sexta-feira, janeiro 19, 2007

A segunda tentação

Foi então que o diabo conduziu-o à Cidadela Santa, no alto do Templo. Ainda era dia e o sol era abrasador. Como a areia e barro das construções eram claros, a reflexão da luz ardia nos olhos de quem se atrevia a ver o horizonte. Contudo, misteriosamente nuvens cobriram a semi-esfera celeste por completo, havia somente treva. Jesus podia avistar pessoas embaixo, algumas confusas, outras clamando por luz e outras continuando suas vidas absortas em viver. Ele olhava em derredor e via o quanto ainda tinha de fazer, a sua missão ainda estava para ser completa.
O diabo encarava Jesus fixamente, com olhos de malícia e frialdade, sabia que se conseguisse levar o Filho de Deus para o seu lado, o mal seria semeado tão célere quanto a luz que se espalha sobre as planícies na alvorada. Era preciso saber convencer, tentar...
Foi então que o diabo foi até à beira do alto do templo, e indicou a Jesus que também o fizesse, e ele o fez. O templo era realmente alto, as pessoas pareciam pequeninas e o vento era forte. Jesus sentiu vertigens ao olhar para baixo. Imaginou-se por momentos se ele caísse, o que haveria de ser. Também se perguntou no que o diabo poderia estar tramando e quando ergueu a mão para perguntar, foi interpelado pelas palavras secas do anjo caído:
- Se és o Filho de Deus- e menciona o nome Dele com desdém - lança-te daqui abaixo; porque está escrito: aos seus Anjos dará ordens ao teu respeito, e; eles te sustentarão nas suas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
E aponta para o abismo; nesse momento, o vento fica mais forte. Jesus não temia a morte, sabia muito bem que ela é inerente ao ser e é a passagem; além do que sabia muito bem das escrituras e revida:
- Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
E dá um passo para trás, demonstrando que negaria a ordem do diabo, esse por sua vez, entra em fúria de novo e se prepara para a última tentação, sua última chance de ter o Filho de Deus como servo.

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