quinta-feira, maio 18, 2006

Destiny's Land

"Here, living satisfacted with the greeness of the nature. Extracting all happiness and health from the forest, I can't imagine a place dominated by the evil. Men and nature coexist in a perfect harmony here at Seresta.But I have heard terrible tales of black rains, ashen fields, and metal that screams. I have consoled myself that the tales were a myth of some fevered mind. But today I saw a walker - and now I fear the truth.
I went to the druid's home and asked about the future of our people. I was afraid about our forest. However, the wise said that the forest do not belong to us, and we only have our soul to care for. 'Only those who have nothing have nothing to fear'."
- Selena's tales - tale nº47.

quinta-feira, maio 04, 2006

Questionamento

"E mais uma vez perguntava-me acerca de meu sofrimento agudo, a "agutite sofrida". Cada vez mais tomava consciência da permanência dos sintomas: peso no coração, inércia de viver, lágrimas sufocadas... E cada vez mais queria encontrar a cura. Talvez...talvez se eu encontrasse um amor de verdade, daqueles de filmes, por que não? Não! Isso é mentira, a vida é uma mentira, o céu não é azul e o universo é finito como minha vida..."
- Relatos de uma vida perdida (parte 2)

quinta-feira, abril 27, 2006

O Sol existe

Por mais que haja os devaneios noturnos,
E as risadas boêmias ao luar,
E os bacanais profanos,
E as noites românticas,
E os atos mundanos,
E as serenatas eloquentes,
E os beijos escondidos aos becos,
E as lágrimas decadentes,
E o medo da escuridão,
E o medo do esquecimento,
E o medo da solidão,
E o canto vagaroso e triste,
E a alma de sofrimento,
Por mais que ...,
O Sol existe.

obs.: para plagear o texto de HD

quarta-feira, abril 12, 2006

Lembrete

Não esqueça,

não esqueça;

não esqueça?

não esqueça:

não esqueça!

não esqueça.

Esqueça...

Eu sou diferente

Para todos aqueles e aquelas que estão pusilânimes e que precisam explicar-se sobre alguma atitude ou comportamento, vai aqui uma declaração de diferença, análoga a qualquer outra declaração de direitos:

Eu sou diferente. Não preciso de mais delongas, explicações demasiadas, exibições patéticas, feitos mirabolantes, atos fantásticos, enfim, sou e pronto. Sou singelamente diferente e não devo explicações de como ou porque sou, não sou um livro que pode se abrir e esmiuçar sobre. Sou um ser humano, e como tal apresento máscaras, desvios de comportamento e quaisquer desses vícios inerentes a um cidadão.
Não preciso sair pelas ruas escandalizando, gritando, protestando para que todos prostrem-se diante de meus pés reconhecendo minha diferença. Apenas quero que respeitem meus pontos de vista, minhas concepções e princípios, por mais que se pareçam com dogmas (embora não o sejam). Em suma, sou diferente de tal sorte que sigo minha vida despreocupado com opiniões alheias à minha existência. Espero que sigam meu caminho.

segunda-feira, abril 10, 2006

Nadei

Andei, nadei, danei pelas bandas do mundo. Tudo isso para me esquecer das ciências e suas leis que regem o tão infinito, e nunca por mim visto, universo. Fugi de casa uma vez por causa da força centrífuga da máquina de lavar roupa, pensava que era minha mãe me enxotando; ilusões de mediocridade. Outra, queimei meu livro de Biologia na tentativa de "renovar" a matéria, a final, segundo Antoine Lavoisier "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Sempre esses eventos não-agradáveis se prosseguiram ao longo de minha vida e nunca reclamei deles, eram resultado da ávida procura pela verdade. Quando completei 30 anos, resolvi viajar de trem, daqueles que apitam alto e forte quando desembarcam na estação, chega dá gosto de ver a fumaça saindo da chaminé (Oh Deus! Poluição atmosférica, efeito estufa, inversão térmica!). Lembrei na hora que, por causa do efeito Doppler, a frequência ouvida por mim do apito da locomotiva em movimento é diferente daquela em que ela seria se estivesse estacionada. Uma mudança sensível em minha vida se fez por causa do efeito doppler, veja bem: se a frequência da locomotiva fosse mais aguda que o normal enquanto se distanciava da estação, não poderia ter ouvido o melodioso som da voz de minha futura esposa, Diana, perguntando-me se aquela estação a levaria para Dumas, cidade interiorana. Esse negócio de ciência é feito tabaco, rum, cerveja e tudo que há de pior, mas com um lado bom: pode dar dinheiro.

