês continua!
Os dois devotos saíram de cabeça baixa morro abaixo. A camponesa não acredita no que via. Dois devotos ditos de classe superior a ela partiam e ela, uma simples moça do campo, ficou ao lado de Krishna.
- Dize-me agora, pequena, o que queres de mim? Riquezas? Salvação? Libertação dos tormentos da reencarnação?
A camponesa então prostra-se diante de Krishna e sem hesitar lhe pede:
- Oh, meu amado Senhor. Eu só gostaria de poder Te acompanhar aonde fores!
- Que assim seja.
E partiram para outros mundos.



sexta-feira, abril 08, 2016

O retorno ao Eterno

Lembra que apesar da tempestade lá fora
Algo eterno e puro reside dentro de ti
Em perfeita paz, em sereno estado
A mais pura joia: o esplendor do Espírito
Lembra que Ele está a esperar-te
O eterno retorno se torna o retorno ao Eterno.

Om, Shanti, Shanti, Shanti.

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Eu queria te ligar nesta tarde de domingo pra te convidar. Sei que tens preguiça e que é domingo, mas vamos, dá uma forcinha. O dia lá fora já desponta, o sol ascende e as mães protegem as crianças da luz intensa. Consigo imaginar-te deitado de cabeça pra baixa, segurando o celular com aquele jeito que só tu o fazes. O sorriso de desdém levemente escancarado do lado direito de tua boca, por onde passa por perto aquela tua covinha que me derrete todo ao ser vista.
"Mas a cortina mal foi aberta, e a água do café ainda não foi fervida."
 Nada que não se resolva. Passo em dois minutos em tua casa e abro tuas cortinas, tuas janelas, deixo a brisa e a luz entrar. Fervo tua água, passo o café, passo as horas e dias contigo. Quero que venhas e desbrave esses ares comigo, nos vales e montanhas. Eu só queria que você pudesse saber desse amor maior que eu que me instiga nesta tarde de domingo...

Banho de mar

Abra seus braços e receba as águas seculares
Feche seus olhos e sinta o que cada gota quer transmitir
Cada carta de amor escrita que não foi postada
Cada adeus pensado mas nunca antes dito
Cada música composta mas nunca, nunca tocada
O beijo cuidadosamente premeditado e nunca consumido
Deixa que se esparrame pelo teu ser
E transforma essa dor de volta ao que era antes
Deixa que as lágrimas tornem esse mar
Em oceano de luz
Assim toda tristeza remanescente
Se reduz.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Me dá tua mão

Ouvista da tempestade que urge das ruas:
o mundo vai cair, tempos inglórios virão!
Pois eu apenas te envolvo na verdade nua:
a jornada aqui só começa, vinde, meu irmão.

segunda-feira, setembro 28, 2015

O eclipse

Noite profunda,
Silêncio erigido,
Vasto é o céu,
Vão é o ser humano,
Infinitas as nuvens,
Infinitos os desejos,
Dorsos ao chão,
Pés estendidos,
Sangue embebido,
Pelo satélite,
Rubro curtido,
Épico vendaval,
Medo do escuro,
Medo do novo,
Vão é o desejo,
Definha o eclipse,
Nasce a alvorada,
De um novo dia.

segunda-feira, junho 29, 2015

Júpiter e vênus


Juntos e tão distantes,
amaldiçoados ou benzidos:
Júpiter e vênus - falsas estrelas.
Será que só no céu veremos:
A paixão e o amor,
A imensidão e a beleza,
em um ponto unidos?


domingo, junho 07, 2015

I am, je suis, eu sou

Eu sou a mão que te conduz no escuro
Eu sou a mãe que lhe oferece colo quando choras
Eu sou o pai lhe é ausente quando estás só
Eu sou a dádiva que abençoa tuas obras
Eu sou o sol que te aquece a alma
Eu sou o rio que banha teu corpo e mata tua sede
Eu sou a palavra de consolo de teus erros
Eu sou o abraço terno de perdão
Eu sou a consciência cósmica que a tudo permeia
Eu sou o caminho, a verdade e a vida
Eu sou Krishna.

terça-feira, junho 02, 2015

The lovers

Por que eu sinto que tu estás por vir?
Sinto o respirar leve em teu peito,
Um arfar quase doce e paciente,
O meneio lento de tua cabeça,
A quase repousar sobre meu ombro,
O calor de tuas mãos quase a tocar nas minhas
O calor de teu corpo no meu
Nossas vidas quase entrelaçadas
Nossas almas já a se reconhecerem
Não te conheço, mas já sei quem és
Aproxima-te,
Vem ao teu inexorável fado
É chegada a hora,
Meu amor.

sexta-feira, abril 17, 2015

Confissão

  Eu amo o jeito que você acorda de manhã e me lança aquele olhar de "vamos ficar só mais um pouquinho aqui". Me derramo suave na cama e me espalho por cada centímetro de você. Eu amo como você sempre consegue melhorar meu humor, nem que seja um pouquinho. Você sabe contar as piadas - sim, aquelas que ninguém ri - que só eu rio. Eu rio, eu mar, eu oceano, eu gota por gota de você. Eu em você, você em mim, nós líquidos e entrecordados pelos fios infinitos e misteriosos do Universo. A conspiração foi maior que nós aquele dia em que você apareceu em minha vida. Eu amei desde a primeira vez que te vi. Amei a paixão com que teus olhos brilhavam ao você falar de sua vida. Tua paixão pela tua vida acendeu a paixão em mim. Traze-me um pouco desse fogo que irradia do teu peito. Suas gargalhadas ecoando pelas paredes frias do meu apartamento como fogo-fátuos em noite sem luar. Chamuscando cada canto da cozinha e da sala, menos do quarto, esse já era chama pura. Eu amo as conversas curtas que temos quando estamos ocupados com os eternos afazeres de gente-grande. Aquelas conversas que quando se alongam revelam uma profundida tamanha. As palavras saindo de nossas bocas e se entrelaçando - fios invisíveis - entre nossas almas. Você falando de nosso amor vir de outras vidas e coisa e tal. Eu fingindo não acreditar e brincando que aquilo era coisa de filme de sessão da tarde. Mas no fundo eu acreditava, na verdade eu ainda acredito. Como podemos ser assim? Virmos de tão longe há tanto tempo e estarmos aqui neste momento?  Eu amo tua fala ébria quando tomamos vinho e assistimos filmes-de-se-ver-acompanhado. Mal acompanhando o filme, esquecendo a história do filme para terminarmos na nossa própria história. História leve feito brisa de mar. Há quantas brisas nessa mansidão que emana de tuas mãos? O ar rarefeito da ansiedade de te encontrar (e do medo de te perder). E o ar úmido e fresco de saber que somos livres. Você e eu, juntos ou não, mas livres. Eu amo quando deitamos na terra nua e nos abraçamos fitando o céu estrelado. A terra que nos nutre e nos permite amar. Sólida como as imagens que guardo de nós. Com elas posso desenhar por um deserto inteiro, por centenas de dunas, todas as cenas nossas. Feito um filme rústico que pode ser visto de satélite, ou da lua. Ou do que você desejar. Eu amo a maneira com que você lê como essa história acaba. Nem acabando tão bem quanto pensávamos, mas sem terminar o amor. Esse não tem fim...

