Diva
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sexta-feira, agosto 28, 2009
domingo, agosto 23, 2009
Um conselho
Para todos aqueles que não se sentem aptos ou prontos, ou até mesmo acham que não podem mais. Não se enganem, não iludam seu coração. Nunca é tarde para se amar e ser amado. Os desígnios da vida sempre mostram um caminho que passa rente ao córrego do amor, às vezes estamos tão absortos em viver que não o percebemos. Ou nosso espírito tão machucado que não sobrou espaço para uma nova oportunidade. Nunca perca aquilo que possa te salvar deste mundo. Lembra-te que há vastidões mais vastas que essas alcançadas por nossos olhos ou nossas limitadas mentes e o amor é a porta para tais.
quinta-feira, agosto 20, 2009
A verdade sobre o vôo
Um dos maiores dramas da humanidade sempre foi a incapacidade de voar. Desde tempos imemoriais o ser humano almejou alcançar os céus. Isso está registrado nas gravuras e textos literários desde aqueles tempos. Figuras como os anjos, criaturas humanóides dotadas de asas que transitam entre o céu e a terra, são muito conhecidas e podem ser vistas como objetos de vontade de vôo do homem. O conto de Ícaro na mitologia grega ilustra muito bem essa vontade, às vezes obsessiva. Foi então que construímos os helicópteros e os aviões. Contudo ainda assim não nos contentamos, buscamos arduamente uma maneira de ascender por conta própria, sem auxílio de máquinas ou ferramentas. A questão é, existe somente uma maneira de se voar? A resposta é não. Para comprovar isso, experimente deitar em sua cama e, relaxado, escutar a música que mais lhe aprouver a alma, que mais lhe penetre nos confins de teus pensamentos, que te faça esquecer de teus problemas e desejos por pelo menos alguns minutos. Agora assim tente voar sobre todos os lugares que já quis antes. Todos os vales, montes, colinas, cidades e montanhas. Experimente conhecer cada um desses lugares nesse momento e veja se um ser humano não pode mesmo voar.
"pés, para que os quero se tenho asas para voar?"
"pés, para que os quero se tenho asas para voar?"
quinta-feira, agosto 06, 2009
Bang Bang, my baby shot me down
Éramos ainda duas crianças quando nos conhecemos. Eu tinha cinco anos, ele seis. No auge dos filmes de cowboy e faroeste. Costumávamos montar em cavalos de pau. Nosso parque de diversão virava o mais recente vilarejo pelos arredores do Novo México, constantemente atacado por índios peles-vermelha.
Ele sempre vestia preto, eu branco. Era como uma velha tradição do faroeste. Contudo não era possível dois postos de xerife naquela cidadezinha, um teria de sucumbir. Bang, bang! Ele atirou e caí ao chão. Bang, Bang! Aquele som desagradável para sempre em minha mente.
As estações vieram e mudaram os tempos. Quando cresci o chamei de meu. Ele sempre riria e diria "lembra quando nós brincávamos?".
Música tocada e pessoas cantavam. Apenas pra mim os sinos da igreja soavam.
Agora ele se foi e não se por quê. E até estes dias eu ainda choro. Ele nem mesmo disse adeus. Não teve tempo para mentir. E mais uma vez bang, bang! Ele atirou em mim. Bang, bang! Caí ao chão. Bang, bang! Aquele som desagradável. Bang, bang! My baby shot me down...
Ele sempre vestia preto, eu branco. Era como uma velha tradição do faroeste. Contudo não era possível dois postos de xerife naquela cidadezinha, um teria de sucumbir. Bang, bang! Ele atirou e caí ao chão. Bang, Bang! Aquele som desagradável para sempre em minha mente.
As estações vieram e mudaram os tempos. Quando cresci o chamei de meu. Ele sempre riria e diria "lembra quando nós brincávamos?".
Música tocada e pessoas cantavam. Apenas pra mim os sinos da igreja soavam.
