sexta-feira, abril 20, 2012

As coisas mudam

Da mesma forma que quando dizem que quando entramos duas vezes em um rio já não somos mais os mesmos, ele percebeu que definitivamente não era o mesmo desde que havia se mudado. Por mais que passeasse de bicicleta pelos mesmos canteiros de crisântemos, barracas de camelôs, buracos milimetricamente preditos no percurso (eventualmente tapados de forma paliativa) e pela grande árvore que ficava no centro da praça; apesar das aparentes mesmices ele era outro. Nesse ínterim ele aprendeu a valorizar os momentos de alegria compartilhados com amigos. Risadas, brincadeiras, segredos sussurrados aos prantos, noites mal dormidas por causa das provas. Havia também os momentos de silêncio, vagarosamente compassados, em que se regurgitavam idéias e sentimentos guardados, remoídos; momentos outros em que se conhecia alguém que não era como os outros, alguém que definitivamente fez parte de sua história, de sua vida. Amor à primeira vista, conversas tímidas, trocas de mensagens, viradas de noites de conversas, o primeiro encontro, o primeiro beijo, o abraço, a paixão que culmina, o namoro. O amor que era pra durar pra sempre, mas não durou. A tristeza, o declínio, a desolação e a saudade que vez ou outra passa pra dar um cutucão. E nesse vendaval de cores, cheiros, sentimentos, vazios e imensidão, ele passeava por canteiros de crisântemos e percebeu que, por muitas vezes, aquela grande árvore no centro da praça havia passado por mudas. Lentas e silenciosas. As folhas que caíam sempre no outono, o verdume que surgia na primavera, a sombra que ela dava no verão e balançando gélida pelo vento invernal. Ele percebeu que nem ele, nem o rio, nem a árvore eram os mesmo. As coisas mudam.

segunda-feira, abril 16, 2012

Libertas quae sera tamen

Ainda que tardia
sussurrada do vento
flutuando fugidia
caindo feito pluma ao relento
inesperado o dia
que a liberdade me avistou.
Me tornou rebento
Me jogou ao vento
Nunca mais fraco
sempre mais lento.

segunda-feira, abril 09, 2012

Somebody that I used to know

"Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember"

domingo, março 25, 2012

Fallin' Free

"Deep and pure our hearts align
Then I'm free, I'm free of mine
When I let loose the need to know
We're both free, we're free to go"
- Fallin' Free, Madonna

domingo, março 18, 2012

Painful love

A dor do amor não tem cura
Para todas as outras existe aspirina

quinta-feira, março 15, 2012

Thank you

How 'bout no longer being masochistic?
How 'bout remembering your divinity?
How 'bout unabashedly bawling your eyes out?
How 'bout not equating death with stopping?

terça-feira, março 13, 2012

O pacto

As pessoas fizeram um pacto
Silencioso e mudo
Não o divulgaram ao vento
Nem mesmo a terra pode ouvi-los
Enquanto juravam -se entre olhares
Escondidos e furtivos
E este tratado era tão secreto
Que nem eles sabiam da jura
Apenas os olhares concordavam
[e sabiam]
silenciosos e mudos.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Fairy Tale

É engraçado quando você percebe que a vida não é aquela coisa bonitinha de conto de fadas em que tudo acaba bem no final. Em primeiro lugar, não existe vilão e ninguém quer roubar a princesa indefesa do castelo (a não ser por alguns casos reais de sequestro). Em segundo lugar, nada é linear nessa história escrita de forma muitas vezes aleatória (por mais que tudo faça muito sentido ao se ver depois). Por mais que eu quisesse ser o príncipe encantado que salva a princesa lutando contra dragões ferozes que cospem rajadas de fogo pela boca, vou saber que no mínimo eu estava muito alto ou fazendo um papel em algum filme (se fosse um ator). Enfim, acho que foi muita dose de realidade de uma vez, acho que vou pegar minha vassoura e voltar pro meu castelo assombrado.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Live and Let Die

For all the lovers who prefer solitude
instead of blindness
For all the ones who wander without searching
but aware of destiny
For all the hearts and souls that fly
like dust in the wind
I say live and let die.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

O fio

Ele se pegava às vezes absorto em pensamentos. Tragado por um abismo profundo de memórias que vinham como em um turbilhão. No meio de uma praça em pleno dia, o sol torrando os corpos frágeis que se arriscavam a sair de casa. Seus olhos parados, bem abertos, estáticos a contemplar o nada, e o tudo que estava ao seu redor. Ele sentia toda a imensidão do universo e ao mesmo tempo toda a singularidade de cada lugar que visitou, cada pessoa que conheceu. As coisas conspiravam em silêncio para que ele percebesse que tudo segue uma trilha invisível, ou melhor: um fio. Um fio invisível ao qual estava atado lhe conduzia a caminhos infindáveis, impensáveis. Seu corpo só lhe dava a presença física. Flutuava em dimensões esquecidas no tempo e acompanhava as cenas já vividas gravadas para sempre pelas suas retinas. Uma grande nostalgia tomou conta de seu peito, revolveu em suas entranhas e desatou para fora dele na forma de uma lágrima. Havia muita coisa ainda a ser percorrida, mas tudo que passou foi essencial para ele ser o que era naquele momento. Ele enxugou de repente a lágrima com a gola da camisa de linho; levantou e seguiu seu caminho no parque. Levantou-se como se seguisse um pressentimento, como se conduzido por um fio.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