sexta-feira, março 06, 2015

We are one

come on, let me make you feel uncomfortable with,
all the things we are: me and you, or myself and yourself,
let me tear the selfs apart from the my's and your's
let the self gradually emerge from our deepest places
hidden underneath our fears, dogmas and false love,
Let the true love overflow from your inner self
Let the You and I be the masters of the universe
For We are One.

domingo, fevereiro 22, 2015

O punhal de prata

Vai, destaca esse punhal do alforje,
punhal de prata ofuscando ao sol,
desfere a ferida derradeira em mim
A ferida que há muito já se abrira
E desatara esse oceano que agora vês
Inundando a mim e a ti, num turbilhão
Vemo-nós imóveis
Eu, você, o oceano, a ferida e a adaga
O sangue jorrando por todas as faces
que já tivemos
O vinho vertido das escadarias
do castelo em que vivíamos
Esse sonho lúcido.
Vai, destaca esse punhal
que a lua já é plena na noite.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Vivendo no eterno retorno
despertando a consciência
para o retorno ao Eterno.

domingo, dezembro 21, 2014

Pensamento

Pequenos e indispensáveis
como átomos em cordilheiras
somos filhos de algo
maior que nossas imaginações
a ponta do iceberg
na imensidão do oceano cósmico.

segunda-feira, dezembro 01, 2014

quarta-feira, novembro 19, 2014

Let not anyone else know how deeply you feel for the Lord. The Master of the Universe knows of your love; don't display it before others, or you may lose it.
- Sri Sri Paramahansa Yogananda
"Man's Eternal Quest"

segunda-feira, novembro 17, 2014

Oração a Shiva

Om Namah Shivaya,
A Ti, Senhor, eu me rendo,
A Ti, Senhor, eu me entrego,
Guia-me mansamente,
A Tuas vastidões sem fim,
Plenas de Teu amor
Sou Teu cálice de marfim
Que transborda em louvor,
Vou cantando e dançando assim
Por teu nome sem temor.
Já há mais trevas nem incertezas,
Contigo venço as batalhas internas
Tudo se esclarece à Tua Luz
Tudo se dissolve ao Teu clarão
Essa rendição ao verdadeiro eu
Desfaz de maya a ilusão
Comungo em paz de espírito
Unindo minha mente a Tudo,
E o Tudo que és Tu, Senhor.
Om Namah Shivaya!

domingo, setembro 21, 2014

O sonho lúcido

Minha vida até agora tinha sido um sonho. As teias de Maya tecidas lentamente desde o momento de meu nascimento me deixaram enervado e confortável no meu próprio mundo. Tudo me era suficiente e oco, opaco. Foi quando eu aprendi os ensinamentos da Ayahuaska que o véu caiu. Era um véu diáfano, mas que me impedia a visão plena. Desde criança eu sentia a vocação para o Grande Dissolutor. Sempre tive visões de Lorde Shiva em seu trabalho interminável e incansável para a criação e destruição do Cosmos. O processo apenas foi acelerado pela planta de poder.
Hoje acordei em um jardim iluminado, repleto de flores e águas cristalinas. Estava um pouco tonto e fraco pela transformação, havia vomitado um fluido de todas as cores ao luar. Estava recostado perto do regato enquanto ouvia a Canção que se renova de tempos em tempos. Resolvi procurar de onde vinha o som e era Lorde Shiva cantando e dançando, enquanto sua esposa e as outras deidades dançavam também. A música era cíclica, mântrica e tântrica. Seu poder era inegável. A cada harmônico e acorde a Terra vibrava, os átomos e moléculas entravam em sintonia. A respiração da vida emanada de Shiva percorria a tudo tão rápido quanto a velocidade da luz, em pulsos luminosos de vida e esplendor. Eu podia sentir toda paz e compaixão que o Senhor tinha e o quanto ele estava feliz por eu tê-lo reconhecido finalmente. Ele me acolhia terno em seus braços e eu sorria por dentro e por fora de mim - era a confirmação de que aquilo era a Verdade.
Todo ato diário, quando realizado com propósito e fé, torna-se um ato sagrado. O trabalho, o caminhar, até mesmo a respiração são uma forma de agradecimento velado pela Divindade. O peso da realidade torna-se tão leve e insustentável que o tempo acaba passando em um piscar de olhos. A fronteira espaço-temporal é tênue conforme nossa frequência vibracional aumenta. Deixa que Lorde Shiva te ajude a dissolver teu próprio ego, liberta teus medos e incertezas, tuas barreiras mentais e físicas e emocionais. Faça do teu dia-a-dia uma veneração de luz. Om Namah Shivaya!

segunda-feira, setembro 01, 2014

O amor: parte II

Vem, me dá tua mão
Fecha os olhos e abra todo o resto:
os sentidos, o coração
Vem e sejamos um, eu e você: nós
Abraça-me com teus braços infinitos
extensões de vários eus
que se desencontraram
ao longo das existências
Sinta o fio eterno que nos conecta
ao ar, à água, à terra.
E nos enraiza no Cosmos, No Todo.
Não, não digas teu nome
Sejamos infinitos,
Tenhamos todos os nomes
De todas as coisas
De todos os seres,
E ao mesmo tempo
Nenhum
O desapego sem fim
O amor mais puro.

segunda-feira, agosto 18, 2014

Amor: parte I

Eu e você, você e eu
unidos sob a imensidão do mesmo céu
cujos caminhos e inscrições já foram
decifrados pelos nossos corações.

Nada é preciso ser falado,
Nada é preciso ser descrito,
Nossos olhos já falam o que vem de dentro
O que vem de outras vindas.