terça-feira, abril 04, 2006

Espírito engajado

E aqui, lendo às vésperas da prova de História, sobre a Revolução Frances, toma-me de súbito, num ritmo frenético, o espírito engajado, daqueles que se excita com a imagem de uma iminente revolução:
"Em 14 de julho de 1789 o povo em armas realiza a tomada da prisão política da Bastilha, vista como símbolo do absolutismo, e libertava seus prisioneiros, ocorrência que passou a ser chamada de Segunda Jornada revolucionária. Em Versalhes, o rei, ao ser informado sobre os acontecimentos, exclamou:
- Mas isso é uma revolta!
Seu informante, o duque de Lancourt, respondeu-lhe:
- Não, majestade, é uma revolução".

sábado, abril 01, 2006

Ordinária

Ela chegou do trabalho satisfeita; havia feito tudo certinho nas gravações. Uma atriz de prestígio? Bem, até que poderia se dizer que sim. Uma pessoa feliz? Talvez não. No apartamento em que morava tudo era solitário: as mobílias exalavam um odor limpo de solidão, os tapetes lembravam figuras solitárias do deserto, o sofá vazio, os quadros imóveis, os retratos nostálgicos. Ela tantava denotar para si mesma, na frente do espelho, um ar convicto de alegria, mas essa, essa não saía. O sorriso forçado contribuía ainda mais para intensificar seu desespero, sua tristeza. De que adianta dinheiro? Fama? Riqueza? Nada importava quando se tratava de amizade, confiança, humildade e amor. Podemos comprar amigos, mas não os verdadeiros. O dinheiro leva consigo a traição e a hipocrisia ( e ela bem disso sabia).
Ela ligou o aparelho de som; queria ouvir alguma música. Na verdade, queria é amenizar o silêncio aterrador que se insinuava pelo ambiente. O silêncio que a corroía lentamente fê-la sentir medo de viver. Talvez fosse hora de abandonar o sonho perdido, a vida mascarada, o mundo corrompido. Decerto haja um lugar melhor que não seja este.
Ela terminou de arrumar o aposento; tudo estava impecavelmente limpo. Depois, resolveu tomar o café da tarde (queria sentir pela última vez o gosto amargo da vida). Ela deixou a mesa como estava e decidiu não escrever nenhuma carta aos outros, o que tivesse que ser seria. Então, ela partiu para outro mundo e, minutos depois, o porteiro encontra seu corpo no andar térreo, com um sorriso infantil, mas verdadeiro estampado no rosto morto.

sexta-feira, março 17, 2006

Latência

Não me peças,
Para sorrir,
Essas mágoas, essas,
Insistem em me perseguir!

Não me digas,
O que fazer,
Tu, que me fatigas,
Com teu jeito insípido de ser.

Não me faças,
Expulsar-te daqui,
Deixa-me co'as traças,
Deixa-me pensando que já morri...

Não me prendas,
Com teus grilhões,
Forjados com o amor das sendas,
Das sendas dos teus perdões.

Não me acordes,
De meu (eterno) sonho,
Deixa-me na latência, sem acordes,
Sem notas, tons reais desse mundo medonho...

