Súbito grito partido da alma,
Tontura cética de um sofredor,
Atadura rompida pela palma,
Pela palma impassível do amor.
Cálidas mãos lembradas,
De momentos de contentação,
Mãos essas agora mortas, enterradas,
Num baú de recordação.
Percebido o tempo perdido,
Por pura falta de compromisso,
Tentou-se fazer o pedido,
Negado, revogado, homem omisso!
Rios corridos da face pendida,
Deságuam na baía da desolação,
Tudo isso por causa da vida,
Da vida de um homem sem coração!
quarta-feira, junho 28, 2006
quarta-feira, junho 21, 2006
If I only had a brain
"E, descomedidamente, ele correu pela pradaria enxugando as lágrimas que saltavam de seus olhos. O pranto convulso e a velocidade com que percorria o lugar não permitiam que ele pensasse. Na verdade, ele não pensou em nenhum momento desde quando fê-lo... desde a vez em que reprimiu severamente seu melhor amigo, e quando se mostrou implacável com sua namorada ao vê-la abraçada com tal amigo.
Agora ele sentia na pele, ou melhor, na alma o que todo bom romântico mais teme: a solidão. Ele estava arrependido de tantos atos impensados, mas nem sempre se pode voltar com o que foi feito. Para quem sempre teve um ombro em que se possa apoiar, um ouvido para desafogar os problemas, é aterrador saber que está à mercê do silêncio.
Foi quando ele tropeçou numa pedra no meio do caminho (no meio do caminho havia uma pedra), que ele percebeu que ele havia tropeçado nele mesmo. A adrenalida circulava freneticamente pelas artérias e veias de seu corpo, a excitação, a palpitação, o desespero, tudo convergia para o irracionalismo abrupto. Ele não sentia dor, embora estivesse ensangüentado.
Se ao menos ele pudesse ter pensar numa solução. Quem sabe ele encontrasse uma resposta se se acalmasse, mas que droga! Ele não conseguia se aquietar, seu coração estava revoltado e parecia não estar disposto a uma trégua. De repente, um gorjeio atrapalhou seus pensamentos; olhou ao redor do campo e visou um rouxinol a cantar no galho de uma árvore morta. Conforme escutava a melodia da ave, percebeu que a relva estava mais macia e suas pernas ardiam. Também sentiu que era tempo para voar a outras terras."
Agora ele sentia na pele, ou melhor, na alma o que todo bom romântico mais teme: a solidão. Ele estava arrependido de tantos atos impensados, mas nem sempre se pode voltar com o que foi feito. Para quem sempre teve um ombro em que se possa apoiar, um ouvido para desafogar os problemas, é aterrador saber que está à mercê do silêncio.
Foi quando ele tropeçou numa pedra no meio do caminho (no meio do caminho havia uma pedra), que ele percebeu que ele havia tropeçado nele mesmo. A adrenalida circulava freneticamente pelas artérias e veias de seu corpo, a excitação, a palpitação, o desespero, tudo convergia para o irracionalismo abrupto. Ele não sentia dor, embora estivesse ensangüentado.
Se ao menos ele pudesse ter pensar numa solução. Quem sabe ele encontrasse uma resposta se se acalmasse, mas que droga! Ele não conseguia se aquietar, seu coração estava revoltado e parecia não estar disposto a uma trégua. De repente, um gorjeio atrapalhou seus pensamentos; olhou ao redor do campo e visou um rouxinol a cantar no galho de uma árvore morta. Conforme escutava a melodia da ave, percebeu que a relva estava mais macia e suas pernas ardiam. Também sentiu que era tempo para voar a outras terras."
terça-feira, junho 20, 2006
Como uma pétala
Descobri que somente passando por uma situação deveras temos idéia de como ela seja. A maturidade é inerente à vida e devemos estar preparados para as mais diversas ocasiões. O destino nos guia e, independentemente de nosso querer, estamos fadados ao acaso e à aleatoriedade dos fenômenos existenciais.
Das experiências mais amargas e desagradáveis que podemos encontrar, a perda de uma pessoa querida é uma das mais desgostosas. Infelizmente, o ser humano é sujeito às imperfeições em sua natureza. Portanto podemos demonstrar atitudes e comportamentos incorretos, que acabam por ferir os entes queridos. Uma amizade imponderável pode ser facilmente denegrida pela força da inveja, pelo poder da mentira ou até mesmo pelo desgaste temporal.
A poetisa Cecília Meireles, mestra na descrição da vida como uma passagem efêmera, ensina aos leitores que o importante de um momento é a satisfação física, moral e espiritual que ele pode trazer, sem a preocupação do momento vindouro e de conseqüências eqüiprováveis. Sendo assim, um desentendimento não passa de um mero resquício de nossa imperfeição. Uma gota de mácula num oceano de pureza. Contudo, nem todas as pessoas têm noção da efemeridade e da consciência de que ela é o principal motivo para adotarmos uma vida branda e pacífica.
Assim como a pétala que voa, os problemas passam e abandonam nossa vida. Uma amizade é feito uma pétala, dentre várias numa rosa da vida.
"E por perder-me é que me vão lembrando,
Por desfolhar-me é que não tenho fim."
- Cecília Meireles
Das experiências mais amargas e desagradáveis que podemos encontrar, a perda de uma pessoa querida é uma das mais desgostosas. Infelizmente, o ser humano é sujeito às imperfeições em sua natureza. Portanto podemos demonstrar atitudes e comportamentos incorretos, que acabam por ferir os entes queridos. Uma amizade imponderável pode ser facilmente denegrida pela força da inveja, pelo poder da mentira ou até mesmo pelo desgaste temporal.
A poetisa Cecília Meireles, mestra na descrição da vida como uma passagem efêmera, ensina aos leitores que o importante de um momento é a satisfação física, moral e espiritual que ele pode trazer, sem a preocupação do momento vindouro e de conseqüências eqüiprováveis. Sendo assim, um desentendimento não passa de um mero resquício de nossa imperfeição. Uma gota de mácula num oceano de pureza. Contudo, nem todas as pessoas têm noção da efemeridade e da consciência de que ela é o principal motivo para adotarmos uma vida branda e pacífica.
