O mito de Pandora ilustra bem o ciclo que ocorre interminavelmente na humanidade. A inocência, a ignorância e principalmente a curiosidade permeiam o interior do homem. Quantas vezes já não nos precipitamos em uma atitude consumidos pelo desejo inexorável da descoberta? Quantas vezes já não nos frustramos devido às consequências fatídicas do nosso ímpeto em conhecer alguém? Pandora foi apenas mais uma entre milhões de indivíduos que diariamente abrem caixas invisíveis e deparam-se com os mau agouros por elas trazidos. Caixas que guardam corações, palavras, abraços e lágrimas. Contudo, assim como Pandora, ainda assim depositamos um desejo íntimo de que tudo ainda pode melhorar, de que ainda pode dar certo. E isso veio a ela (ou nós) com o nome de esperança. E assim, ad infinitum, repetimos o ciclo do desejo à descoberta, à frustração e à esperança.
quarta-feira, maio 30, 2012
sexta-feira, maio 25, 2012
Via Láctea
Me falaram de contar carneiros para espantar a insônia
Daquela vez nem uma centena deles foram capazes de fazê-lo
Falaram também de chás e ervas mágicas incensárias
Nada disso foi sucificiente
Até que eu saísse de casa e mirasse da noite
um mar de sóis a flutuar
na imensidão escura do universo.
Daquela vez nem uma centena deles foram capazes de fazê-lo
Falaram também de chás e ervas mágicas incensárias
Nada disso foi sucificiente
Até que eu saísse de casa e mirasse da noite
um mar de sóis a flutuar
na imensidão escura do universo.
quarta-feira, maio 23, 2012
Sapiens

Ninguém nasce por aí sabendo
Nenhuma mãe vem a parir um filho no mundo
que mal abra os olhos e já soletre o alfabeto
Vomitando equações algébricas após amamentado
E tendo fraldas intumescidas de provérbios
É preciso fé e dor, sempre olhando pra frente
Sujeitando-se ao sol, a lua, ao vento e ao pó
Cantando baixinho pra não esquecer
O ritmo lento, porém infalível,
O ritmo das horas.
segunda-feira, maio 21, 2012
A raposa e o tempo
Vai, sê eternamente responsável por aquilo que cativas
Diziam
Eterno é uma palavra tão forte
O que é ser eterno?
Como ser eterno para alguém,
Se nem para nós mesmos somos?
E depois vem a responsabilidade
O peso dessa palavra já exaspera
Somos efêmeros e mutáveis
Mas temos ligações, laços imateriais
com quem amamos
Somos efemeramente ligados a quem amamos eu diria
Na efemeridade do contexto
de nossas vidas.
Diziam
Eterno é uma palavra tão forte
O que é ser eterno?
Como ser eterno para alguém,
Se nem para nós mesmos somos?
E depois vem a responsabilidade
O peso dessa palavra já exaspera
Somos efêmeros e mutáveis
Mas temos ligações, laços imateriais
com quem amamos
Somos efemeramente ligados a quem amamos eu diria
Na efemeridade do contexto
de nossas vidas.
quarta-feira, maio 16, 2012
Dual soul
Seduzi-lhe de forma tão suave e imperceptívelMal abriu os olhos e já perdera-se em paixão
Da sedução ao beijo, do beijo ao abraço
O doce abraço que levara-lhe à perdição
Ele estava inevitavelmente fadado à escuridão
O único detalhe que faltou-me às vistas
Talvez em meio à própria escuridão que surgia
Era que ele era eu, eu era ele, éramos nós.
sábado, maio 12, 2012
Ano do dragão
Vamos ver que rumos esse dragão alado vai dar
Soltando fogo pelas narinas (não sei se propositalmente) e me aquecendo
subindo sempre mais alto,
Tenho ânsia por quais horizontes, nuvens, rios, ou mares ele vai passar...
Soltando fogo pelas narinas (não sei se propositalmente) e me aquecendo
subindo sempre mais alto,
Tenho ânsia por quais horizontes, nuvens, rios, ou mares ele vai passar...
quinta-feira, maio 03, 2012
The sun is rising
terça-feira, abril 24, 2012
Distração
sexta-feira, abril 20, 2012
As coisas mudam
Da mesma forma que quando dizem que quando entramos duas vezes em um rio já não somos mais os mesmos, ele percebeu que definitivamente não era o mesmo desde que havia se mudado. Por mais que passeasse de bicicleta pelos mesmos canteiros de crisântemos, barracas de camelôs, buracos milimetricamente preditos no percurso (eventualmente tapados de forma paliativa) e pela grande árvore que ficava no centro da praça; apesar das aparentes mesmices ele era outro. Nesse ínterim ele aprendeu a valorizar os momentos de alegria compartilhados com amigos. Risadas, brincadeiras, segredos sussurrados aos prantos, noites mal dormidas por causa das provas. Havia também os momentos de silêncio, vagarosamente compassados, em que se regurgitavam idéias e sentimentos guardados, remoídos; momentos outros em que se conhecia alguém que não era como os outros, alguém que definitivamente fez parte de sua história, de sua vida. Amor à primeira vista, conversas tímidas, trocas de mensagens, viradas de noites de conversas, o primeiro encontro, o primeiro beijo, o abraço, a paixão que culmina, o namoro. O amor que era pra durar pra sempre, mas não durou. A tristeza, o declínio, a desolação e a saudade que vez ou outra passa pra dar um cutucão. E nesse vendaval de cores, cheiros, sentimentos, vazios e imensidão, ele passeava por canteiros de crisântemos e percebeu que, por muitas vezes, aquela grande árvore no centro da praça havia passado por mudas. Lentas e silenciosas. As folhas que caíam sempre no outono, o verdume que surgia na primavera, a sombra que ela dava no verão e balançando gélida pelo vento invernal. Ele percebeu que nem ele, nem o rio, nem a árvore eram os mesmo. As coisas mudam.