A gente sempre espera nessa vida, não sabemos ao certo pelo quê, ou quando algo vai acontecer. Eu diria que estou em um estado transiente, à espera de que a vida me devolva aquela vontade louca e desentranhada de viver. Enquanto esse tempo não chega, prefiro seguir caminhando lento, divagando, assim é mais fácil de enxergar o que aparece no caminho.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Segundo sol

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Sagittarius

Sinto
muito
falo pouco
Minto
Grito rouco
Absinto
Meio louco
um tanto
Extinto
às vezes
solto
sempre indo
Um dia
eu volto...

sábado, dezembro 24, 2011

Ano Novo

Para o ano que parte,
deixo toda minha dor,
todo desalento
Deixo o pranto ao vento
em todo seu fervor.

Para o ano que chega
deixo toda minha vida
toda fé insana
Deixo a paz humana
cuidadosamente erguida.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Não acredito em coincidências, tampouco em sorte, tudo é obra deste famigerado e misterioso destino.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Acho que finalmente as coisas estão entrando em seus eixos de novo. Os astros me tiraram do inferno astral em que estava e brilharam novamente. Lua em libra me inspira a ser mais apaixonado em meus atos, mas sempre parcimonioso. Que venha o próximo ano!

sábado, novembro 26, 2011

Sinto tanto a sua falta,
gostaria que o tempo pudesse voltar
E eu pudesse de algum modo
De alguma forma
Ter descoberto, ter te ajudado
Mas eu sinto que deveria ser assim
As coisas sempre conspiram de seu modo
Mas você sempre ficará em mim
Eu sou seu gene, sua herança ao mundo.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Eu tento saber das coisas do mundo

Queria cantar alguma canção
Iluminada de sol
Ou apenas de luar
Mas quando me concentro
Só uma frase permeia minha mente:
O que os olhos vêem
O coração não sente

quinta-feira, novembro 17, 2011

Came in through the bathroom window

Sunday's on the phone to Monday
Tusday's on the phone to me

segunda-feira, novembro 14, 2011

Trecho

"Tenho um dragão que mora comigo.

Não, isso não é verdade.

Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo."

- Os dragões não conhecem o paraíso, Caio Fernando Abreu

domingo, novembro 13, 2011

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
and I'm feeling good

(at least I will)

quarta-feira, novembro 09, 2011

Sobre um pai

Pai, só queria te dizer que você foi a pessoa que mais me inspirou nessa vida e certamente amei e continuarei amando. Deus te guie nessa jornada desconhecida.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Love road

Caminho antes único que se bifurca.
Estrada antes iluminada de sol agora escurecida.
Eu me questionando se tinha de ser assim.
Depois de tanto tempo andando juntos.
Até onde vamos parar nessa jornada?

domingo, outubro 30, 2011

Change

Cada um tem seu tempo de mudar
Alguns levam dias, outros meses, alguns perfazem anos
Outros levam uma vida inteira
Mas os singulares são os que parecem nunca mudar.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Life

Aprendi que a gente só aprende as coisas na dor, que nem sempre o que pensamos que está acontecendo é o que realmente acontece, que podemos nos enganar sobre o que as pessoas pensam (e sentem) de nós. Aprendi que no fundo estamos todos só nessa jornada e é por isso que me preparo para o grande mergulho nesse desconhecido.

terça-feira, outubro 18, 2011

Para uma avenca partindo

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver
as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer
atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia
destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

sábado, outubro 15, 2011

Não vá embora

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais...

sexta-feira, outubro 14, 2011

Behind

Atrás de um sorriso
Escoa lento e perene
O suplício da dor.

quarta-feira, outubro 12, 2011

O que passa

Já me falaram de dias que não passam
de horas e semanas que se estendem
mas nunca havia ouvido falar
de amores que não passam

Starway to sun

Pés ante pés
A gente vai fazendo a trilha
Seja rock ou jazz
Somos a estrela que brilha.

domingo, outubro 02, 2011

Metamorfos


A vida só é possível reinventada.
Devemos ter coragem para mergulharmos
naquilo que ainda não conhecemos.
Sem nos contermos, sem nos retesarmos.

Seja como um pássaro pelos ares
Seja como um peixe pelos mares
Mergulhar sem medo da investida
(re)descobrindo cada escama, cada pena
que sempre existiu mas não era percebida.

Seja a metáfora viva da mudança
Transforma cada pedaço teu em pétala
E deixa-te levar pelos novos ventos
Abra tua alma para o que te aguarda.
Sê efêmero e eterno.


quarta-feira, setembro 28, 2011

"Mas de tudo isso me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros.
De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento.
Ser novo."