Assim como a pétala que voa, os problemas passam e abandonam nossa vida. Uma amizade é feito uma pétala, dentre várias numa rosa da vida.
"E por perder-me é que me vão lembrando,
Por desfolhar-me é que não tenho fim."
- Cecília Meireles
sábado, junho 10, 2006
O pesadelo de um homem ridículo
Hummm! Belo dia hein? Estou tão inspirado hoje que me disporei a contar sobre minha vida. Sou um homem normal, completei 47 anos semana passada. Sou casado e tenho um casal de filhos, uma guria de 17 anos e um rapaz de 15. Desde criança eu sempre consegui me sair bem nas mais diversas situações, eu mentia para meus pais, dizia que ia para a escola e ficava na casa de outros amigos, jogando bola, bolinha de gude. Eu era um garoto muito esperto para a idade e me aproveitava disso.
Na adolescência, as coisas começaram a se passar melhor ainda. Eu meio que conseguia conciliar minha "vida vadia" com a "vida correta". E o fazia com primazia, por sinal. Uma data inesquecível foi o dia em que perdi minha virgindade. Dessa vez houve um papel fundamental de meu pai, o qual contratou os serviços de uma mulher da vida. Ela era tão linda, devia ser um lustro mais velha que eu; curvas agressivas desfilavam por um corpo cultivado para o prazer, cada parte de seu corpo emanava sensualidade, chamava para o sexo. Tudo deu-se com calma, pela primeira vez sentia o gozo da cópula, o ápice do prazer. Essa sensação acompanhar-me-ia pela posteridade, sobre a qual contar-lhes-ei dentre intantes.
Veio a maturidade e com ela a independência. Ah! Liberdade, sim, agora tinha de me virar; passei no vestibular, fiz o curso de maior fama na época e minha carreira era certamente próspera. Comecei trabalhando numa empresa de negócios. Eu era office-boy. Não gostava de ter aquele emprego, chulo, mesquinho; eu queria mais...
Depois de ter estabilizado minha vida, conheci uma mulher, bonita, inteligente e faceira. Sabia que era com ela que me casaria. Pensado e feito: ela era minha. A lua-de-mel foi numa praia, flashes de cinema. Contudo, minha "vida vadia" teria de ser bruscamente assassinada, não! Não deixaria ninguém impedir minha liberdade, teria minha vidinha, oculta, mas teria.
O primeiro filho que veio era uma menina, linda por sinal, parecia uma princesa de porcelana quando bebê. Entretanto, a vida de casado começava a pesar no bolso, e com ela recentes brigas entre minha esposa e eu. Ela estava certa no que dizia, eu tinha de arranjar um emprego melhor, mas não estava nem aí pra eles, queria mesmo é seguir com minha vida implícita. Minha dissimulação, aprendida desde criança, fizeram-me mestre na arte de seduzir e lograr.
Com a vinda do segundo filho, a situação tornou-se insustentável. As brigas intensificaram-se, eu gastava dinheiro comprando materiais para mim e acabava por diminuir a renda familiar, ela não trabalhava e eu jogava um "você não trabalha, então fique calada!" e a situação se aquietava. Confesso que até cheguei a bater nela, bati muito no começo, mas depois ela se mostrou forte e tive que parar. Ela cada vez mais se tornava forte, isso me deixava nervoso e inquieto, não podia admitir que uma mulher fosse mais forte que eu.
Pensando nessa situação com minh esposa, resolvi intensificar minha vida implícita. Encontrei uma amante, não foi difícil, afinal sou sedutor de carteirinha. Como minha esposa não transava mais comigo, desafoguei meus desejos com a amante. Eu era o mestre da situação agora, tinha uma vida dupla, de submisso em casa, para rei na cama da amante. Ela me idolatrava, e eu sentia prazer com ela e em trair minha esposa.
Sucedeu que esse homem adúltero conheceu uma cigana enquanto dirigia-se para a casa da amante. A velha pediu para ler a mão do adúltero docemente. Ele concordou e mostrou a palma da mão. A velha, como se apenas confirmasse suas expectativas, lançou-lhe um olhar assustador, como se soubesse de todos os pecados que ele carregava, todas as atitudes lascivas e inconseqüentes. Ele entrou em súbito pânico e chegou a agredir a senhora, ela, muito fraca, caiu no chão. Furiosa, praguejou contra ele numa língua desconhecida. As palavras ecoaram por toda a rua, e pela vida do adúltero. Ele não acreditava muito em maldições, mas assustou-se deveras com o poder daquelaas palavras (e assustar-se-ia muito mais).Após isso, foi para o antro de pecados.
Depois de cometer o ato de adultério (ele não tinha um pingo de ressetimento), voltou para casa e ainda no caminho comprou flores para a esposa, de tão feliz que estava. Era por volta das onze e meia da noite e era de se esperar que sua esposa e filhos estivessem dormindo. Estranhamente, não havia vivalma na casa, estava totalmente escura, com todas as luzes apagadas. Um ar fúnebre perdurava pelo aposento, ele sentia frio, coisa inimaginável, pois estava em pleno verão e no Nordeste! Por instantes ele se lembrou de que o frio era sinal de que espíritos rondavam o lugar, mas logo apagou aquilo da mente porque não acreditava.
E lentamente ele dirigiu-se para o quarto de seu filho, esperando que ele estivesse pregando uma peça ou coisa do tipo. Enquanto se encaminhava, ouviu um ruído baixo vindo do quarto, era como se fosse um barulho de berço, mas era diferente de um rangido normal, era sinistro e sincronizado com os seus passos. Quando abriu a porta do aposento, pouco pôde distinguir no breu que imperava. Contudo, podia ver que havia um vulto encolhido num canto do quarto, e estava perto do berço. Mas não havia berços na casa. O vulto permanecia em silêncio, e pelo que parecia estava a balançar o berço. O homem criou coragem e resolveu se aproximar do berço. Quando estava bem próximo, conseguiu ver que havia um bebê dentro dele, e o vulto balançava o berço com apenas uma mão, ela era totalmente calejada e esquelética.