Me dá tua mão e vamos,
Seguindo juntos nessa estrada,
Com fé, ardor e confiança,
nesse amor maior que todos nós.

quarta-feira, agosto 13, 2014

Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.
- Caio F. Abreu em "Carta ao Zézim"

terça-feira, agosto 12, 2014

Don’t surrender your loneliness so quickly
let it cut more deep. Let it ferment and
season you as few human or even
divine ingredients can
Something missing in my heart tonight
has made my eyes so soft
my voice so tender my need of good
absolutely clear.
✻.ღ.*.Rumi.*.ღ.✻

SEMPRE SEGUIR

Leo Artese

Pra seguir neste caminho
É ter calma e paciência
Elevar o pensamento
Expandir a consciência

Pra seguir nesta estrada
Vou te dar Força e coragem
Pra enfrentar sua verdade
E deixar o que for bobagem

Vai seguindo esse caminho
Que agora eu te mostro
Preste muita atenção
Faça sempre como eu gosto

No final dessa história
Tem que haver um vencedor
Depois de duras batalhas
Quem vencerá é o amor

segunda-feira, junho 30, 2014

A cítara

O som da cítara vai assim sussurrando
o som que simula a síntese do ser

domingo, junho 22, 2014

Our love

My love for you was bigger than
the moon reflected on your iris
your soul reflected in my heart.

quarta-feira, junho 11, 2014

The Truth

We desperately seek the Truth outside ourselves
We truly believe that all the pathways we cross lead to the Truths
The fact is the Truth is within us and round about us
We're single particles of the Universe and
We make part of the Great Cosmic Force
There's only one way that lead to nothing but ourselves
Self enlightenment fatefully show us the Truth.

sexta-feira, maio 30, 2014

O paradoxo da existência

Vivo uma dualidade quase que terrível e insustentável.
A fronteira entre o sacro e o profano em minha vida é tão tênue, que muitas vezes me pergunto se um dia conseguirei pender para um lado. Ou talvez, o simples fato de eu viver nessa fronteira já seja um modo de viver. O convívio mais de perto com o acontecimento da morte - a passagem para o outro lado.  Saber que eu não verei quem amo mais - não nessa vida. Abriram-me caminhos de pensamento, ramificados e intrincados, que me fizeram duvidar fortemente da existência de Deus, ou Deusa, ou Força Cósmica que Rege o Universo. A dúvida nos faz crescer, eu gosto de duvidar da existência, mas ao mesmo tempo pensar que Meu Amparador não existe me deixa sem chão, desesperado. E nesse desespero e dúvida eu recorro aos prazeres terrenos, às ilusões de mediocridade: às drogas, ao sexo, ao ódio, à falsidade, às mentiras. E no meio desse desvairio, dessa tormenta sem fim e nefasta. Eu abro os olhos, como no meio de um oceano, e, ao abrir. A tormenta se esvai, as nuvens se afastam. E eu me vejo numa calmaria sem fim, o sol batendo leve nos meus olhos. E a vontade de agradecer à Grande Mãe pela minha existência se faz maior que minhas incertezas. Eu vivo uma dualidade quase que terrível, mas sustentável...

sábado, maio 24, 2014

VIDA ÂMBULA

- "âmbula - s.f as duas partes que formam uma ampulheta."

Sou em dois, assim sempre fui
Uma parte minha se preenche, se completa
A outra se desmancha, se dilui
nessa realidade, nessa vida discreta

Vou perambulando errante
enquanto me destruo e refaço
seguindo das estrelas a seta gigante
Em verdades fulminantes, em erros crassos.

quinta-feira, maio 08, 2014

VIENTOS DEL PUEBLO ME LLEVAN

    - Miguel Hernandez
    Vientos del pueblo me llevan,
    vientos del pueblo me arrastran,
    me esparcen el corazón
    y me aventan la garganta.

    Los bueyes doblan la frente,
    impotentemente mansa,
    delante de los castigos:
    los leones la levantan
    y al mismo tiempo castigan
    con su clamorosa zarpa.

    No soy de un pueblo de bueyes,
    que soy de un pueblo que embargan
    yacimientos de leones,
    desfiladeros de águilas
    y cordilleras de toros
    con el orgullo en el asta.
    Nunca medraron los bueyes
    en los páramos de España.
    ¿Quién habló de echar un yugo
    sobre el cuello de esta raza?
    ¿Quién ha puesto al huracán
    jamás ni yugos ni trabas,
    ni quién al rayo detuvo
    prisionero en una jaula?

    Asturianos de braveza,
    vascos de piedra blindada,
    valencianos de alegría
    y castellanos de alma,
    labrados como la tierra
    y airosos como las alas;
    andaluces de relámpagos,
    nacidos entre guitarras
    y forjados en los yunques
    torrenciales de las lágrimas;
    extremeños de centeno,
    gallegos de lluvia y calma,
    catalanes de firmeza,
    aragoneses de casta,
    murcianos de dinamita
    frutalmente propagada,
    leoneses, navarros, dueños
    del hambre, el sudor y el hacha,
    reyes de la minería,
    señores de la labranza,
    hombres que entre las raíces,
    como raíces gallardas,
    vais de la vida a la muerte,
    vais de la nada a la nada:
    yugos os quieren poner
    gentes de la hierba mala,
    yugos que habéis de dejar
    rotos sobre sus espaldas.
    Crepúsculo de los bueyes
    está despuntando el alba.

    Los bueyes mueren vestidos
    de humildad y olor de cuadra:
    las águilas, los leones
    y los toros de arrogancia,
    y detrás de ellos, el cielo
    ni se enturbia ni se acaba.
    La agonía de los bueyes
    tiene pequeña la cara,
    la del animal varón
    toda la creación agranda.

    Si me muero, que me muera
    con la cabeza muy alta.
    Muerto y veinte veces muerto,
    la boca contra la grama,
    tendré apretados los dientes
    y decidida la barba.

    Cantando espero a la muerte,
    que hay ruiseñores que cantan
    encima de los fusiles
    y en medio de las batallas.

quinta-feira, maio 01, 2014

A veia etérea



"Há uma gota de sangue em cada poema" já dizia Mário de Andrade.

