Segundo o relógio, era manhã. O Sol, contudo, não havia nascido. Era a nuvem de poeira gerada pelas bombas que caíam. Negra, densa e insólita. Eu estava com meus pais em minha casa. Os ataques começaram pela noite. Acordáramos alarmados. Era como se o mundo fosse desabar. Minha mãe pedira a Allah que nos protegesse. Temíamos pelo pior.
Tivemos de sair de casa rapidamente. Pegamos apenas algumas roupas e algo para comer, pois não sabíamos ainda o quanto teríamos de andar. Ao avistar as ruas de Bagdá, entrei em pânico. O caos havia se instalado.
Eu via as ruínas da minha cidade; a cidade que por toda minha vida só me trazia boas lembranças, agora me levava ao terror. Prédios e casas desmoronados, outros incendiados, ainda sendo consumidos pelo fogo. Eu sentia o cheiro da morte em cada esquina, o cheiro maldito e nauseabundo da morte e do sangue exalado pelos corpos mutilados que jaziam. Ambulâncias circulavam constantemente, embora seus esforços fossem vãos.
Não sabíamos para onde ir. Acompanhamos um grupo de pessoas que, aparentemente como nós, fugiam desse tormento. Vi outras crianças como eu, outros pais como os meus. Todos ainda atônitos e desamparados com o que sucedia.
Perguntei a meu pai a razão para isso. Ele disse que eram os homens do ocidente que nos culpavam por atacá-los e crer em Allah. Eu ainda não entendia aquilo e provavelmente nunca iria entender. Naquele mesmo dia ainda atravessaria a fronteira com o Irã. Pelo menos acreditávamos que nos livraríamos desse perigo. Posteriormente, soube que eles mandaram homens para invadir minha terra. Não voltaria para lá tão cedo.
2 comentários:
ehueh, eu não acho.
só a vi escrita uma vez no livro das virtudes, se me lembro bem.
hum, não sei, acho que deu vontade de vê-la escrita de novo, pra ver como ficava(embora essa palavra não seja o sentido maior de tudo :P)
pedro tu ecreve bem demais, eu só consigo com o papel e olhe lá!
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