segunda-feira, setembro 03, 2012

The fool

E a plenitude do louco alcança o apogeu
                                                    Um passo à direção utópica, o mito
Admirando com olhos puros o sol que nasceu
Um mergulho no raso.
Um mergulho no infinito.

sexta-feira, agosto 31, 2012

They borrow words for thoughts they cannot feel,
That with a seeming heart their tongue may speak;
And in their show of life more dead they live
Than those that to the earth with many tears they give.

                                                                        - Very, J.

quarta-feira, agosto 22, 2012

‎"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."
- Cartas a um jovem poeta, Rilke

sábado, agosto 18, 2012

Fool in love

The time has finally come
I'm settling down my wings
and following this lonesome
and clear road which brings
the dawn, the rise and the outcome
of the mysterious things.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Suspiro



Para ler ouvindo-se Breath of Life -Florence and The Machine

Deixa a voz interna guiar-te pelas sendas da vida
Entrega-te ao suave suspiro vindo do vento
Ponha-te leve como o luar sobre as águas.
Celebra a ternura, o calor de todo momento
Transforma em perdão todas tuas mágoas
Faça-te eterno em cada palavra, em cada sentimento.

sexta-feira, agosto 10, 2012

A sexagésima sexta volta

Hoje você estaria comemorando a sexagésima sexta volta ao redor do sol. Hoje eu estaria aqui e teria lhe dado muitos abraços e beijos e desejando que ainda fizéssemos muitas coisas juntos. Tantos planos e esperanças, mas tenho certeza de que está muito bem onde quer que esteja. Nada é por acaso. E quero que saiba que te amo mais que tudo, pai. Nunca me esquecerei de ti nem dos teus ensinamentos.

Teu filho
Pedro

quarta-feira, agosto 01, 2012

Coração tem dó de mim

Para Chico Buarque e Aylton Escobar



Ah, coração tem piedade,
Ah, coração tem dó de mim
Batendo tão forte assim, coração
Vais acordar saudade,
Rodando mundo, roda gigante
Roda com toda intensidade
Roda moinho e roda pião
Vais acordar saudade, coração.
Que dorme dentro de mim.
E o mundo rodou num instante enfim
Nas voltas do meu coração.

quarta-feira, julho 25, 2012

A verdade das coisas

A gente acorda todo dia com a esperança de que as coisas mudem. Deixamos que os raios de sol que escapam às frestas da janela nos instiguem a levantar da cama. E seguimos em nossas rotinas mecânicas, cada ato religiosamente repetido sem ao menos que percebêssemos. "Gosto de mudanças", dizemos aos outros orgulhosamente durante alguma festa por aí, mas não estamos dispostos a mover uma palha para mudar uma vez o trajeto da casa até o trabalho. Vivemos uma grande mentira e somos alimentados de esperanças por uma caixa preta (que agora até de plasma e led são feitas) que nos ensina que não devemos sair da linha, comprar os produtos de última geração e assistir à novela das 8. Em nossas preces silenciosas durante à noite dizemos "assim como perdoamos os que nos tenham ofendido", mas já dizemos tão automaticamente que esquecemos dessa parte, afinal de contas, não há nada a ser perdoado, ou ofendido, ou compreendido. Tudo virou um festival de atos planejados. E o amor? Como fica ele nessa história? Ah! Basta nos beijarmos umas três vezes, irmos ao cinema e mandarmos mensagens de celular que podemos nos considerar namorados. É suficiente, ele me satisfaz na cama e às vezes diz que quer casar comigo. Agrada-me aos ouvidos. Mas aí vem a hora em que, ao caminharmos pelo hall daquele prédio bonito em que trabalhamos existe um espelho. Daí vem o momento que nos vemos de verdade, sem máscaras. Percebemos o quanto o tempo passa e o quão supérflua tem sido nossas vidas, mas aí já é tarde demais. O leite já foi derramado, os pássaros já foram soltos e o sol já está se pondo...

segunda-feira, julho 23, 2012

A transformação

Algo me diz que 2011 foi o ano da provação,
O ano que minha fé e força foram testados até o último momento
E esse algo me diz também que 2012 é o ano da transformação
O ano em que a maré vira, as águas mudam seu curso...

domingo, julho 22, 2012

O bonde

A água do mar me bebe
e eu já não sei mais
se a sede de ti prossegue

terça-feira, julho 17, 2012

Algo







 Continuamos essa jornada longa e solitária
 deixando que aquilo que ainda bate aqui dentro
 nos guie nessa busca por algo que não conhecemos
 algo que não tem nome.

