"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?
Não encontro caminhos
fáceis de andar;
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar;
E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança,em cada lugar.
Rastro de flor e estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e
meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar."
-Cecília Meireles
domingo, dezembro 06, 2009
quinta-feira, novembro 19, 2009
O mestre-sala dos mares
Salve o navegante negro
Altivo no porte pra defender
Moral e virtude manchadas jamais
Com sorte de a morte o escolher
Por lutas inglórias, batalhas mortais
E por monumento ter
As pedras pisadas no cais.
Altivo no porte pra defender
Moral e virtude manchadas jamais
Com sorte de a morte o escolher
Por lutas inglórias, batalhas mortais
E por monumento ter
As pedras pisadas no cais.
domingo, novembro 01, 2009
Carnalismo
A mão perfaz o toque febril sobre a morna pele
percorrendo vagarosamente cada meandro do corpo nu
Esperando com ardor que o prazer se revele
Como de um céu nublado a uma imensidão azul.
O suor que transpassa aquela epiderme
é o alimento para olhos famintos de paixão
que buscam nada mais que o cerne
de um delírio, de um fulgor, de excitação.
percorrendo vagarosamente cada meandro do corpo nu
Esperando com ardor que o prazer se revele
Como de um céu nublado a uma imensidão azul.
O suor que transpassa aquela epiderme
é o alimento para olhos famintos de paixão
que buscam nada mais que o cerne
de um delírio, de um fulgor, de excitação.
domingo, outubro 18, 2009
Eu sei
Eu sei que não se deve tirar sujeira do nariz na frente dos outros
que não se deve abrir a boca enquanto come
que não se pode entrar com pés esquerdo na casa dos outros pela primeira vez
que não se deve comer o primeiro biscoito de alguém
que não se pode beber leite e comer manga
mas sempre é bom quebrar um pouco as regras
estou cansado das mil e uma regras da sociedade.
que não se deve abrir a boca enquanto come
que não se pode entrar com pés esquerdo na casa dos outros pela primeira vez
que não se deve comer o primeiro biscoito de alguém
que não se pode beber leite e comer manga
mas sempre é bom quebrar um pouco as regras
estou cansado das mil e uma regras da sociedade.
terça-feira, setembro 01, 2009
Ira
às vezes acordo com vontade de xingar o mundo e suas ignorâncias. Queria socar cada rosto que aparece e decide sorrir hipocritamente na minha frente e que sei que fala mal de mim pelas costas. Mas aí eu percebo o quanto estou sendo tolo, existem outras justiças mais plenas e infalíveis que as feitas pelas minhas próprias mãos.
sexta-feira, agosto 28, 2009
Anagramia
Diva
Vida
Vadi(a).
Morte
termo:
tremo(r).
Alegria
galeria (de)
regalia(s).
Raiva
Vaiar (quem come)
(c)aviar
Vida
Vadi(a).
Morte
termo:
tremo(r).
Alegria
galeria (de)
regalia(s).
Raiva
Vaiar (quem come)
(c)aviar
domingo, agosto 23, 2009
Um conselho
Para todos aqueles que não se sentem aptos ou prontos, ou até mesmo acham que não podem mais. Não se enganem, não iludam seu coração. Nunca é tarde para se amar e ser amado. Os desígnios da vida sempre mostram um caminho que passa rente ao córrego do amor, às vezes estamos tão absortos em viver que não o percebemos. Ou nosso espírito tão machucado que não sobrou espaço para uma nova oportunidade. Nunca perca aquilo que possa te salvar deste mundo. Lembra-te que há vastidões mais vastas que essas alcançadas por nossos olhos ou nossas limitadas mentes e o amor é a porta para tais.
quinta-feira, agosto 20, 2009
A verdade sobre o vôo
Um dos maiores dramas da humanidade sempre foi a incapacidade de voar. Desde tempos imemoriais o ser humano almejou alcançar os céus. Isso está registrado nas gravuras e textos literários desde aqueles tempos. Figuras como os anjos, criaturas humanóides dotadas de asas que transitam entre o céu e a terra, são muito conhecidas e podem ser vistas como objetos de vontade de vôo do homem. O conto de Ícaro na mitologia grega ilustra muito bem essa vontade, às vezes obsessiva. Foi então que construímos os helicópteros e os aviões. Contudo ainda assim não nos contentamos, buscamos arduamente uma maneira de ascender por conta própria, sem auxílio de máquinas ou ferramentas. A questão é, existe somente uma maneira de se voar? A resposta é não. Para comprovar isso, experimente deitar em sua cama e, relaxado, escutar a música que mais lhe aprouver a alma, que mais lhe penetre nos confins de teus pensamentos, que te faça esquecer de teus problemas e desejos por pelo menos alguns minutos. Agora assim tente voar sobre todos os lugares que já quis antes. Todos os vales, montes, colinas, cidades e montanhas. Experimente conhecer cada um desses lugares nesse momento e veja se um ser humano não pode mesmo voar.