Agora ele se foi e não se por quê. E até estes dias eu ainda choro. Ele nem mesmo disse adeus. Não teve tempo para mentir. E mais uma vez bang, bang! Ele atirou em mim. Bang, bang! Caí ao chão. Bang, bang! Aquele som desagradável. Bang, bang! My baby shot me down...
terça-feira, agosto 04, 2009
L'amour
Não tem nada melhor nessa vida do que acordar de manhã e reparar que você está do lado da pessoa que ama. Admirando o sono lento e profundo dela e fazendo carícias em seus cabelos até abrir os olhos aos poucos e sorrir. Um sorriso claro como a manhã que se desenvolve.
quarta-feira, julho 22, 2009
Notas sobre a música
Nunca conseguirei transpassar essa sensação que atravessa meus tímpanos, ressoa dentro de mim e me faz o pensamento alto [e vário]. Um dia, talvez, ao menos possa chegar perto. Ainda assim, escutar é tudo.
quarta-feira, julho 15, 2009
A volta
Ele não queria voltar tão logo para aquela terra fria. Em que os raios de sol custam mais para tocar o chão e os ventos parecem mais rápidos conforme o passar dos dias. Ele sabia que haveria de voltar, mas algo dentro lhe fustigava a pensar que não. Queria sentir ainda o sabor da brisa que vinha da praia; ver do mar o vermelho escorrendo do céu e sumindo até que só sobrassem as luzes das embarcações ao longe. "Uma terra com palmeiras onde cantam sabiás", confirmou para si. Nunca pensou que sentiria tanta falta daquilo, mas talvez assim fosse necessário. O destino reserva muitos caminhos sinuosos aos seus transeuntes. Além das milhas que o separavam disso, havia um compromisso, uma promessa para si de que tudo haveria de ser como foi decidido. E assim ele voltava, menos passional e mais resoluto quanto aos seus quereres.
quarta-feira, junho 24, 2009
c'est tout
"Je viendrai te prendre
Je saurai te défendre
Au-delà des frontières
Je foulerai la terre
Je tisserai des chants
Au soir et au levant
Un point pour chaque étoile
Chanson de toile"
- Émilie Simon
Je saurai te défendre
Au-delà des frontières
Je foulerai la terre
Je tisserai des chants
Au soir et au levant
Un point pour chaque étoile
Chanson de toile"
- Émilie Simon
sábado, março 14, 2009
O que urge
Não hei de divulgar em manchetes
Não hei de escrever em diários
Nem mesmo sussurar aos ventos
tampouco de outorgar em tratados
O que urge nessa situação
não reside na maneira íntegra de se expressar
A curiosidade alheia se desmancha
se faz deserto em meio ao nosso oceano
de oportunidades
O que se faz mister reside
na palavra doce e silenciosa
que transborda aos poucos de
nossas mãos ou no calor singelo
de nossos beijos e abraços.
Não hei de escrever em diários
Nem mesmo sussurar aos ventos
tampouco de outorgar em tratados
O que urge nessa situação
não reside na maneira íntegra de se expressar
A curiosidade alheia se desmancha
se faz deserto em meio ao nosso oceano
de oportunidades
O que se faz mister reside
na palavra doce e silenciosa
que transborda aos poucos de
nossas mãos ou no calor singelo
de nossos beijos e abraços.
sábado, março 07, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009
Take me out
Take me away from this world
Build-me up wings like this so
sweet and serene as you built
this feeling for me
Take me high, so high
above these clouds
that brought us
days that from rain
hugged
we used to sleep like this
take me somewhere
anywhere you might
walk away
in my chest
to transmit everything
that has no name
not even end
Build-me up wings like this so
sweet and serene as you built
this feeling for me
Take me high, so high
above these clouds
that brought us
days that from rain
hugged
we used to sleep like this
take me somewhere
anywhere you might
walk away
in my chest
to transmit everything
that has no name
not even end
Take me out
Me leva pra longe desse mundo
Construa-me asas assim tão doce
e sereno como construíste
este sentimento por mim.
Me leva alto, bem alto
acima dessas nuvens
que nos trouxeram
dias em que da chuva,
abraçados.
dormiamos assim.