De repente, o vulto começou a cantar um canção de ninar, o homem entrou em pânico: o vulto tinha a voz da mãe dele. O vulto ergueu das sombras um punhal e meneou estranhamente a cabeça. Ergueu o objeto no ar, acima do bebê e balbuciou: o fruto do pecado deve ser exterminado. O adúltero rapidamente lembrou se de que a sua amante queria um filho com ele, será que aquele era seu filho? Rapidamente ele retirouo bebê do berço, antes que o vulto pudesse matar a criança. Chutou furiosamente o berço, que se investiu contra o vulto, mas esse se desfez, restando apenas o pano preto que o cobria.
Quando o adúltero foi averiguar o bebê, tomou outro susto: era um cadáver de um bebê, semi-putrefato. Algo foi sussurrado aos seus ouvidos enquanto ele jogava o cadáver no chão. Eram as palavras da velha cigana, entre risos e choros, com risos de escárnio e choros de multidões. Ele ouvia a orquestra do inferno, regida pelo pecado. A casa se dissolvia na sua frente, ao seu redor; restou apenas à sua frente a cama com a qual ele traía a esposa. Parecia que havia alguém dormindo na cama, devia ser a amante.Ele removeu o lençol que encobria o corpo e entrou em estado de choque: sua espoa, com roupas íntimas da amantes, dormia silenciosamente.
De súbito, ela abriu os olhos e gritou, mas não saía som da boca. Ele não escutava mais anda, tudo girava ao seu redor, ele sentiu o peso do pecado, era um adúltero e se arrependia do que havia feito, mas não adiantava mais, o que foi feito está feito. Ele haveria de pagar, nem que levasse toda a eternidade, ele pagaria ou sua alma seria consumida pelo vil fogo do inferno.
Na adolescência, as coisas começaram a se passar melhor ainda. Eu meio que conseguia conciliar minha "vida vadia" com a "vida correta". E o fazia com primazia, por sinal. Uma data inesquecível foi o dia em que perdi minha virgindade. Dessa vez houve um papel fundamental de meu pai, o qual contratou os serviços de uma mulher da vida. Ela era tão linda, devia ser um lustro mais velha que eu; curvas agressivas desfilavam por um corpo cultivado para o prazer, cada parte de seu corpo emanava sensualidade, chamava para o sexo. Tudo deu-se com calma, pela primeira vez sentia o gozo da cópula, o ápice do prazer. Essa sensação acompanhar-me-ia pela posteridade, sobre a qual contar-lhes-ei dentre intantes.
Veio a maturidade e com ela a independência. Ah! Liberdade, sim, agora tinha de me virar; passei no vestibular, fiz o curso de maior fama na época e minha carreira era certamente próspera. Comecei trabalhando numa empresa de negócios. Eu era office-boy. Não gostava de ter aquele emprego, chulo, mesquinho; eu queria mais...
Depois de ter estabilizado minha vida, conheci uma mulher, bonita, inteligente e faceira. Sabia que era com ela que me casaria. Pensado e feito: ela era minha. A lua-de-mel foi numa praia, flashes de cinema. Contudo, minha "vida vadia" teria de ser bruscamente assassinada, não! Não deixaria ninguém impedir minha liberdade, teria minha vidinha, oculta, mas teria.
O primeiro filho que veio era uma menina, linda por sinal, parecia uma princesa de porcelana quando bebê. Entretanto, a vida de casado começava a pesar no bolso, e com ela recentes brigas entre minha esposa e eu. Ela estava certa no que dizia, eu tinha de arranjar um emprego melhor, mas não estava nem aí pra eles, queria mesmo é seguir com minha vida implícita. Minha dissimulação, aprendida desde criança, fizeram-me mestre na arte de seduzir e lograr.
Com a vinda do segundo filho, a situação tornou-se insustentável. As brigas intensificaram-se, eu gastava dinheiro comprando materiais para mim e acabava por diminuir a renda familiar, ela não trabalhava e eu jogava um "você não trabalha, então fique calada!" e a situação se aquietava. Confesso que até cheguei a bater nela, bati muito no começo, mas depois ela se mostrou forte e tive que parar. Ela cada vez mais se tornava forte, isso me deixava nervoso e inquieto, não podia admitir que uma mulher fosse mais forte que eu.
Pensando nessa situação com minh esposa, resolvi intensificar minha vida implícita. Encontrei uma amante, não foi difícil, afinal sou sedutor de carteirinha. Como minha esposa não transava mais comigo, desafoguei meus desejos com a amante. Eu era o mestre da situação agora, tinha uma vida dupla, de submisso em casa, para rei na cama da amante. Ela me idolatrava, e eu sentia prazer com ela e em trair minha esposa.
Sucedeu que esse homem adúltero conheceu uma cigana enquanto dirigia-se para a casa da amante. A velha pediu para ler a mão do adúltero docemente. Ele concordou e mostrou a palma da mão. A velha, como se apenas confirmasse suas expectativas, lançou-lhe um olhar assustador, como se soubesse de todos os pecados que ele carregava, todas as atitudes lascivas e inconseqüentes. Ele entrou em súbito pânico e chegou a agredir a senhora, ela, muito fraca, caiu no chão. Furiosa, praguejou contra ele numa língua desconhecida. As palavras ecoaram por toda a rua, e pela vida do adúltero. Ele não acreditava muito em maldições, mas assustou-se deveras com o poder daquelaas palavras (e assustar-se-ia muito mais).Após isso, foi para o antro de pecados.