"pés, para que os quero se tenho asas para voar?"
"pés, para que os quero se tenho asas para voar?"
quinta-feira, agosto 06, 2009
Bang Bang, my baby shot me down
Éramos ainda duas crianças quando nos conhecemos. Eu tinha cinco anos, ele seis. No auge dos filmes de cowboy e faroeste. Costumávamos montar em cavalos de pau. Nosso parque de diversão virava o mais recente vilarejo pelos arredores do Novo México, constantemente atacado por índios peles-vermelha.
Ele sempre vestia preto, eu branco. Era como uma velha tradição do faroeste. Contudo não era possível dois postos de xerife naquela cidadezinha, um teria de sucumbir. Bang, bang! Ele atirou e caí ao chão. Bang, Bang! Aquele som desagradável para sempre em minha mente.
As estações vieram e mudaram os tempos. Quando cresci o chamei de meu. Ele sempre riria e diria "lembra quando nós brincávamos?".
Música tocada e pessoas cantavam. Apenas pra mim os sinos da igreja soavam.
Agora ele se foi e não se por quê. E até estes dias eu ainda choro. Ele nem mesmo disse adeus. Não teve tempo para mentir. E mais uma vez bang, bang! Ele atirou em mim. Bang, bang! Caí ao chão. Bang, bang! Aquele som desagradável. Bang, bang! My baby shot me down...
Ele sempre vestia preto, eu branco. Era como uma velha tradição do faroeste. Contudo não era possível dois postos de xerife naquela cidadezinha, um teria de sucumbir. Bang, bang! Ele atirou e caí ao chão. Bang, Bang! Aquele som desagradável para sempre em minha mente.
As estações vieram e mudaram os tempos. Quando cresci o chamei de meu. Ele sempre riria e diria "lembra quando nós brincávamos?".
Música tocada e pessoas cantavam. Apenas pra mim os sinos da igreja soavam.
Agora ele se foi e não se por quê. E até estes dias eu ainda choro. Ele nem mesmo disse adeus. Não teve tempo para mentir. E mais uma vez bang, bang! Ele atirou em mim. Bang, bang! Caí ao chão. Bang, bang! Aquele som desagradável. Bang, bang! My baby shot me down...
terça-feira, agosto 04, 2009
L'amour
Não tem nada melhor nessa vida do que acordar de manhã e reparar que você está do lado da pessoa que ama. Admirando o sono lento e profundo dela e fazendo carícias em seus cabelos até abrir os olhos aos poucos e sorrir. Um sorriso claro como a manhã que se desenvolve.
quarta-feira, julho 22, 2009
Notas sobre a música
Nunca conseguirei transpassar essa sensação que atravessa meus tímpanos, ressoa dentro de mim e me faz o pensamento alto [e vário]. Um dia, talvez, ao menos possa chegar perto. Ainda assim, escutar é tudo.
quarta-feira, julho 15, 2009
A volta
Ele não queria voltar tão logo para aquela terra fria. Em que os raios de sol custam mais para tocar o chão e os ventos parecem mais rápidos conforme o passar dos dias. Ele sabia que haveria de voltar, mas algo dentro lhe fustigava a pensar que não. Queria sentir ainda o sabor da brisa que vinha da praia; ver do mar o vermelho escorrendo do céu e sumindo até que só sobrassem as luzes das embarcações ao longe. "Uma terra com palmeiras onde cantam sabiás", confirmou para si. Nunca pensou que sentiria tanta falta daquilo, mas talvez assim fosse necessário. O destino reserva muitos caminhos sinuosos aos seus transeuntes. Além das milhas que o separavam disso, havia um compromisso, uma promessa para si de que tudo haveria de ser como foi decidido. E assim ele voltava, menos passional e mais resoluto quanto aos seus quereres.