Me leva a alhures
qualquer lugar em que
possas transitar
em meu peito
transmitir tudo isso
que não tem nome
nem fim.
Construa-me asas assim tão doce
e sereno como construíste
este sentimento por mim.
Me leva alto, bem alto
acima dessas nuvens
que nos trouxeram
dias em que da chuva,
abraçados.
dormiamos assim.
Me leva a alhures
qualquer lugar em que
possas transitar
em meu peito
transmitir tudo isso
que não tem nome
nem fim.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Eu
sinto a vida pulsando desde as entranhas da terra
a energia sendo sugada de dentro
subindo sempre em altura,
ascendendo lenta e ritmada
estendendo-se em cada galhada,
em cada ponta de folha
em cada pétala desabrochada.
E eu vejo a glória da aurora não tão notada
da natureza em um crespúsculo.
quinta-feira, novembro 27, 2008
Roda
Completa a décima nona volta ao redor do sol,
Parece que foi ontem que meu Sol nasceu sobre o signo errante
meio eqüino, meio humano
nasci cavalgando sobre esporas imaginárias e cortantes
patas sagitárias novas que amaciam o solo de um mundo antigo
Tudo tem percorrido rápido sua translação natural
os ponteiros parecem competir entre si no relógio pregado na cozinha
no relógio da escola, no relógio do meu braço
Mas nada se compara às voltas do meu coração
O mundo rodou num instante em meu peito
e as feridas ainda estão expostas ao vento da nova estação
É preciso fé e dor para encarar essa roda
mas nem sempre podemos ter a sorte de Pandora...
Parece que foi ontem que meu Sol nasceu sobre o signo errante
meio eqüino, meio humano
nasci cavalgando sobre esporas imaginárias e cortantes
patas sagitárias novas que amaciam o solo de um mundo antigo
Tudo tem percorrido rápido sua translação natural
os ponteiros parecem competir entre si no relógio pregado na cozinha
no relógio da escola, no relógio do meu braço
Mas nada se compara às voltas do meu coração
O mundo rodou num instante em meu peito
e as feridas ainda estão expostas ao vento da nova estação
É preciso fé e dor para encarar essa roda
mas nem sempre podemos ter a sorte de Pandora...
sexta-feira, outubro 17, 2008
O quinto e último
Quinto Motivo da Rosa
Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,
não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...
Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.
Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.
terça-feira, setembro 16, 2008
Fortaleza
Deixa que os olhos te sequem a alma
pelas cascatas rubras que te jorram
deixa que a estrela que cabia em tua palma
suma na imensidão do céu de tua boca
E lamentando pelos cantos de teus lábios
seu martírio resvalado em doce calma
e das ondas curvas de teu corpo
beberei em alento teu doce pranto
chamarei teu corpo feito de pó
chamarei tua alma caminho adentro
do mais sagrado e profano manto
de minha solidão que não mais se vê só.
pelas cascatas rubras que te jorram
deixa que a estrela que cabia em tua palma
suma na imensidão do céu de tua boca
E lamentando pelos cantos de teus lábios
seu martírio resvalado em doce calma
e das ondas curvas de teu corpo
beberei em alento teu doce pranto
chamarei teu corpo feito de pó
chamarei tua alma caminho adentro
do mais sagrado e profano manto
de minha solidão que não mais se vê só.
quinta-feira, julho 24, 2008
O peso e a leveza
"[...] Será atroz o peso e bela a leveza?
O mais pesado dos fardos nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes.
Então, o que escolher? O peso ou a leveza?
Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em duplas de contrários: a luz e a obscuridade, o grosso e o fino, o quente e o frio, o ser e o não-ser. Ele considerava que um dos pólos da contradição é positivo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo. Essa divisão em pólos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Menos em um dos casos: o que é positivo, o peso ou a leveza? Parmênides respondia: o leve é positivo, o pesado negativo. Teria ou não a razão? Essa é a questão [...]
[...] O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixá-lo. Ele a perseguira depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."
