segunda-feira, julho 18, 2011

Acabei de perceber que a melhor coisa que me aconteceu foi ele ter me deixado. A venda caiu, a dor se esvaiu. A partir de agora o céu é o limite em minha vida.

quarta-feira, julho 13, 2011

É, essa avenca veio para ficar, não a deixarei partir, não como na história.
"- mas o que chamas de paz se pressinto em ti essa coisa mansa que se faz nos outros se em cada momento que te olho inúmeras coisas escuras escorrem dentro de mim pois se a paz não é uma coisa escura pois se não continuarei não te farei nenhuma pergunta embora precisasse não para te definir ou para te compreender não preciso saber de onde vens assim como para me definires ou me compreenderes não precisas de nenhum dado concreto mas eu não te defino nem te compreendo apenas sei que chegaste e que esta tua chegada modificará em mim todas as coisas que se tornaram suaves todas as cordialidades ou amenidades que construí nesse tempo de absoluta sede ansiava por ti como quem anseia pela salvação ou pela perdição porque qualquer coisa poderia me salvar desta imobilidade que me devasta por dentro te direi como se constroem momentos apenas para sobreviver mas já não quero sobreviver já não quero apenas ir adiante é preciso que qualquer coisa abata esta letargia porque já não admito precariedades porque não sei o que digo nem o que sinto mas persistirei no que pressinto [...] além disso nada sei mas não fujo foram muito poucas as coisas que vivi percebo que não cheguei a existir exatamente não não sou forte apenas construí minhas fraquezas essa coisa que talvez chamasses de força há muito tempo eu permanecia esquecido de mim mesmo foi preciso que chegasses para eu perceber que somente destruindo se pode construir agora eu quero a destruição que me propões mas não propões nada deixas que eu enverede sozinho é assim sei que não me deixarás sozinho sei que te recusas a te definires em palavras não porque eu me atemorizasse mas porque as palavras não te dizem temos muito pouco tempo nesse pouco tempo é preciso que todos percebam em ti o que nunca viram e somente no último momento possam ver a tua face [...] mas eu de nada sei nada conheço do que falo mesmo assim estou pronto embora sem compreender integralmente sim semearemos o que eles não seriam capazes de viver se não chegasses não me esquivarei vejo a tua mão estendida em direção a mim e estendo a minha a própria mão e minha mão e tua mão tocam e a minha espera e a tua conduz sim preparo-me para o grande mergulho no desconhecido."

- Afogado de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

terça-feira, julho 12, 2011

"[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando."

- Harriett de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

segunda-feira, julho 11, 2011

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua vida você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugar confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo inevitavelmente, você está perdido: as coisas não voltarão mais a ser as mesmas e você próprio não será o mesmo. O que vem depois não se sabe."

- "Eles" de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

sábado, julho 09, 2011

Sobre uma avenca

Eu preciso continuar a acreditar que isso vai passar. E para que isso aconteça, é preciso podar, cortar, diminuir aquilo que tem crescido em mim tão avassaladoramente nesses últimos anos. É uma faca de dois gumes, ou eu deixo essa "avenca" ou roseira, "essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado" morrer, ou eu me destruo. É um sentimento auto-destrutivo a essa altura, a cada dia que passa eu corto um ramo, um galho dessa avenca. Só assim talvez eu possa voltar a ser alguém, digamos, livre.

domingo, junho 26, 2011

Fragmento

"- Você acredita em milagres?
- Hoje não."

sexta-feira, junho 24, 2011

Consulta

- Oi, Doutor.
- Olá, Ricardo, como vai?
- To com uma dor, doutor, uma dor que não passa.
- Humm, uma dor que não passa, e onde você a sente?
- Bem aqui doutor
- Aqui?
- É
- No coração?
- Sim, doutor, no meu coração.

Saudade

Saudade que dilacera
No ritmo das horas
No ritmo da espera.

domingo, junho 19, 2011

O conto da noite

- [...] Se eu não me engano eu acho que nós deveríamos estar aqui no mapa, ai, droga!
- Não acredito que estamos perdidos aqui no meio da noite.
- Pelo menos estamos de carro e o céu está limpo...
- Ah, é verdade o céu, vai nos ajudar tanto né?
- Mais do que você imagina, amigo.
- Como assim?
- Está vendo aqueles pontos brilhantes? Veja que alguns pulsam tão fracamente que parecem que vão se apagar a qualquer momento,
- Sim, estou, são estrelas...
- Não somente, são milhares, milhões de sóis como o nosso a queimar ardemente.
- Sol, era tudo que eu precisava nesse momento pra nos iluminar no meio dessa imensidão escura.
- Estamos sob o regime das estrelas, Cláudio, estamos sob o regime do luar.
- E você me lembro de que preciso retomar meu regime, ganhei um pesinho ultimamente.
- Presta atenção, não consegue ver a metáfora viva que seus olhos alcalçam?
- Qual?
- Nossas vidas são como sóis, estamos embrenhados nessa imensidão do universo, muitas vezes sozinhos, outras acompanhados, mas sempre pulsando, sempre vivendo.
- Você viaja tanto, não é à toa que é de Sagitário, Fernando...
- E não é à toa que você é de capricórnio com a cabeça fincada nesse chão (risos de ambos).
- No fundo eu acho que você está certo, a única certeza é de que apagaremos também.
- Mas até lá ainda temos muitas vias lácteas para conhecer, pode ficar certo disso.
- O que podemos fazer pra sair daqui?
- Fazer o que nossos antepassados faziam ao navegar pelos oceanos no negrume da noite.
- E isso é?
- Guiar-se pelas estrelas, veja, aquele é o cruzeiro do sul ele aponta para a direção sul...