Caio F. Abreu

terça-feira, setembro 27, 2011

Devolva-me

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem.

O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me...

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas feliz
Junto do seu novo rapaz.

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem.

O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me...

- Adriana Calcanhotto

terça-feira, setembro 20, 2011

Um a Um

Eu não quero ganhar
Eu quero chegar junto
Sem perder
Eu quero um a um
Com você
No fundo
Não vê
Que eu só quero dar prazer
Me ensina a fazer
Canção com você
Em dois
Corpo a corpo
Me perder
Ganhar você

Muito além do tempo regulamentar

Esse jogo não vai acabar
É bom de se jogar
Nós dois
Um a um
Nós dois
Um a um
Nós dois
Um a um
Nós dois

Me ensina a fazer

canção com você

em dois em duo

em duo em dois...

domingo, setembro 18, 2011

Devagar

E devagar que vou divagando
Vagando por vários caminhos
De vagar eu vou encontrando
Gotas de orvalho em espinhos
Divagar com coração brando
Devagar e sempre sorrindo.

sábado, setembro 17, 2011

O que

O que tange
O que urge
O que marca
O que tinge
O que forja
O que crava
O que uiva
O que lavra
O que molha
O que escorre
O que resta
nos caminhos
que ainda temos que percorrer?

quarta-feira, setembro 14, 2011

Herança

"Eu vim de infinitos caminhos
e os meus olhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vieram depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados
que experiência, consolo, ou prêmio alcançarão?"
- Cecília Meireles

segunda-feira, setembro 05, 2011

Labyrinth

In darkness, there can be light.
In misery, there can be beauty,
In death, there can be life...

segunda-feira, agosto 29, 2011

21

Essa é a idade da minha vida. Sinto que estou passando por um momento de grandes transformações e decisões, que eu devo passar por cada um desses episódios muitas vezes trágicos de maneira racional. Estou em plena sintonia com Adele, identificando-me com o que ela passou de quase todas as formas até mesmo porque ela tinha a minha idade. E eu vou me desvencilhando de toda essa dor da mesma maneira que ela o fez: através da música. A música me liberta, me exorciza e me leva a outros patamares. Essa é a idade da minha vida...
Não vou que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer a tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Estou confuso e carente, preciso de uma luz,
Preciso de um abraço forte e verdadeiro
de alguém que me ame de verdade.

domingo, agosto 14, 2011

sábado, agosto 13, 2011

Drink me, make me feel real
Wet your beak in the stream
Game we're playing is life
Love is a two way dream

Leave me now, return tonight
Tide will show you the way
If you forget my name
You will go astray
Like a killer whale
Trapped in a bay

I'm a path of cinders
Burning under your feet
You're the one who walks me
I'm your one way street

I'm a whisper in water
Secret for you to hear
You are the one who grows distant
When I beckon you near

segunda-feira, agosto 01, 2011

Beba bastante, curta sua solteirice e solidão pra caralho. Abra os braços pra antiga vida que o envolvia. Eu sigo aqui equilibrando no fio. No fio em que rola o peso do meu coração.

quinta-feira, julho 28, 2011

E é entre corações partidos, lágrimas secas e muita força de vontade que a gente levanta a cabeça, sacode a poeira e repete baixinho para si mesmo "vai passar, vai passar...".

terça-feira, julho 26, 2011

O conto dos dragões

Eu ouço o respirar pesado de dragões enquanto cavalgo célere pelos campos de trigo. Posso escutar até, se prestar mais atenção, às batidas fortes e compassadas de seus corações enquanto dormem escondidos em cavernas durante o dia. Sei que por baixo daquelas escamas duras circula um sangue secular e quente. Os mais desavisados ou curiosos que se atrevem a entrar em suas moradas escuras viram refeição casual ou, com um pouco de sorte e intrepidez, fiéis parceiros. Homens e dragões já foram mais do que apenas presa e caçador na cadeia alimentar. Em tempos imemoriais, estes seres magníficos foram aliados fundamentais na vitória dos homens sobre os seres das águas. A ajuda aérea determinou a supremacia humana e a queda de Atlântida marcou o início da era dos homens. Hoje os homens atoleimaram-se, esqueceram da preciosa ajuda e sabedoria gravada nas escamas destes seres alados.

segunda-feira, julho 18, 2011

Acabei de perceber que a melhor coisa que me aconteceu foi ele ter me deixado. A venda caiu, a dor se esvaiu. A partir de agora o céu é o limite em minha vida.