terça-feira, março 14, 2006

The universe behind the classroom

Era a aula de Biologia; clima árido se distribui pela classe devido à aula intempestiva. A alegria é estéril; o sono é fecundo."Pelo menos tem apresentação de trabalho hoje", pensaram todos, meio que num uníssono de pensamentos. A telepatia dos alunos é algo não muito raro, tendo em vista os desgostos em comum causados por certas matérias e professores.
O professor entra na sala meio apressado, com o suor escorrendo-lhe das têmporas. Um homem surpreendentemente gordo, estatura baixa e de caráter desconfiado. Ele, ainda ofegante, pede que todos os alunos que estivessem em pé se sentem para que possa ser iniciada a aula,"isso aqui não é feira pra haver tanta gente em pé".
Ainda entre muitos resmungos e chiados, a aula começa. O professor pede que o grupo que fosse apresentar o trabalho se dirigisse para o patamar da sala. Todos os outros já estavam folgados em seus assentos, esperando que esse trabalho pudesse ser uma boa fonte de descanso do dia anterior. Todos pensam assim, sempre assim...
Para espanto geral, o grupo que ia se apresentar era composto de um único aluno, um novato. Era aí que eles não iam prestar atenção. "Sobre o que você vai apresentar mesmo?", a pergunta irônica veio de um canto da sala, povoado pelos alunos "queridinhos" dos professores. "Se você esperar, mostro-lhe já já", respondeu o rapaz com um sorriso enigmático.
O rapaz era normal (aparentemente) trajava, como todos os alunos, o uniforme do colégio; tinha olhos castanhos-claros, cabelos meio loiros, sombrancelhas grossas e estatura média. Não parecia um daqueles nerds da turma; seu porte era atlético. Tampouco possuía algum ato vicioso, como piscar ou esfergar as mãos incessantemente.
"Bom, pessoal, vou apresentar meu trabalho sobre origem da vida", disse, sem muito espanto por parte da classe. "Agora, vou falar três palavrinhas mágicas: silêncio!..." e nesse momento todos, todos sem exceção sem calaram, como num ato de mágica. E os alunos se entreolhavam estupefatos, ainda meio destoados do que havia acontecido, foi quando o rapaz falou a outra palavra "... sombra!...", e todo a classe mergulhou num breu profundo. Agora era um misto de medo e surpresa semeado no ambiente. A adrenalina subia gradativamente. Os ritmos cardíacos disparavam. Foi quando a terceira palavra foi solta "ação!", e a partir daquele momento, estavam diante do universo em sua gênese.
Um minúsculo ponto era distinguível no breu, brilhava tênue no começo, mas depois começou a pulsar cada vez mais brilhante, a ponto dos alunos protegerem os olhos. Então, o ponto explodiu, num fenômeno espetacular. E foi lançando matéria por todo o universo. Depois, seguiu-se a formação de corpos gasosos, e então esses ganharam forma mais densa. A sala de aula seguia essas passagens como se estivesse dentro de uma nave espacial, mas não havia fronteira nítida entre ela e o que a circundava.
De um corpo gasoso solidificado em especial, desprenderam-se dezenas de outros, e esses, por ação da gravidade, continuaram a girar ao redor do corpo inicial, o qual tornou-se uma estrela. Um dos corpos desprendidos solidificou-se e tomou forma esférica. Após alguns segundos, a classe dirigiu-se para o planeta formado. uma palavr traduzia o que se passava: caos. Vulcanismo, tectonismo, tempestades, impactos de meteoros, enfim, um espetáculo de destruição (ou construção?).
A classe dirigiu-se para um dos mares formados e foi diminuindo de tamanho; diminuiu, diminuiu até ser possível distinguir as moléculas que estavam no mar. Elas, a princípio eram simples, mas foram passando por transformações até se tornarem complexas, e dessas moléculas complexas surgiu um ser. Um ser tão insignificante, tão irrisório que nem parecia um ser vivo. Contudo, os alunos ( e o professor) perceberam que aquela insignificância era a gênese humana, ou a gênese da gênese. E seguiram-se as transformações desse ser, e suas evoluções num ritmo quase que instantâneo, centenas de milênios passavam em frações de segundos, espécies eram formadas e extintas, continentes se separavam e juntavam, meteoros caíam. E mbora passasse rapidamente, todos os presentes na classe conseguiam entender o que se passava, como se o tempo fosse mais relativo do que pensavam. E no final de tantas transformações, chegaram finalmente ao homem: Australopithecus, Homo erectus, Homo habilis, homem de Cro-magnon e Homo sapiens.
Depois dessa orgia de história, de química, de vida, perceberam o quanto era medíocre os pensamentos sobre matérias, vestibulares, decorar termos.O rapaz pronunciou "status quo!", e a sala retornou ao mesmo estado inicial. Demorou muito até todos perceberem que era a hora do recreio.