domingo, junho 24, 2012

A fuga

O rapaz que não gostava de rotina estava cansado do ambiente morno que o cercava. A mesmice lhe conduzia a uma morosidade quase que insustentável. Era seu, era intrínseco dele guardar o ímpeto pelo novo, a visão fugaz do que não se sabe, do que nunca se viu ou ouviu. E cada momento desse guardava uma memória inconfudível, um cheiro, um sabor, talvez até sinestésico: uma cor vermelha de sabor adocicado, ou um acorde com cheiro de uvas recém colhidas. Era isso que movia-lhe, a vontade de sintetizar as várias sensações em algo único e primevo. Foi então que o rapaz que não gostava de rotina saiu correndo de seu quarto. Desceu as escadas do sobrado, abriu de sopetão a porta principal e atravessou o campo até chegar ao estábulo. Meio que por instinto, os animais sabiam o por que da presença daquele rapaz, da ânsia de seu interior e aguardavam em silêncio. E levado pelo desejo do vento, o jovem alçou um vôo até as costas de Éolo, o alazão mais rápido e bonito que se podia encontrar. Os dois uniram-se num desejo mútuo de novos caminhos e desataram numa viagem ao desconhecido.

domingo, junho 17, 2012

Sobre o telhado

Do alto de sua casa ela podia avistar a cidade toda. O céu brilhava opaco refletindo o luar. Estava frio, o vento batia em seu rosto e braços avisando-lhe que meninas deveriam estar acolhidas no calor de suas camas naquele horário. Ela apenas observava a noite, as casas e cada pontinho de luz que era emanado por elas. E de repente ela imaginou que, de todos os corações que estavam adormecidos dentro daquelas casas, pelo menos um aguardava-lhe o encontro. Não sabia quando ou onde isso aconteceria, nem mesmo o vento ousava lhe sussurrar sobre esse momento enquanto corria; ou as nuvens que se inquietavam sobre as casas. Contudo, ela sentia que havia um fio que a ligava a outra alma, um fio bem tênue, quase rarefeito e brilhante. E que ambos os corações lentamente puxavam esse misterioso fio para si.

domingo, junho 10, 2012

Tempestade em pétalas

Acordei hoje com a sensação de que estou num falso equilíbrio
Que a aparente ordem regendo tudo ao meu redor
Irá desferir um golpe contra si mesma
Rompendo a tênue linha do que chamamos de "normalidade"
E um turbilhão de novas descobertas surgirá
Como um navio tragado de repente por uma tempestade
Em alto mar.

domingo, junho 03, 2012









"[...] Yet in his eyes all the sadness of the world."


sábado, junho 02, 2012

Maybe I'm Amazed

Baby I’m amazed at the way you love me all the time
Maybe I’m afraid of the way I love you
Baby I’m amazed the way you pull me out of time
Hung me on a line
Maybe I’m amazed at the way I really need you

quarta-feira, maio 30, 2012

A caixa de Pandora

O mito de Pandora ilustra bem o ciclo que ocorre interminavelmente na humanidade. A inocência, a ignorância e principalmente a curiosidade permeiam o interior do homem. Quantas vezes já não nos precipitamos em uma atitude consumidos pelo desejo inexorável da descoberta? Quantas vezes já não nos frustramos devido às consequências fatídicas do nosso ímpeto em conhecer alguém? Pandora foi apenas mais uma entre milhões de indivíduos que diariamente abrem caixas invisíveis e deparam-se com os mau agouros por elas trazidos. Caixas que guardam corações, palavras, abraços e lágrimas. Contudo, assim como Pandora, ainda assim depositamos um desejo íntimo de que tudo ainda pode melhorar, de que ainda pode dar certo. E isso veio a ela (ou nós) com o nome de esperança. E assim, ad infinitum, repetimos o ciclo do desejo à descoberta, à frustração e à esperança.

sexta-feira, maio 25, 2012

Via Láctea

Me falaram de contar carneiros para espantar a insônia
Daquela vez nem uma centena deles foram capazes de fazê-lo
Falaram também de chás e ervas mágicas incensárias
Nada disso foi sucificiente
Até que eu saísse de casa e mirasse da noite
um mar de sóis a flutuar
na imensidão escura do universo.

quarta-feira, maio 23, 2012

Sapiens





Ninguém nasce por aí sabendo
Nenhuma mãe vem a parir um filho no mundo
que mal abra os olhos e já soletre o alfabeto
Vomitando equações algébricas após amamentado
E tendo fraldas intumescidas de provérbios
É preciso fé e dor, sempre olhando pra frente
Sujeitando-se ao sol, a lua, ao vento e ao pó
Cantando baixinho pra não esquecer
O ritmo lento, porém infalível,
O ritmo das horas.