quarta-feira, julho 13, 2011

É, essa avenca veio para ficar, não a deixarei partir, não como na história.
"- mas o que chamas de paz se pressinto em ti essa coisa mansa que se faz nos outros se em cada momento que te olho inúmeras coisas escuras escorrem dentro de mim pois se a paz não é uma coisa escura pois se não continuarei não te farei nenhuma pergunta embora precisasse não para te definir ou para te compreender não preciso saber de onde vens assim como para me definires ou me compreenderes não precisas de nenhum dado concreto mas eu não te defino nem te compreendo apenas sei que chegaste e que esta tua chegada modificará em mim todas as coisas que se tornaram suaves todas as cordialidades ou amenidades que construí nesse tempo de absoluta sede ansiava por ti como quem anseia pela salvação ou pela perdição porque qualquer coisa poderia me salvar desta imobilidade que me devasta por dentro te direi como se constroem momentos apenas para sobreviver mas já não quero sobreviver já não quero apenas ir adiante é preciso que qualquer coisa abata esta letargia porque já não admito precariedades porque não sei o que digo nem o que sinto mas persistirei no que pressinto [...] além disso nada sei mas não fujo foram muito poucas as coisas que vivi percebo que não cheguei a existir exatamente não não sou forte apenas construí minhas fraquezas essa coisa que talvez chamasses de força há muito tempo eu permanecia esquecido de mim mesmo foi preciso que chegasses para eu perceber que somente destruindo se pode construir agora eu quero a destruição que me propões mas não propões nada deixas que eu enverede sozinho é assim sei que não me deixarás sozinho sei que te recusas a te definires em palavras não porque eu me atemorizasse mas porque as palavras não te dizem temos muito pouco tempo nesse pouco tempo é preciso que todos percebam em ti o que nunca viram e somente no último momento possam ver a tua face [...] mas eu de nada sei nada conheço do que falo mesmo assim estou pronto embora sem compreender integralmente sim semearemos o que eles não seriam capazes de viver se não chegasses não me esquivarei vejo a tua mão estendida em direção a mim e estendo a minha a própria mão e minha mão e tua mão tocam e a minha espera e a tua conduz sim preparo-me para o grande mergulho no desconhecido."

- Afogado de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

terça-feira, julho 12, 2011

"[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando."

- Harriett de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

segunda-feira, julho 11, 2011

"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua vida você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugar confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo inevitavelmente, você está perdido: as coisas não voltarão mais a ser as mesmas e você próprio não será o mesmo. O que vem depois não se sabe."

- "Eles" de "O Ovo Apunhalado", Caio F. Abreu.

sábado, julho 09, 2011

Sobre uma avenca

Eu preciso continuar a acreditar que isso vai passar. E para que isso aconteça, é preciso podar, cortar, diminuir aquilo que tem crescido em mim tão avassaladoramente nesses últimos anos. É uma faca de dois gumes, ou eu deixo essa "avenca" ou roseira, "essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado" morrer, ou eu me destruo. É um sentimento auto-destrutivo a essa altura, a cada dia que passa eu corto um ramo, um galho dessa avenca. Só assim talvez eu possa voltar a ser alguém, digamos, livre.

domingo, junho 26, 2011

Fragmento

"- Você acredita em milagres?
- Hoje não."

sexta-feira, junho 24, 2011

Consulta

- Oi, Doutor.
- Olá, Ricardo, como vai?
- To com uma dor, doutor, uma dor que não passa.
- Humm, uma dor que não passa, e onde você a sente?
- Bem aqui doutor
- Aqui?
- É
- No coração?
- Sim, doutor, no meu coração.

Saudade

Saudade que dilacera
No ritmo das horas
No ritmo da espera.

domingo, junho 19, 2011

O conto da noite

- [...] Se eu não me engano eu acho que nós deveríamos estar aqui no mapa, ai, droga!
- Não acredito que estamos perdidos aqui no meio da noite.
- Pelo menos estamos de carro e o céu está limpo...
- Ah, é verdade o céu, vai nos ajudar tanto né?
- Mais do que você imagina, amigo.
- Como assim?
- Está vendo aqueles pontos brilhantes? Veja que alguns pulsam tão fracamente que parecem que vão se apagar a qualquer momento,
- Sim, estou, são estrelas...
- Não somente, são milhares, milhões de sóis como o nosso a queimar ardemente.
- Sol, era tudo que eu precisava nesse momento pra nos iluminar no meio dessa imensidão escura.
- Estamos sob o regime das estrelas, Cláudio, estamos sob o regime do luar.
- E você me lembro de que preciso retomar meu regime, ganhei um pesinho ultimamente.
- Presta atenção, não consegue ver a metáfora viva que seus olhos alcalçam?
- Qual?
- Nossas vidas são como sóis, estamos embrenhados nessa imensidão do universo, muitas vezes sozinhos, outras acompanhados, mas sempre pulsando, sempre vivendo.
- Você viaja tanto, não é à toa que é de Sagitário, Fernando...
- E não é à toa que você é de capricórnio com a cabeça fincada nesse chão (risos de ambos).
- No fundo eu acho que você está certo, a única certeza é de que apagaremos também.
- Mas até lá ainda temos muitas vias lácteas para conhecer, pode ficar certo disso.
- O que podemos fazer pra sair daqui?
- Fazer o que nossos antepassados faziam ao navegar pelos oceanos no negrume da noite.
- E isso é?
- Guiar-se pelas estrelas, veja, aquele é o cruzeiro do sul ele aponta para a direção sul...