quinta-feira, março 09, 2006

Ainda crepite

Por mais que em todos os suspiros perdidos,
em todas as manhãs nubladas,
em todos amores incompreendidos,
em todas as paixões sufocadas,
em todos os perdões asfixiados,
em todos os espelhos de vaidade,
em todos os "obrigados" engolidos pela ignorância alheia
(e mais todas as atitudes e fenômenos que insistem
em nos levar a um estado mórbido de consciência),
haja uma vontade de parar, existe uma luz.
E quando se toma a sensação de esperança
para dentro do peito, numa atitude,
muitas vezes, impensada;
você, realmente, desanuvia todos problemas,
todas as angústias,
todos os fardos se desfazem apenas nesse vislumbre
de mudança, de revolução, de esperança.
E você vê que a vida leva os vislumbres com o vento,
mas a esperança inserida persiste
enquanto dentro de nós uma chama de humanidade
ainda crepite.

segunda-feira, março 06, 2006

Ruídos

Clep clep clep...
(Na floresta, outono, queda de folhas....)
flip flep flep...
(vento frio arrasta as folhas)
fiuuuuuuuuu
(um sibilo gélido corta o ambiente)
plam!
(uma fruta cai)
nhac!
(estou com fome)

sexta-feira, março 03, 2006

Nowhere

He came from nowhere and to nowhere he would go, but how can a nowhereman find the answer for questions wich don't have any sense?
He came from the "nothing" to turn back to "doubt", he wished he were happier in a strange place, with odd persons, but we was wrong, everytime, the best place was his old and welcoming home (oh! And there's no place like home).
His veritable way was fated to be chosen for the destiny, and he, worthy, will unfold the Truth by himself (like any other one)...
Nowhereland is not only the land of the solitude, it was also the land of the ones who want to discover what can't be known only for mere suppositions...

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Em breve

Não, isso não é um anúncio de filme cinematográfico, vim apenas para avisar que em breve teremos uma continuação da história dele (do conto "transição")... agora ele procura mais do que a verdade...

sábado, fevereiro 25, 2006

Peço

Peço por aqueles que caíram,
Ao longo do caminho,
Mas tentaram bravamente,
Conseguir a tão esperada
paz]

Peço por aqueles que sorriram,
Mesmo ao tendo sido massacrados,
Pelas chamas da vaidade,
E que ainda conseguem dizer um
obrigado]

Peço por aqueles que choraram,
Cujo pranto não foi ouvido,
E mesmo não sido correspondidos,
Ainda lamentam pelos que não conseguem
amar]

Peço por aqueles que gritaram,
Num uníssono de revolução,
Aqueles cujos ideais ecoaram,
E nem mesmo estão nos livros de história
da nação]

Peço por você, por todos,
Um mínimo de compressão,
Peço que ao menos peçam,
Um sincero e merecido
perdão]

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Quero

Quero de volta essa fluidez nos sentimentos,
Do tempo em que eu era criança,
Quero de volta a vivacidade dos momentos,
Que agora não passam de singela herança.