segunda-feira, maio 21, 2012

A raposa e o tempo

Vai, sê eternamente responsável por aquilo que cativas
Diziam
Eterno é uma palavra tão forte
O que é ser eterno?
Como ser eterno para alguém,
Se nem para nós mesmos somos?
E depois vem a responsabilidade
O peso dessa palavra já exaspera
Somos efêmeros e mutáveis
Mas temos ligações, laços imateriais
com quem amamos
Somos efemeramente ligados a quem amamos eu diria
Na efemeridade do contexto
de nossas vidas.

quarta-feira, maio 16, 2012

Dual soul

Seduzi-lhe de forma tão suave e imperceptível
Mal abriu os olhos e já perdera-se em paixão
Da sedução ao beijo, do beijo ao abraço
O doce abraço que levara-lhe à perdição
Ele estava inevitavelmente fadado à escuridão
O único detalhe que faltou-me às vistas
Talvez em meio à própria escuridão que surgia
Era que ele era eu, eu era ele, éramos nós.

sábado, maio 12, 2012

Ano do dragão

Vamos ver que rumos esse dragão alado vai dar
Soltando fogo pelas narinas (não sei se propositalmente) e me aquecendo
subindo sempre mais alto,
Tenho ânsia por quais horizontes, nuvens, rios, ou mares ele vai passar...

quinta-feira, maio 03, 2012

The sun is rising

Às vezes não acreditamos nos desígnios Dele
até que deparamos com o destino belo
terrível e iminente que nos esperava.

terça-feira, abril 24, 2012

Distração

Falavam-me de carros
aviões e coisas que soltam fumaça
 Falavam-me dinheiro
 E maneiras de se ganhar mais
 Enquanto me pegava distraído
 com o orvalho que escorria
 das pontas das folhas do jardim
 através da janela
 ainda meio embaçada
 e manchada de sol
 laranja
 da manhã

sexta-feira, abril 20, 2012

As coisas mudam

Da mesma forma que quando dizem que quando entramos duas vezes em um rio já não somos mais os mesmos, ele percebeu que definitivamente não era o mesmo desde que havia se mudado. Por mais que passeasse de bicicleta pelos mesmos canteiros de crisântemos, barracas de camelôs, buracos milimetricamente preditos no percurso (eventualmente tapados de forma paliativa) e pela grande árvore que ficava no centro da praça; apesar das aparentes mesmices ele era outro. Nesse ínterim ele aprendeu a valorizar os momentos de alegria compartilhados com amigos. Risadas, brincadeiras, segredos sussurrados aos prantos, noites mal dormidas por causa das provas. Havia também os momentos de silêncio, vagarosamente compassados, em que se regurgitavam idéias e sentimentos guardados, remoídos; momentos outros em que se conhecia alguém que não era como os outros, alguém que definitivamente fez parte de sua história, de sua vida. Amor à primeira vista, conversas tímidas, trocas de mensagens, viradas de noites de conversas, o primeiro encontro, o primeiro beijo, o abraço, a paixão que culmina, o namoro. O amor que era pra durar pra sempre, mas não durou. A tristeza, o declínio, a desolação e a saudade que vez ou outra passa pra dar um cutucão. E nesse vendaval de cores, cheiros, sentimentos, vazios e imensidão, ele passeava por canteiros de crisântemos e percebeu que, por muitas vezes, aquela grande árvore no centro da praça havia passado por mudas. Lentas e silenciosas. As folhas que caíam sempre no outono, o verdume que surgia na primavera, a sombra que ela dava no verão e balançando gélida pelo vento invernal. Ele percebeu que nem ele, nem o rio, nem a árvore eram os mesmo. As coisas mudam.

segunda-feira, abril 16, 2012

Libertas quae sera tamen

Ainda que tardia
sussurrada do vento
flutuando fugidia
caindo feito pluma ao relento
inesperado o dia
que a liberdade me avistou.
Me tornou rebento
Me jogou ao vento
Nunca mais fraco
sempre mais lento.

segunda-feira, abril 09, 2012

Somebody that I used to know

"Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember"

domingo, março 25, 2012

Fallin' Free

"Deep and pure our hearts align
Then I'm free, I'm free of mine
When I let loose the need to know
We're both free, we're free to go"
- Fallin' Free, Madonna

domingo, março 18, 2012

Painful love

A dor do amor não tem cura
Para todas as outras existe aspirina

quinta-feira, março 15, 2012

Thank you

How 'bout no longer being masochistic?
How 'bout remembering your divinity?
How 'bout unabashedly bawling your eyes out?
How 'bout not equating death with stopping?