Mesmo porque nossas vidas pulsam violentamente

Em rios sanguíneos que se cruzam e desencontram

E se amam e se odeiam

Num ciclo interminável

segunda-feira, março 31, 2014

A luz verde

- Para se ouvir ao som de Over the Love de Florence and the Machine (comece a ler quando a música estiver do meio para o final)

Ele pega na minha mão, olho bem fixamente nos meus olhos com uma convicção precisa. Eu, ainda meio acanhado, levando os olhos aos poucos até que os meus alcancem os dele. De repente eu vejo, sim, em meio aos brilhos ofuscantes do salão da discoteca e os vultos de pessoas imprecisas. Eu vejo a luz verde em seus olhos. Viva, fugaz, inexata. Eu tento segui-la em cada parte de sua íris, entre os contornos verdes e castanhos que cercavam suas pupilas dilatadas - só ele tinha aquela mistura de cores,só ele me conduzia àquele estado hipnótico - mas daí veio a proximidade, o encostar de lábios, o beijo. Entreguei-me por completo - era maior que eu - enquanto aqueles braços infinitos me envolviam por todas as direções, por dentro e por fora. Eu era um peixe completamente fisgado, o anzol não me feria, pelo contrário, extasiava cada pedaço de matéria que me formava, cada átomo, cada molécula. Depois de um ano saindo com ele, frequentando bares, cinemas e casas de show, foi naquele momento fugidio que consegui ver a luz verde, a luz que emanava da alma e transbordava pelos olhos. A luz que me cegava. Eu estava entregue. Eu era todo amor.

sábado, fevereiro 08, 2014

Parte de mim 2

Existe uma parte de mim que sente saudade
Saudade do que ainda não conheceu, não viu, não viveu
Sinto falta do universo das possibilidades que vão acontecer
Uma exasperação leve e que me incita a seguir em frente
Um suspiro morno no pescoço do amor da minha vida
Uma volta no maior carrossel da inglaterra
Deitar a céu a berto de noite e ver estrelas
E beijando esse amor maior que ainda virá.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Parte de mim

Existe uma parte de mim
Que as vezes esqueço adormecida
E em noites enluaradas
Em dias ensolarados, sábados plenos
Ela brota acanhada do canto da boca
E vai crescendo por todo meu ser
Quero brincar de cantar e correr
Tomar sorvete, correr na chuva
E o sorriso de uma ponta a outra
Desabrochando
Da alma que não tem idade


Créditos da foto: Noel Spirandelli 

quinta-feira, janeiro 09, 2014

O vômito

Tanta coisa fervilhando na minha cabeça que nem sei por onde começar. O ano passado terminou tão impetuoso e íngreme que ainda tenho soluços esporádicos de dezembro, faíscas de novembro. Quero que esse ano as coisas sejam diferentes. Não sobretudo. Não pretendo mudar o mundo e me converter a mártire da humanidade. Quero mudar nas pequenas coisas, as mais factíveis. Já comecei o ano bem, aprendi a dizer não. Comecei afirmando a mim mesmo que não dá para me enganar com relação a meus sentimentos: se não gostei, não gostei. Se a transa não foi legal, não foi e pronto. Ah, mas ele era legal... tá, mas e daí? E daí que minha cabeça parece que vai vomitar por todos os poros um monte de pensamento. Não sei se dos construtivos ou não. Pra falar a verdade pouco me importa, escrevo pra desanuviar as tempestades que me assolam quando os olhos tentam se fechar depois que deito na cama. Todo mundo tem defeitos, o meu é esse, sou fragmentado. Não consigo me encontrar inteiro nas coisas, sempre falta uma parte de mim. Sempre falta algo para algo parecer pleno. Não, quando fico bêbado as coisas não melhoram. Meu "eu" interior sabe que toda aquela alegria ébria é ilusória, quando efeito do álcool passar e a ressaca moral/espiritual/sexual/corporal ou sejá mais o que for chegar eu vou me encolher feito um bebê na cama e tentar mais uma vez recomeçar de novo. Recomeçar o quê? Nem sei o que comecei nessa vida, é tanta coisa inacaba que a gente vai se deixando em todos os cantos, todas as pessoas. Deixei pedaços de mim em amigos do nordeste, da argentina, dos estados unidos. E o que sobrou? Bem, isso eu te conto quando você for passear de bicicleta ali pela ciclovia comigo...

terça-feira, dezembro 31, 2013

"I am a positive person but I get really tired of aggressive optimism. If someone’s sad, let them be sad. All emotions have purpose. Sadness isn’t destructive if not prolonged. Sadness isn’t unproductive, as it offers awareness. Telling someone to “cheer up” or “be happy” is so ineffective and patronizing. The last thing a sad person needs is for someone to judge their feelings as pointless and unappealing. Welcome sadness, just don’t let it consume you."

Quinto Fragmento da décima terceira voz

"Tanto sangue dentro do meu derramado coração, era assim? Talvez fosse, mas não se trata disso. Lamúria insuportável, o corpo, esse que se arrasta com suas carências. Não precisa pressa, calma lá. A portaria está fechada para quem quiser passar, era isso? Já te disse que não responderei. Quero saber, e depois? Passaram-se meses, ele voltou. Foi longo. Doía. Continua doendo. Ainda não acabou. Passa, passará. Às vezes ficávamos deitados na minha cama enquanto eu tentava decifrar o seu destino. Marte, Ossanha gostava das folhas, das pedras. De peixes também. Ele me ensinou que as pedras eram vivas. Desde então eu as mantenho imersas em copos cheios d´água para que cresçam. São muitas. Agora espero outro. Que como ele, não será mais um do que Uma Nova Metáfora do Encontro. Por enquanto espio as pombas nas cumeeiras. Quando não há música, canto. Quando de paro de cantar, como maçãs. Os talos estão jogados pelo quarto, entre os lençóis. Apodrecem como meus sentimentos, jogados na Via Láctea. Esfrego a lâmpada, mas o gênio se foi. Talvez me bata outra vez contras as grades da janela até me levarem outra vez para a mesa de choques. "

terça-feira, outubro 15, 2013

Eu ainda vejo

Eu ainda vejo a tristeza que emana das coisas
Na verdade sinto-a em tudo
Sinto quando ela condensa do alto das nuvens cinzas
(leves como luz, diziam)
E cai em gotas várias
Atravessa por trás dos olhos e escorre
da garganta até o coração
lá vai lentamente petrificando
as artérias
dos que acordam todo dia na imensidão
de suas camas vazias
e sorriem vagamente
ao nada que os cerca.

sexta-feira, outubro 11, 2013

O moinho que move o mundo

Canta cascata de vento
Canta na mata sem fim
No manto verde sem cimento
sem marca de homem ruim
O som vai escoando e fluindo
fazendo-se da terra o alimento
O ritmo quente e benvindo
Transbordando do mundo
A todo momento.
 

domingo, setembro 15, 2013

Conjunção da lua e vênus

Quando daquela noite ele viu o céu
Correndo solto feito louco ao vento
Da bicicleta se assustou por um momento
vendo a lua fulgente delgada como ponta de pincel
E do lado, assim, bem de pertinho
Uma estrela brilhante ardia
Inconsequentemente exata e regular
Acendendo nos corações uma febre
Hostil, tão leve como o azul do ar
que uma horda de luxúria trazia.

quarta-feira, agosto 07, 2013

No teu mar

Para se ler ao som de Amor pra depois

Gosto daquele cheiro de café de manhã
Você acordando e sorrindo me dando bom dia
Sem falar nem pensar em toda essa vã
realidade que insiste em nos sorver toda alegria

De quando você me beija de mansinho
depois de toda a espera condensada na saudade
Ou me faz cócegas na barriga e eu sozinho
A rir lembrando da sua cara de maldade.

