quarta-feira, janeiro 05, 2011

Paráfrase

Parafraseando aquele quarteto famoso de rock dos anos sessenta:

Ele atravessou pela janela do meu quarto,
Protegido por óculos escuros (e olha que a luz se ia),
E por mais que eu soubesse o que aconteceria,
Estava cansado daquilo tudo, farto,
E por mais que ninguém lhe houvesse contado,
(ele também entrou com fones de ouvido),
Eu já estava completamente entregado,
E tragado: por mim próprio traído.



quarta-feira, novembro 17, 2010

De manhã na cama

Quando me olhas com aquele olhar terno
ao acabares de acordar
e sem desatar uma palavra
me abres aquele sorriso de uma ponta a outra
de minha visão
desdobrando-me em laivos de suspiros
fatalmente me lanço a meu destino inexorável
cantar a alegria de um coração que é
verdadeiramente teu.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Pária

A vida é luta sangrenta
é páreo feroz.
O sonho é a dádiva lenta
de um cárcere em que o tempo
é nosso algoz.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Um suspiro

Para todos aqueles que tentaram e principalmente àqueles que ainda tentam, a batalha ainda não está perdida.

terça-feira, outubro 19, 2010

Voyage

Voyage
é ter na mente
éter
na mente
eternamente.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Tanto ao vento

Deixe que o canto desmanche
em manto de alento
escorrendo sem pressa
sangrando lento.

Deixa que a alma se entregue,
ao encanto cinzento
divagando tanto
neste breve momento.

Deixa o ouvido solto
leve, no entanto atento
Escuta o som vagando,
Ao soluçar do vento.

Deixa que santo é forte
e o que tange é dentro,
É o som que desata
É o libertamento.

domingo, outubro 10, 2010

Humilhus

E ela riu-se tanto daquilo, ria-se em gargalhadas longas e estridentes que ecoavam sinistramente pelo salão. Não era apenas porque ele havia caído da escada, havia mais, algo dentro dela que subia vertiginosamente de seu coração e alcançava a boca espetando-lhe os ouvidos. Ele precisava sofrer mais do que a simples queda, precisava ser humilhado. E se alguém poderia fazer aquilo, tinha de ser ela, subindo as escadas logo atrás dele. Algo maior do que a graça da visão do evento lhe fazia rir, algo inerente a si. O sangue escorria das mãos dele lentamente, ele contia os soluços de dor ao passar pelo corredor. Enquanto isso, atrás no salão, ainda ouvia-se ecos de gargalhadas longas.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Roma e amor

Assim como desde sempre se dizia:
Roma não foi construída em um dia
Ora, mas é sem espanto e com gosto
que digo que nem mesmo assim foi seu oposto.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Sobre os dias não tão alegres

Ele não precisa amanhecer cinzento
Pode não haver sequer uma nuvem no céu
Não precisa que o pão queime na chapa
Nem mesmo que se esqueça a chave em casa,
Ou pássaros joguem detritos sobre nossas cabeças.
Basta que um rosto conhecido, torto,
desfigurado pela doença,
evapore nossa alegria,
doente de mau-humor.

terça-feira, setembro 14, 2010

Canteiros e pedras

Eu sei que nesse caminho ainda existem muitos canteiros perdidos, vastos e vagos, prontos a serem achados por transeuntes desatentos que tropeçam em pedras soltas (aquelas não tão grandes para serem notadas, nem tão pequenas para passarem desapercebidas).
Sei que as sementes que caem de nossos olhos, nossas mãos, nosso corpo e alma vão fecundando a terra virgem. Nossos corpos dançam sem sabermos. Nossa vida é um baile e somos os bailairinos incansáveis, insaciáveis. São vários as gotas que escorreram salgadas de nossos globos e aos poucos fizeram crescer, lentas e tímidas, as flores que hoje irradiam os sorrisos que vejo pelo caminho, o mesmo que antes havia visto vasto e vão. Por entre as frestas do céu e as alamedas úmidas que andei, fico certo de algo, não há certezas senão que a chuva quando lavra a terra quente emana o cheiro morno da felicidade. E esse caminho ainda tem muitos canteiros e pedras a serem encontrados, o baile todo.

quinta-feira, julho 22, 2010

A leveza de todas coisas

"Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha..."