Poema breve

Com toda a licença poética
Vai ver se eu to na esquina.

domingo, junho 12, 2011

Inspire



Eu:
E se formos parar para perceber, tudo é uma questão de perspectiva, Dedé...
Está vendo aquilo no céu? O que imagina que seja?
Dedé: Ora, uma nuvem, o que mais seria?
Eu: Você tem certeza?
Dedé: Espera aí. Agora sim eu vejo... um animal, acho que um cavalo, estou certo?
Eu: É como eu disse, é tudo uma questão de perspectiva.
Dedé: Mas se eu tivesse visto outra coisa que não um cavalo?
Eu: Eu diria que você é uma pessoa mais criativa do que eu (risos).

Diálogo

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro.
B: O que é que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro, Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: Não é disso que estou falando.
A: Você está falando do quê, então?
B: Estou falando disso que você falou agora.
A: Ah, sei. Que eu sou teu companheiro.
B: Não, não foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: Que você é meu companheiro?
B: Não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: Atrás do companheiro?
B: È.
A: Não.
B: Você não sente?
A: Que você é meu companheiro? Sinto, sim. Claro que eu sinto. E você, não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja isso assim?
B: Não é que eu não queira: é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro.
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.

quarta-feira, junho 08, 2011

Rosa

E toda a dor e sofrer que ele sentiu precipitaram densos naquilo que chamavam de lágrimas. Gotas pesadas saciavam a terra seca e lavravam o pesar de seu peito. Diziam que daquela terra desolada não nasceria mais nada, ora, para espanto dos descrentes nascera ali, do sulco das gotas vertidas, uma rosa. Rubra como o sangue que corria quente em seu órgão pulsante. A rosa da dor desabrochava esplêndida e sorria para ele numa manhã qualquer

sábado, junho 04, 2011

I don't blame them

And there were rumours I was aching and feeling bad, well, I don't blame them for their lack of sensivity, not even in my darkest days I'd tell them. Perhaps for most of them I keep showing off like a hustler. I completely own myself and my thoughts. By the way if they keep saying and cheating, I don't blame them at all...

domingo, maio 29, 2011

Acima de nós




Hoje saí de casa inesperadamente, peguei minha bicicleta, meus fones de ouvido, meu mp3 e saí. Errei pelas ruas de minha cidade enquanto mergulhava em meus próprios pensamentos. E quando reparei, já estava no ponto mais alto da região, onde é possível ver todas as redondezas e, talvez o mais importante, o sol, que já estava a se pôr. Foi então que eu me lembrei há quanto tempo não saía para assistir a esse evento tão lindo, tão simbólico e mágico. Costumava sair com minha cachorrinha para a praia e assistir a agonia do sol, vê-lo desmanchar-se na abóbada celeste. É um momento tão rápido e tão belo. Muitas coisas se passaram na minha cabeça, muitos pôres-do-sol, muitas auroras. Reparei que tudo é tão pequeno perto dessa vastidão que é o mundo e a vida. Não vale a pena guardar o que nos faz mal, o que nos fez sofrer. E os momentos são como um crepúsculo, não voltarão só porque você quer uma vez que se foram. É claro que haverá novas auroras, novos amanheceres, e estes virão com novidades e você poderá vivê-los com mais maturidade. Abri meus braços e minha alma para o céu e agradeci ao sol por aquelas reflexões tão profundas.

sábado, maio 28, 2011

Desato

Hoje eu não aguentei, dessa vez a tormenta de memórias foi muito forte, densa demais para um coração frágil. Tranquei-me no banheiro, sentei, acolhido no canto, e chorei. Chorei por tudo que sofri, por tudo que fiz e tudo o que não fiz. E foram muitas lágrimas vertidas.

terça-feira, maio 24, 2011

Pés

Tão cansados e pesados
Para que vos quero?
Se tenho asas para voar.

sábado, maio 14, 2011

Se você errou

"Se você errou, peça desculpas...

É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo diga...

É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...

É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...

É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível..."

- Cecília Meireles

sábado, maio 07, 2011

Ei!

Segure as minhas mãos, não, não largue-as assim tão cedo. Veja, o sol já se põe, está agonizando em sangue, teremos a noite inteira só para nós. Não somente, a negrura do céu, a mansidão da brisa noturna e as milhares de centelhas que ardem lá em cima. E só seremos eu e você, você e eu, nada mais. Olha, não tenha medo, esqueça seus problemas, seus compromissos, pensa que não tem amanhã, pensa que hoje é o que mais te importa e que nada te fará temer o futuro. Imagina o quanto temos de descobrir não sozinhos, mas juntos, a aventura de uma vida a dois. Desta vez não haverá o ontem, nem o amanhã, apenas eu e você agora.

quinta-feira, abril 28, 2011

O peso da verdade

Abrir os olhos,
e enxergar que o rastro de sangue
partiu de minhas mãos, olhos, rosto...
Retirar a venda do orgulho
jogá-la à cova dos leões do remorso
E assumir o erro, eis o mais pesado dos fardos
Assumir que as facadas não partiam de lá
e sim daqui
Nada que um pouco de amor
e uma boa dose de esperança
faça-nos criar a coragem devida.