Depois de cometer o ato de adultério (ele não tinha um pingo de ressetimento), voltou para casa e ainda no caminho comprou flores para a esposa, de tão feliz que estava. Era por volta das onze e meia da noite e era de se esperar que sua esposa e filhos estivessem dormindo. Estranhamente, não havia vivalma na casa, estava totalmente escura, com todas as luzes apagadas. Um ar fúnebre perdurava pelo aposento, ele sentia frio, coisa inimaginável, pois estava em pleno verão e no Nordeste! Por instantes ele se lembrou de que o frio era sinal de que espíritos rondavam o lugar, mas logo apagou aquilo da mente porque não acreditava.
E lentamente ele dirigiu-se para o quarto de seu filho, esperando que ele estivesse pregando uma peça ou coisa do tipo. Enquanto se encaminhava, ouviu um ruído baixo vindo do quarto, era como se fosse um barulho de berço, mas era diferente de um rangido normal, era sinistro e sincronizado com os seus passos. Quando abriu a porta do aposento, pouco pôde distinguir no breu que imperava. Contudo, podia ver que havia um vulto encolhido num canto do quarto, e estava perto do berço. Mas não havia berços na casa. O vulto permanecia em silêncio, e pelo que parecia estava a balançar o berço. O homem criou coragem e resolveu se aproximar do berço. Quando estava bem próximo, conseguiu ver que havia um bebê dentro dele, e o vulto balançava o berço com apenas uma mão, ela era totalmente calejada e esquelética.
De repente, o vulto começou a cantar um canção de ninar, o homem entrou em pânico: o vulto tinha a voz da mãe dele. O vulto ergueu das sombras um punhal e meneou estranhamente a cabeça. Ergueu o objeto no ar, acima do bebê e balbuciou: o fruto do pecado deve ser exterminado. O adúltero rapidamente lembrou se de que a sua amante queria um filho com ele, será que aquele era seu filho? Rapidamente ele retirouo bebê do berço, antes que o vulto pudesse matar a criança. Chutou furiosamente o berço, que se investiu contra o vulto, mas esse se desfez, restando apenas o pano preto que o cobria.
Quando o adúltero foi averiguar o bebê, tomou outro susto: era um cadáver de um bebê, semi-putrefato. Algo foi sussurrado aos seus ouvidos enquanto ele jogava o cadáver no chão. Eram as palavras da velha cigana, entre risos e choros, com risos de escárnio e choros de multidões. Ele ouvia a orquestra do inferno, regida pelo pecado. A casa se dissolvia na sua frente, ao seu redor; restou apenas à sua frente a cama com a qual ele traía a esposa. Parecia que havia alguém dormindo na cama, devia ser a amante.Ele removeu o lençol que encobria o corpo e entrou em estado de choque: sua espoa, com roupas íntimas da amantes, dormia silenciosamente.
De súbito, ela abriu os olhos e gritou, mas não saía som da boca. Ele não escutava mais anda, tudo girava ao seu redor, ele sentiu o peso do pecado, era um adúltero e se arrependia do que havia feito, mas não adiantava mais, o que foi feito está feito. Ele haveria de pagar, nem que levasse toda a eternidade, ele pagaria ou sua alma seria consumida pelo vil fogo do inferno.
quinta-feira, maio 18, 2006
Destiny's Land
"Here, living satisfacted with the greeness of the nature. Extracting all happiness and health from the forest, I can't imagine a place dominated by the evil. Men and nature coexist in a perfect harmony here at Seresta.But I have heard terrible tales of black rains, ashen fields, and metal that screams. I have consoled myself that the tales were a myth of some fevered mind. But today I saw a walker - and now I fear the truth.
I went to the druid's home and asked about the future of our people. I was afraid about our forest. However, the wise said that the forest do not belong to us, and we only have our soul to care for. 'Only those who have nothing have nothing to fear'."
- Selena's tales - tale nº47.
I went to the druid's home and asked about the future of our people. I was afraid about our forest. However, the wise said that the forest do not belong to us, and we only have our soul to care for. 'Only those who have nothing have nothing to fear'."
- Selena's tales - tale nº47.
quinta-feira, maio 04, 2006
Questionamento
"E mais uma vez perguntava-me acerca de meu sofrimento agudo, a "agutite sofrida". Cada vez mais tomava consciência da permanência dos sintomas: peso no coração, inércia de viver, lágrimas sufocadas... E cada vez mais queria encontrar a cura. Talvez...talvez se eu encontrasse um amor de verdade, daqueles de filmes, por que não? Não! Isso é mentira, a vida é uma mentira, o céu não é azul e o universo é finito como minha vida..."
- Relatos de uma vida perdida (parte 2)
- Relatos de uma vida perdida (parte 2)
quinta-feira, abril 27, 2006
O Sol existe
Por mais que haja os devaneios noturnos,
E as risadas boêmias ao luar,
E os bacanais profanos,
E as noites românticas,
E os atos mundanos,
E as serenatas eloquentes,
E os beijos escondidos aos becos,
E as lágrimas decadentes,
E o medo da escuridão,
E o medo do esquecimento,
E o medo da solidão,
E o canto vagaroso e triste,
E a alma de sofrimento,
Por mais que ...,
O Sol existe.
obs.: para plagear o texto de HD
E as risadas boêmias ao luar,
E os bacanais profanos,
E as noites românticas,
E os atos mundanos,
E as serenatas eloquentes,
E os beijos escondidos aos becos,
E as lágrimas decadentes,
E o medo da escuridão,
E o medo do esquecimento,
E o medo da solidão,
E o canto vagaroso e triste,
E a alma de sofrimento,
Por mais que ...,
O Sol existe.
obs.: para plagear o texto de HD
quarta-feira, abril 12, 2006
Eu sou diferente
Para todos aqueles e aquelas que estão pusilânimes e que precisam explicar-se sobre alguma atitude ou comportamento, vai aqui uma declaração de diferença, análoga a qualquer outra declaração de direitos:
Eu sou diferente. Não preciso de mais delongas, explicações demasiadas, exibições patéticas, feitos mirabolantes, atos fantásticos, enfim, sou e pronto. Sou singelamente diferente e não devo explicações de como ou porque sou, não sou um livro que pode se abrir e esmiuçar sobre. Sou um ser humano, e como tal apresento máscaras, desvios de comportamento e quaisquer desses vícios inerentes a um cidadão.
