Guardada no seio do jardim,
Nutrida pelas folhas da roseira,
Tão frágil, escondida no carmim,
És delicada, porém também faceira!
Como tu assim larva foste,
Não tão bela quanto se seria,
Não tão previsível como se goste,
O amor surge e urge em nosso dia.
Acaso a ventura conspire,
Em separar e dissipar o nosso amor,
E tal qual a larva insólita vire,
Crisálida esperançosa regida pela dor.
Do cerne da casca, pulsa vivamente,
Coração repleto de paixão,
Esperando apenas momento coerente,
Com as almas que anseiam tal união.
Se porventura o nebuloso destino,
Decida destruir a crisálida,
Exonerando meu cargo peregrino,
Purgando minha vida esquálida.
Um novo raiar fulgurará,
No horizonte do meu coração,
Da paixão guarnecida renascerá,
Nova chama de pura emoção.
E então a crisálida rompida,
Marca do intante a transformação,
Das velhas cascas caídas,
Surge novo ser, uma nova criação.
Metamorfose completada,
O amor transcende o tempo,
O amor transcende nossa estada,
No efêmero mundo do sofrimento.
(Uma borboleta voa célere por entre as veredas desse mundo...)
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