Aqui, estando inerte nesse oceano de profundidade, não consigo abrir meus olhos, minha janela da alma está trancada pelo medo de viver, a profundidade do abismo o qual me separa da humanidade é incomensurável, viso para cima e nada distingo, a névoa que me encobre são as lágrimas que evaporaram de minha face...
Sigo nesse oceano sozinho e inconstante, minha rota é meu instinto, meu guia é o meu vagar; quem sabe eu pare e me pergunte se deveras sei o que faço, perceba que estou rodeado de um oceano de outras janelas e que, estas estejam abertas para me conhecerem. Entretanto, persisto em caminhar descalço, para quê sapatos se as pedras são minhas companheiras?
Talvez um dia, com o tardar da existência, eu possa lograr de um destino melhor, descobrindo que, aquele mundo tristonho, aquele mundo sombrio, seja na verdade um universo de luz e entusiasmo. Um novo horizonte pairará sobre mim, o sol ascenderá e, em todo o seu fulgor, bronzeará minhas cálidas faces; e eu regozije minha vida, tal qual um pássaro que aprende a voar...
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