Não preciso sair pelas ruas escandalizando, gritando, protestando para que todos prostrem-se diante de meus pés reconhecendo minha diferença. Apenas quero que respeitem meus pontos de vista, minhas concepções e princípios, por mais que se pareçam com dogmas (embora não o sejam). Em suma, sou diferente de tal sorte que sigo minha vida despreocupado com opiniões alheias à minha existência. Espero que sigam meu caminho.
Eu sou diferente. Não preciso de mais delongas, explicações demasiadas, exibições patéticas, feitos mirabolantes, atos fantásticos, enfim, sou e pronto. Sou singelamente diferente e não devo explicações de como ou porque sou, não sou um livro que pode se abrir e esmiuçar sobre. Sou um ser humano, e como tal apresento máscaras, desvios de comportamento e quaisquer desses vícios inerentes a um cidadão.
Não preciso sair pelas ruas escandalizando, gritando, protestando para que todos prostrem-se diante de meus pés reconhecendo minha diferença. Apenas quero que respeitem meus pontos de vista, minhas concepções e princípios, por mais que se pareçam com dogmas (embora não o sejam). Em suma, sou diferente de tal sorte que sigo minha vida despreocupado com opiniões alheias à minha existência. Espero que sigam meu caminho.
segunda-feira, abril 10, 2006
Nadei
Andei, nadei, danei pelas bandas do mundo. Tudo isso para me esquecer das ciências e suas leis que regem o tão infinito, e nunca por mim visto, universo. Fugi de casa uma vez por causa da força centrífuga da máquina de lavar roupa, pensava que era minha mãe me enxotando; ilusões de mediocridade. Outra, queimei meu livro de Biologia na tentativa de "renovar" a matéria, a final, segundo Antoine Lavoisier "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Sempre esses eventos não-agradáveis se prosseguiram ao longo de minha vida e nunca reclamei deles, eram resultado da ávida procura pela verdade. Quando completei 30 anos, resolvi viajar de trem, daqueles que apitam alto e forte quando desembarcam na estação, chega dá gosto de ver a fumaça saindo da chaminé (Oh Deus! Poluição atmosférica, efeito estufa, inversão térmica!). Lembrei na hora que, por causa do efeito Doppler, a frequência ouvida por mim do apito da locomotiva em movimento é diferente daquela em que ela seria se estivesse estacionada. Uma mudança sensível em minha vida se fez por causa do efeito doppler, veja bem: se a frequência da locomotiva fosse mais aguda que o normal enquanto se distanciava da estação, não poderia ter ouvido o melodioso som da voz de minha futura esposa, Diana, perguntando-me se aquela estação a levaria para Dumas, cidade interiorana. Esse negócio de ciência é feito tabaco, rum, cerveja e tudo que há de pior, mas com um lado bom: pode dar dinheiro.
Sempre esses eventos não-agradáveis se prosseguiram ao longo de minha vida e nunca reclamei deles, eram resultado da ávida procura pela verdade. Quando completei 30 anos, resolvi viajar de trem, daqueles que apitam alto e forte quando desembarcam na estação, chega dá gosto de ver a fumaça saindo da chaminé (Oh Deus! Poluição atmosférica, efeito estufa, inversão térmica!). Lembrei na hora que, por causa do efeito Doppler, a frequência ouvida por mim do apito da locomotiva em movimento é diferente daquela em que ela seria se estivesse estacionada. Uma mudança sensível em minha vida se fez por causa do efeito doppler, veja bem: se a frequência da locomotiva fosse mais aguda que o normal enquanto se distanciava da estação, não poderia ter ouvido o melodioso som da voz de minha futura esposa, Diana, perguntando-me se aquela estação a levaria para Dumas, cidade interiorana. Esse negócio de ciência é feito tabaco, rum, cerveja e tudo que há de pior, mas com um lado bom: pode dar dinheiro.
terça-feira, abril 04, 2006
Espírito engajado
E aqui, lendo às vésperas da prova de História, sobre a Revolução Frances, toma-me de súbito, num ritmo frenético, o espírito engajado, daqueles que se excita com a imagem de uma iminente revolução:
"Em 14 de julho de 1789 o povo em armas realiza a tomada da prisão política da Bastilha, vista como símbolo do absolutismo, e libertava seus prisioneiros, ocorrência que passou a ser chamada de Segunda Jornada revolucionária. Em Versalhes, o rei, ao ser informado sobre os acontecimentos, exclamou:
- Mas isso é uma revolta!
Seu informante, o duque de Lancourt, respondeu-lhe:
- Não, majestade, é uma revolução".
"Em 14 de julho de 1789 o povo em armas realiza a tomada da prisão política da Bastilha, vista como símbolo do absolutismo, e libertava seus prisioneiros, ocorrência que passou a ser chamada de Segunda Jornada revolucionária. Em Versalhes, o rei, ao ser informado sobre os acontecimentos, exclamou:
- Mas isso é uma revolta!
Seu informante, o duque de Lancourt, respondeu-lhe:
- Não, majestade, é uma revolução".
sábado, abril 01, 2006
Ordinária
Ela chegou do trabalho satisfeita; havia feito tudo certinho nas gravações. Uma atriz de prestígio? Bem, até que poderia se dizer que sim. Uma pessoa feliz? Talvez não. No apartamento em que morava tudo era solitário: as mobílias exalavam um odor limpo de solidão, os tapetes lembravam figuras solitárias do deserto, o sofá vazio, os quadros imóveis, os retratos nostálgicos. Ela tantava denotar para si mesma, na frente do espelho, um ar convicto de alegria, mas essa, essa não saía. O sorriso forçado contribuía ainda mais para intensificar seu desespero, sua tristeza. De que adianta dinheiro? Fama? Riqueza? Nada importava quando se tratava de amizade, confiança, humildade e amor. Podemos comprar amigos, mas não os verdadeiros. O dinheiro leva consigo a traição e a hipocrisia ( e ela bem disso sabia).