Quando a palavra leveza nos vem a mente, podemos rapidamente pensar em algo ligado ao ar, algo rarefeito, volátil, de tal graciosidade e delicadeza quanto a de um grão de pólen; imaginamos um pássaro voando sobre um prado, deslizando suavemente. A sensação que a palavra nos remete geralmente está associada a aspectos positivos, que nos transmitem uma sensação análoga ao que pensamos. Projetamo-nos sobre o vôo tenro de uma andorinha e nos esquecemos um pouco do que é sentir o peso de uma vida. Mas por que seria o peso algo negativo? Kundera afirmou precisamente que o fardo está associado a uma "mais intensa realização vital", está ligado à máxima percepção do que está ao nosso redor, não obrigatoriamente relacionado ao sentido do tato. À medida que os nossos sentidos são ativados e estimulados, estamos nos prendendo à terra, estamos estabelecendo um significativo vínculo com o que nos tange. O peso seria, então, o vínculo que nos atrai, a gravidade inexorável que nos faz sentir que estamos vivos. Não obrigatoriamente pode ser algo negativo, explosões sensoriais não necessariamente são deletéreas. O que Kundera deixou em aberto foi que o sentido e noção de peso e leveza como opostos é relativo, não é algo fácil de se precisar e sempre será uma notável fonte de discussão.
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quinta-feira, julho 17, 2008
O inominável
O jovem viajante estava há anos em sua jornada por estradas desconhecidas. Caminhara milhas e já percorrera desertos de areias brancas, florestas tão densas que o mais tênue raio de luz não penetrava, praias com tal virgindade que o mar ainda lhe comungava um verdume ímpar. Já havia aprendido a se guiar pelas estrelas no firmamento, conhecia os segredos que cada sol distante fornecia aos que sabiamente lhe confiassem o destino. Aprendera a tomar as devidas precauções com relação a outros que aparecessem em seu caminho, já experimentara amargamente o gosto ácido da traição, o veneno ainda se diluía lento em seu corpo. Desvendara a mágica ligação que os astros tinham com ele, cada fase da lua repercutia-lhe uma significativa mudança de comportamento. Mas por mais que sentisse que acumulara um conhecimento vasto pelas veredas do mundo, não havia tido o privilégio máximo que lhe pudesse ser oferecido. Ainda não pudera sentir o que os descrentes chamam de loucura, o que os loucos chamam de poesia, o que os poetas chamam de amor. Por isso ainda seguia em frente, ainda fomentava em seu íntimo a vontade de continuar. O desconhecido lhe era um abismo e a vertigem era seu desejo inexorável de cair, de partir para escuridões mais profundas, vastidões mais claras. O tempo em sua concepção era a natureza que se transformava, a semente que voa com o vento, a planta que nasce da semente, a árvore que medra do solo, a semente que surge dos galhos e reproduz a vida. A passagem do tempo não lhe era linear, descrevia grandes e complexas voltas, numa ciranda interminável de sensações. Contudo nenhum ciclo era completamente igual ao primeiro, sendo o passado um grande esboço do presente. Poder-se-ia então dizer que o tempo descreve espirais. Talvez o amor fosse uma grande mentira; - pensava o viajante- uma lenda antiga de origem remota que servisse de inspiração aos jovens de coração. Contudo se é uma lenda, por que tantos homens já sucumbiram a tal? Por que o mundo se move por uma lenda? Certamente não há de sê-lo, e ele estava ali justamente para descobri-lo. Procurava algo que não sabia ao certo o que fosse, , algo iria lhe daria sentido em sua existência, procurava algo que não tem nome.
domingo, julho 06, 2008
Vertigo/Vertigem
"Anyone whose goal is 'something higher' must expect someday to suffer vertigo. What is vertigo? Fear of falling? No, Vertigo is something other than fear of falling. It is the voice of the emptiness below us which tempts and lures us, it is the desire to fall, against which, terrified, we defend ourselves."
"Aquele que deseja continuamente 'elevar-se' deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas por que sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados."
Milan Kundera, The Unbearable Lightness of Being
"Aquele que deseja continuamente 'elevar-se' deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas por que sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados."
Milan Kundera, The Unbearable Lightness of Being
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