domingo, fevereiro 20, 2005

palavras poderosas...

Quem já não parou uma vez e ouviu uma palavra qualquer, fútil, sem qualquer significado especial ou qualquer valia pessoal, e de repente se vê enclausurado, a sonoridade daquela palavra permanece na mente, reverberando INCONTROLAVELMENTE dentro de nossa cabeça, chega até a latejar e nos dá vontade de explodir. De repente vem o pior, o perigo iminente: o desejo impulsivo de recitar a palavra, de exumá-la do cemitério das palavras. Isso já é horrível e ficaria pior ainda se a palavra tiver calão baixo, pois queremos dizê-la, mas estaríamos ofendendo alguém nas adjascências. Estamos em um dilema: ou sufocamos nosso desejo de falar e não ofendemos, ou aliviamos nossa consciência e ofendemos. Prevalece a vontade iminente, a necessidade, e então falamos a maldita palavra. Falamos com um certo prazer, como se aquela palavra estivesse engasgada há anos na garganta. E infelizmente podemos causar o fim de várias amizades por isso. Como quase foi o caso da Fulana de Tal, uma amiga minha que por motivos pessoais não quis se revelar, passou por esse mesmo dilema:
Tudo começou numa aula de inglês, em que os alunos tinham que dizer a palavra bit (passado de "to bite"), então, um colega da Fulana pronuncia a palavra "bitch", que acaba por chegar aos ouvidos dela, a princípio não houve nada, mas depois ela percebeu que a palavra estava ecoando dentro dela: bitch, bitch, bitch... Ela então, indiferente ao real significado da palavra, solta grande e prazeirosamente para a sua amiga ao lado: Bitch!
Sucedeu que ela gostou de dizer e repetiu com um número considerável a pronúncia da palavra para a amiga, chamando-a inúmeras vezes, a amiga, por também não saber o real significado da palavra (que mais tarde direi, se não souber, caro leitor) ignorou a pronúncia. Até que a Fulana de Tal reflete um pouco e pergunta ao colega que falou a palavra primeiro o que significava, ele humildemente responde: significa "puta". Ela entra num colapso nervoso, pois a amiga também ouvira o que realmente significava e ficara ofendida. No entanto, como o mundo dá voltas, os três amigos tiveram uma idéia, como a fonética daquela palavra era forte, resolveram alterar a grafia da palavra: de Bitch para Bêti. E o significado: de puta para legal. Uma boa solução que pode também ser adotada por vocês leitores. Um grande abraço, seus Bêtis (hehehe).

2 comentários:

Anônimo disse...

ahuiehuehuaehuiehuaehuiaehauiehiuehi
Muito engraçado, poeta! Como esse garoto sabe articular com as palavras! Ele de uma forma tão sutil as transforma como ... sei não ó, só sei que ele as transforma num mundo belo e consciente! É isso aê que eu tenho pra dizer....

Anônimo disse...

O pedro reina!

ei, foi lindo esse texto.
bêtis pra sempre /o/
eeee =D