Ela ligou o aparelho de som; queria ouvir alguma música. Na verdade, queria é amenizar o silêncio aterrador que se insinuava pelo ambiente. O silêncio que a corroía lentamente fê-la sentir medo de viver. Talvez fosse hora de abandonar o sonho perdido, a vida mascarada, o mundo corrompido. Decerto haja um lugar melhor que não seja este.
Ela terminou de arrumar o aposento; tudo estava impecavelmente limpo. Depois, resolveu tomar o café da tarde (queria sentir pela última vez o gosto amargo da vida). Ela deixou a mesa como estava e decidiu não escrever nenhuma carta aos outros, o que tivesse que ser seria. Então, ela partiu para outro mundo e, minutos depois, o porteiro encontra seu corpo no andar térreo, com um sorriso infantil, mas verdadeiro estampado no rosto morto.
Ela ligou o aparelho de som; queria ouvir alguma música. Na verdade, queria é amenizar o silêncio aterrador que se insinuava pelo ambiente. O silêncio que a corroía lentamente fê-la sentir medo de viver. Talvez fosse hora de abandonar o sonho perdido, a vida mascarada, o mundo corrompido. Decerto haja um lugar melhor que não seja este.
Ela terminou de arrumar o aposento; tudo estava impecavelmente limpo. Depois, resolveu tomar o café da tarde (queria sentir pela última vez o gosto amargo da vida). Ela deixou a mesa como estava e decidiu não escrever nenhuma carta aos outros, o que tivesse que ser seria. Então, ela partiu para outro mundo e, minutos depois, o porteiro encontra seu corpo no andar térreo, com um sorriso infantil, mas verdadeiro estampado no rosto morto.
sexta-feira, março 17, 2006
Latência
Não me peças,
Para sorrir,
Essas mágoas, essas,
Insistem em me perseguir!
Não me digas,
O que fazer,
Tu, que me fatigas,
Com teu jeito insípido de ser.
Não me faças,
Expulsar-te daqui,
Deixa-me co'as traças,
Deixa-me pensando que já morri...
Não me prendas,
Com teus grilhões,
Forjados com o amor das sendas,
Das sendas dos teus perdões.
Não me acordes,
De meu (eterno) sonho,
Deixa-me na latência, sem acordes,
Sem notas, tons reais desse mundo medonho...
Para sorrir,
Essas mágoas, essas,
Insistem em me perseguir!
Não me digas,
O que fazer,
Tu, que me fatigas,
Com teu jeito insípido de ser.
Não me faças,
Expulsar-te daqui,
Deixa-me co'as traças,
Deixa-me pensando que já morri...
Não me prendas,
Com teus grilhões,
Forjados com o amor das sendas,
Das sendas dos teus perdões.
Não me acordes,
De meu (eterno) sonho,
Deixa-me na latência, sem acordes,
Sem notas, tons reais desse mundo medonho...
terça-feira, março 14, 2006
The universe behind the classroom
Era a aula de Biologia; clima árido se distribui pela classe devido à aula intempestiva. A alegria é estéril; o sono é fecundo."Pelo menos tem apresentação de trabalho hoje", pensaram todos, meio que num uníssono de pensamentos. A telepatia dos alunos é algo não muito raro, tendo em vista os desgostos em comum causados por certas matérias e professores.
O professor entra na sala meio apressado, com o suor escorrendo-lhe das têmporas. Um homem surpreendentemente gordo, estatura baixa e de caráter desconfiado. Ele, ainda ofegante, pede que todos os alunos que estivessem em pé se sentem para que possa ser iniciada a aula,"isso aqui não é feira pra haver tanta gente em pé".
Ainda entre muitos resmungos e chiados, a aula começa. O professor pede que o grupo que fosse apresentar o trabalho se dirigisse para o patamar da sala. Todos os outros já estavam folgados em seus assentos, esperando que esse trabalho pudesse ser uma boa fonte de descanso do dia anterior. Todos pensam assim, sempre assim...
Para espanto geral, o grupo que ia se apresentar era composto de um único aluno, um novato. Era aí que eles não iam prestar atenção. "Sobre o que você vai apresentar mesmo?", a pergunta irônica veio de um canto da sala, povoado pelos alunos "queridinhos" dos professores. "Se você esperar, mostro-lhe já já", respondeu o rapaz com um sorriso enigmático.
O rapaz era normal (aparentemente) trajava, como todos os alunos, o uniforme do colégio; tinha olhos castanhos-claros, cabelos meio loiros, sombrancelhas grossas e estatura média. Não parecia um daqueles nerds da turma; seu porte era atlético. Tampouco possuía algum ato vicioso, como piscar ou esfergar as mãos incessantemente.
"Bom, pessoal, vou apresentar meu trabalho sobre origem da vida", disse, sem muito espanto por parte da classe. "Agora, vou falar três palavrinhas mágicas: silêncio!..." e nesse momento todos, todos sem exceção sem calaram, como num ato de mágica. E os alunos se entreolhavam estupefatos, ainda meio destoados do que havia acontecido, foi quando o rapaz falou a outra palavra "... sombra!...", e todo a classe mergulhou num breu profundo. Agora era um misto de medo e surpresa semeado no ambiente. A adrenalina subia gradativamente. Os ritmos cardíacos disparavam. Foi quando a terceira palavra foi solta "ação!", e a partir daquele momento, estavam diante do universo em sua gênese.