Com todos os rostos e várias as almas que amei
vislumbro acordado memórias que não têm fim
Os risos e prantos que nessa estrada encontrei
são tantos caminhos que se bifurcam assim.

E é tempo de se olhar para fora do corpo etéreo
Expulsando aquela vontade do peito contida:
Saltar sobre os vales em vôo solene aéreo
Mudar as rédeas em que tangemos a vida.

De todos os medos e males que levava
o mais pesado era aquele que repreendia
o medo do espaço, da luz, da lua brava,
que esplêndida na noite, leve, se ascendia

E é por isso que agora eu não apenas canto
Faço desta vontade o hino que me guia
Enchendo o mundo de gozo e espanto
Desato as notas com uma estranha euforia.

E desatando é que vou me rompendo
os mastros, os cascos desse meu navio
sobrando apenas o marinheiro vendo
o soçobrar sereno de um medo infantil.






sábado, junho 19, 2010

Serás

Poema que finalmente tive a iniciativa para terminar, lancei estrofes incompletas no meu blog e juntei os cacos para fazer uma peça única.

Não tentes barrar o destino,
Não tentes viver sem sonhar,
Serás peregrino,
Serás um menino,
Perdido no meio do mar

Não tentes desbravar caminhos,
Marcados pela solidão,
Tão cheios de espinhos,
São feito moinhos,
Moendo nosso coração.

Não tentes reter as lembranças
de tudo que já se passou
A vida não cansa
na eterna dança
da alma em seu pleno vôo.

Não tentes viver na fronteira
que impede a tua extroversão
Faça uma besteira
Sem eira-nem-beira
Ousando com tua excitação.

Não tentes barrar o destino
Nao tentes viver sem mudar
terás amargura
e não terás cura
serás mais que enfermo, serás.

quinta-feira, junho 17, 2010

Dentro de milênios

Eu sinto a tristeza que jorra do alto dos montes cinzentos e escorre lenta e perene pelas frestas das pedras, sobre o chão pisado por aqueles que vislumbraram algo que fosse semelhante ao amor durante uma noite qualquer. Eu sinto-a penetrando nos vales e irrigando a colheita daqueles que levantam antes do sol nascer. Sinto que do alto dos cumes, ao longo dos tempos, ela chegará à vastidão do mar e por fim encontrará descanso. E de lá será chamada daquilo que os poetas não ousam falar em seus textos.

terça-feira, junho 15, 2010

Sobre o peso e a leveza - parte 2

Acabei de notar o quanto a leveza é essencial em vida. Talvez tenha encontrado uma resposta a qual Parmênidas, há tantos séculos, procurava. Ou talvez seja apenas mais uma ousadia minha.
Entre inúmeros pesos que guardava em minhas gavetas, em meus armários e nos confins de meu quarto, eu vi a luz. O desapego alçou vôo feroz entre os papéis amarelados das cartas nunca respondidas, das fotos sempre revolvidas, dos cadernos rabiscados. Foi aos poucos que fui percebendo que, não é o que levamos na mala ou debaixo do colchão que nos torna mais próximos dos que trilharam caminho ao nosso lado.
O peso das coisas acaba levando a lembranças inerentes à realidade: as cores, os cheiros, os sons, todos diferentes daquilo que foi sentido. Quando estamos em certo estado de alma, percebemos as coisas de modo diferente, sentimos o mundo de forma ímpar, é a leveza do momento. Nem tudo que reluz é ouro, como diz o ditado, do mesmo modo nem tudo que guardamos se mantém incólume. Me sinto leve ao levar as lembranças na mente, e somente nela. Ela é a mala, a gaveta e o armário que mais preciso. Porque sei que tudo que é importante nela permanecerá. Haverá sim, palavras e momentos esquecidos, mas a essência deles nos manterá leves pelo quanto precisarmos

