quarta-feira, agosto 24, 2005

Cisnes Brancos

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Porque viestes, se era tão tarde?

O sol não beija mais os flancosDa Montanha onde mora a tarde.

Ó cisnes brancos, dolorida

Minh’alma sente dores novas.

Cheguei à terra prometida:

É um deserto cheio de covas.

Voai para outras risonhas plagas,

Cisnes brancos! Sede felizes...

Deixai-me só com as minhas chagas,

E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras,

De risada que esfria os ossos...

Minh’alma, cheia de caveiras,

Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brasas,

Venham as tentações daninhas,

Que eu lhes porei, bem sob asas,

A alma cheia de ladainhas.

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,

Doce afago da alva plumagem!

Minh’alma morre aos solavancos

Nesta medonha carruagem...

Quando chegaste, os violoncelos

Que andam no ar cantaram no hinos.

Estrelaram-se todos os castelos,

E até nas nuvens repicaram sinos.

Foram-se as brancas horas sem rumo,

Tanto sonhadas! Ainda, ainda

Hoje os meus pobres versos perfumo

Com os beijos santos da tua vinda.

Quando te foste, estalaram cordas

Nos violoncelos e nas harpas...

E anjos disseram: — Não mais acordas,

Lírio nascido nas escarpas!

Sinos dobraram no céu e escuto

Dobres eternos na minha ermida.

E os pobres versos ainda hoje enluto

Com os beijos santos da despedida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vc é perfeito!!!

Anônimo disse...

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