terça-feira, março 13, 2012

O pacto

As pessoas fizeram um pacto
Silencioso e mudo
Não o divulgaram ao vento
Nem mesmo a terra pode ouvi-los
Enquanto juravam -se entre olhares
Escondidos e furtivos
E este tratado era tão secreto
Que nem eles sabiam da jura
Apenas os olhares concordavam
[e sabiam]
silenciosos e mudos.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Fairy Tale

É engraçado quando você percebe que a vida não é aquela coisa bonitinha de conto de fadas em que tudo acaba bem no final. Em primeiro lugar, não existe vilão e ninguém quer roubar a princesa indefesa do castelo (a não ser por alguns casos reais de sequestro). Em segundo lugar, nada é linear nessa história escrita de forma muitas vezes aleatória (por mais que tudo faça muito sentido ao se ver depois). Por mais que eu quisesse ser o príncipe encantado que salva a princesa lutando contra dragões ferozes que cospem rajadas de fogo pela boca, vou saber que no mínimo eu estava muito alto ou fazendo um papel em algum filme (se fosse um ator). Enfim, acho que foi muita dose de realidade de uma vez, acho que vou pegar minha vassoura e voltar pro meu castelo assombrado.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Live and Let Die

For all the lovers who prefer solitude
instead of blindness
For all the ones who wander without searching
but aware of destiny
For all the hearts and souls that fly
like dust in the wind
I say live and let die.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

O fio

Ele se pegava às vezes absorto em pensamentos. Tragado por um abismo profundo de memórias que vinham como em um turbilhão. No meio de uma praça em pleno dia, o sol torrando os corpos frágeis que se arriscavam a sair de casa. Seus olhos parados, bem abertos, estáticos a contemplar o nada, e o tudo que estava ao seu redor. Ele sentia toda a imensidão do universo e ao mesmo tempo toda a singularidade de cada lugar que visitou, cada pessoa que conheceu. As coisas conspiravam em silêncio para que ele percebesse que tudo segue uma trilha invisível, ou melhor: um fio. Um fio invisível ao qual estava atado lhe conduzia a caminhos infindáveis, impensáveis. Seu corpo só lhe dava a presença física. Flutuava em dimensões esquecidas no tempo e acompanhava as cenas já vividas gravadas para sempre pelas suas retinas. Uma grande nostalgia tomou conta de seu peito, revolveu em suas entranhas e desatou para fora dele na forma de uma lágrima. Havia muita coisa ainda a ser percorrida, mas tudo que passou foi essencial para ele ser o que era naquele momento. Ele enxugou de repente a lágrima com a gola da camisa de linho; levantou e seguiu seu caminho no parque. Levantou-se como se seguisse um pressentimento, como se conduzido por um fio.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

A gente sempre espera nessa vida, não sabemos ao certo pelo quê, ou quando algo vai acontecer. Eu diria que estou em um estado transiente, à espera de que a vida me devolva aquela vontade louca e desentranhada de viver. Enquanto esse tempo não chega, prefiro seguir caminhando lento, divagando, assim é mais fácil de enxergar o que aparece no caminho.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Segundo sol

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Sagittarius

Sinto
muito
falo pouco
Minto
Grito rouco
Absinto
Meio louco
um tanto
Extinto
às vezes
solto
sempre indo
Um dia
eu volto...

sábado, dezembro 24, 2011

Ano Novo

Para o ano que parte,
deixo toda minha dor,
todo desalento
Deixo o pranto ao vento
em todo seu fervor.

Para o ano que chega
deixo toda minha vida
toda fé insana
Deixo a paz humana
cuidadosamente erguida.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Não acredito em coincidências, tampouco em sorte, tudo é obra deste famigerado e misterioso destino.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Acho que finalmente as coisas estão entrando em seus eixos de novo. Os astros me tiraram do inferno astral em que estava e brilharam novamente. Lua em libra me inspira a ser mais apaixonado em meus atos, mas sempre parcimonioso. Que venha o próximo ano!

sábado, novembro 26, 2011

Sinto tanto a sua falta,
gostaria que o tempo pudesse voltar
E eu pudesse de algum modo
De alguma forma
Ter descoberto, ter te ajudado
Mas eu sinto que deveria ser assim
As coisas sempre conspiram de seu modo
Mas você sempre ficará em mim
Eu sou seu gene, sua herança ao mundo.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Eu tento saber das coisas do mundo

Queria cantar alguma canção
Iluminada de sol
Ou apenas de luar
Mas quando me concentro
Só uma frase permeia minha mente:
O que os olhos vêem
O coração não sente

quinta-feira, novembro 17, 2011

Came in through the bathroom window

Sunday's on the phone to Monday
Tusday's on the phone to me

segunda-feira, novembro 14, 2011

Trecho

"Tenho um dragão que mora comigo.

Não, isso não é verdade.

Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo."