domingo, maio 30, 2010

Sobre o poder das palavras

Sempre me paro para pensar no que há de tão mágico e misterioso em certas palavras. Algo que em muitas situações me força a utilizá-las cautelosamente em textos, como num desabrochar de flor, cada palavra cuidadosamente escrita e desabrochando-se espontaneamente. Uma beleza intrínseca à sua fonética e significado metafórico que as fazem ímpares e únicas. Não limitando-se à lingua portuguesa. Nas várias línguas que já tive contato, há sempre uma ou outra palavra que me fascina e o mais impressionante é que apenas naquela língua isso ocorre. Como um ótimo exemplo tem-se a palavra "sangre",do espanhol, sangue. Imagine a vasta possibilidade de ocasiões, momentos, sentimentos e imagens criados apenas por essa palavra. Poderia-se pensar que seu análogo em português teria a mesma força e poder, mas a fonética aliada se supera e o encanto sobre "la sangre" se faz presente. Tanto mais quanto se usa em textos poéticos, onde seu potencial pode ser amplificado pela veia artística. Não desmerecendo os textos científicos. Outro exemplo é a palavra "foresee", do inglês, prever. A palavra em si já traz uma carga de sentimento, como "tristesse" em francês. Pode parecer um jogo de egos meus, uma tendência um quanto parnasiana de se fazer textos. Mas atrelado à semântica das palavras está a fonética. O som e a maneira com que as palavras são ditas podem ser muito fortes e marcantes. Palavras são fortes e movem mundos. A história da sociedade é mudada constantemente pelo bom (ou mau) uso das palavras. Então, se você nunca se preocupou com o poder de uma palavra, pelo menos comece a pensar sobre.

quarta-feira, abril 14, 2010

Procuro algo que não tem nome

Versão simplificada

Procuro algo que não tem nome
Em cada réstia de luz
Em cada gota de orvalho
Sobre o vento que transpassa
Sob o sol que queima
Pelas entranhas do solo
Já o encontrei vezes e vezes -
Só não encontrei seu nome
Voltarei à água, ao ar, à terra,
Voltarei até descobrir.

sexta-feira, abril 02, 2010

Procuro algo que não tem nome

Procuro algo que não tem nome
Em cada réstia de luz que se esconde em cavernas
Em cada gota de orvalho que se dilui nos oceanos
Sobre o vento que transpassa as mais altas montanhas
Sob o sol que queima e determina o novo dia
Pelas entranhas do solo que abraça nossos ancestrais
Já o encontrei vezes e vezes - só não encontrei seu nome
Voltarei à água, ao ar, à terra, voltarei até descobrir.

domingo, março 21, 2010

I love you a bushel and a peck!

Nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso
A perfeita maneira de saber-se amado
Amor na raiz da palavra em sua exaustão
O amor que conduz
O amor que aprende e nunca, nunca morre.

sábado, fevereiro 27, 2010

A força

Por mais que todos lhe tentassem alertar para não prosseguir com aquilo
Que seria uma total loucura e que a sanidade lhe deixaria livre para voar
Por mais que tudo conspirasse para ele pensar que não daria certo
Algo dentro dele cochichava-lhe ao ouvido da alma
Algo incansável que lhe forçava febrilmente a continuar
Uma força de tal natureza que seu âmago lhe enchia de esperança
E é de toda réstia dela que se faz a verdadeira chama da paixão
E foi assim que ele, o estúpido teimoso, conseguiu o que queria.
Aqui termina a história de um tolo
[mas um tolo mais feliz.]

sábado, fevereiro 06, 2010

Confissão

Nasci na época errada, no ritmo errado das coisas. Meus ideais e pensamentos se confundem com o brilho ancestral das estrelas. Há um pouco de fé e nostalgia em minhas canções que remetem a um tempo de que certamente pertenci e continuarei a pertencer. Onde pairam ilustres e hábeis os astros do blues e os jovens ainda dançam com a brilhantina faiscando em seus cabelos.