Poema breve

Com toda a licença poética
Vai ver se eu to na esquina.

domingo, junho 12, 2011

Inspire



Eu:
E se formos parar para perceber, tudo é uma questão de perspectiva, Dedé...
Está vendo aquilo no céu? O que imagina que seja?
Dedé: Ora, uma nuvem, o que mais seria?
Eu: Você tem certeza?
Dedé: Espera aí. Agora sim eu vejo... um animal, acho que um cavalo, estou certo?
Eu: É como eu disse, é tudo uma questão de perspectiva.
Dedé: Mas se eu tivesse visto outra coisa que não um cavalo?
Eu: Eu diria que você é uma pessoa mais criativa do que eu (risos).

Diálogo

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: È.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.

quarta-feira, junho 08, 2011

Rosa

E toda a dor e sofrer que ele sentiu precipitaram densos naquilo que chamavam de lágrimas. Gotas pesadas saciavam a terra seca e lavravam o pesar de seu peito. Diziam que daquela terra desolada não nasceria mais nada, ora, para espanto dos descrentes nascera ali, do sulco das gotas vertidas, uma rosa. Rubra como o sangue que corria quente em seu órgão pulsante. A rosa da dor desabrochava esplêndida e sorria para ele numa manhã qualquer

sábado, junho 04, 2011

I don't blame them

And there were rumours I was aching and feeling bad, well, I don't blame them for their lack of sensivity, not even in my darkest days I'd tell them. Perhaps for most of them I keep showing off like a hustler. I completely own myself and my thoughts. By the way if they keep saying and cheating, I don't blame them at all...

domingo, maio 29, 2011

Acima de nós




Hoje saí de casa inesperadamente, peguei minha bicicleta, meus fones de ouvido, meu mp3 e saí. Errei pelas ruas de minha cidade enquanto mergulhava em meus próprios pensamentos. E quando reparei, já estava no ponto mais alto da região, onde é possível ver todas as redondezas e, talvez o mais importante, o sol, que já estava a se pôr. Foi então que eu me lembrei há quanto tempo não saía para assistir a esse evento tão lindo, tão simbólico e mágico. Costumava sair com minha cachorrinha para a praia e assistir a agonia do sol, vê-lo desmanchar-se na abóbada celeste. É um momento tão rápido e tão belo. Muitas coisas se passaram na minha cabeça, muitos pôres-do-sol, muitas auroras. Reparei que tudo é tão pequeno perto dessa vastidão que é o mundo e a vida. Não vale a pena guardar o que nos faz mal, o que nos fez sofrer. E os momentos são como um crepúsculo, não voltarão só porque você quer uma vez que se foram. É claro que haverá novas auroras, novos amanheceres, e estes virão com novidades e você poderá vivê-los com mais maturidade. Abri meus braços e minha alma para o céu e agradeci ao sol por aquelas reflexões tão profundas.

sábado, maio 28, 2011

Desato

Hoje eu não aguentei, dessa vez a tormenta de memórias foi muito forte, densa demais para um coração frágil. Tranquei-me no banheiro, sentei, acolhido no canto, e chorei. Chorei por tudo que sofri, por tudo que fiz e tudo o que não fiz. E foram muitas lágrimas vertidas.

terça-feira, maio 24, 2011

Pés

Tão cansados e pesados
Para que vos quero?
Se tenho asas para voar.

sábado, maio 14, 2011

Se você errou

"Se você errou, peça desculpas...

É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo diga...

É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...

É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...

É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível..."

- Cecília Meireles

sábado, maio 07, 2011

Ei!

Segure as minhas mãos, não, não largue-as assim tão cedo. Veja, o sol já se põe, está agonizando em sangue, teremos a noite inteira só para nós. Não somente, a negrura do céu, a mansidão da brisa noturna e as milhares de centelhas que ardem lá em cima. E só seremos eu e você, você e eu, nada mais. Olha, não tenha medo, esqueça seus problemas, seus compromissos, pensa que não tem amanhã, pensa que hoje é o que mais te importa e que nada te fará temer o futuro. Imagina o quanto temos de descobrir não sozinhos, mas juntos, a aventura de uma vida a dois. Desta vez não haverá o ontem, nem o amanhã, apenas eu e você agora.