domingo, março 11, 2007

O vôo

Era feito um espetáculo teatral, majestoso, mas não perdendo sua humildade natural. Os assentos da aeronave eram as cadeiras dos espectadores, ansiosos pelo suntuoso momento. Não era preciso pés, ou pernas, apenas asas, como não éramos anjos, ou demônios, apelamos para as do avião.
E de repente, a aceleração da nave, a sensação de inércia pesada sobre o corpo; a adrenalina infestando seus efeitos, em reações quase que instantâneas, inflamando nosso peito arfante de admiração. Era notável a angulação feita pela subida. Ao mirar abaixo, as casas, ruas e prédios iam diminuindo, diminuiiindo, e proporcionalmente ia crescendo a maestria da natureza, da Terra como um todo. A esfera terrestre ia se revelando, a atmosfera sendo desbravada como os navegantes antigos faziam por sobre os mares.
E na extrema do horizonte, relâmpagos podiam ser vistos do ponto de onde se originavam, numa emissão impetuosa e indescritível de luz, que fazia revelar todos os contornos das nuvens que antes eram escondidos pela noite. Era a fúria da natureza, frágil e brutal. Tal era a magnitude do espetáculo, que a parte humana foi completamente esquecida, desprezada, tornava-se ínfima quando comparada ao universo.
A lua boiava plena, serena, assistindo a todos em seu trajeto lento. O que importava era o agora, o vôo, a explosão de sensações que nos sacudia feito um chocalho, o fascínio pela natureza era o que nos movia e ainda move, sacramentando, assim, nosso declarado amor pela vida.

2 comentários:

Lara disse...

ou vou estar aqui: na solidão ao lado.

Marcelo Mesquita disse...

belíssima descrição. O resto é subjetividade... mascarada.