quarta-feira, maio 16, 2007

Silêncio

(poesia feita séculos atrás)

Fujo da sina do agora,
Do breu que me segue distante,
Fujo do raiar da aurora,
Da luz que persiste incessante.

Sou fruto da morbidez do ritmo,
Sou a melodia caótica do nada,
Sou a reflexão profunda do ouvir,
A lentidão ademais realçada.

Sou a derradeira palavra,
Que vale por mil pronunciadas,
Sou a infeliz afirmação,
De perguntas que não querem ser caladas.

Sou o momento nostálgico,
Que lamenta ter havido o passado,
Sou o presságio pesaroso,
Que se entristece por haver o fado.

Sou a gênese do universo,
Que precede as transformações,
Não sou nenhuma filosofia,
Mas presencio todas as questões.

Sou o intervalo inerente à coerência,
Entre as palavras estou presente
sou a inexorável latência
que ressoa eternamente.

Sou a conversa dos tímidos,
Que é na lentidão das horas um escudo,
Sou, enfim, simplesmente o silêncio,
Que se antepõe ao nada e se curva ao tudo.

Um comentário:

Anônimo disse...

o silêncio é o que há de mais eloqüente

gostei :]

lia