Quero um dia para chorar

"Quero um dia para chorar.
Mas a vida vai tão depressa!
Não é preciso deixar contida a tristeza,
para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.

Não quero amor, não quero amar...
Não quero nenhuma promessa
nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
nem nada de quanto regressa.
Quero um dia para chorar.

Quero um dia para chorar.
Dia de desprender-me dessa aventura mal entendida
sobre os espelhos sem saída
em que jaz a minha face impressa.
Chorar sem protesto.
Chorar."

- C. M.

domingo, abril 24, 2011

You Lost Me

E cada palavra que saía daquela boca infame me estilhaçava, desfragmentava e destruía. Eu via os castelos e muros desmoronando em cada finita parte de minha mente. Nem ao menos consegui chorar, tudo o que havia de doce e úmido secou-se, evaporou no calor daquela discussão. Uma vez imperante o silêncio, reduzi-me em minha solitude primeva ainda tentando recolher os estilhaços de mim que se despedaçaram no chão.

domingo, março 27, 2011

sexta-feira, março 25, 2011

Sexo

Corpos desnudos
Peso do abraço
Mãos de veludo
Cama e mormaço
Prazer inerente
entorpecente
enfervescente
sintonia
maresia
epifania
orgasmo
marasmo
Almas lavadas

quarta-feira, março 16, 2011

Súbito sopro

Decerto que a raiva que me toma agora
subiu das entranhas da terra e me engoliu
feito uma serpente de fogo que outrora
era apenas um pressentimento vil

segunda-feira, março 14, 2011

Only boy

"I want you to make me feel
Like I'm the only boy in the world
Like I'm the only one that you'll ever love
Like I'm the only who knows your heart."


sexta-feira, fevereiro 25, 2011

"And when you pray, do not be like the hypocrites, for they love to pray standing in the synagogues and on the street corners to be seen by men. I tell you the truth, they have received their reward in full. But you, when you pray, go into your closet, and when you have shut the door pray to your Father which is in secret, and your Father which sees in secret will reward you openly." [Matthew 6:5-6]

Diafragma

Nada como uma câmera na mão
meia dúzia de sol
uma flor, sorriso, mar ou anzol
e muita, muita inspiração.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

A procura

E mesmo depois de muito chão e pó,
Sol ardente e madrugadas frias,
Ele viu que o mundo não é só
de gritos roucos e cascas vazias

Aprendeu a ouvir o murmúrio
baixo e suave das aves ao fim do dia
que soam feito um lamúrio
pela noite iminente e arredia

E ver ao longe no horizonte rente
uma estrela ascendente a pulsar
Anunciando o mistério pungente
dos amantes mudos da lua e do mar.

Aprendeu muito a ser sozinho
e terminou por ver que o fado
não é só de água, mas vinho
doce e por dois compartilhado.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Homo sapiens sapiens

Eu temia que esse dia chegasse. Nas vastidões mais escuras de meus sonhos, vislumbrava este dia fatídico que me faria enxergar a vida com outros olhos. Outrora castos e pueris, visando o mundo feito bolhas de sabão em dia de sol. Agora não passava de cinza e névoa e chuva, é, isso os homens chamam de maturidade.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Romance

Ele andava revendo e repensando cada passo dado.
Trazia as mãos nos bolsos e um chapéu preto na cabeça
Caminhava a passos largos e descomedidos
Fitava o céu azul ensolarado
e a moça que levava o cão pra passear
E cada pensamento, cada vestígio de memória
Percorridos desde aquele dia
Faziam-lhe leve e pleno, nada mais
Estampava um sorriso gostoso
que refletia tudo que vinha de dentro
Felicidade mais rubra que sangue ou rosa de carmim
Um dia tão esperado que terminou com um beijo
E começou um romance
que não tem mais fim.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Fear

"In the dark recesses of the mind, a disease known as fear feasts upon the souls of those who cannot overcome its power..."
- Pat McHale

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Sobre pessoas nem tanto esquecíveis

"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos,
há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam,
mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas
e nos marcam para sempre"

- C. Meireles.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Paráfrase

Parafraseando aquele quarteto famoso de rock dos anos sessenta:

Ele atravessou pela janela do meu quarto,
Protegido por óculos escuros (e olha que a luz se ia),
E por mais que eu soubesse o que aconteceria,
Estava cansado daquilo tudo, farto,
E por mais que ninguém lhe houvesse contado,
(ele também entrou com fones de ouvido),
Eu já estava completamente entregado,
E tragado: por mim próprio traído.



quarta-feira, novembro 17, 2010

De manhã na cama

Quando me olhas com aquele olhar terno
ao acabares de acordar
e sem desatar uma palavra
me abres aquele sorriso de uma ponta a outra
de minha visão
desdobrando-me em laivos de suspiros
fatalmente me lanço a meu destino inexorável
cantar a alegria de um coração que é
verdadeiramente teu.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Pária

A vida é luta sangrenta
é páreo feroz.
O sonho é a dádiva lenta
de um cárcere em que o tempo
é nosso algoz.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Um suspiro

Para todos aqueles que tentaram e principalmente àqueles que ainda tentam, a batalha ainda não está perdida.

terça-feira, outubro 19, 2010

Voyage

Voyage
é ter na mente
éter
na mente
eternamente.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Tanto ao vento

Deixe que o canto desmanche
em manto de alento
escorrendo sem pressa
sangrando lento.