Do calor do teu abraço apertado
que dá vontade de nele todo mergulhar
E fazer de mim o capitão desse enfeitado
navio que flutua imenso, peregrino no teu mar.




terça-feira, julho 16, 2013

O Sol

Minha vida em toda sua plenitude
Eu sentado à beira da janela
Relembrando da minha juventude
Cortina de amor materno se desvela

Me aquecendo com a luz do astro rei
A solidez, a brisa mansa me acalma
Sentindo que toda a potência de mil sóis
Desabrocha as pétalas de minha alma.

quinta-feira, julho 04, 2013

À luz fraca da estação de trem

E de repente me desencontro
de ecos escuros que já foram
                                         minha dor.

Fugido das noites que uivam
Juntando os cacos que feriam
                                        sem pudor.            

Você sorri e me carrega nos ombros
sem perguntar dos ecos, dos cacos
                                         é o  amor.

Haikai sobre o café

 Gotas cálidas
negras e aromáticas inebriam:
minha vida ínsone.

quinta-feira, junho 13, 2013

Reticências

E mais uma vez eu aqui, no meio da madrugada, ínsone, epifânico. Não sei até quando esses ataques insolentes de criatividade vão continuar a me atormentar. As idéias são feitos pequeninos diabretes, lépidos e inconstantes. Surgem de súbita forma do breu das formas inexatas e então me incitam, e cada um ajuda na criação de outro em um efeito cascata. Quando vejo, reparo que eles já me tiraram da cama em legião e levaram-me até onde eu pudesse descarregá-los de minha mente - são espertas minhas criações - seja no teclado cantando, no computador escrevendo, ou até na cozinha degustando algo.
Se ao menos eu pudesse domar as rédeas dessas criaturas imprevisíveis, poderia direcioná-las em coisas mais construtivas. Contudo, pareço um noviço nesse domínio.
Penso que existe um mundo paralelo a este para onde vão nossas idéias inacabas. Um mundo em eterna construção e desconstrução, muitas vezes esquecido. A chave para muitos mistérios da vida e da ciência residem nos escombros e ruínas dos templos que foram deixados nesse lugar. Eu inclusive deixei vários diabretes, pássaros e até palácios que hoje devem estar reunidos num continente chamado "a terra que ele poderia ter conquistado mas não construiu". O nome do mundo é reticências, é, faz todo sentido, um mundo que...

quinta-feira, junho 06, 2013

reviravoltas

É junho, estação do frio. Esse é o ano da serpente e já desde o começo dele já pude sentir e pressentir as transformações pelas quais eu estaria passando. Este ano completarei o meu segundo ciclo astrológico, completarei 24 anos, não sei ao certo se isso tem relação com o que tem se passado dentro de mim ultimamente.
Uma miríade de sensações, pensamentos, vontades, desejos e impulsividades têm tomado conta de mim. Me pego no meio de situações inusitadas paralisado, absorto em meus próprios pensamentos. Ando tendo vários flashbacks de fatos que ocorreram nos anos passados próximos e também em anos mais distantes, datados de minha infância e pré-adolescência. Contudo essas coisas todas que têm acontecido não são aleatórias, estão todas interligadas por fios invisíveis que muitas vezes não percebo. Um fato pode desencadear um flashback de minha infância, como por exemplo, uma música me fez lembrar de quando eu escapulia do meu quarto em noites plenas para deitar-me entre meu pai e minha mãe na cama deles.
Tive uma sensação passageira de conforto e uma vontade súbita de abraçar meus pais independentemente de onde eles estivessem. Minha mãe está em Fortaleza e meu pai... bem, este está no plano espiritual olhando por mim. 
Sentimentos poderosos têm tomado conta do meu ser durante períodos, alguns longos, outros breves como horas. Recentemente uma letargia me dominou por cerca de uma semana. Uma morosidade incontida, não tinha vontade de levantar da cama, de sair para comer, de ir para a faculdade ter aulas, de cantar no meu coral. Queria dormir para sempre na minha cama, distante de todos e de tudo, não me importando com o que os outros pensariam ou falariam. Não diria que era tristeza o que eu sentia, não, era algo neutro e desolador, uma neutralidade assustadora cristalizada em apatia.
Em contrapartida essa semana, um sentimento de poder e potencialidade têm me guiado. Meu orgulho se inflou tal qual o sol voltou a arder sobre a Terra. O brilho solar me despertou vários desejos quase que simultâneos de várias naturezas, sexuais, de trabalho, de música. Tive vontade de me cuidar mais, me organizar melhor, comprei até uma agenda, voltei a frequentar assiduamente a academia. E quanto à música, esqueci de mencionar o quanto ela tem me ajudado e me moldar e me descobrir nesses dias. O coral está preparando um musical dos beatles maravilhoso com músicas que fizeram parte de minha adolescência. Mandei vários vídeos para o Virtual Choir, um projeto fantástico que engloba pessoas do mundo todo e foi por meio dele que conheci algumas pessoas bastante interessantes. É nessas horas que percebo o quanto não estamos sozinhos e como somos todos diferentes, essas singularidades me fascinam. 

domingo, maio 12, 2013

All along it was a fever.

domingo, abril 21, 2013

Transcendente

Um fio
Dois corações
arrepio
em todas proporções

Irá uni-los, o destino
mantendo o ritmo magnético
entre um coração peregrino
e o outro um tanto cético?

