Estou a pensar acerca das utopias humanas: quimeras da nossa alma, profundezas dos nossos pensamentos. São tão variadas, tão mistas, tão ímpares, singulares, cheias de tão's que nos deixam meio confusos, afinal, são utopias ou são profecias? Concretizar-se-ão em nossa fugidia existência ou permanecerão inertes em nosso íntimo, donde nunca haverão de ver a luz do amanhecer da realidade?
Decerto que já vos falei, caros leitores, sobre a felicidade e suas características não muito sólidas. De agora em diante, amplio meus conceitos para utopias, que nada passam de um caminho para a felicidade propriamente dita...mas, o que seria a felicidade mesmo? Será que é um estado supremo de nossa vida, onde nossos problemas desaparecerão? Não, a felicidade é tão inconstante quanto o mundo; ela vem e vai, como uma onda na praia. Estamos tão absortos em viver, em simplesmente ser, que nos esquecemos da verdadeira essência do Ser. Esquecemo-nos das utopias, hoje as banalizamos: eu amo isto, eu amo aquilo, o meu sonho é isto...
Quem sabe eu até esteja enganado, talvez o amor destas pessoas que amam o fútil, o supérfluo seja verdadeiro e , conseqüentemente, elas o são, mas talvez esteja correto e o Amor, a máxima utopia, esteja sendo reduzido a meras conversar fúteis.
Não afirmo que o amor seja algo inalcançável, mas digo que hoje em dia está cada vez mais distante de nós. A correria, a pressa, os desejos carnais, a violência...tudo contribui para que se dissemine a mácula no amor que estamos aptos a sentir. E o que nos resta é uma parcela do amor que, desesperadamente, queremos que seja o verdadeiro. Talvez esta expectativa para um amor perfeito acabe por deixá-lo imperfeito, pode ser uma antítese mal elaborada, mas creio que seja a verdade. O amor e a felicidade são feito flores: quando os possuímos, quero dizer, sentimos, não nos importamos muito (às vezes nem notamos), mas quando se vão, sentimos profundo pesar. E é perdendo que notamos o quanto fomos tolos e o quanto somos mortais.
Essa história de "sou feliz e não sabia" é pura baboseira, se tivéssemos realmente prestado atenção, teríamos conseguido agarrar a felicidade ou o amor enquanto podíamos e teríamos nos deleitado até fartar. Mas, como já disse, estamos absortos em viver e nos desligamos da real essência do Ser. Quem assistiu "o fabuloso destino de Amelie Poulain"? Este filme foi o melhor que já vi, uma mulher, Amelie, é feliz e sabe que é, pois consegue extrair, absorver a felicidade das pequenas coisas da vida. E, no final, consegue uma FELICIDADE junto com um AMOR. Não é coisa de filme, também somos capazes disso, mas nossa vã filosofia não permite que tenhamos tal intento...
3 comentários:
é lindo você, que apoia as utopias...que acredita no amor! Eu queria ter tal sorte. mas só consigo sentir.
quanto mais penso na felicidade mais imprecisa ela torna-se e tornam-se meus pensamentos
é difícil verbalizar a respeito de conceitos tão abstratos, como ela e o amor, os quais são por si imprecisos
mas muito bom o que disseste, muito do que já pensei disseste tu.
é isso aí
abraços, caro Pedro
Concordo plenamente, mas não farei nenhum comentário inteligente.
Tô com preguiça.
\o/
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