Um minúsculo ponto era distinguível no breu, brilhava tênue no começo, mas depois começou a pulsar cada vez mais brilhante, a ponto dos alunos protegerem os olhos. Então, o ponto explodiu, num fenômeno espetacular. E foi lançando matéria por todo o universo. Depois, seguiu-se a formação de corpos gasosos, e então esses ganharam forma mais densa. A sala de aula seguia essas passagens como se estivesse dentro de uma nave espacial, mas não havia fronteira nítida entre ela e o que a circundava.
De um corpo gasoso solidificado em especial, desprenderam-se dezenas de outros, e esses, por ação da gravidade, continuaram a girar ao redor do corpo inicial, o qual tornou-se uma estrela. Um dos corpos desprendidos solidificou-se e tomou forma esférica. Após alguns segundos, a classe dirigiu-se para o planeta formado. uma palavr traduzia o que se passava: caos. Vulcanismo, tectonismo, tempestades, impactos de meteoros, enfim, um espetáculo de destruição (ou construção?).
A classe dirigiu-se para um dos mares formados e foi diminuindo de tamanho; diminuiu, diminuiu até ser possível distinguir as moléculas que estavam no mar. Elas, a princípio eram simples, mas foram passando por transformações até se tornarem complexas, e dessas moléculas complexas surgiu um ser. Um ser tão insignificante, tão irrisório que nem parecia um ser vivo. Contudo, os alunos ( e o professor) perceberam que aquela insignificância era a gênese humana, ou a gênese da gênese. E seguiram-se as transformações desse ser, e suas evoluções num ritmo quase que instantâneo, centenas de milênios passavam em frações de segundos, espécies eram formadas e extintas, continentes se separavam e juntavam, meteoros caíam. E mbora passasse rapidamente, todos os presentes na classe conseguiam entender o que se passava, como se o tempo fosse mais relativo do que pensavam. E no final de tantas transformações, chegaram finalmente ao homem: Australopithecus, Homo erectus, Homo habilis, homem de Cro-magnon e Homo sapiens.
Depois dessa orgia de história, de química, de vida, perceberam o quanto era medíocre os pensamentos sobre matérias, vestibulares, decorar termos.O rapaz pronunciou "status quo!", e a sala retornou ao mesmo estado inicial. Demorou muito até todos perceberem que era a hora do recreio.
O professor entra na sala meio apressado, com o suor escorrendo-lhe das têmporas. Um homem surpreendentemente gordo, estatura baixa e de caráter desconfiado. Ele, ainda ofegante, pede que todos os alunos que estivessem em pé se sentem para que possa ser iniciada a aula,"isso aqui não é feira pra haver tanta gente em pé".
Ainda entre muitos resmungos e chiados, a aula começa. O professor pede que o grupo que fosse apresentar o trabalho se dirigisse para o patamar da sala. Todos os outros já estavam folgados em seus assentos, esperando que esse trabalho pudesse ser uma boa fonte de descanso do dia anterior. Todos pensam assim, sempre assim...
Para espanto geral, o grupo que ia se apresentar era composto de um único aluno, um novato. Era aí que eles não iam prestar atenção. "Sobre o que você vai apresentar mesmo?", a pergunta irônica veio de um canto da sala, povoado pelos alunos "queridinhos" dos professores. "Se você esperar, mostro-lhe já já", respondeu o rapaz com um sorriso enigmático.
O rapaz era normal (aparentemente) trajava, como todos os alunos, o uniforme do colégio; tinha olhos castanhos-claros, cabelos meio loiros, sombrancelhas grossas e estatura média. Não parecia um daqueles nerds da turma; seu porte era atlético. Tampouco possuía algum ato vicioso, como piscar ou esfergar as mãos incessantemente.
"Bom, pessoal, vou apresentar meu trabalho sobre origem da vida", disse, sem muito espanto por parte da classe. "Agora, vou falar três palavrinhas mágicas: silêncio!..." e nesse momento todos, todos sem exceção sem calaram, como num ato de mágica. E os alunos se entreolhavam estupefatos, ainda meio destoados do que havia acontecido, foi quando o rapaz falou a outra palavra "... sombra!...", e todo a classe mergulhou num breu profundo. Agora era um misto de medo e surpresa semeado no ambiente. A adrenalina subia gradativamente. Os ritmos cardíacos disparavam. Foi quando a terceira palavra foi solta "ação!", e a partir daquele momento, estavam diante do universo em sua gênese.
Um minúsculo ponto era distinguível no breu, brilhava tênue no começo, mas depois começou a pulsar cada vez mais brilhante, a ponto dos alunos protegerem os olhos. Então, o ponto explodiu, num fenômeno espetacular. E foi lançando matéria por todo o universo. Depois, seguiu-se a formação de corpos gasosos, e então esses ganharam forma mais densa. A sala de aula seguia essas passagens como se estivesse dentro de uma nave espacial, mas não havia fronteira nítida entre ela e o que a circundava.
De um corpo gasoso solidificado em especial, desprenderam-se dezenas de outros, e esses, por ação da gravidade, continuaram a girar ao redor do corpo inicial, o qual tornou-se uma estrela. Um dos corpos desprendidos solidificou-se e tomou forma esférica. Após alguns segundos, a classe dirigiu-se para o planeta formado. uma palavr traduzia o que se passava: caos. Vulcanismo, tectonismo, tempestades, impactos de meteoros, enfim, um espetáculo de destruição (ou construção?).
A classe dirigiu-se para um dos mares formados e foi diminuindo de tamanho; diminuiu, diminuiu até ser possível distinguir as moléculas que estavam no mar. Elas, a princípio eram simples, mas foram passando por transformações até se tornarem complexas, e dessas moléculas complexas surgiu um ser. Um ser tão insignificante, tão irrisório que nem parecia um ser vivo. Contudo, os alunos ( e o professor) perceberam que aquela insignificância era a gênese humana, ou a gênese da gênese. E seguiram-se as transformações desse ser, e suas evoluções num ritmo quase que instantâneo, centenas de milênios passavam em frações de segundos, espécies eram formadas e extintas, continentes se separavam e juntavam, meteoros caíam. E mbora passasse rapidamente, todos os presentes na classe conseguiam entender o que se passava, como se o tempo fosse mais relativo do que pensavam. E no final de tantas transformações, chegaram finalmente ao homem: Australopithecus, Homo erectus, Homo habilis, homem de Cro-magnon e Homo sapiens.