quarta-feira, junho 24, 2009
c'est tout
"Je viendrai te prendre
Je saurai te défendre
Au-delà des frontières
Je foulerai la terre
Je tisserai des chants
Au soir et au levant
Un point pour chaque étoile
Chanson de toile"
- Émilie Simon
Je saurai te défendre
Au-delà des frontières
Je foulerai la terre
Je tisserai des chants
Au soir et au levant
Un point pour chaque étoile
Chanson de toile"
- Émilie Simon
sábado, março 14, 2009
O que urge
Não hei de divulgar em manchetes
Não hei de escrever em diários
Nem mesmo sussurar aos ventos
tampouco de outorgar em tratados
O que urge nessa situação
não reside na maneira íntegra de se expressar
A curiosidade alheia se desmancha
se faz deserto em meio ao nosso oceano
de oportunidades
O que se faz mister reside
na palavra doce e silenciosa
que transborda aos poucos de
nossas mãos ou no calor singelo
de nossos beijos e abraços.
Não hei de escrever em diários
Nem mesmo sussurar aos ventos
tampouco de outorgar em tratados
O que urge nessa situação
não reside na maneira íntegra de se expressar
A curiosidade alheia se desmancha
se faz deserto em meio ao nosso oceano
de oportunidades
O que se faz mister reside
na palavra doce e silenciosa
que transborda aos poucos de
nossas mãos ou no calor singelo
de nossos beijos e abraços.
sábado, março 07, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009
Take me out
Take me away from this world
Build-me up wings like this so
sweet and serene as you built
this feeling for me
Take me high, so high
above these clouds
that brought us
days that from rain
hugged
we used to sleep like this
take me somewhere
anywhere you might
walk away
in my chest
to transmit everything
that has no name
not even end
Build-me up wings like this so
sweet and serene as you built
this feeling for me
Take me high, so high
above these clouds
that brought us
days that from rain
hugged
we used to sleep like this
take me somewhere
anywhere you might
walk away
in my chest
to transmit everything
that has no name
not even end
Take me out
Me leva pra longe desse mundo
Construa-me asas assim tão doce
e sereno como construíste
este sentimento por mim.
Me leva alto, bem alto
acima dessas nuvens
que nos trouxeram
dias em que da chuva,
abraçados.
dormiamos assim.
Me leva a alhures
qualquer lugar em que
possas transitar
em meu peito
transmitir tudo isso
que não tem nome
nem fim.
Construa-me asas assim tão doce
e sereno como construíste
este sentimento por mim.
Me leva alto, bem alto
acima dessas nuvens
que nos trouxeram
dias em que da chuva,
abraçados.
dormiamos assim.
Me leva a alhures
qualquer lugar em que
possas transitar
em meu peito
transmitir tudo isso
que não tem nome
nem fim.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Eu
sinto a vida pulsando desde as entranhas da terra
a energia sendo sugada de dentro
subindo sempre em altura,
ascendendo lenta e ritmada
estendendo-se em cada galhada,
em cada ponta de folha
em cada pétala desabrochada.
E eu vejo a glória da aurora não tão notada
da natureza em um crespúsculo.
quinta-feira, novembro 27, 2008
Roda
Completa a décima nona volta ao redor do sol,
Parece que foi ontem que meu Sol nasceu sobre o signo errante
meio eqüino, meio humano
nasci cavalgando sobre esporas imaginárias e cortantes
patas sagitárias novas que amaciam o solo de um mundo antigo
Tudo tem percorrido rápido sua translação natural
os ponteiros parecem competir entre si no relógio pregado na cozinha
no relógio da escola, no relógio do meu braço
Mas nada se compara às voltas do meu coração
O mundo rodou num instante em meu peito
e as feridas ainda estão expostas ao vento da nova estação
É preciso fé e dor para encarar essa roda
mas nem sempre podemos ter a sorte de Pandora...
Parece que foi ontem que meu Sol nasceu sobre o signo errante
meio eqüino, meio humano
nasci cavalgando sobre esporas imaginárias e cortantes
patas sagitárias novas que amaciam o solo de um mundo antigo
Tudo tem percorrido rápido sua translação natural
os ponteiros parecem competir entre si no relógio pregado na cozinha
no relógio da escola, no relógio do meu braço
Mas nada se compara às voltas do meu coração
O mundo rodou num instante em meu peito
e as feridas ainda estão expostas ao vento da nova estação
É preciso fé e dor para encarar essa roda
mas nem sempre podemos ter a sorte de Pandora...
Assinar:
Postagens (Atom)