Para todas as perguntas
há uma resposta apenas
que aguarda adormecida
Nas almas nem tão pequenas.


segunda-feira, abril 15, 2013

Navegar é preciso
Viver não é preciso

segunda-feira, abril 01, 2013

sábado, março 09, 2013

Idle talking

Sunday's on the phone to Monday
Monday's on the phone to me
This is when the end starts
The journey to the endless sea.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Take it back

Well there's one missing part of me
And I'm afraid it's fine on its own
And this time it's finally grown
For me to see
Now I see



sábado, fevereiro 16, 2013

O silêncio das estrelas

Todos sabem da luz que irradia de nossos olhos
Do calor solar emanado de nossos abraços
Disso e de outras levezas nossas eles sabem
Mas poucos, atrevo-me a dizer que quase ninguém
Sabe das trevas que nos cercam pelas noites
Das lágrimas, soluços e incertezas
dos silêncios em meio à multidão
enganamos e somos enganados


Estamos em eterna solidão.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Stay

"It's not much of a life you're living
It's not just something you taken, it's given

Round and around and around and around we go
Ohhhh now tell me now tell me now tell me now you know"

terça-feira, janeiro 29, 2013

Lembrete

Quando você estiver cansado do mundo
Do que te cerca, dos que te cercam
Pensa que te renovas em cada dia
A cada nascer do sol
Pensa que tens uma missão
muito maior, profunda e misteriosa
do que a mesquinhez de teu tédio.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Freedom



From the motion picture "Django Unchained"

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Veraneio

Sigo deitado com essa chuva de verão
mormaço, languidez, calor latente
Contudo tenho a leve impressão
De que vivo essa estação eternamente...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Para se ler na praia

Eu quero um beijo apaixonado deitado na areia, ao pôr do sol, enquanto a brisa amansa a minha e a tua cabeça.
Quero que teus lábios alcancem a margem de todas as praias desse mundo ao tocar os meus
Mergulhar em teus olhos e saber que lá no fundo eu serei confortado pelo teu abraço
Eu quero que a maré nos carregue assim, lenta e mansamente, até o continente dos eternos amantes.
Eu quero você
:)

segunda-feira, dezembro 17, 2012

terça-feira, dezembro 04, 2012

Diamonds in the sky

I knew that we’d become one right away
Oh, right away
At first sight I felt the energy of sun rays
 I saw the life inside your eyes

So shine bright, tonight you and I
We’re beautiful like diamonds in the sky
Eye to eye, so alive
We’re beautiful like diamonds in the sky

 

sexta-feira, novembro 23, 2012

Cântico VI

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és mesmo o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

Então serás eterno.

- Cecília Meireles.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Inferno astral no auge
Ansiedade pra que as coisas continuem mudando
E a saudade que rói
e dói
e dilacera?
no ritmo das horas
no ritmo da espera?

sexta-feira, novembro 02, 2012

Summertime

Say you love me every waking morning
Turn my head with talk of summertime
 Say you need me with you now and always
Promise me that all you say is true
 That's All I ask of you.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Best Thing I Never Had


 There was a time
 I thought, that you did everything right
 No lies, no wrong
 Boy I, must've been outta my mind
 So when I think of the time that I almost loved you
You showed you ass and I saw the real you

 Thank God you blew it
 Thank God I dodged the bullet
 I'm so over you
 So baby good lookin' out

 [Chorus]
 I wanted you bad
 I'm so through with it
Cuz honestly you turned out to be the best thing I never had
 You turned out to be the best thing I never had
And I'm gon' always be the best thing you never had
 I bet it sucks to be you right now

terça-feira, outubro 16, 2012

Liebe






E quando a vontade cativa liberta
E desata e explode em sofreguidão
E destrói as amarras de um alma incerta
Por que vinha de um coração?

domingo, outubro 14, 2012

A vida é tão curta para desperdiçarmos-na com tolices e egoísmos
Sejamos mais leves e livres para agir

sexta-feira, outubro 05, 2012

Verde


Sabe aquele dia em que nos encontramos pela última vez e você me perguntou o que eu via quando te olhava? Lembra que eu respondi que via uma pessoa linda?  É, eu menti, havia mais. Não tenho certeza ao certo por que não te contei, talvez o vislumbre de meus olhos me criasse um certo temor do pensamento à palavra falada.
Quando eu te vi aquele dia, através de teus olhos eu vi algo sublime, vi tua alma resplandecendo enquanto conversávamos naquela tarde quente de verão.  Tua alma era de um verde intenso, que brilhava e emanava várias outras cores. Iridescente... Isso! Tua alma era de um verde iridescente. Dizem que o verde é a cor da vontade e da criatividade, pois naquele dia você era a vontade personificada e eu sabia que era alguém que ficaria para sempre em minha vida.
Hoje, caminhando pelo parque em que constumávamos andar de bicicleta ao som das crianças que sempre brincavam por lá, eu vi um beija-flor pousar numa flor que desabrochara ao lado da fonte de água com estátuas de leões. E, por incrível que pareça, ele era de um verde iridescente, diria que igual ao teu! Vi tua alma resplandecer de novo e alçar vôo mundo afora em outra tarde de verão e sorri como nunca havia sorrido antes.

quarta-feira, outubro 03, 2012

O que urge sob as rédeas do tempo

Me falaram de outrora
Que tudo fazia sentido
Mas é tempo de agora
E nada tenho entendido.

sábado, setembro 29, 2012

Lonely Hearts Club





Laugh track on a TV show echoes in the dark alone
I go to bed feeling bad that I'm the reason that you're sad
January to December, do you wanna be member?

Lonely hearts club...
Do you want to be with somebody like me?
Lonely hearts club...
Do you want to be with somebody like me?

I feel like If I'm too kind then you will only change your mind
Take advantage of my heart and I'll go back into the dark
Love will never be forever, feelings are just like the weather
January to December, do you wanna be a member?


Lonely hearts club...
Do you want to be with somebody like me?
Lonely hearts club...
Do you want to be with somebody like me?





quinta-feira, setembro 13, 2012

Me dá tua mão

Hey você, você mesmo, vem comigo!
 Vou te mostrar um mundo novo e incrível
 Olha pra mim, vê que sorrio, sê meu amigo
 Nosso destino é vário porém é infalível
 Nas horas negras e vãs serei teu abrigo
 Vem comigo que a vontade é plena
 E tua alma me fascina por não ser pequena.

sábado, setembro 08, 2012

Wedding Proposal

É assim que vou pedir em casamento o amor da minha vida :P

segunda-feira, setembro 03, 2012

The fool

E a plenitude do louco alcança o apogeu
                                                    Um passo à direção utópica, o mito
Admirando com olhos puros o sol que nasceu
Um mergulho no raso.
Um mergulho no infinito.

sexta-feira, agosto 31, 2012

They borrow words for thoughts they cannot feel,
That with a seeming heart their tongue may speak;
And in their show of life more dead they live
Than those that to the earth with many tears they give.

