segunda-feira, junho 11, 2007

com que destreza

- Quem és tu, jovem guria? - pergunta o moço de terno e boina de algodão.
- Eu? Dinorah - a moçoila abriu um sorriso largo ao ser interpelada em seus afazeres.
- Estou impressionado com a leveza com que realiza seu trabalho. Parece-me que flutua!
- oh - e ri-se toda, desconcertada - Bem, não havia percebido ainda, mas talvez seja verdade mesmo; gosto de ser como a brisa da manhã. Quando acordo, abro a janela da casa pra senti-la me acariciar o rosto, é aconchegante.
O moço permanecia fitando-lhe com semblante enervado, parecia aturdido.
- Perdão?
- Oh! Tu me falavas! - e tira a boina em sinal de desculpas. - É que estava a lembrar-me da brisa do campo, donde nasci. Ela repara em seus belos cabelos loiros.
- E moraste no campo? Mas que maravilha, decerto conheces os segredos que o mato compartilha com os que o desbravam!
- Não diria segredos, basta manter o coração aberto... é, o coração aberto. - e cai em devaneios.
- Não nasci no campo, mas sempre quis ser dele; sonho com nuvens em carretéis, cheiro de mato molhado, canto de pássaro ao ocaso, o silêncio
breve da natureza.
- Foge comigo. - e estende-lhe o braço, convicto.
Ela soltou um riso, daqueles sem graça, que dizem "ótima anedota!"; mas percebeu que ele a olhava fixamente, podia ver através de seus olhos o azul dos rios, a translucidez dos lagos e a imensidão dos céus; viu a verdade transpassada em si e sentiu medo, por instantes, era tão intensa. Pensou em tudo que tinha, que havia conseguido com esforço, na família que não lhe correspondia, nos amigos que desmarcavam encontros. E segurou-se firmemente ao braço estendido.
Ele era de fato um estranho, mas no fundo ela sabia que o melhor estava para vir a acontecer.
E fugiram para longe, onde ela pudesse voar de leveza, e ele transbordar de amor.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito comum. Tenho certeza de que você pode fazer melhor.

Anônimo disse...

José de Alencar meio Sex and the city hehe
;)

Sâmela disse...

Fugir, sentimento que muitos posuem, mas quase ninguém realiza...eu ainda realizo...hehe
Um bejuuu
Adorei o texto, intenso e seguro ao mesmo tempo, parece ar puro...
hummmm