- Os dragões não conhecem o paraíso, Caio Fernando Abreu

domingo, novembro 13, 2011

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
and I'm feeling good

(at least I will)

quarta-feira, novembro 09, 2011

Sobre um pai

Pai, só queria te dizer que você foi a pessoa que mais me inspirou nessa vida e certamente amei e continuarei amando. Deus te guie nessa jornada desconhecida.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Love road

Caminho antes único que se bifurca.
Estrada antes iluminada de sol agora escurecida.
Eu me questionando se tinha de ser assim.
Depois de tanto tempo andando juntos.
Até onde vamos parar nessa jornada?

domingo, outubro 30, 2011

Change

Cada um tem seu tempo de mudar
Alguns levam dias, outros meses, alguns perfazem anos
Outros levam uma vida inteira
Mas os singulares são os que parecem nunca mudar.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Life

Aprendi que a gente só aprende as coisas na dor, que nem sempre o que pensamos que está acontecendo é o que realmente acontece, que podemos nos enganar sobre o que as pessoas pensam (e sentem) de nós. Aprendi que no fundo estamos todos só nessa jornada e é por isso que me preparo para o grande mergulho nesse desconhecido.

terça-feira, outubro 18, 2011

Para uma avenca partindo

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver
as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer
atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia
destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

sábado, outubro 15, 2011

Não vá embora

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais...

sexta-feira, outubro 14, 2011

Behind

Atrás de um sorriso
Escoa lento e perene
O suplício da dor.

quarta-feira, outubro 12, 2011

O que passa

Já me falaram de dias que não passam
de horas e semanas que se estendem
mas nunca havia ouvido falar
de amores que não passam

Starway to sun

Pés ante pés
A gente vai fazendo a trilha
Seja rock ou jazz
Somos a estrela que brilha.

domingo, outubro 02, 2011

Metamorfos


A vida só é possível reinventada.
Devemos ter coragem para mergulharmos
naquilo que ainda não conhecemos.
Sem nos contermos, sem nos retesarmos.

Seja como um pássaro pelos ares
Seja como um peixe pelos mares
Mergulhar sem medo da investida
(re)descobrindo cada escama, cada pena
que sempre existiu mas não era percebida.

Seja a metáfora viva da mudança
Transforma cada pedaço teu em pétala
E deixa-te levar pelos novos ventos
Abra tua alma para o que te aguarda.
Sê efêmero e eterno.


quarta-feira, setembro 28, 2011

"Mas de tudo isso me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros.
De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento.
Ser novo."

Caio F. Abreu

terça-feira, setembro 27, 2011

Devolva-me

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem.

O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me...

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas feliz
Junto do seu novo rapaz.

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem.

O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me...

- Adriana Calcanhotto

terça-feira, setembro 20, 2011

Um a Um

Eu não quero ganhar
Eu quero chegar junto
Sem perder
Eu quero um a um
Com você
No fundo
Não vê
Que eu só quero dar prazer
Me ensina a fazer
Canção com você
Em dois
Corpo a corpo
Me perder
Ganhar você

Muito além do tempo regulamentar

Esse jogo não vai acabar
É bom de se jogar
Nós dois
Um a um
Nós dois
Um a um
Nós dois
Um a um
Nós dois

Me ensina a fazer

canção com você

em dois em duo

em duo em dois...

domingo, setembro 18, 2011

Devagar

E devagar que vou divagando
Vagando por vários caminhos
De vagar eu vou encontrando
Gotas de orvalho em espinhos
Divagar com coração brando
Devagar e sempre sorrindo.

sábado, setembro 17, 2011

O que

O que tange
O que urge
O que marca
O que tinge
O que forja
O que crava
O que uiva
O que lavra
O que molha
O que escorre
O que resta
nos caminhos
que ainda temos que percorrer?

quarta-feira, setembro 14, 2011

Herança

"Eu vim de infinitos caminhos
e os meus olhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vieram depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados
que experiência, consolo, ou prêmio alcançarão?"
- Cecília Meireles

segunda-feira, setembro 05, 2011

Labyrinth

In darkness, there can be light.
In misery, there can be beauty,
In death, there can be life...

segunda-feira, agosto 29, 2011

21

Essa é a idade da minha vida. Sinto que estou passando por um momento de grandes transformações e decisões, que eu devo passar por cada um desses episódios muitas vezes trágicos de maneira racional. Estou em plena sintonia com Adele, identificando-me com o que ela passou de quase todas as formas até mesmo porque ela tinha a minha idade. E eu vou me desvencilhando de toda essa dor da mesma maneira que ela o fez: através da música. A música me liberta, me exorciza e me leva a outros patamares. Essa é a idade da minha vida...
Não vou que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer a tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Estou confuso e carente, preciso de uma luz,
Preciso de um abraço forte e verdadeiro
de alguém que me ame de verdade.