Depois dessa orgia de história, de química, de vida, perceberam o quanto era medíocre os pensamentos sobre matérias, vestibulares, decorar termos.O rapaz pronunciou "status quo!", e a sala retornou ao mesmo estado inicial. Demorou muito até todos perceberem que era a hora do recreio.
quinta-feira, março 09, 2006
Ainda crepite
Por mais que em todos os suspiros perdidos,
em todas as manhãs nubladas,
em todos amores incompreendidos,
em todas as paixões sufocadas,
em todos os perdões asfixiados,
em todos os espelhos de vaidade,
em todos os "obrigados" engolidos pela ignorância alheia
(e mais todas as atitudes e fenômenos que insistem
em nos levar a um estado mórbido de consciência),
haja uma vontade de parar, existe uma luz.
E quando se toma a sensação de esperança
para dentro do peito, numa atitude,
muitas vezes, impensada;
você, realmente, desanuvia todos problemas,
todas as angústias,
todos os fardos se desfazem apenas nesse vislumbre
de mudança, de revolução, de esperança.
E você vê que a vida leva os vislumbres com o vento,
mas a esperança inserida persiste
enquanto dentro de nós uma chama de humanidade
ainda crepite.
em todas as manhãs nubladas,
em todos amores incompreendidos,
em todas as paixões sufocadas,
em todos os perdões asfixiados,
em todos os espelhos de vaidade,
em todos os "obrigados" engolidos pela ignorância alheia
(e mais todas as atitudes e fenômenos que insistem
em nos levar a um estado mórbido de consciência),
haja uma vontade de parar, existe uma luz.
E quando se toma a sensação de esperança
para dentro do peito, numa atitude,
muitas vezes, impensada;
você, realmente, desanuvia todos problemas,
todas as angústias,
todos os fardos se desfazem apenas nesse vislumbre
de mudança, de revolução, de esperança.
E você vê que a vida leva os vislumbres com o vento,
mas a esperança inserida persiste
enquanto dentro de nós uma chama de humanidade
ainda crepite.
segunda-feira, março 06, 2006
Ruídos
Clep clep clep...
(Na floresta, outono, queda de folhas....)
flip flep flep...
(vento frio arrasta as folhas)
fiuuuuuuuuu
(um sibilo gélido corta o ambiente)
plam!
(uma fruta cai)
nhac!
(estou com fome)
(Na floresta, outono, queda de folhas....)
flip flep flep...
(vento frio arrasta as folhas)
fiuuuuuuuuu
(um sibilo gélido corta o ambiente)
plam!
(uma fruta cai)
nhac!
(estou com fome)
sexta-feira, março 03, 2006
Nowhere
He came from nowhere and to nowhere he would go, but how can a nowhereman find the answer for questions wich don't have any sense?
He came from the "nothing" to turn back to "doubt", he wished he were happier in a strange place, with odd persons, but we was wrong, everytime, the best place was his old and welcoming home (oh! And there's no place like home).
His veritable way was fated to be chosen for the destiny, and he, worthy, will unfold the Truth by himself (like any other one)...
Nowhereland is not only the land of the solitude, it was also the land of the ones who want to discover what can't be known only for mere suppositions...
He came from the "nothing" to turn back to "doubt", he wished he were happier in a strange place, with odd persons, but we was wrong, everytime, the best place was his old and welcoming home (oh! And there's no place like home).
His veritable way was fated to be chosen for the destiny, and he, worthy, will unfold the Truth by himself (like any other one)...
Nowhereland is not only the land of the solitude, it was also the land of the ones who want to discover what can't be known only for mere suppositions...
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Em breve
Não, isso não é um anúncio de filme cinematográfico, vim apenas para avisar que em breve teremos uma continuação da história dele (do conto "transição")... agora ele procura mais do que a verdade...
sábado, fevereiro 25, 2006
Peço
Peço por aqueles que caíram,
Ao longo do caminho,
Mas tentaram bravamente,
Conseguir a tão esperada
paz]
Peço por aqueles que sorriram,
Mesmo ao tendo sido massacrados,
Pelas chamas da vaidade,
E que ainda conseguem dizer um
obrigado]
Peço por aqueles que choraram,
Cujo pranto não foi ouvido,
E mesmo não sido correspondidos,
Ainda lamentam pelos que não conseguem
amar]
Peço por aqueles que gritaram,
Num uníssono de revolução,
Aqueles cujos ideais ecoaram,
E nem mesmo estão nos livros de história
da nação]
Peço por você, por todos,
Um mínimo de compressão,
Peço que ao menos peçam,
Um sincero e merecido
perdão]
Ao longo do caminho,
Mas tentaram bravamente,
Conseguir a tão esperada
paz]
Peço por aqueles que sorriram,
Mesmo ao tendo sido massacrados,
Pelas chamas da vaidade,
E que ainda conseguem dizer um
obrigado]
Peço por aqueles que choraram,
Cujo pranto não foi ouvido,
E mesmo não sido correspondidos,
Ainda lamentam pelos que não conseguem
amar]
Peço por aqueles que gritaram,
Num uníssono de revolução,
Aqueles cujos ideais ecoaram,
E nem mesmo estão nos livros de história
da nação]
Peço por você, por todos,
Um mínimo de compressão,
Peço que ao menos peçam,
Um sincero e merecido
perdão]
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Quero
Quero de volta essa fluidez nos sentimentos,
Do tempo em que eu era criança,
Quero de volta a vivacidade dos momentos,
Que agora não passam de singela herança.
Do tempo em que eu era criança,
Quero de volta a vivacidade dos momentos,
Que agora não passam de singela herança.
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