quinta-feira, janeiro 09, 2014
O vômito
Tanta coisa fervilhando na minha cabeça que nem sei por onde começar. O ano passado terminou tão impetuoso e íngreme que ainda tenho soluços esporádicos de dezembro, faíscas de novembro. Quero que esse ano as coisas sejam diferentes. Não sobretudo. Não pretendo mudar o mundo e me converter a mártire da humanidade. Quero mudar nas pequenas coisas, as mais factíveis. Já comecei o ano bem, aprendi a dizer não. Comecei afirmando a mim mesmo que não dá para me enganar com relação a meus sentimentos: se não gostei, não gostei. Se a transa não foi legal, não foi e pronto. Ah, mas ele era legal... tá, mas e daí? E daí que minha cabeça parece que vai vomitar por todos os poros um monte de pensamento. Não sei se dos construtivos ou não. Pra falar a verdade pouco me importa, escrevo pra desanuviar as tempestades que me assolam quando os olhos tentam se fechar depois que deito na cama. Todo mundo tem defeitos, o meu é esse, sou fragmentado. Não consigo me encontrar inteiro nas coisas, sempre falta uma parte de mim. Sempre falta algo para algo parecer pleno. Não, quando fico bêbado as coisas não melhoram. Meu "eu" interior sabe que toda aquela alegria ébria é ilusória, quando efeito do álcool passar e a ressaca moral/espiritual/sexual/corporal ou sejá mais o que for chegar eu vou me encolher feito um bebê na cama e tentar mais uma vez recomeçar de novo. Recomeçar o quê? Nem sei o que comecei nessa vida, é tanta coisa inacaba que a gente vai se deixando em todos os cantos, todas as pessoas. Deixei pedaços de mim em amigos do nordeste, da argentina, dos estados unidos. E o que sobrou? Bem, isso eu te conto quando você for passear de bicicleta ali pela ciclovia comigo...
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