domingo, fevereiro 19, 2006

Transição

A alvorada surge nublada num sábado; o frio é intenso. Ele acordou com o formidável barulho do despertador. Com uma relutância relevante, levantou ainda pensando que continuar deitado em sua cama quente e macia era o melhor a ser feito. Após realizar as atividades matutinas típicas, resolveu sair do apartamento e experimentar o mundo.
Daquela vez não pegaria o carro, queria ver as coisas com outros olhos. Caminhar era natural, humano. Na verdade, ele queria fazer justamente o que nunca fazia, pois sabia que o mundo é algo inesperado e carrega consigo o mistério, bastava apenas desbravá-lo com um pouquinho de coragem para superar o comodismo.
E caminhando pelas ruas da cidade, foi lembrando da infância; dos tempos em que o agora importava, não o amanhã ou o ontem; das brincadeiras no parque... O tempo foi implacável ao mudar as formas das avenidas, ruas, estradas; mas foi impotente ao tentar, em vão, prejudicar as lembranças.
Leve garoa cai pela tarde, e ele resolve pegar um trem para a outra cidade. Gostava de ver o mundo pela vidraça do trem (o qual não via há anos). As árvores, os campos passavam tão céleres aos seus olhos, semelhantes às pessoas e acontecimentos em nossas vidas; mal vinham, mal partiam. E quanto mais ele mergulhava em pensamentos, mais tomava consciência de que estava vivo e que precisava respirar mais, ver mais, sentir mais.
Chegando na outra cidade, litorânea por sinal, decidiu, insensatamente à primeira vista, seguir uma estrada andando sem pensar no rumo; queria ver que destino teria se seguisse "de olhos vendados". Pensou que, se "o destino guia seus cavalos pela noite", então ele pode guiar um simples humano por uma estrada.
Enquanto dava passos despreocupados pelo caminho, ele percebeu que, desde o raiar da alvorada, não viu sequer uma pessoa. As cidades, as ruas, as avenidas estavam completamente vazias e ele não se deu conta até aquele momento. "Decerto que devem estar em suas residências, descansando..."-pensou ele. E rumou perseverante.
Logo no início do caminho, ele viu um garoto em prantos, estava sozinho e desconsolado. Chorava e gritava pela mãe. O homem aproximou-se do menino, curioso, perguntou onde estava a mãe dele. O garoto, que estava de costas para o homem, virou-se e encarou-o sem mencionar nenhuma palavra; após alguns instantes, soluçou e disse "você me deixou naquele dia", e desapareceu.
O homem pareceu atordoado. Não conseguia entender o porquê de uma criança evaporar em pleno dia. Contudo, algo mais o deixou aterrorizado, algo que atingiu-o mais profundamente, alcançando-lhe as entranhas da mente: o garoto em prantos fora ele.
Como não havia vivalma aos arredores, ele resolveu seguir pelo caminho, afinal, havia decidido seguir até um destino, seja lá qual fosse. Estava surpreso pelo incidente anterior, e isso lhe fornecia um fôlego extra para prosseguir. Continuando a caminhada, reparou que o caminho bifurcava em duas estradas distintas: uma placa indicava "verdade" e outra "felicidade". Ele contemplou os caminhos aos quais poderia seguir: no horizonte da primeira estrada, via-se um céu azul profundo; no da segunda, um céu vermelho dourado, vivo. Teria de refletir bastante para encontrar a via certa.
"A verdade é difícil de ser encontrada. É o caminho para a sabedoria, mas é também fonte de discordância entre vários povos, e de discórdia entre as religiões. A felicidade é a utopia vital; contudo, realmente não sei se já a tenha sentido, é tão abstrata..."- divagava o homem, que até havia se sentado diante das estradas para decidir a melhor escolha. "o crepúsculo pode chegar, portanto é melhor eu escolher um caminho logo". Seguiu o caminho da verdade. "Posso ter escolhido o caminho errado, mas não seria feliz sem conhecer a Verdade".
Ao caminhar, notou que o céu era escuro; a visibilidade da estrada era parcial e a trilha havia se tornado sinuosa. Era mais árduo do que pensava. E quando sentiu sede, pensou que poderia ter se prevenido trazendo água consigo. Entretanto, quase que na mesma hora que pensou nela, duas mulheres, irmãs aparentemente, surgiram perto da estrada, ambas carregavam uma jarra com, o que parecia, água.
A primeira, vestia uma túnica cinza, era uma anã; mal conseguia segurar o pote. Sorria muito e parecia meio nervosa. A segunda, trajava uma túnica laranja (não era anã) e sorria para o homem com um certo desafio no rosto. Ambas falaram num uníssono "queres água? Pois beba de meu pote!". O homem pediu água para a mulher anã e ela deu-lhe o cântaro. Ao beber do conteúdo dele, sentiu uma sede avassaladora. A anã soltou uma gargalhada e sumiu-se como o menino visto antes. A de túnica laranja simplesmente deixou o pote na estrada, sorriu e desapareceu também.
Tomado de um mal-estar forte, desesperadamente, bebeu da segundo jarra. À primeira sensação, sentiu-se pior, mas depois a dor na garganta foi sendo transformada em alívio, e o homem saciou sua sede.
Retornando à jornada, quis que aquela estrada terminasse logo. Estava cansado de segui-la, queria parar, a escuridão aumentava com o passar do tempo e ele temia o que poderia enfrentar. Num esforço maior, apressou o passo. Sentiu que o caminho havia se tornado menos tortuoso que antes. Avistou uma luz, débil, mas cintilava na extrema do horizonte. Como qualquer humano, seguiu-a. E ao chegar bem próximo dela, percebeu que era uma fogueira. Ao redor dela os amigos dele se encontravam desfrutando de prazeres mundanos, havia muito prazer, gula e desejo naquele lugar. "Vinde a nós, meu caro, desfruta dos prazeres da vida e esquece essa história de Verdade".
A proposta era tentadora, afinal de contas, ele estava cansado de seguir a estrada. Poderia permanecer ali e se deleitar com os prazeres. Contudo, lá onde "é fundo como a desgraça, onde o pranto não adelgaça, leve qual sombra que passa...", ele sentiu que preciava encontrar a Verdade; era pertinente à sua personalidade buscá-la. "Não, seguirei o caminho". Dito isso, todos desapareceram, e junto foi a fogueira.
O homem continuou sua jornada, sozinho e perseverante. Caminhou muito, passou por vales, montanhas e florestas, em todos os lugares havia ausência de vida, de movimento, em certas partes não haviam cores, somente preto-e-branco. Tudo era como uma quebra-cabeças, difícil de juntar as peças...
E após deixar para trás muitas léguas, ele viu que a terra da estrada foi substituída pela areia, e que estava diante de um gigantesco mar. Por instantes, admirou a grandiosidade dele, e escutou o que as ondas faziam ao chegar na praia. Escutou as palavras do oceano e o que os pássaros cantavam ao sobrevoá-lo, sentiu a mansa viração das nuvens e, finalmente, concluiu que havia encontrado a sua Verdade.
De repente, sente um sono tremendo e deita-se no chão úmido da praia, ao lado de conchas e algas. Ao fechar os olhos, escutou um barulho incessante e, ao mesmo tempo, formidável: o despertador tocou.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Serenata

