Foi quando o menino saiu de casa para ir à escola. Era pra ser a mesma costumeira ida, as mesmas ruas, mesmas casas e prédios. Mas ele olhou pro céu. E pôde avistar, protegendo os olhos do sol, as dádivas efêmeras em seu ritmo rápido e lento (tão devagar aqui, e num piscar de olhos, já estão acolá). Sim, dádivas efêmeras da natureza, feito flocos de algodão doce a flutuar no firmamento. Alvíssimas. O menino via um coelho, não não, um coiote, mas pera, não seria uma baleia? Tantas formas faziam a imaginação da criança ruflar as asas de excitação.As nuvens o transportavam, faziam-lhe ascender lento com o seu passar, então ele voava feito colibri. Elas carregavam seus sonhos, desejos e esperanças para outras terras, não só os dele, de todos que depositavam seus olhares tenros nelas, e assim, saturadas de sonhos elas choviam, e a chuva fecundava a terra, que fazia brotar os sonhos materializados em flores; e também da chuva, os sonhos se juntavam em rios que desaguavam no mar... que é de todo resto. Foi então que o menino despertou do sonho acordado, e percebeu que era um homem, mas o menino que gosta das nuvens sempre estaria pulsando vivo em seu interior.
5 comentários:
um dia desses eu tomei um susto: pela primeira vez as núvens pareciam só com núvens. =~
Me lembrou muito a cena em que Amelie pequena andava a tirar fotos das formas das nuvens...
Muito bom, eu ainda olho-as, quem não olha? rsrs
E as minhas ruas são outras, não são silenciosas, nem vazias, nem calmas...minhas ruas tem gente, tem movimento, velocidade, tem oportunidades e escolha e a cada escolha um risco, uma duvida. O que me atrai é o inesperado.
Nada mais clichê que choramingar depois de fazer besteira. ;)
Obrigada =) Agora vou ler teu texto.
Isso é que é o bonito das coisas. aber vê-las. Com vários olhares diferentes. Me lembrou meu caixinha d'água em certo momento, mas nossos ciclos tem intenções bem diferentes.
Conservando esses olhos a vida fica mais bonita. =)
OPA!
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