domingo, agosto 14, 2011

sábado, agosto 13, 2011

Drink me, make me feel real
Wet your beak in the stream
Game we're playing is life
Love is a two way dream

Leave me now, return tonight
Tide will show you the way
If you forget my name
You will go astray
Like a killer whale
Trapped in a bay

I'm a path of cinders
Burning under your feet
You're the one who walks me
I'm your one way street

I'm a whisper in water
Secret for you to hear
You are the one who grows distant
When I beckon you near

segunda-feira, agosto 01, 2011

Beba bastante, curta sua solteirice e solidão pra caralho. Abra os braços pra antiga vida que o envolvia. Eu sigo aqui equilibrando no fio. No fio em que rola o peso do meu coração.

quinta-feira, julho 28, 2011

E é entre corações partidos, lágrimas secas e muita força de vontade que a gente levanta a cabeça, sacode a poeira e repete baixinho para si mesmo "vai passar, vai passar...".

terça-feira, julho 26, 2011

O conto dos dragões

Eu ouço o respirar pesado de dragões enquanto cavalgo célere pelos campos de trigo. Posso escutar até, se prestar mais atenção, às batidas fortes e compassadas de seus corações enquanto dormem escondidos em cavernas durante o dia. Sei que por baixo daquelas escamas duras circula um sangue secular e quente. Os mais desavisados ou curiosos que se atrevem a entrar em suas moradas escuras viram refeição casual ou, com um pouco de sorte e intrepidez, fiéis parceiros. Homens e dragões já foram mais do que apenas presa e caçador na cadeia alimentar. Em tempos imemoriais, estes seres magníficos foram aliados fundamentais na vitória dos homens sobre os seres das águas. A ajuda aérea determinou a supremacia humana e a queda de Atlântida marcou o início da era dos homens. Hoje os homens atoleimaram-se, esqueceram da preciosa ajuda e sabedoria gravada nas escamas destes seres alados.

segunda-feira, julho 18, 2011

Acabei de perceber que a melhor coisa que me aconteceu foi ele ter me deixado. A venda caiu, a dor se esvaiu. A partir de agora o céu é o limite em minha vida.

quarta-feira, julho 13, 2011

É, essa avenca veio para ficar, não a deixarei partir, não como na história.
"- mas o que chamas de paz se pressinto em ti essa coisa mansa que se faz nos outros se em cada momento que te olho inúmeras coisas escuras escorrem dentro de mim pois se a paz não é uma coisa escura pois se não continuarei não te farei nenhuma pergunta embora precisasse não para te definir ou para te compreender não preciso saber de onde vens assim como para me definires ou me compreenderes não precisas de nenhum dado concreto mas eu não te defino nem te compreendo apenas sei que chegaste e que esta tua chegada modificará em mim todas as coisas que se tornaram suaves todas as cordialidades ou amenidades que construí nesse tempo de absoluta sede ansiava por ti como quem anseia pela salvação ou pela perdição porque qualquer coisa poderia me salvar desta imobilidade que me devasta por dentro te direi como se constroem momentos apenas para sobreviver mas já não quero sobreviver já não quero apenas ir adiante é preciso que qualquer coisa abata esta letargia porque já não admito precariedades porque não sei o que digo nem o que sinto mas persistirei no que pressinto [...] além disso nada sei mas não fujo foram muito poucas as coisas que vivi percebo que não cheguei a existir exatamente não não sou forte apenas construí minhas fraquezas essa coisa que talvez chamasses de força há muito tempo eu permanecia esquecido de mim mesmo foi preciso que chegasses para eu perceber que somente destruindo se pode construir agora eu quero a destruição que me propões mas não propões nada deixas que eu enverede sozinho é assim sei que não me deixarás sozinho sei que te recusas a te definires em palavras não porque eu me atemorizasse mas porque as palavras não te dizem temos muito pouco tempo nesse pouco tempo é preciso que todos percebam em ti o que nunca viram e somente no último momento possam ver a tua face [...] mas eu de nada sei nada conheço do que falo mesmo assim estou pronto embora sem compreender integralmente sim semearemos o que eles não seriam capazes de viver se não chegasses não me esquivarei vejo a tua mão estendida em direção a mim e estendo a minha a própria mão e minha mão e tua mão tocam e a minha espera e a tua conduz sim preparo-me para o grande mergulho no desconhecido."

- Afogado de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

terça-feira, julho 12, 2011

"[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando."

- Harriett de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

segunda-feira, julho 11, 2011

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua vida você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugar confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo inevitavelmente, você está perdido: as coisas não voltarão mais a ser as mesmas e você próprio não será o mesmo. O que vem depois não se sabe."