Incrível em pensar que sempre que sinto algo, e esta sensação permanece, sempre encontro um poema de Cecília que traduza o que tenho dentro de mim. Como se ela, sem saber, já houvesse preparado um "banquete" de poemas prontos para me traduzir. Talvez eu esteja errado. Talvez eu me identifique com ela mais do que ela comigo, mas a ligação é iminente. Estou impregnado de Cecília até a alma e não hei de negá-lo, ela é etérea, como eu.

"Serenata

Repara na canção tardia,
Que timidamente se eleva,
Num arrulho de noite fria.

O orvalho treme sobre a terra,
E o sonho da noite procura,
A voz que o vento abraça e leva.

Repara a canção tardia,
Que oferece a um mundo desfeito,
Sua flor de melancolia.

É tão triste, mas tão perfeito,
O movimento em que murmura,
Como o do coração no peito.

Rapara na canção tardia,
Que sobre o teu nome, apenas,
Desenha a sua melodia.

E nessas letras tão pequenas,
O universo inteiro perdura,
E o tempo suspira na altura.

Por eternidades serenas."
- Cecília Meireles

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Lástima

"E ela chorou amargamente pelo dia em que o amou... Sentou-se num canto da sala, recolhida em seu pranto, e chorou por todos os que não tiveram coragem de fê-lo; ela foi mártir de uma causa desconhecida. Chorou pela tristeza, pelo empenho, pela luta, enfim, pela fraqueza extrema que sentia ao saber que está succetível aos sentimentos desse ser chamado 'humano'."
- Relatos de uma vida perdida.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Pedido


Olhai minha vida,
Eterno sofrer,
Doutrina perdida,
Fazei-me viver.

Olhai meu pranto,
Prova do cair,
Silencioso canto,
Fazei-me sorrir.

Olhai meu semblante,
Avatar da mágoa,
Dor inconstante,
Que meu ser deságua.

Olhai minha vida,
Espelho quebrado,
Esperança partida,
Fazei-me amado.