Deixa que a alma se entregue,
ao encanto cinzento
divagando tanto
neste breve momento.

Deixa o ouvido solto
leve, no entanto atento
Escuta o som vagando,
Ao soluçar do vento.

Deixa que santo é forte
e o que tange é dentro,
É o som que desata
É o libertamento.

domingo, outubro 10, 2010

Humilhus

E ela riu-se tanto daquilo, ria-se em gargalhadas longas e estridentes que ecoavam sinistramente pelo salão. Não era apenas porque ele havia caído da escada, havia mais, algo dentro dela que subia vertiginosamente de seu coração e alcançava a boca espetando-lhe os ouvidos. Ele precisava sofrer mais do que a simples queda, precisava ser humilhado. E se alguém poderia fazer aquilo, tinha de ser ela, subindo as escadas logo atrás dele. Algo maior do que a graça da visão do evento lhe fazia rir, algo inerente a si. O sangue escorria das mãos dele lentamente, ele contia os soluços de dor ao passar pelo corredor. Enquanto isso, atrás no salão, ainda ouvia-se ecos de gargalhadas longas.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Roma e amor

Assim como desde sempre se dizia:
Roma não foi construída em um dia
Ora, mas é sem espanto e com gosto
que digo que nem mesmo assim foi seu oposto.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Sobre os dias não tão alegres

Ele não precisa amanhecer cinzento
Pode não haver sequer uma nuvem no céu
Não precisa que o pão queime na chapa
Nem mesmo que se esqueça a chave em casa,
Ou pássaros joguem detritos sobre nossas cabeças.
Basta que um rosto conhecido, torto,
desfigurado pela doença,
evapore nossa alegria,
doente de mau-humor.

terça-feira, setembro 14, 2010

Canteiros e pedras

Eu sei que nesse caminho ainda existem muitos canteiros perdidos, vastos e vagos, prontos a serem achados por transeuntes desatentos que tropeçam em pedras soltas (aquelas não tão grandes para serem notadas, nem tão pequenas para passarem desapercebidas).
Sei que as sementes que caem de nossos olhos, nossas mãos, nosso corpo e alma vão fecundando a terra virgem. Nossos corpos dançam sem sabermos. Nossa vida é um baile e somos os bailairinos incansáveis, insaciáveis. São vários as gotas que escorreram salgadas de nossos globos e aos poucos fizeram crescer, lentas e tímidas, as flores que hoje irradiam os sorrisos que vejo pelo caminho, o mesmo que antes havia visto vasto e vão. Por entre as frestas do céu e as alamedas úmidas que andei, fico certo de algo, não há certezas senão que a chuva quando lavra a terra quente emana o cheiro morno da felicidade. E esse caminho ainda tem muitos canteiros e pedras a serem encontrados, o baile todo.

quinta-feira, julho 22, 2010

A leveza de todas coisas

"Por isso uma força me leva a cantar, por isso essa força estranha..."

Com todos os rostos e várias as almas que amei
vislumbro acordado memórias que não têm fim
Os risos e prantos que nessa estrada encontrei
são tantos caminhos que se bifurcam assim.

E é tempo de se olhar para fora do corpo etéreo
Expulsando aquela vontade do peito contida:
Saltar sobre os vales em vôo solene aéreo
Mudar as rédeas em que tangemos a vida.

De todos os medos e males que levava
o mais pesado era aquele que repreendia
o medo do espaço, da luz, da lua brava,
que esplêndida na noite, leve, se ascendia

E é por isso que agora eu não apenas canto
Faço desta vontade o hino que me guia
Enchendo o mundo de gozo e espanto
Desato as notas com uma estranha euforia.

E desatando é que vou me rompendo
os mastros, os cascos desse meu navio
sobrando apenas o marinheiro vendo
o soçobrar sereno de um medo infantil.






sábado, junho 19, 2010

Serás

Poema que finalmente tive a iniciativa para terminar, lancei estrofes incompletas no meu blog e juntei os cacos para fazer uma peça única.

Não tentes barrar o destino,
Não tentes viver sem sonhar,
Serás peregrino,
Serás um menino,
Perdido no meio do mar

Não tentes desbravar caminhos,
Marcados pela solidão,
Tão cheios de espinhos,
São feito moinhos,
Moendo nosso coração.