- "Eles" de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

sábado, julho 09, 2011

Sobre uma avenca

Eu preciso continuar a acreditar que isso vai passar. E para que isso aconteça, é preciso podar, cortar, diminuir aquilo que tem crescido em mim tão avassaladoramente nesses últimos anos. É uma faca de dois gumes, ou eu deixo essa "avenca" ou roseira, "essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado" morrer, ou eu me destruo. É um sentimento auto-destrutivo a essa altura, a cada dia que passa eu corto um ramo, um galho dessa avenca. Só assim talvez eu possa voltar a ser alguém, digamos, livre.

domingo, junho 26, 2011

Fragmento

"- Você acredita em milagres?
- Hoje não."

sexta-feira, junho 24, 2011

Consulta

- Oi, Doutor.
- Olá, Ricardo, como vai?
- To com uma dor, doutor, uma dor que não passa.
- Humm, uma dor que não passa, e onde você a sente?
- Bem aqui doutor
- Aqui?
- É
- No coração?
- Sim, doutor, no meu coração.

Saudade

Saudade que dilacera
No ritmo das horas
No ritmo da espera.

domingo, junho 19, 2011

O conto da noite

- [...] Se eu não me engano eu acho que nós deveríamos estar aqui no mapa, ai, droga!
- Não acredito que estamos perdidos aqui no meio da noite.
- Pelo menos estamos de carro e o céu está limpo...
- Ah, é verdade o céu, vai nos ajudar tanto né?
- Mais do que você imagina, amigo.
- Como assim?
- Está vendo aqueles pontos brilhantes? Veja que alguns pulsam tão fracamente que parecem que vão se apagar a qualquer momento,
- Sim, estou, são estrelas...
- Não somente, são milhares, milhões de sóis como o nosso a queimar ardemente.
- Sol, era tudo que eu precisava nesse momento pra nos iluminar no meio dessa imensidão escura.
- Estamos sob o regime das estrelas, Cláudio, estamos sob o regime do luar.
- E você me lembro de que preciso retomar meu regime, ganhei um pesinho ultimamente.
- Presta atenção, não consegue ver a metáfora viva que seus olhos alcalçam?
- Qual?
- Nossas vidas são como sóis, estamos embrenhados nessa imensidão do universo, muitas vezes sozinhos, outras acompanhados, mas sempre pulsando, sempre vivendo.
- Você viaja tanto, não é à toa que é de Sagitário, Fernando...
- E não é à toa que você é de capricórnio com a cabeça fincada nesse chão (risos de ambos).
- No fundo eu acho que você está certo, a única certeza é de que apagaremos também.
- Mas até lá ainda temos muitas vias lácteas para conhecer, pode ficar certo disso.
- O que podemos fazer pra sair daqui?
- Fazer o que nossos antepassados faziam ao navegar pelos oceanos no negrume da noite.
- E isso é?
- Guiar-se pelas estrelas, veja, aquele é o cruzeiro do sul ele aponta para a direção sul...

Poema breve

Com toda a licença poética
Vai ver se eu to na esquina.

domingo, junho 12, 2011

Inspire



Eu:
E se formos parar para perceber, tudo é uma questão de perspectiva, Dedé...
Está vendo aquilo no céu? O que imagina que seja?
Dedé: Ora, uma nuvem, o que mais seria?
Eu: Você tem certeza?
Dedé: Espera aí. Agora sim eu vejo... um animal, acho que um cavalo, estou certo?
Eu: É como eu disse, é tudo uma questão de perspectiva.
Dedé: Mas se eu tivesse visto outra coisa que não um cavalo?
Eu: Eu diria que você é uma pessoa mais criativa do que eu (risos).

Diálogo

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: È.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.

quarta-feira, junho 08, 2011

Rosa

E toda a dor e sofrer que ele sentiu precipitaram densos naquilo que chamavam de lágrimas. Gotas pesadas saciavam a terra seca e lavravam o pesar de seu peito. Diziam que daquela terra desolada não nasceria mais nada, ora, para espanto dos descrentes nascera ali, do sulco das gotas vertidas, uma rosa. Rubra como o sangue que corria quente em seu órgão pulsante. A rosa da dor desabrochava esplêndida e sorria para ele numa manhã qualquer

sábado, junho 04, 2011

I don't blame them

And there were rumours I was aching and feeling bad, well, I don't blame them for their lack of sensivity, not even in my darkest days I'd tell them. Perhaps for most of them I keep showing off like a hustler. I completely own myself and my thoughts. By the way if they keep saying and cheating, I don't blame them at all...

