sexta-feira, julho 27, 2007

"... eu tinha que gritar em furor que a minha loucura era mais sábia do que a sabedoria do pai, que a minha enfermidade me era mais conforme do que a saúde da família, que os meus remédios não foram jamais inscritos nos compêndios, mas que existia uma outra medicina (a minha!), e que fora de mim eu não reconhecia qualquer ciência, e que tudo era só uma questão de perspectiva, e o que valia era o meu e só o meu ponto de vista, e que era um requinte de saciados testar a virtude da paciência com a fome de terceiros, e dizer tudo isso num acesso verbal, espasmódico, obsessivo, virando a mesa dos sermões num revertério, destruindo travas, ferrolhos e amarras, tirando não obstante o nível, atento ao prumo, erguendo um outro equilíbrio, e pondo força, subindo sempre em altura, retesando sobretudo meus músculos clandestinos, redescobrindo sem demora em mim todo o animal, cascos, mandíbulas e esporass, deixando que um sebo oleoso cobrisse minha escultura enquanto eu cavalgasse fazendo minhas crinas voarem como se fossem plumas, amassando com minhas patas sagitárias o ventre mole desde mundo, consumindo neste pasto um grão de trigo e uma gorda fatia de cólera embebida em vinho...".
- Estamos indo sempre em casa, Raduan em Lavoura Arcaica.

4 comentários:

Felipe Dib Boufflers disse...

lavoura arcaica eh muito foda!
vi a pouco tempo mas to doido pra ver de novo
muito bom ;D

Simone, disse...

AI..É FILME ,LIVRO?
NUNCA LI NADA TÃO....TÃO...INDESCRITIVEL...

Johnn. disse...

Isso é bem o que eu tenho vontade de griatar...

Marcelo Mesquita disse...

bom, bom... muuuuuuuuuito bom!!!