                                                                        - Very, J.

quarta-feira, agosto 22, 2012

‎"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."
- Cartas a um jovem poeta, Rilke

sábado, agosto 18, 2012

Fool in love

The time has finally come
I'm settling down my wings
and following this lonesome
and clear road which brings
the dawn, the rise and the outcome
of the mysterious things.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Suspiro



Para ler ouvindo-se Breath of Life -Florence and The Machine

Deixa a voz interna guiar-te pelas sendas da vida
Entrega-te ao suave suspiro vindo do vento
Ponha-te leve como o luar sobre as águas.
Celebra a ternura, o calor de todo momento
Transforma em perdão todas tuas mágoas
Faça-te eterno em cada palavra, em cada sentimento.

sexta-feira, agosto 10, 2012

A sexagésima sexta volta

Hoje você estaria comemorando a sexagésima sexta volta ao redor do sol. Hoje eu estaria aqui e teria lhe dado muitos abraços e beijos e desejando que ainda fizéssemos muitas coisas juntos. Tantos planos e esperanças, mas tenho certeza de que está muito bem onde quer que esteja. Nada é por acaso. E quero que saiba que te amo mais que tudo, pai. Nunca me esquecerei de ti nem dos teus ensinamentos.

Teu filho
Pedro

quarta-feira, agosto 01, 2012

Coração tem dó de mim

Para Chico Buarque e Aylton Escobar



Ah, coração tem piedade,
Ah, coração tem dó de mim
Batendo tão forte assim, coração
Vais acordar saudade,
Rodando mundo, roda gigante
Roda com toda intensidade
Roda moinho e roda pião
Vais acordar saudade, coração.
Que dorme dentro de mim.
E o mundo rodou num instante enfim
Nas voltas do meu coração.

quarta-feira, julho 25, 2012

A verdade das coisas

A gente acorda todo dia com a esperança de que as coisas mudem. Deixamos que os raios de sol que escapam às frestas da janela nos instiguem a levantar da cama. E seguimos em nossas rotinas mecânicas, cada ato religiosamente repetido sem ao menos que percebêssemos. "Gosto de mudanças", dizemos aos outros orgulhosamente durante alguma festa por aí, mas não estamos dispostos a mover uma palha para mudar uma vez o trajeto da casa até o trabalho. Vivemos uma grande mentira e somos alimentados de esperanças por uma caixa preta (que agora até de plasma e led são feitas) que nos ensina que não devemos sair da linha, comprar os produtos de última geração e assistir à novela das 8. Em nossas preces silenciosas durante à noite dizemos "assim como perdoamos os que nos tenham ofendido", mas já dizemos tão automaticamente que esquecemos dessa parte, afinal de contas, não há nada a ser perdoado, ou ofendido, ou compreendido. Tudo virou um festival de atos planejados. E o amor? Como fica ele nessa história? Ah! Basta nos beijarmos umas três vezes, irmos ao cinema e mandarmos mensagens de celular que podemos nos considerar namorados. É suficiente, ele me satisfaz na cama e às vezes diz que quer casar comigo. Agrada-me aos ouvidos. Mas aí vem a hora em que, ao caminharmos pelo hall daquele prédio bonito em que trabalhamos existe um espelho. Daí vem o momento que nos vemos de verdade, sem máscaras. Percebemos o quanto o tempo passa e o quão supérflua tem sido nossas vidas, mas aí já é tarde demais. O leite já foi derramado, os pássaros já foram soltos e o sol já está se pondo...

segunda-feira, julho 23, 2012

A transformação

Algo me diz que 2011 foi o ano da provação,
O ano que minha fé e força foram testados até o último momento
E esse algo me diz também que 2012 é o ano da transformação
O ano em que a maré vira, as águas mudam seu curso...

domingo, julho 22, 2012

O bonde

A água do mar me bebe
e eu já não sei mais
se a sede de ti prossegue

terça-feira, julho 17, 2012

Algo







 Continuamos essa jornada longa e solitária
 deixando que aquilo que ainda bate aqui dentro
 nos guie nessa busca por algo que não conhecemos
 algo que não tem nome.

domingo, junho 24, 2012

A fuga

O rapaz que não gostava de rotina estava cansado do ambiente morno que o cercava. A mesmice lhe conduzia a uma morosidade quase que insustentável. Era seu, era intrínseco dele guardar o ímpeto pelo novo, a visão fugaz do que não se sabe, do que nunca se viu ou ouviu. E cada momento desse guardava uma memória inconfudível, um cheiro, um sabor, talvez até sinestésico: uma cor vermelha de sabor adocicado, ou um acorde com cheiro de uvas recém colhidas. Era isso que movia-lhe, a vontade de sintetizar as várias sensações em algo único e primevo. Foi então que o rapaz que não gostava de rotina saiu correndo de seu quarto. Desceu as escadas do sobrado, abriu de sopetão a porta principal e atravessou o campo até chegar ao estábulo. Meio que por instinto, os animais sabiam o por que da presença daquele rapaz, da ânsia de seu interior e aguardavam em silêncio. E levado pelo desejo do vento, o jovem alçou um vôo até as costas de Éolo, o alazão mais rápido e bonito que se podia encontrar. Os dois uniram-se num desejo mútuo de novos caminhos e desataram numa viagem ao desconhecido.

domingo, junho 17, 2012

Sobre o telhado

Do alto de sua casa ela podia avistar a cidade toda. O céu brilhava opaco refletindo o luar. Estava frio, o vento batia em seu rosto e braços avisando-lhe que meninas deveriam estar acolhidas no calor de suas camas naquele horário. Ela apenas observava a noite, as casas e cada pontinho de luz que era emanado por elas. E de repente ela imaginou que, de todos os corações que estavam adormecidos dentro daquelas casas, pelo menos um aguardava-lhe o encontro. Não sabia quando ou onde isso aconteceria, nem mesmo o vento ousava lhe sussurrar sobre esse momento enquanto corria; ou as nuvens que se inquietavam sobre as casas. Contudo, ela sentia que havia um fio que a ligava a outra alma, um fio bem tênue, quase rarefeito e brilhante. E que ambos os corações lentamente puxavam esse misterioso fio para si.