segunda-feira, abril 16, 2012
Libertas quae sera tamen
Ainda que tardia
sussurrada do vento
flutuando fugidia
caindo feito pluma ao relento
inesperado o dia
que a liberdade me avistou.
Me tornou rebento
Me jogou ao vento
Nunca mais fraco
sempre mais lento.
sussurrada do vento
flutuando fugidia
caindo feito pluma ao relento
inesperado o dia
que a liberdade me avistou.
Me tornou rebento
Me jogou ao vento
Nunca mais fraco
sempre mais lento.
segunda-feira, abril 09, 2012
Somebody that I used to know
"Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember"
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember"
domingo, março 25, 2012
Fallin' Free
"Deep and pure our hearts align
Then I'm free, I'm free of mine
When I let loose the need to know
We're both free, we're free to go"
- Fallin' Free, Madonna
Then I'm free, I'm free of mine
When I let loose the need to know
We're both free, we're free to go"
- Fallin' Free, Madonna
domingo, março 18, 2012
quinta-feira, março 15, 2012
Thank you
How 'bout no longer being masochistic?
How 'bout remembering your divinity?
How 'bout unabashedly bawling your eyes out?
How 'bout not equating death with stopping?
How 'bout remembering your divinity?
How 'bout unabashedly bawling your eyes out?
How 'bout not equating death with stopping?
terça-feira, março 13, 2012
O pacto
As pessoas fizeram um pacto
Silencioso e mudo
Não o divulgaram ao vento
Não o divulgaram ao vento
Nem mesmo a terra pode ouvi-los
Enquanto juravam -se entre olhares
Escondidos e furtivos
Escondidos e furtivos
E este tratado era tão secreto
Que nem eles sabiam da jura
Apenas os olhares concordavam
[e sabiam]
silenciosos e mudos.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Fairy Tale
É engraçado quando você percebe que a vida não é aquela coisa bonitinha de conto de fadas em que tudo acaba bem no final. Em primeiro lugar, não existe vilão e ninguém quer roubar a princesa indefesa do castelo (a não ser por alguns casos reais de sequestro). Em segundo lugar, nada é linear nessa história escrita de forma muitas vezes aleatória (por mais que tudo faça muito sentido ao se ver depois). Por mais que eu quisesse ser o príncipe encantado que salva a princesa lutando contra dragões ferozes que cospem rajadas de fogo pela boca, vou saber que no mínimo eu estava muito alto ou fazendo um papel em algum filme (se fosse um ator). Enfim, acho que foi muita dose de realidade de uma vez, acho que vou pegar minha vassoura e voltar pro meu castelo assombrado.
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
Live and Let Die
For all the lovers who prefer solitude
instead of blindness
For all the ones who wander without searching
but aware of destiny
For all the hearts and souls that fly
like dust in the wind
I say live and let die.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
O fio
Ele se pegava às vezes absorto em pensamentos. Tragado por um abismo profundo de memórias que vinham como em um turbilhão. No meio de uma praça em pleno dia, o sol torrando os corpos frágeis que se arriscavam a sair de casa. Seus olhos parados, bem abertos, estáticos a contemplar o nada, e o tudo que estava ao seu redor. Ele sentia toda a imensidão do universo e ao mesmo tempo toda a singularidade de cada lugar que visitou, cada pessoa que conheceu. As coisas conspiravam em silêncio para que ele percebesse que tudo segue uma trilha invisível, ou melhor: um fio. Um fio invisível ao qual estava atado lhe conduzia a caminhos infindáveis, impensáveis. Seu corpo só lhe dava a presença física. Flutuava em dimensões esquecidas no tempo e acompanhava as cenas já vividas gravadas para sempre pelas suas retinas. Uma grande nostalgia tomou conta de seu peito, revolveu em suas entranhas e desatou para fora dele na forma de uma lágrima. Havia muita coisa ainda a ser percorrida, mas tudo que passou foi essencial para ele ser o que era naquele momento. Ele enxugou de repente a lágrima com a gola da camisa de linho; levantou e seguiu seu caminho no parque. Levantou-se como se seguisse um pressentimento, como se conduzido por um fio.
segunda-feira, janeiro 30, 2012
quarta-feira, janeiro 25, 2012
A gente sempre espera nessa vida, não sabemos ao certo pelo quê, ou quando algo vai acontecer. Eu diria que estou em um estado transiente, à espera de que a vida me devolva aquela vontade louca e desentranhada de viver. Enquanto esse tempo não chega, prefiro seguir caminhando lento, divagando, assim é mais fácil de enxergar o que aparece no caminho.
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