Não tentes reter as lembranças
de tudo que já se passou
A vida não cansa
na eterna dança
da alma em seu pleno vôo.

Não tentes viver na fronteira
que impede a tua extroversão
Faça uma besteira
Sem eira-nem-beira
Ousando com tua excitação.

Não tentes barrar o destino
Nao tentes viver sem mudar
terás amargura
e não terás cura
serás mais que enfermo, serás.

quinta-feira, junho 17, 2010

Dentro de milênios

Eu sinto a tristeza que jorra do alto dos montes cinzentos e escorre lenta e perene pelas frestas das pedras, sobre o chão pisado por aqueles que vislumbraram algo que fosse semelhante ao amor durante uma noite qualquer. Eu sinto-a penetrando nos vales e irrigando a colheita daqueles que levantam antes do sol nascer. Sinto que do alto dos cumes, ao longo dos tempos, ela chegará à vastidão do mar e por fim encontrará descanso. E de lá será chamada daquilo que os poetas não ousam falar em seus textos.

terça-feira, junho 15, 2010

Sobre o peso e a leveza - parte 2

Acabei de notar o quanto a leveza é essencial em vida. Talvez tenha encontrado uma resposta a qual Parmênidas, há tantos séculos, procurava. Ou talvez seja apenas mais uma ousadia minha.
Entre inúmeros pesos que guardava em minhas gavetas, em meus armários e nos confins de meu quarto, eu vi a luz. O desapego alçou vôo feroz entre os papéis amarelados das cartas nunca respondidas, das fotos sempre revolvidas, dos cadernos rabiscados. Foi aos poucos que fui percebendo que, não é o que levamos na mala ou debaixo do colchão que nos torna mais próximos dos que trilharam caminho ao nosso lado.
O peso das coisas acaba levando a lembranças inerentes à realidade: as cores, os cheiros, os sons, todos diferentes daquilo que foi sentido. Quando estamos em certo estado de alma, percebemos as coisas de modo diferente, sentimos o mundo de forma ímpar, é a leveza do momento. Nem tudo que reluz é ouro, como diz o ditado, do mesmo modo nem tudo que guardamos se mantém incólume. Me sinto leve ao levar as lembranças na mente, e somente nela. Ela é a mala, a gaveta e o armário que mais preciso. Porque sei que tudo que é importante nela permanecerá. Haverá sim, palavras e momentos esquecidos, mas a essência deles nos manterá leves pelo quanto precisarmos

domingo, maio 30, 2010

Sobre o poder das palavras

Sempre me paro para pensar no que há de tão mágico e misterioso em certas palavras. Algo que em muitas situações me força a utilizá-las cautelosamente em textos, como num desabrochar de flor, cada palavra cuidadosamente escrita e desabrochando-se espontaneamente. Uma beleza intrínseca à sua fonética e significado metafórico que as fazem ímpares e únicas. Não limitando-se à lingua portuguesa. Nas várias línguas que já tive contato, há sempre uma ou outra palavra que me fascina e o mais impressionante é que apenas naquela língua isso ocorre. Como um ótimo exemplo tem-se a palavra "sangre",do espanhol, sangue. Imagine a vasta possibilidade de ocasiões, momentos, sentimentos e imagens criados apenas por essa palavra. Poderia-se pensar que seu análogo em português teria a mesma força e poder, mas a fonética aliada se supera e o encanto sobre "la sangre" se faz presente. Tanto mais quanto se usa em textos poéticos, onde seu potencial pode ser amplificado pela veia artística. Não desmerecendo os textos científicos. Outro exemplo é a palavra "foresee", do inglês, prever. A palavra em si já traz uma carga de sentimento, como "tristesse" em francês. Pode parecer um jogo de egos meus, uma tendência um quanto parnasiana de se fazer textos. Mas atrelado à semântica das palavras está a fonética. O som e a maneira com que as palavras são ditas podem ser muito fortes e marcantes. Palavras são fortes e movem mundos. A história da sociedade é mudada constantemente pelo bom (ou mau) uso das palavras. Então, se você nunca se preocupou com o poder de uma palavra, pelo menos comece a pensar sobre.

quarta-feira, abril 14, 2010

Procuro algo que não tem nome

Versão simplificada

Procuro algo que não tem nome
Em cada réstia de luz
Em cada gota de orvalho
Sobre o vento que transpassa
Sob o sol que queima
Pelas entranhas do solo
Já o encontrei vezes e vezes -
Só não encontrei seu nome
Voltarei à água, ao ar, à terra,
Voltarei até descobrir.

sexta-feira, abril 02, 2010

Procuro algo que não tem nome

Procuro algo que não tem nome
Em cada réstia de luz que se esconde em cavernas
Em cada gota de orvalho que se dilui nos oceanos
Sobre o vento que transpassa as mais altas montanhas
Sob o sol que queima e determina o novo dia
Pelas entranhas do solo que abraça nossos ancestrais
Já o encontrei vezes e vezes - só não encontrei seu nome
Voltarei à água, ao ar, à terra, voltarei até descobrir.