domingo, junho 10, 2012

Tempestade em pétalas

Acordei hoje com a sensação de que estou num falso equilíbrio
Que a aparente ordem regendo tudo ao meu redor
Irá desferir um golpe contra si mesma
Rompendo a tênue linha do que chamamos de "normalidade"
E um turbilhão de novas descobertas surgirá
Como um navio tragado de repente por uma tempestade
Em alto mar.

domingo, junho 03, 2012









"[...] Yet in his eyes all the sadness of the world."


sábado, junho 02, 2012

Maybe I'm Amazed

Baby I’m amazed at the way you love me all the time
Maybe I’m afraid of the way I love you
Baby I’m amazed the way you pull me out of time
Hung me on a line
Maybe I’m amazed at the way I really need you

quarta-feira, maio 30, 2012

A caixa de Pandora

O mito de Pandora ilustra bem o ciclo que ocorre interminavelmente na humanidade. A inocência, a ignorância e principalmente a curiosidade permeiam o interior do homem. Quantas vezes já não nos precipitamos em uma atitude consumidos pelo desejo inexorável da descoberta? Quantas vezes já não nos frustramos devido às consequências fatídicas do nosso ímpeto em conhecer alguém? Pandora foi apenas mais uma entre milhões de indivíduos que diariamente abrem caixas invisíveis e deparam-se com os mau agouros por elas trazidos. Caixas que guardam corações, palavras, abraços e lágrimas. Contudo, assim como Pandora, ainda assim depositamos um desejo íntimo de que tudo ainda pode melhorar, de que ainda pode dar certo. E isso veio a ela (ou nós) com o nome de esperança. E assim, ad infinitum, repetimos o ciclo do desejo à descoberta, à frustração e à esperança.

sexta-feira, maio 25, 2012

Via Láctea

Me falaram de contar carneiros para espantar a insônia
Daquela vez nem uma centena deles foram capazes de fazê-lo
Falaram também de chás e ervas mágicas incensárias
Nada disso foi sucificiente
Até que eu saísse de casa e mirasse da noite
um mar de sóis a flutuar
na imensidão escura do universo.

quarta-feira, maio 23, 2012

Sapiens





Ninguém nasce por aí sabendo
Nenhuma mãe vem a parir um filho no mundo
que mal abra os olhos e já soletre o alfabeto
Vomitando equações algébricas após amamentado
E tendo fraldas intumescidas de provérbios
É preciso fé e dor, sempre olhando pra frente
Sujeitando-se ao sol, a lua, ao vento e ao pó
Cantando baixinho pra não esquecer
O ritmo lento, porém infalível,
O ritmo das horas.

segunda-feira, maio 21, 2012

A raposa e o tempo

Vai, sê eternamente responsável por aquilo que cativas
Diziam
Eterno é uma palavra tão forte
O que é ser eterno?
Como ser eterno para alguém,
Se nem para nós mesmos somos?
E depois vem a responsabilidade
O peso dessa palavra já exaspera
Somos efêmeros e mutáveis
Mas temos ligações, laços imateriais
com quem amamos
Somos efemeramente ligados a quem amamos eu diria
Na efemeridade do contexto
de nossas vidas.

quarta-feira, maio 16, 2012

Dual soul

Seduzi-lhe de forma tão suave e imperceptível
Mal abriu os olhos e já perdera-se em paixão
Da sedução ao beijo, do beijo ao abraço
O doce abraço que levara-lhe à perdição
Ele estava inevitavelmente fadado à escuridão
O único detalhe que faltou-me às vistas
Talvez em meio à própria escuridão que surgia
Era que ele era eu, eu era ele, éramos nós.

sábado, maio 12, 2012

Ano do dragão

Vamos ver que rumos esse dragão alado vai dar
Soltando fogo pelas narinas (não sei se propositalmente) e me aquecendo
subindo sempre mais alto,
Tenho ânsia por quais horizontes, nuvens, rios, ou mares ele vai passar...

quinta-feira, maio 03, 2012

The sun is rising

Às vezes não acreditamos nos desígnios Dele
até que deparamos com o destino belo
terrível e iminente que nos esperava.

terça-feira, abril 24, 2012

Distração

Falavam-me de carros
aviões e coisas que soltam fumaça
 Falavam-me dinheiro
 E maneiras de se ganhar mais
 Enquanto me pegava distraído
 com o orvalho que escorria
 das pontas das folhas do jardim
 através da janela
 ainda meio embaçada
 e manchada de sol
 laranja
 da manhã

sexta-feira, abril 20, 2012

As coisas mudam

Da mesma forma que quando dizem que quando entramos duas vezes em um rio já não somos mais os mesmos, ele percebeu que definitivamente não era o mesmo desde que havia se mudado. Por mais que passeasse de bicicleta pelos mesmos canteiros de crisântemos, barracas de camelôs, buracos milimetricamente preditos no percurso (eventualmente tapados de forma paliativa) e pela grande árvore que ficava no centro da praça; apesar das aparentes mesmices ele era outro. Nesse ínterim ele aprendeu a valorizar os momentos de alegria compartilhados com amigos. Risadas, brincadeiras, segredos sussurrados aos prantos, noites mal dormidas por causa das provas. Havia também os momentos de silêncio, vagarosamente compassados, em que se regurgitavam idéias e sentimentos guardados, remoídos; momentos outros em que se conhecia alguém que não era como os outros, alguém que definitivamente fez parte de sua história, de sua vida. Amor à primeira vista, conversas tímidas, trocas de mensagens, viradas de noites de conversas, o primeiro encontro, o primeiro beijo, o abraço, a paixão que culmina, o namoro. O amor que era pra durar pra sempre, mas não durou. A tristeza, o declínio, a desolação e a saudade que vez ou outra passa pra dar um cutucão. E nesse vendaval de cores, cheiros, sentimentos, vazios e imensidão, ele passeava por canteiros de crisântemos e percebeu que, por muitas vezes, aquela grande árvore no centro da praça havia passado por mudas. Lentas e silenciosas. As folhas que caíam sempre no outono, o verdume que surgia na primavera, a sombra que ela dava no verão e balançando gélida pelo vento invernal. Ele percebeu que nem ele, nem o rio, nem a árvore eram os mesmo. As coisas mudam.

segunda-feira, abril 16, 2012

Libertas quae sera tamen

Ainda que tardia
sussurrada do vento
flutuando fugidia
caindo feito pluma ao relento
inesperado o dia
que a liberdade me avistou.
Me tornou rebento
Me jogou ao vento
Nunca mais fraco
sempre mais lento.

segunda-feira, abril 09, 2012

Somebody that I used to know

"Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember"