quarta-feira, janeiro 26, 2022

O mestre

 O vento forte na noite profunda

 Os campos de trigo dobrando

 O luar na água se estirando,

Em ondas de trégua infinita

Longe, lá de longe ele vinha

Apoiando o cajado na Terra,

que se tremia toda por dentro

de medo (ou respeito) daquele

cujos pés sagrados lhe beijavam a face

O viajante que veio de longe,

 espiado pelas aves de rapina

encolhidas no galho do salgueiro

andava sem olhar pra trás.

Lá na frente vinha a caravana

Pesada de ouro e especiarias

Em algum ponto se cruzariam

As baforadas de ópio diziam:

que andarilho mais perdido!

Mal sabiam as novas almas

que ele os faria se encontrar

do deserto para o oceano

da consciência cósmica.

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