domingo, maio 29, 2011

Acima de nós




Hoje saí de casa inesperadamente, peguei minha bicicleta, meus fones de ouvido, meu mp3 e saí. Errei pelas ruas de minha cidade enquanto mergulhava em meus próprios pensamentos. E quando reparei, já estava no ponto mais alto da região, onde é possível ver todas as redondezas e, talvez o mais importante, o sol, que já estava a se pôr. Foi então que eu me lembrei há quanto tempo não saía para assistir a esse evento tão lindo, tão simbólico e mágico. Costumava sair com minha cachorrinha para a praia e assistir a agonia do sol, vê-lo desmanchar-se na abóbada celeste. É um momento tão rápido e tão belo. Muitas coisas se passaram na minha cabeça, muitos pôres-do-sol, muitas auroras. Reparei que tudo é tão pequeno perto dessa vastidão que é o mundo e a vida. Não vale a pena guardar o que nos faz mal, o que nos fez sofrer. E os momentos são como um crepúsculo, não voltarão só porque você quer uma vez que se foram. É claro que haverá novas auroras, novos amanheceres, e estes virão com novidades e você poderá vivê-los com mais maturidade. Abri meus braços e minha alma para o céu e agradeci ao sol por aquelas reflexões tão profundas.

sábado, maio 28, 2011

Desato

Hoje eu não aguentei, dessa vez a tormenta de memórias foi muito forte, densa demais para um coração frágil. Tranquei-me no banheiro, sentei, acolhido no canto, e chorei. Chorei por tudo que sofri, por tudo que fiz e tudo o que não fiz. E foram muitas lágrimas vertidas.

terça-feira, maio 24, 2011

Pés

Tão cansados e pesados
Para que vos quero?
Se tenho asas para voar.

sábado, maio 14, 2011

Se você errou

"Se você errou, peça desculpas...

É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo diga...

É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...

É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...

É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível..."

- Cecília Meireles

sábado, maio 07, 2011

Ei!

Segure as minhas mãos, não, não largue-as assim tão cedo. Veja, o sol já se põe, está agonizando em sangue, teremos a noite inteira só para nós. Não somente, a negrura do céu, a mansidão da brisa noturna e as milhares de centelhas que ardem lá em cima. E só seremos eu e você, você e eu, nada mais. Olha, não tenha medo, esqueça seus problemas, seus compromissos, pensa que não tem amanhã, pensa que hoje é o que mais te importa e que nada te fará temer o futuro. Imagina o quanto temos de descobrir não sozinhos, mas juntos, a aventura de uma vida a dois. Desta vez não haverá o ontem, nem o amanhã, apenas eu e você agora.

quinta-feira, abril 28, 2011

O peso da verdade

Abrir os olhos,
e enxergar que o rastro de sangue
partiu de minhas mãos, olhos, rosto...
Retirar a venda do orgulho
jogá-la à cova dos leões do remorso
E assumir o erro, eis o mais pesado dos fardos
Assumir que as facadas não partiam de lá
e sim daqui
Nada que um pouco de amor
e uma boa dose de esperança
faça-nos criar a coragem devida.

Quero um dia para chorar

"Quero um dia para chorar.
Mas a vida vai tão depressa!
Não é preciso deixar contida a tristeza,
para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.

Não quero amor, não quero amar...
Não quero nenhuma promessa
nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
nem nada de quanto regressa.
Quero um dia para chorar.

Quero um dia para chorar.
Dia de desprender-me dessa aventura mal entendida
sobre os espelhos sem saída
em que jaz a minha face impressa.
Chorar sem protesto.
Chorar."

- C. M.

domingo, abril 24, 2011

You Lost Me

E cada palavra que saía daquela boca infame me estilhaçava, desfragmentava e destruía. Eu via os castelos e muros desmoronando em cada finita parte de minha mente. Nem ao menos consegui chorar, tudo o que havia de doce e úmido secou-se, evaporou no calor daquela discussão. Uma vez imperante o silêncio, reduzi-me em minha solitude primeva ainda tentando recolher os estilhaços de mim que se despedaçaram no chão.

domingo, março 27, 2011

sexta-feira, março 25, 2011

Sexo

Corpos desnudos
Peso do abraço
Mãos de veludo
Cama e mormaço
Prazer inerente
entorpecente
enfervescente
sintonia
maresia
epifania
orgasmo
marasmo
Almas lavadas

quarta-feira, março 16, 2011

Súbito sopro

Decerto que a raiva que me toma agora
subiu das entranhas da terra e me engoliu
feito uma serpente de fogo que outrora
era apenas um pressentimento vil

segunda-feira, março 14, 2011

Only boy

"I want you to make me feel
Like I'm the only boy in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only who knows your heart."